Guia Químico
 
 , 8 de Setembro de 2010
   Revista - H&C - Household & Cosméticos Vol. X - nº 58 - Nov/Dez - 2009 

  Especial Household

Limpeza Verde

Consumidor quer tudo limpo:
a casa, a roupa e o meio ambiente





Naturais, biodegradáveis, concentrados, que economizam água, que reduzem emissão de CO2 e outros atributos verdes são fatores cada vez mais valorizados pelos consumidores de produtos de limpeza A ordem do ecologicamente correto para os produtos de limpeza prega que consumidor consciente é aquele que prioriza itens com foco na  preservação da natureza. Por sua vez, a tecnologia tem dado uma mãozinha para que o desenvolvimento de inovações nesse sentido comece a ser também economicamente vantajoso para as empresas. Reduzir os impactos não só virou imperativo, como também um reforço em qualquer estratégia de marketing. Muito antes de a biodegradabilidade ser exigida por lei, surgiu, em 1981, a Cassiopéia, decidida a fabricar produtos biodegradáveis. A linha Auxi, lançada no mesmo ano e comercializada em sistema de venda direta, foi a primeira biodegradável no país. São produtos concentrados para limpeza de vidros, azulejos, material esportivo, carros, paredes, roupas, piso, carpete e outros. Hoje, a empresa conta com um amplo portfólio de produtos 100% naturais e biodegradáveis. Entre as linhas disponíveis, está a BioWash, que chegou ao mercado varejista em 2006 e foi a primeira do Brasil a conquistar o selo natural do IBD (Instituto Biodinâmico), o que garante segurança para quem usa,  rápida biodegradação e alto poder de limpeza.

Becky: orgulho de ter um
produto 100% de origem vegetal

Clientes em Dubai e EUA - Entre os produtos que podem ser encontrados estão amaciante, lava-louça, limpa-vidro, limpa-banheiro e detergente em pó, todos com fragrâncias que remetem a aromas da natureza, como capim-limão, menta e cravo. Cerca de 5% da produção é exportada, principalmente para Dubai e Estados Unidos. Becky Weltzien, sócia diretora da Cassiopéia, explica que a diferença entre produtos da empresa e os convencionais está nas matérias-primas, que são de origem vegetal e não petroquímica e 100%biodegradáveis, seguindo diretrizes internacionais de biodegradabilidade. Ela lembra que desde 1998 é lei no Brasil que o tensoativo dos produtos de limpeza seja biodegradável, o que não impede que seja de origem petroquímica, fonte não renovável.  “O restante da formulação, como as fragrâncias, corantes e conservantes, não precisa ser biodegradável e acaba poluindo o meio ambiente.No caso dos nossos produtos, não só o tensoativo é biodegradável, mas a formulação inteira”.  “No começo não foi fácil desenvolver as formulações. À medida que foram surgindo matérias-primas de origem vegetal para substituir as de origem petroquímica, as formulações foram sendo ajustadas e hoje podemos dizer com orgulho que temos um produto 100% de origem vegetal, biodegradável, que não polui o meio ambiente e nem agride a saúde”, comemora Becky, destacando que maioria das matérias-primas é brasileira e outra parte importada. “Mas a tecnologia e a empresa são 100% brasileiras”.Em relação ao custo e à qualidade, a executiva garante que o preço dos produtos Bio Wash é compatível com os top de linha dos concorrentes, o que restringe o público-alvo às classes A e B, e os produtos têm boa aceitação, pois são muito eficientes, “até mais do que os concorrentes”.

