|
|
| |
Revista
- H&C
- Household & Cosméticos |
Vol.
X - nº 53 - Jan/Fev - 2009 |
|
Sazonal Cosméticos
Cosméticos Naturais
Enquanto os cosméticos orgânicos e naturais produzidos no País timidamente vão conquistando a preferência de alguns consumidores, no exterior já têm espaço de destaque nas prateleiras das principais redes do varejo mundial.
|

As vendas globais de cosméticos orgânicos e naturais atingiram US$ 7 bilhões em 2007, de acordo com o Organic Monitor. Estados Unidos, França, Inglaterra, Japão e até a Rússia estão entre os países compradores de matérias-primas e cosméticos orgânicos e naturais brasileiros. Para Ming Liu, coordenador executivo do Projeto Organics Brasil, desenvolvido em parceria pelo Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD), a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com objetivo de fomentar a comercialização dos produtos orgânicos nacionais no mercado externo, o desenvolvimento de produtos inovadores é a chave para o sucesso. “Com a adoção de padrões das certificadoras internacionais, o Brasil tem tido a oportunidade de ser um pólo de desenvolvimento para fornecer produtos que todo o segmento de cosmética necessita, como extratos de óleos de andiroba, murumuru, buriti e outros”, explica.
Liu vê grande potencial de exportação não somente para as matérias-primas, mas também para os produtos acabados, citando como exemplo Surya Brasil e Florestas, que já podem ser encontradas nas grandes redes americanas Whole Foods e Body Shop, nas lojas Casino e Carrefour da Europa e até nas japonesas Takashimaya. “Muitas vezes, entretanto, por falta de uma regulamentação, os termos natural ou ecológico acabam sendo utilizados como um apelo puramente comercial”, comenta.
Na Europa, explica Liu, apenas Alemanha, Reino Unido, Itália e França possuem regras específicas para os cosméticos orgânicos, mas os debates a respeito têm se intensificado e toda a cadeia vem procurando informações para fugir do apelo comercial e se ajustar às regulamentações, através de certificações.
A consultora Adriana Fortunato, que passou os dois últimos anos na Europa promovendo as matérias-primas orgânicas brasileiras, entre elas a cera de carnaúba produzida pela Foncepi - que pode ser utilizada em uma série de cosméticos, como batons, sombras e bases -, conta que após vários anos de discussões, as principais agências de certificação da Europa chegaram a um acordo sobre suas normas para cosméticos naturais e orgânicos. A previsão é que a nova certificação comece ainda em abril de 2009.
Certificação no Brasil vale lá fora – No Brasil, no início da década de 80, surgiu o IBD - Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento, a mais antiga certificadora brasileira de produtos orgânicos e, segundo seu fundador e diretor, Alexandre Harkaly, é a única 100% nacional reconhecida em todo o mundo e que possui os credenciamentos para exportar para todos os países. Os cosméticos orgânicos passaram a ser certificados no País somente em 2005 e os primeiros com certificação pelo IBD foram Reserva Folio, Bioessência e Magia dos Aromas. Como ainda não existem normas nacionais oficiais para cosméticos orgânicos, o IBD segue uma corrente existente nos EUA e na Europa e recebe auditoria de agências acreditadoras. “Alguns cosméticos e shampoos estão sendo vendidos como orgânicos, mas com 10% ou menos de produtos orgânicos, ou seja, o consumidor está sendo iludido”, alerta, destacando que o IBD só certifica produtos – inclusive os de beleza – que contenham 95% ou mais de ingredientes orgânicos ou, se tiverem 70% a 94% de ingredientes orgânicos, podem ser rotulados como “preparado com matérias-primas orgânicas” (veja quadro).
 |
Como é feita a certificação |
Para que a fórmula de um cosmético seja certificada como orgânica pelo IBD, a matéria-prima deve ser orgânica certificada. Anualmente, o produtor recebe uma inspeção da agência para verificar o cumprimento das normas de produção.
Cosmético orgânico: a formulação deve conter pelo menos 95% de matérias-primas certificadas orgânicas, descontando-se água e sal. Os 5% restantes da formulação podem ser compostos por água, matérias-primas naturais, provenientes de agricultura ou extrativismo não certificados ou permitidos para formulações orgânicas.
Cosmético produzido com ingredientes orgânicos: o cosmético deve ter pelo menos 70% de ativos orgânicos certificados orgânicos, descontando-se água e sal. O restante da formulação pode ser composto por matérias-primas naturais, provenientes de agricultura ou extrativismo não certificados, ou permitidas para formulações orgânicas.
