FCE Cosmetique
 
 , 8 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos Vol. IX - nº 49 - Mai/Jun - 2008 

  Especial Cosméticos

 
 

Cosméticos em disparada



Mercado consumidor brasileiro é o terceiro maior do mundo

Com faturamento de aproximadamente US$ 18 bilhões (preços ao consumidor – Euromonitor/ base 2006) e participação de 6,7%, o mercado brasileiro perde apenas para Estados Unidos, com US$ 50 bi e Japão, com quase US$ 30 bi.
Dados nacionais projetados pela Abihpec apontam para um faturamento de R$ 19,8 bilhões em 2007, uma variação de 13% comparado ao ano anterior. De 1996 a 2006, o crescimento anual médio, segundo a associação, foi de 10,9%, enquanto o da indústria em geral e o do PIB foi 2,6%. Os cuidados com a beleza mostram melhor desempenho em termos de crescimento do que os itens de higiene.
O segmento de cuidados com os cabelos foi o que mais cresceu, passando de um faturamento de R$ 4,75 bi para R$ 5,54 bi. Nos últimos cinco anos, os itens para tratamento foram os que registraram a maior variação (crescimento anual médio), com 26,8%, seguidos por colorações, 20,6% e xampus, 4,5%.
As fragrâncias também se destacaram, passando de um faturamento de R$ 2,38 bi em 2006 para R$ 2,67 bi em 2007. Os itens masculinos são os que mais contribuem para o desenvolvimento do segmento, com crescimento anual médio de 14,7%, contra 2,8% dos femininos e 6,6% dos infantis. Porém, mensurar este resultado não é tão fácil. “Muitas mulheres têm o hábito de usar perfumes masculinos”, diz João Carlos Basilio, presidente da Abihpec.
O crescimento tem reflexo também nas fornecedoras de matérias-primas. A categoria de Fine & Beauty da IFF teve seu quarto ano consecutivo de crescimento de vendas. Na região da América Latina, cresceu 11%, “basicamente devido aos lançamentos com suas fragrâncias”, conta Cristina Lindo de Brito, gerente comercial. “Em termos de inovação, expandimos a comercialização de diversas tecnologias com ênfase na área de fragrâncias microencapsuladas e obtivemos 21 patentes em novas moléculas”, acrescenta.
A categoria de maquiagem também figura no Top 3, com crescimento de 23% em 2007, segundo projeções da Abihpec, com faturamento na ordem de R$ 1,44 bilhão. Itens para os lábios lideram a participação neste total, com 34%, seguidos por itens para unhas, com 31%, itens para os olhos, com 20% e itens para a face, com 15%.
Em maquiagens para os lábios (batons, brilho/ gloss e delineador/ lápis labial), os batons são os mais representativos no faturamento, porém tem registrado quedas nos últimos anos. Em 2002, representava 80,3% e em 2007 passou para 65,5%. No sentido contrário, vêm os brilhos/gloss, que passaram de 16,4% em 2002 para 32,7% em 2007.