Aposta verde das tradicionais - As empresas tradicionais também começam a apostar em tecnologia verde. A Química Amparo, por exemplo, que já havia disponibilizado no ano passado o lava-roupas Ypê Premium totalmente livre de fosfato, conhecido pela sigla STPP (tripolifosfato de sódio), que foi substituído pelo zeólito, com menor impacto ambiental, agora também retrabalhou o detergente em pó Tixan Ypê, reduzindo o teor de fosfato de sua fórmula. A concentração da substância ficou abaixo dos níveis permitidos pela legislação. O fosfato é responsável pelo efeito conhecido como eutrofização, que é a  a proliferação de algas na água, que consomem o oxigênio e provocam mortandade de peixes. O detergente também ganhou duas novas versões: Flores Brancas e Energia do Sol. As embalagens de papel cartão possuem certificação FSC, que garante o manejo responsável dos recursos florestais na obtenção da matéria-prima. João Fabrim, gerente de desenvolvimento de produtos, explica que na Química Amparo todo o processo produtivo deve assegurar que o meio ambiente não sofra agressão em função dos resíduos gerados. “Primeiramente, a Ypê segue a legislação vigente no país, que determina que os tensoativos aniônicos utilizados devem ser biodegradáveis. Além dessa característica, todo o desenvolvimento é pautado na avaliação das conseqüências dos produtos quando são despejados no meio ambiente, nas matérias-primas utilizadas e na utilização de embalagens recicláveis, e quando possível, as embalagens feitas de material reciclado”.

Cirilo: detergente economiza
30% de água

Princípios ambientais - A Procter & Gamble, de acordo com diretor de marketing de Ariel, José Cirilo, leva em conta desde a década de 60 os princípios de proteção ambiental na manufatura de seus produtos. Para garantir que o produto tenha o melhor desempenho e o menor impacto no meio ambiente, cada um dos componentes dos produtos passa pelo Environmental Risk Assessment (Avaliação de Riscos Ambientais), antes de serem lançados com segurança ao mercado. A empresa também tem algumas metas de sustentabilidade em relação à sua produção, como gerar no mínimo US$ 50 bilhões em vendas cumulativas referente a produtos com reduzido impacto no meio ambiente nos próximos 4 anos, bem como reduzir em 20% as emissões de CO2, energia e consumo de água. “Esses índices são trabalhados por meio de investimento em pesquisa e inovação, conceitos que são a alma da companhia, pois entendemos que sem inovação não conseguimos manter a perenidade do negócio”. Cirilo cita como exemplo de desenvolvimento o Ariel Oxiazul Ecomax com embalagem compacta, que gera menos resíduos sólidos e faz com que sejam transportadas muito mais unidades dentro do caminhão, o que diminui a emissão de gases na atmosfera. Menos carretos, menos combustível, menos emissão de poluentes. O detergente em pó também foi desenvolvido com fórmula concentrada, que tira manchas, inclusive secas sem deixar a roupa de molho na máquina, o que já economiza água. “Além disso, o produto sai com mais facilidade da roupa, tornando o enxágüe mais fácil. Normalmente, a roupa passa por três sessões de enxágüe, duas para retirar o sabão e uma para o amaciante. Mas o novo detergente em pó Ariel Oxiazul Ecomax sai da roupa num único enxágüe, economizando assim 30% de água. Uma lavagem normal gasta, em média, 150 litros de água e economizando 30%, gastam-se 45 litros a menos”.

Formulação concentrada - No ano passado, a Unilever lançou Comfort Concentrado, um produto que rende o mesmo que um Comfort 2 litros e custa aproximadamente 20% menos. Entre as vantagens, a empresa destaca a economia de 79% de água na sua fórmula, o que equivale a 30,5 piscinas olímpicas ao ano. Como a embalagem é menor, gera uma economia de 58% de plástico por ano, cerca de 1,6 mil toneladas, diminuindo assim vários impactos ambientais, como emissões e consumos associados à embalagem. No transporte, há uma redução de 52% em caixas de papelão, 67% em pallets e 67% de caminhões a menos nas estradas, diminuindo gastos com combustível e a emissão de poluição no ar.