Cosmético natural: deve conter pelo menos 5% de matérias-primas certificadas orgânicas ou FSC. Os 95% restantes da formulação podem ser compostos por matérias-primas naturais não certificadas ou permitidas para formulações naturais. Uma matéria-prima só será classificada como natural se for realmente 100% natural. Água e sal não são considerados no cálculo.
Outros critérios necessários: preservar as qualidades originais das matérias-primas; causar o menor impacto possível ao ambiente, tanto na produção como no uso e descarte; atingir alta qualidade e ter rotulagem clara para os consumidores; não ser testado em animais; ser seguro para o ser humano; os produtos animais usados são somente os obtidos como subprodutos (mel e leite, por exemplo); a embalagem de um cosmético orgânico deve ser feita de material reciclável, econômico e sem produtos tóxicos.
Processos proibidos para obtenção de matéria-prima: etoxilação, sulfonação, fosfatação, propoxilação, polimerização.
Matérias-primas proibidas: corantes sintéticos, fragrâncias sintéticas, polietilenoglicóis (PEGs), quaternários de amônio, silicones, conservantes, dietanolamidas derivados de petróleo (petrolatum, óleo mineral, vaselina líquida e parafinas)
|
|
 |
Vale destacar que a certificação é um processo. A agência certificadora, através de inspeções, garante a origem das matérias-primas, os processos de produção, as instalações, o armazenamento, as condições de trabalho, o transporte e ações de preservação do meio ambiente, ou seja, a origem e o movimento dos produtos, desde a produção até o consumidor. As principais agências certificadoras mundiais são Ecocert (França), BDIH (Alemanha), Biogarantie (Bélgica), AIAB (Itália) e Soil Association (Inglaterra).
Ingredientes brasileiros – Por mais de 50 anos no mercado e presente em mais de 40 países, a Beraca é uma das maiores fornecedoras de ingredientes naturais e orgânicos para a indústria cosmética, farmacêutica e de fragrâncias, através da divisão Health & Personal Care.
Em orgânicos, a empresa produz e distribui ativos extraídos da Amazônia e de outros biomas brasileiros, como a linha Rain Forest Specialties, composta por óleos de açaí, andiroba, castanha do Brasil, cupuaçu, buriti e murumuru, e a BioScrubs, de partículas naturais de açaí, andiroba, buriti, cupuaçu, murumuru e ARS (açaí e guaraná), desenvolvidas para estimular a ação esfoliante com efeito sensorial suave e baixa abrasividade. O mais recente lançamento da empresa é o BBA (Beracare BioBehenic Active System), ácido behênico natural e orgânico para produtos para cabelo. “O portfólio da empresa inclui óleos fixos, manteigas, argilas e complexos que otimizam a eficácia de todos os tipos de cosméticos, através de benefícios cientificamente comprovados”, destaca Ulisses Sabará, presidente da empresa. A companhia também está investindo na internacionalização e inaugurou no ano passado sua primeira filial no exterior, em Paris. “Queremos atender de perto e com mais eficiência o mercado francês, além de sediar, numa posição mais estratégica, as atividades de exportação em toda Europa e Oriente”, justifica. De 2006 para 2008 o crescimento da Beraca foi de 78%.
Pharma Nostra – A Pharma Nostra, fornecedora de matérias-primas farmacêuticas para mais de 6 mil farmácias com manipulação, apresenta grandes marcas internacionais, oferecendo mais de 700 ativos e excipientes para o mercado industrial e magistral. Entre os produtos orgânicos distribuídos pela Pharma Nostra, estão o EUROL BT, extrato de oliva hidrossolúvel, e OliwaxActive, uma cera modificadora das propriedades reológicas e sensoriais, obtida através do óleo de oliva ultra refinado. A empresa também oferece a linha Olivem, emulsificante que também é ingrediente ativo. O Olivem 1000, por exemplo, além de auto-emulsionante, é restaurador e mantenedor da integridade da barreira protetora da pele.
Ativos minerais - Já a Terramater oferece ativos minerais orgânicos certificados, provenientes de fontes de argilas para aplicações em formulações de cosméticos de segurança e eficácia comprovadas clinicamente. Soraia Zonta, diretora da empresa, destaca a linha Tersil, cujos ativos contribuem para a renovação das células, absorção das impurezas, elasticidade e revigoramento dos tecidos. “Esta linha possui características únicas. No processo seletivo de extração nas minas certificadas como orgânicas pelo IBD, o insumo é descontaminado sem o uso de radiação, processo que altera a estrutura das argilas. A técnica utilizada pela Terramater, em contrapartida, não gera nenhum lixo tóxico ou contaminante, pois utiliza o gás ozônio proveniente do oxigênio e mantém preservados todos os benefícios intrínsecos dos ativos minerais”, explica.
