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 , 18 de Abril de 2014
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Ano V - nº 28 - Nov/Dez - 2004 


Especial Cosméticos

Ginástica, dieta e cremes, muitos cremes. A preocupação com as formas do corpo sempre fez parte do universo feminino. No Brasil, o país tropical de sol o ano inteiro e terra de Gisele Bündchen, a beleza é enaltecida e, para alcançá-la, para muitas mulheres, vale qualquer sacrifício. Mas com o padrão muito rígido – corpo escultural, formas perfeitas, rosto lindo e cabelo maravilhoso – , beirando à perfeição, por mais que façam, as mulheres não conseguem chegar a este ideal. Numa pesquisa mundial feita pela StrategyOne, patrocinada pela marca Dove da Unilever, foi constatado que somente 2% das mulheres se acham belas. Entre as brasileiras, 37% estão insatisfeitas com o físico. A pesquisa envolveu 3.200 mulheres, entre 18 e 64 anos de idade, de 10 países.
Não é à toa que as empresas de cosméticos investem tanto em pesquisa, desenvolvimento e lançamentos de produtos. A cada temporada, as mulheres podem encontrar mais alternativas nas gôndolas. São produtos que prometem enrijecer e exterminar gorduras localizadas, celulite e estrias. Os princípios ativos variam desde os de origem natural até os desenvolvidos com tecnologia de ponta.
De acordo com dados da Abihpec, os produtos voltados para o corpo (hidratantes, cremes para celulite, estrias, gordura localizada, seios), pós-sol, esfoliantes e cremes para massagem registraram aumento de 20,8% em volume em 2003, em relação ao ano anterior. O segmento também apresentou aumento em valor, de 24% (veja gráfico). Dentro desse segmento, os hidratantes representam 72,4% e os produtos para melhorar as formas do corpo da mulher (celulite, estrias, gordura localizada e creme para os seios), apenas 1,9%. Em valor, essa representatividade sobe um pouco e chega a 3,4%.
Embora no Brasil estes produtos ainda não tenham grande representatividade, em outros países estes itens fazem sucesso. Na França, por exemplo, em 2003, os produtos anticelulíticos e firmadores representavam 21% do mercado de body care contra 61% dos hidratantes. A oferta é grande e a consumidora pode encontrar itens de todas as marcas e preços. Para as empresas, porém, o mercado saturado dificulta o crescimento e vem daí a necessidade de expansão por outros continentes. Por aqui, muitas marcas reconhecidas mundialmente – como Vichy, Galenic, Roc ou Neutrogena – já estão presentes e podem ser encontradas facilmente nos pontos-de-venda especializados.

Aliada poderosa – A tecnologia evoluiu muito na última década e tornou-se o principal fator de inovação para esse tipo de produto. As novidades que chegam ao mercado apresentam aplicações inovadoras para ativos, novos ou já conhecidos; tudo graças ao avanço tecnológico. Se antes os produtos mais eficientes e com os melhores ativos eram caríssimos e voltados somente para pessoas com maior poder aquisitivo, atualmente até mesmo as marcas mais populares estão investindo em pesquisas e matérias-primas inovadoras.
“Hoje estão sendo utilizados vários tipos de matérias-primas, desde os produtos estritamente de origem natural, passando pelos sintéticos, oriundos da biotecnologia, e até princípios ativos que originalmente não foram desenvolvidos para fins estéticos”, afirma Karina Coyado Bispo, coordenadora de tecnologia e inovação da Beraca Ingredients.

Sem meleca – Segundo Christina Santos, supervisora de assistência técnica também da Beraca, a tendência neste segmento são formulações com rápida absorção, que não causam manchas nas roupas nem deixam a sensação de que o produto ainda permanece sobre a pele. Com as múltiplas atividades do dia-a-dia, a consumidora quer produtos eficientes, mas com uma aplicação rápida e prática.
Os novos cremes chegam com a promessa de trazer ao corpo firmeza e beleza. Os produtos para celulite, que geralmente são indicados como coadjuvantes de outros tratamentos, apresentam em sua composição substâncias que levam à quebra dos nódulos gordurosos, melhoram o fluxo sanguíneo subcutâneo e suavizam a superfície da pele. No caso das estrias, os produtos visam melhorar o aspecto da pele, estimulando a formação de tecido colágeno e deixando-a com aspecto mais saudável. Os cremes para massagem são utilizados na drenagem linfática, uma espécie de massagem que diminui a retenção de líquidos no corpo, indicada em casos de celulite, gordura localizada e inchaço.
“A maior promessa de todos estes procedimentos é a estimulação do emagrecimento, redução da celulite, atenuação das linhas das estrias, porém vale lembrar que estes produtos fazem parte de um conjunto de fatores empregados para melhorar as causas da gordura e devem ser combinados com dietas, exercícios físicos para resultados mais eficazes e rápidos”, afirma Karina Bispo.
De acordo com as especialistas da Beraca, o mercado está em expansão. “Com o crescimento do culto do corpo estamos registrando um maior interesse dos clientes nesta linha de produtos, tanto no Brasil como no exterior”, diz Christina Santos.

