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Consumo mantém crescimento

Panorama econômico contribui para continuidade do
aumento do consumo
O cenário foi positivo em 2007. Inflação controlada, maior facilidade de crédito, produção industrial em crescimento, aumento da renda média e menor taxa de desemprego foram fatores que, entre outros, contribuíram para o crescimento do consumo. Segundo Mario Lynch, diretor de Marketing da Nielsen, os consumidores passaram a ter maior acesso a bens duráveis e serviços e que, em consumo de massa, experimentem categorias não básicas, como bebidas à base de soja, iogurtes, colorações e amaciantes.
“O mercado interno é sustentado pelo cenário internacional favorável e pelo aumento da massa de emprego em condição de melhor remuneração”, diz Lynch. Nas principais regiões metropolitanas, a renda média mensal cresceu 4,6%, a taxa de desemprego caiu para 7,4 e a participação dos trabalhadores com carteira assinada aumentou 6,5%. O número de pessoas desocupadas caiu 9,5%.
A demanda interna impulsionou o crescimento do PIB brasileiro, principalmente no segundo semestre do ano passado. O índice fechou em 5,4%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O setor industrial, segundo a Nielsen, apresentou picos de crescimento de 5,36% a 10,46% nos últimos meses de 2007, fechando o ano com variação de +5,5%.
Um dos destaques principais ficou com os bens de consumo duráveis, que cresceram 7,6% no acumulado do ano. Transporte e itens associados à produção de informática e telefonia celular fizeram com que os bens de capital crescessem 18,4%. Semiduráveis e não duráveis registraram incremento de 3,2%, em linha com o desempenho das cestas auditadas pela Nielsen (+3%).
Destaques – O crescimento de alguns setores da indústria é acompanhado pelo alto nível de utilização da capacidade instalada (87,20% em dezembro de 2007). O ano se encerrou com taxa de inflação dentro da meta (IPCA = 4,5% e IGPM = 7,7%/). “A análise desses dados nos leva a questionar se o alto patamar de utilização da capacidade instalada trará problemas para atendimento da demanda crescente ou se os níveis de investimentos são adequados”, explica Mario Lynch.
O cenário econômico positivo é acompanhado pelo aumento do volume de crédito em 27,3%, comparando a 2006. Preocupado com o possível efeito nos preços, o Copon manteve a taxa básica de juros em 5,97%. Apesar do baixo índice médio de inadimplência nas operações bancárias (7,1%, segundo Banco Central), Lynch alerta para a possibilidade da grande quantidade de crédito na praça causar no futuro a retração do consumo frente ao grande endividamento.
Os efeitos dessa conjuntura estão refletidos no varejo, que apresenta o melhor resultado dos últimos três anos com incremento de 9,2%. Grande parte dessa nova demanda fica alocada para os bens duráveis, que ganham espaço e encabeçam a lista de intenção de compra. Automóveis, eletroeletrônicos e móveis formam o Top 3 na lista de desejos do consumidor. A indústria cresceu 6% e os itens de consumo de massa registraram baixo patamar de crescimento (+3%).
O crescimento do varejo acima da produção industrial pode ser compreendido em parte pelas importações que ajudam a atender a demanda interna. A taxa de câmbio favorável ao Real (frente ao dólar – US$ 1para R$ 1,79) contribuiu para o aumento dos importados. O saldo da balança comercial caiu 13%, porém as exportações ainda superam as importações.

Cestas – Em 2007, o total de categorias regularmente auditadas pela Nielsen registrou crescimento em volume de 3% e em faturamento de 4,1%. Os preços aumentaram 1,1%. O aumento do preço médio foi impulsionado pelas categorias de Leite Asséptico, Farinha de Trigo e Leite em pó, que tiveram reajuste acima de 10%. Higiene Pessoal variou +1,5% em volume e apenas +0,9% em valor. Os preços têm uma pequena redução de 0,6%. A cesta de Limpeza variou seus volumes em 1,2% e registrou queda em valor (veja gráfico).
Das categorias auditadas pela Nielsen, 41% registraram crescimento em volume acima de 3%, 42,3% se mantiveram estáveis e 16,7% apresentaram queda abaixo de 3%. Cerca de 53% do faturamento vêm das categorias em ascensão e 42% das que estão em estabilidade. As categorias em queda têm participação nas vendas do varejo de aproximadamente 5%.
No quadro atual de aumento de renda, as marcas de baixo preço continuaram fortes, mas ganharam espaço as marcas de preço intermediário e alto. Em Bebidas Não Alcoólicas, por exemplo, as marcas de preço alto atingiram participação de 40% nas vendas da cesta. Em Mercearia Salgada e Perecíveis, o destaque foi para os produtos de preço intermediário, que representaram 44,8% e 36,7% no total das cestas.
Após seqüência de crescimento nos últimos anos, o pequeno varejo apresenta-se estável. Os supermercados pequenos e médios têm desempenho positivo em quase todas as cestas e os hipermercados se retraem, com queda em todas as categorias, exceto em Bebidas Alcoólicas.
Na quebra por região, destaque para Grande São Paulo e Grande Rio, que crescem 6% e 5,4%, respectivamente. Destaque também para o Centro-Oeste, região onde todas as cestas tiveram performance positiva.
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