Higiene O segmento de cuidados com a pele também teve desempenho positivo, com faturamento de R$ 1,79 bi, uma variação de 16,9% comparado ao ano anterior. Os itens para o rosto, com crescimento anual médio de 8,3% nos últimos cinco anos, são responsáveis por 53% do faturamento deste segmento. Itens para o corpo, com participação de 38% no faturamento, cresceram 14,8% neste mesmo período. Neste mercado, em valor, o destaque fica com a venda direta, responsável por quase 69,6%. O canal tradicional representa 26,2% e as franquias, 4,2%. Em volume, entretanto, o canal tradicional está na frente em distribuição, com 49,8%, seguido por venda direta, com 45,7% e franquias, com 4,5%.
A categoria de desodorantes, segundo a Abihpec, obteve incremento de 8,5% em valor no ano passado, alcançando faturamento de R$ 1,65 bi. Ainda em 2008, o consumo brasileiro poderá ultrapassar o dos Estados Unidos (maior consumidor mundial), segundo projeções de Euromonitor e Abihpec.
O mercado nacional de anti-transpirantes deve movimentar, em 2008, US$ 2,31 bilhões, um crescimento de US$ 162 milhões em relação a 2007. Nos Estados Unidos, a indústria deve faturar US$ 50 milhões a menos até dezembro, caindo de US$ 2,36 bilhões para US$ 2,31 bilhões.
Desodorantes nos formatos aerossol e roll on são os que mais crescem no Brasil (crescimento anual médio nos últimos cinco anos). A penetração desta categoria também aumentou. Há cinco anos, 76% da população usavam desodorantes. Hoje, são 87%, segundo dados da Abihpec.
No segmento banho, os sabonetes líquidos ganham espaço. Nos últimos cinco anos, o crescimento médio foi de 9,5%, contra 2,7% dos itens em barra. Só em 2006, os itens líquidos cresceram 25,5%, ante o ano de 2005.
Porém, enquanto os líquidos dominam o mercado nos Estados Unidos (90%), segundo o presidente da Abihpec, por aqui o formato barra ainda é líder, com quase 90% de participação. “O sabonete líquido conquistou o lavabo e foi para a pia do banheiro, agora está buscando espaço no box”, diz Basilio.
Em higiene oral, as estrelas são os enxaguantes bucais, que registraram crescimento anual médio de 19,7% nos últimos cinco anos. O segundo colocado, escovas, obteve aumento de 8,1% neste período, seguido por fios dentais, com 7,8%, e cremes dentais, com 4,1%.
Segundo Basilio, uma recente pesquisa da LatinPanel mostrou elevado interesse de consumidores das classes D e E por este tipo de produto, principalmente no Norte e no Nordeste. Os enxaguantes representam 9% do faturamento, que chegou a R$ 1,81 bilhão em 2007, uma variação de 11,7%. Os cremes dentais possuem 66% de participação, as escovas, 21%, e os fios dentais, 4%.

  Cuidados com a saúde

O segmento de proteção solar foi o que mais cresceu nos últimos cinco anos no Brasil, com 20,8%. Esse resultado tem uma explicação: a maior conscientização dos consumidores em relação à proteção de sua pele.
O faturamento em 2007 chegou, segundo projeções da Abihpec, a R$ 580 milhões. Em 2002, foi de R$ 248,5 milhões. Os protetores solares são os mais representativos, com 89% de participação em valor. Em seguida, vêm os itens infantis, com 6%, os bronzeadores, com 3% e os auto-bronzeadores, com 2%.
Neste mercado, os itens com fator de proteção maior que 16 crescem rapidamente e muito mais que os produtos com FPS menor. Em 2006, por exemplo, o incremento dos itens com FPS menor que 16 foi de 0,5%, enquanto o dos produtos com FPS acima de 16 cresceSram 30,3%. Isso, segundo a Abihpec, deve-se ao aumento contínuo da conscientização relacionada à importância do uso deste tipo de produto.


  Destaque no varejo

A categoria cosmética em evidência, segundo a Nielsen, é a de Colorações para os Cabelos, que registrou incremento de 7,2%, alavancado pelas marcas de baixo preço (que já representam quase metade do volume da categoria) e o maior acesso por parte do consumidor.
Segundo a empresa, cerca de um milhão de lares não compraram a categoria em 2006 e passaram a comprar em 2007. Os consumidores de nível sócio-econômico baixo foram os que mais contribuíram para o crescimento da categoria.
De acordo com dados da Nielsen, a cesta de higiene pessoal teve variação de 1,5% em volume e 0,9% em valor, em 2007. Os preços tiveram uma pequena redução de 0,6%
.