Mix de ativos – Em sua formulação, esses cremes e géis de embelezamento do corpo trazem matérias-primas que prometem redensificação dérmica, ativação da circulação, drenagem de líquidos intersticiais, efeito lipolítico e firmador. Tudo isso pode ser agrupado no que o mercado atualmente trata como produtos adelgaçantes, remodeladores, e escultores do corpo, ou seja, Slimming, Tightening, Firming e Sculpting. “Esses ativos são normalmente usados em formulações de produtos que trazem sensações de refrescância, e de produtos que se espalham facilmente, caracterizados pela baixa tensão superficial de suas moléculas, como ocorre com os silicones e de alguns emolientes”, explica Francisco Santin de Souza, assistente técnico do departamento de Tecnologia e Inovação da Cosmotec Especialidades Químicas.
“Sem dúvida podemos afirmar que o mercado cosmético evoluiu consideravelmente nos últimos dez anos, seja na descoberta e utilização de novas tecnologias e ativos quanto na amplitude e preocupação do tratamento corpóreo”, afirma Juliana Betiol Avi, especialista técnica de Skin Care do departamento de Tecnologia e Inovação da Cosmotec. Segundo ela, há alguns anos, os produtos anticelulite eram baseados em mentol e cânfora, que simplesmente provocavam um resfriamento na pele, dando a sensação de queima de gordura.

Tendências em formulações – Embora alguns ativos tenham sido substituídos com o tempo, há matérias-primas utilizadas desde os primórdios empregadas até hoje. “Como exemplo há as xantinas, que produzem um efeito lipolítico, sendo a cafeína e teofilina as mais utilizadas”, afirma a especialista. “Outros que também exercem atividade lipolítica e descongestionante e que continuam sendo largamente usados são os extratos vegetais como a castanha da índia, hera, ruscus e algas marinhas”, acrescenta.
Atualmente, a grande novidade fica por conta da associação de ingredientes naturais com tecnologia. Segundo explica Francisco de Souza, há algum tempo, utilizava-se o extrato vegetal como um todo e agora, o que acontece é que com a tecnologia é possível fazer uma busca mais específica, procurando na planta qual molécula é responsável por determinada ação.
O foco, na opinião de Souza, está em produtos multifuncionais, em que uma mesma molécula seja capaz de trazer diversos benefícios. Com isso, reduz-se o número de ativos nas fórmulas – que significa menor custo, maior facilidade e estabilidade – e aumenta-se a viabilidade de desenvolvimento e produção.

Consumo 2 em 1 – Além disso, por se tratar de problemas difíceis de serem solucionados, as indústrias cosméticas procuram no mercado produtos que ofereçam uma abordagem global ao problema. Desta forma, já podem ser encontrados anticelulíticos que podem agir desde a estocagem de gordura até a drenagem, além de melhorar a elasticidade e firmeza da pele. “Atualmente contamos com alguns avanços científicos, que possibilitam a obtenção de produtos cosméticos completos nessa área”, diz Juliana Avi.
Na sua opinião, apesar de todas as inovações e da constante preocupação das brasileiras com a estética, ainda é comum ocorrer uma certa descrença em relação à eficácia dos produtos e por isso muita gente ainda prefere investir nos tratamentos das clínicas estéticas. “Mas hoje a indústria cosmética conta com avanços tecnológicos e ativos eficazes que possibilitam o desenvolvimento de produtos realmente efetivos”, afirma. “Ou seja, os cremes podem ser combinados com o tratamento das clínicas e, em alguns casos, até mesmo substituí-los”.