Papel higiênico compacto - A Kimberly-Clark lançou o Scott Compacto, papel higiênico que ocupa 45% menos espaço que o tradicional sem prejudicar o consumidor, que continua levando a mesma quantidade de papel higiênico por rolo. Isso é possível devido a uma tecnologia que compacta os rolos de papel higiênico no momento em que o produto é embalado. Para a utilização, basta pressionar o rolo e ele volta ao tamanho normal e já conhecido pelo consumidor. Mário Loor, diretor de cuidados com a família, explica Scott Compacto foi desenvolvido dentro da visão de sustentabilidade que norteia os lançamentos da empresa. Em função da redução do tamanho do pacote, o produto consome menos material plástico para cada embalagem, cerca de 31%. Essa mudança também otimiza o transporte, proporcionando a seus distribuidores e clientes um ganho de até 25% mais espaço por veículo, contribuindo para a redução das emissões de gases estufa no meio ambiente. O lançamento será comercializado em embalagens de 8 rolos de folha dupla, compactados. O produto será comercializado inicialmente nas regiões Norte e Nordeste.

O exemplo do Walmart - O Walmart Brasil comemora o resultado do projeto de logística reversa do sabão em pedra de marca própria TopMax, iniciado há 10 meses. Fabricado com óleo de cozinha que os clientes depositam nas estações de reciclagem das lojas Maxxi, o item já e evitou que mais de 2 toneladas de óleo fossem despejados no meio ambiente. O produto é resultado programa piloto do Walmart com o objetivo de incentivar seus clientes a descartarem corretamente o óleo de cozinha usado. As barras de 400g de sabão são vendidas por mais de 20% abaixo do preço da marca líder no mercado. Até o final do ano o produto chega a todas as 371 lojas do Brasil. Em doze lojas Maxxi Atacado em que está disponível no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, já foram vendidos mais de 10 mil quilos de sabão. Cada item contém 20% de óleo reciclado. A empresa parceira no projeto é a Bertolini, instalada no Vale do Taquari (RS), que fabrica sabão desde 1966, e que há dez anos reúne experiência no uso do óleo de cozinha usado. "Além de impedirmos que este óleo fosse despejado no meio ambiente, com efeitos bastante danosos, conseguimos que ele fosse reaproveitado na forma de um produto necessário e barato", diz Julia Pettini, diretora de marcas próprias do Walmart Brasil. "É uma ideia simples, mas que demonstrou ter grande apelo entre os clientes”.

Logística reversa - A destinação adequada das embalagens no pós-consumo é também um dos grandes desafios para a indústria e o poder público.  O Projeto Dê a Mão para o Futuro, lançado no Rio de Janeiro, com o mote “Colabore com a reciclagem e ajude a gerar trabalho renda”, resulta de uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla) e a Associação Brasileira de Produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), criando formas de reaproveitamento de embalagens e estimula a organização de cooperativas e catadores. Por sua vez, os municípios comprometem-se com a implantação ou melhoria da coleta seletiva municipal e as entidades com a capacitação das associações ou cooperativas de catadores.
Becky Weltzien destaca a satisfação pessoal que traz poder colaborar com a preservação do planeta e a qualidade de vida das futuras gerações: “Ganharão todos aqueles que tiverem essa preocupação e efetivamente agirem em prol do planeta, como todos nós da Cassiopéia, uma consciência mais tranqüila pelo esforço de tentar reverter um quadro cada vez mais alarmante”.


Dara O’Rourke, um professor de políticas ambientais e trabalhistas da Universidade de Berkeley, na Califórnia, reuniu acadêmicos, cientistas e pesquisadores em consumo e criou um site para informar os consumidores sobre as substâncias contidas nos produtos que levavam para casa, o Good Guide (www.goodguide.com.br).

"Estamos subvertendo o mundo do marketing. Em vez de ter companhias dizendo a você em que acreditar, os consumidores estão ditando as regras sobre o que realmente desejam”, disse ao New York Times. O site tem feito sucesso  entre os consumidores e empresasm como as redes de varejo Whole Foods e Wal Mart, que contrataram o serviço para saber se um produto é realmente o que promete

 


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