Co-surfactante derivado do amaranto - A Arch Química oferece uma ampla linha de ingredientes naturais e orgânicos certificados pela Ecocert, além de suporte técnico em pesquisa, desenvolvimento e aplicações de produtos. Entre os ativos, a técnica Tatiana Kumayama cita os extratos de Amaranth S, um co-surfactante derivado do amaranto, biodegradável, rico em aminoácidos, minerais e vitaminas, que proporciona suavidade, maciez e diminuição de irritabilidade.
Outro destaque é o Biodynes 03, o primeiro extrato de levedura desenvolvido para fornecer proteção contra os danos causados pelo Ozônio. Produzido por biotecnologia de fermentação, durante a fase de crescimento celular da levedura, uma dose de ozônio é aplicada, que promove proteção da estrutura celular contra ozônio, minimização de linhas de expressão e rugas, redução de perda de água transdermal, aumento de hidratação e firmeza.
Tatiana destaca também o NAB Rhodiola Extract AQ, ingrediente ativo vegetal que possui propriedade adaptogênica, que confere proteção contra estresse térmico, além de melhorar oxigenação celular e garantir efeito “fat-burning”. A empresa oferece ainda extratos de mate, guaraná, gengibre, echnácea, açaí e outros.
Prontos para usar – A Surya Brasil, que acaba de se filiar à Cosmebio, associação francesa de cosméticos ecológicos e orgânicos, após seus produtos serem avaliados e atestados que estão de acordo com as especificações estabelecidas pelo Ministério da Indústria da França no segmento de orgânicos, oferece produtos para a pele e cabelos certificados pelo Ecocert. Outra certificação é o selo Vegan, da instituição americana Vegan Action, que comprova quando um produto é livre de ingredientes de origem animal e que não passaram por testes em animais.
Fernanda Teles, gerente de marketing da empresa, explica que os produtos são ricos em ingredientes vegetais ou de origem vegetal, cultivados sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos. “Eles não contêm derivados de petróleo ou matérias-primas obtidas de animais, as embalagens são recicláveis ou biodegradáveis ou com matéria-prima de fontes controladas”.
O carro-chefe da empresa são as linhas masculina Sapien Men e a feminina Amazônia Preciosa. Sapien Men são os primeiros cosméticos orgânicos brasileiros para homens com certificação Ecocert, formada por shampoo e condicionador (2 em 1), shower gel, gel para barbear, esfoliante facial, hidratante pós-barba e gel modelador para cabelos. Já a Amazônia Preciosa oferece tratamento para cabelos, rosto e corpo. Os produtos trazem óleos essenciais, extratos e manteigas para proporcionar os benefícios da natureza em seu estado mais puro.
Herança de família - A Reserva Fólio nasceu em 2003, quando Simone Valladares, pertencente a uma família que atuava há quase 40 anos na área de cosméticos naturais, decidiu unir sua experiência à preocupação com a preservação do meio ambiente e desenvolveu uma linha de cosméticos, formada por sabonetes, loções e óleos, com qualidade orgânica e natural, certificada conforme o programa IBD orgânica.
Ela emprega matérias-primas 100% naturais e em grande parte originárias da biodiversidade brasileira, como castanha-do-pará, andiroba, cupuaçu, babaçu e outros provenientes de projetos com responsabilidades social e ambiental comprovadas. Além disso, a aromatização e conservação da linha são feitas com óleos essenciais naturais, não há utilização de substâncias derivadas de petróleo, química sintética ou de origem animal e a empresa não realiza teste em animais e participa de projetos educativos, que buscam preservar ou mesmo recuperar áreas desmatadas próximas à sua localização.
“Fala-se muito de cosméticos orgânicos, mas na realidade poucos são. O que muito ocorre é a utilização de princípios ativos orgânicos, entrando na proporção de 1% ou 2% na formulação. Isto não é um produto nem orgânico nem natural de verdade. Por isso que é tão importante a presença do selo da certificadora. É para dar garantia ao consumidor da qualidade orgânica do produto”, ressalta Simone.
 |
Alternativas orgânicas e naturais |
São muitos os ativos que vêm sendo substituídos por alternativas orgânicas, naturais e vegetais. Confira alguns substitutos utilizados nas formulações das linhas orgânicas Amazônia Preciosa e Sapien Men, produzidas pela Surya.