Mercado restrito – Esses produtos representam uma área promissora para algumas empresas, que apostam na vaidade da mulher brasileira com seu corpo. “Além das vendas, eles trazem a fidelidade da consumidora”, afirma Maria Luisa Pucci, diretora da Givenchy no Brasil. “Precisamos, porém, ter em mente que estamos falando de produtos cujo preço médio vai de R$ 160,00 a R$ 250,00, e que somente uma camada limitada da população pode adquirí-los”. Segundo ela, atualmente o melhor mercado consumidor de produtos para a pele é a Ásia, pois a mulher asiática sonha em ter uma pele perfeita e bem branquinha, ao contrário da brasileira, que investe numa pele bronzeada.
Fechando 2003 com um crescimento de 20% no segmento de tratamento corporal e facial, a Givenchy investe em formulações à base de princípios ativos naturais como chá verde ou shitake, que prometem trazer múltiplos benefícios e não agridem a pele. Seu mais recente lançamento é a linha de tratamento firmador No Complex, que possui produtos específicos para cada região do corpo – soro para o busto, fluído para o ventre e cintura, creme para os glúteos e ainda um tônico corporal que hidrata, tonifica e dá vitalidade – todos formulados com extrato de shitake. Qualquer pessoa pode utilizá-los, mas a empresa sugere que o soro para o busto não seja usado durante a amamentação.

Hidratação – Uma das empresas mais conhecidas no segmento de beleza, a L´Oréal, também investe nesse segmento em nosso mercado. De acordo com Roberta Rocha, gerente de Skin Care da empresa, uma pesquisa realizada em 2003 pela L´Oréal mostrou que a brasileira é obcecada por hidratação. Segundo os dados obtidos, cerca de 65% das consumidoras usam hidratante corporal mais de uma vez por dia, mantendo uma média de uso de 11 vezes por semana.
Diante disso, a empresa desenvolveu a linha Body-Expertise, que conta com dois hidratantes, um anti-estrias e dois anti-celulites. “São produtos que aliam performance e prazer com alta tecnologia de hidratação, esfoliação, tonificação e firmeza”, diz a gerente. Não há qualquer restrição de uso, a recomendação é somente evitar o contato com os olhos. “O Anti-Estrias pode até ser usado durante a gravidez”, diz a gerente. Com o uso prolongado, a proposta da empresa é proporcionar benefícios como uma pele mais firme, elástica e hidratada, com redução de estrias e da celulite.

DMAE – Outra empresa que investe em cuidados para o corpo da mulher é a Anna Pegova, que recentemente lançou o Gel Minceline Plus avec DMAE, um produto que tem em sua composição ativos lipolíticos – que metabolizam as gorduras – como cafeína, guaraná e fucus; ativos firmadores com DMAE (7%) e lipoproteínas vegetais (Prele e Alchemille); e ativos drenantes como hedera helix e ficaire.
Muito utilizado nos mais recentes produtos cosméticos, o DMAE é um reparador celular que permite aumentar, de maneira significativa, o crescimento dos fibroblastos, responsáveis pela fabricação de todas as fibras de sustentação da pele, como colágeno e elastina. A substância promete restaurar a fluidez das membranas celulares protegendo-as dos fenômenos de degradação oxidativa. Com permeabilidade celular restabelecida, ela facilita as trocas intercelulares e, portanto a recuperação do tônus e da firmeza da pele.
Entre as promessas do produto estão: destruir os acúmulos de gorduras e nódulos de celulite; favorecer a síntese do colágeno, regenerando e firmando a pele e protegendo-a dos radicais livres e melhorar a resistência dos vasos capilares e a circulação sanguínea e linfática, responsável por drenar as toxinas. Segundo a empresa, um dos diferenciais do produto é o C.A.V. (Cumulative Action Vector), patenteado pelos laboratórios Anna Pegova, que permite aos ativos lipolíticos atravessarem a barreira da pele para agir nas camadas mais profundas, proporcionando resultados mais rápidos e visíveis.

Procura e demanda – Oferta é o que não falta. A indústria cosmética investe continuamente na beleza do corpo da mulher. Segundo especialistas do setor, a tecnologia e a inovação, hoje muito presente nas grandes marcas cosméticas, deve se distribuir para os produtos populares, atingindo assim também a população de menor poder aquisitivo. Consumidoras dispostas a investir no visual também tem de sobra, afinal beleza é ou não é fundamental?

Ativos utilizados recentemente na fabricação de cosméticos
 
Anticelulite
Cafeína, teofilina e aminofilina (grupo das xantinas): promovem a quebra da gordura
Extrato de hera, ruscus, bioflavonóides da laranja amarga, folhas de boldo: descongestionam a área onde existe celulite
 
Firmador
Glicoproteínas e polissacarídeos da soja: tem propriedades de reorganização das fibras de colágeno e aumento da capacidade contrátil dos fibroblastos, as células que produzem colágeno.
Oligossacarídeos e ácido galacturônico do shitake: inibe a enzima que degrada o colágeno e a elastina
 
Anti-estrias
Proteínas e polissacarídeos da 'cucurubita pepo', uma planta da família da abóbora: a mais recente novidade para o tratamento de estrias, pois o ativo inibe as enzimas que degradam as fibras elásticas da pele
 


 


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