Busca por inovação –
O setor cosmético no Brasil conta com mais de 1,5 mil empresas, sendo que aproximadamente 20 delas representam praticamente 75% do mercado. De acordo com a Abihpec, pelo menos 15 são de grande porte, com faturamento líquido acima de R$ 100 milhões. A competitividade é alta, segundo profissionais da área, por isso é preciso inovar. A Anvisa, por ano, recebe até quatro mil pedidos de registros de novos cosméticos. Produtos com baixo grau de risco, que não precisam de registro, somam mais de 70 mil. A Natura e o Boticário exemplificam essa “corrida pelo novo”. As empresas apresentam ao mercado de 200 a 300 novidades por ano aproximadamente.
No mercado de cuidados com os cabelos, há outro exemplo. Para se diferenciar, a fórmula é simples: lançamentos inovadores, promoções, divulgação. A marca Éh, da Hypermarcas, aposta no design diferenciado das embalagens e no uso da tecnologia verde. A Natura investe em ativos diferenciados de origem vegetal para levar tratamento aos cabelos dos consumidores. E a Unilever e a Colgate-Palmolive acreditam no oferecimento de uma gama de produtos que atenda a diferentes necessidades de consumo. Enfim, cada fabricante vê a inovação por um caminho.

Classes sociais – O crescimento das classes de renda mais baixa contribui para o aumento do consumo no setor de higiene e beleza, uma dos mais impactados perante esse fato. Há mais de cinco anos pelo menos, aumenta continuamente o consumo das classes D e E. As famílias com rendimento mensal de até quatro salários mínimos compraram 11% mais alimentos, bebidas e produtos de higiene pessoal e de limpeza entre janeiro de 2003 e agosto de 2006, segundo uma pesquisa da Latin Panel. Outro dado revelado é que de 2005 a 2006, mais de dois milhões de famílias migraram das classes D e E para a C.
E é nesta classe, a C, que os consumidores passaram a buscar por itens mais sofisticados em 2007. O consumo desta classe pode ter chegado a R$ 365 bilhões, cerca de um quarto do gasto total das famílias brasileiras, segundo projeções da consultoria Target. Em cinco anos, o consumo da classe C quase dobrou.


Exportações –
No mercado externo, o setor também conquistou resultados positivos. Em 2006, empresas brasileiras exportaram US$ 484,5 milhões, representando um aumento de 18,8% ante o ano de 2005.
Para 2007, segundo projeções da Abihpec, a exportações podem ter chegado a US$ 531 milhões, uma variação de 9,6%. Países da América do Sul são os principais destinos dos produtos brasileiros, representando quase 60% do mercado comprador.

Tendências – O mercado cosmético, em alta, proporciona oportunidades em quase todos os segmentos. Um dos mais promissores ainda é o nicho de itens masculinos.
Esse foi um dos assuntos-chaves tratados na 26ª Reunião Anual de Dermatologistas Latino-Americanos (Radla), realizada recentemente em Curitiba. Dados da Abihpec mostram que o setor de produtos masculinos movimenta mais de R$ 1,5 bilhão por ano, quase 10% do total do setor.
“A pele dos homens costuma ser mais oleosa, uma vez que possui maior secreção das glândulas sebáceas que são estimuladas pela testosterona, o hormônio masculino”, diz Érica Monteiro, dermatologista especializada em Cosmiatria. “Devido à maior quantidade de produção de fibras de colágeno dérmico, que são as estruturas responsáveis pela firmeza da pele, o homem tem um ritmo de envelhecimento mais lento, porém, as vantagens de maior resistência da pele do homem não excluem o tratamento e os cuidados diários para manter a aparência jovem e saudável”, ressalta.
No ano passado, a Natura apostou num Espaço Homem no São Paulo Fashion Week. No lounge da empresa, foi criado um espaço 100% dedicado a eles, com barbeiro e esteticista. A ala masculina não só aprovou a idéia como também fez fila para uma sessão de beleza com direito a experimentar todas as novidades, além de se barbear.
A Nivea, uma das 100 empresas com crescimentos mais significativos, segundo análise da Best Global Brands 2007/Interbrand, “tirou proveito” dos consumidores masculinos, mais preocupados com a beleza nos últimos anos. A empresa desenvolveu novos produtos (anti-age e anti-celulite) e promoveu essas novas linhas sob um forte apelo visual. Além disso, investiu em mídias alternativas, como vídeos e até aparições em jogos de videogame.
Dados da Euromonitor mostram que o mercado mundial em 2010 poderá alcançar US$ 24,3 bilhões, quase o dobro do registrado em 1997, US$ 13 bilhões. No Brasil, a Abihpec registrou crescimento acumulado de 54,55% de 1999 a 2005. Eis uma dica.



 


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