Disodium Cocoyl Glutamate e Cocamidopropyl Betaine: substitutos ao lauril Éter Sulfato de Sódio. O Disodium Cocoyl Glutamate é mais suave e com risco muito menor de irritação. O Cocamidopropyl Betaine tem função detergente (limpeza), espessante e para reduzir a irritação que poderia resultar no caso de serem usados outros detergentes.
Dehydroacetic Acid (and) Benzyl Alcohol: conservante alternativo aos formadores de formaldeído (Imidazolidinil Urea, DMDM Hidantoina), conservantes clorados e outros. Mais suave que os convencionais.
Sucrose Cocoate: tensoativo natural orgânico, estabilizador de espuma, substituto à Dietanolamida de ácidos graxos de coco.
Esfoliante de Açaí e Esfoliante de Maracujá: esfoliantes naturais alternativos às microesferas de polietileno (derivado de petróleo).
Cetearyl Olivate, Sorbitan Olivate: emulsionante (permite que o óleo e a água na formulação “se misturem”) substituto aos componentes etoxilados (álcool cetoestearílico etoxilado, PEG) largamente usados na indústria. De origem da oliva, também proporciona hidratação à pele e aos cabelos.
Óleos e Manteigas Vegetais Orgânicas: substitutos aos emolientes e óleos derivados de petróleo. Em contato com pele e/ou cabelos, repõem sua composição lipídica. Além disso, alguns óleos possuem ação antioxidante (buriti, açaí) e hidratantes (babaçu, cacau e cupuaçu).
o Aloe Vera é um grande hidratante, revitalizante da pele e cabelo. Também possui propriedades antiinflamatórias, motivo pelo qual é muito comum em produtos pós-sol. Também é rico em minerais. Substituto de vários ativos sintéticos.
|
|
 |
Interesse pelo mate – Denise Vieira de Souza sempre gostou de tomar chás e de pesquisar as propriedades das ervas, especialmente a erva mate que, segundo ela, é uma das mais completas da natureza. “Isso consta em vários estudos e pesquisas, inclusive o Instituto Pasteur de Paris”, sustenta, ressaltando os 192 ativos, 24 vitaminas, 11 polifenóides (potentes antioxidantes), minerais e saponinas.
De tanto interesse, desenvolveu a Mate Therapy uma linha composta de 10 produtos para o rosto, corpo e cabelos. Todas as fórmulas foram desenvolvidas com ingredientes certificados pelo IBD. “Desde o inicio minha idéia foi de divulgar esse produto no exterior. Por ser a erva mate nativa somente da nossa região e com tantos benefícios”, conta. Atualmente 90% da produção vai para o mercado externo.
No caminho – Mesmo ainda sem certificação, muitas empresas começam a intensificar o uso de matérias-primas vegetais, naturais e orgânicas em seus produtos, como é o caso da Buona Vita Cosméticos, com a linha Spa Organics, elaborada à base de óleos vegetais de amêndoas doces e semente de uva e manteiga de cupuaçu, além de princípios ativos como guaraná, açaí, acerola, pitanga, maracujá, camomila, cacau, frutas vermelhas e pau-rosa.
A Amazônia Viva, marca de cosméticos botânicos, desenvolvida e comercializada pela Du Plessis, acaba de lançar uma linha de loções e óleos à base de óleo de pequi, que tem alto teor de vitamina A. A linha não tem certificação, mas a diretora Cristina Gomes Ferreira avisou que já pretende fazer alterações nas formulações para buscá-la ainda em 2009.
O que se pode perceber pelos recentes lançamentos de cosméticos é que mesmo os produtos não rotulados como orgânicos ou naturais vêm passando por uma “limpeza” em suas formulações, com a substituição de ingredientes controversos por substâncias mais seguras. Trata-se não só de uma tendência, mas de novos valores na relação entre fabricantes e os consumidores.
|
|
|
|
Workshops
2012
|
| |
10º Curso de Tecnologia e Soluções em Produtos de Limpeza-SP
17/3/2012 e 18/3/2012 |
Workshop Recife-PE
10/4/2012 e 11/4/2012 |
Workshop Belo Horizonte-MG
12/6/2012 e 13/6/2012 |
Workshop Porto Alegre-RS
10/7/2012 e 11/7/2012 |
Workshop Goiânia-GO
16/8/2012 e 17/8/2012 |
Curso de Desenvolvimento de Cosméticos PET-SP
25/8/2012 e 26/8/2012 |
|
 |
|