FCE Cosmetique
 
 , 8 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos Vol. IX - nº 48 - Mar/Abr - 2008 

  Especial Household

Limpeza é destaque entre
pequenos e médios
g

Investimentos moderados e espaço para aumento
da demanda atraem empresários de pequeno e
médio porte ao setor de limpeza


No Brasil, 99% dos fabricantes de produtos de limpeza são de micro, peq ueno e médio portes. E o número de empresas formais cresce a cada ano, resultante da carga tributária e do esforço de entidades de classe e governamentais contra a clandestinidade.
Na opinião de Maria Eugênia Saldanha, diretora-executiva da Abipla, três fatores explicam essa grande participação de empresas menores. Em primeiro lugar, não há barreiras tecnológicas para o ingresso no mercado com produtos básicos. Depois, vem o investimento “não proibitivo” comparado a outros setores. E por fim porque ainda existe muito espaço para o aumento da demanda interna.
  “Toda concorrência dentro da legalidade é saudável”, afirma Maria Eugênia. “O grande problema é a concorrência desleal por fabricantes informais que expõem o consumidor final a produtos que colocam em risco sua vida, pois não cumprem normas básicas de controle de qualidade, fabricação e disposição dos produtos”, alerta.
A H&C também faz a sua parte para trazer os informais para a legalidade. Na opinião do editor Luiz Alberto Bozzolo. “Promovemos cursos de capacitação em diversos segmentos de limpeza doméstica e institucional e mostramos que atuar de forma legal, com qualidade e segurança não é tão complicado assim”, afirma.

Oportunidades Se por um lado o ingresso no setor não exige investimentos em tecnologia, por outro é ela a força motriz do crescimento e da diferenciação num mercado tão competitivo. E isso vale para empresas de todo porte.
Exemplo disso é a Planeta Azul, que há dois anos pertencia ao grupo das micro e pequenas e agora já está entre as empresas de médio porte. Um dos motivos para isso, segundo Marcelo Meirelles de Souza Freitas, diretor de P&D e produção da empresa, é o amplo oferecimento de tecnologias disponibilizadas por fornecedoras de matérias-primas. “Encontramos mais facilidade para atender aos nossos clientes”, diz.
A fabricante conta com equipe técnica especializada que busca constantemente por novas oportunidades de mercado e nichos específicos. “Funcionamos como um ‘radar’ para captar tendências e necessidades do mercado e, a partir daí, oferecer nossas soluções”, conta o diretor. “E tudo isso fica mais fácil quando contamos com tecnologias diferenciadas”.
A empresa atende lavanderias domésticas e industriais, clientes especializados em limpeza de estofados, tapetes e carpetes, atua no segmento de confecções (produtos tira-manchas) e, recentemente, entrou até mesmo no segmento de limpeza de efluentes das lavanderias.


Legislação – A Anvisa vem estudando, em parceria com a Abipla e outras entidades do setor, um sistema que permite a notificação de produtos por peticionamento eletrônico, o que facilita a entrada de novos produtos de limpeza no mercado. A notificação também é uma forma de incentivar a fiscalização por parte do órgão regulatório, que tem mais tempo para conferir as informações transmitidas pelas empresas.

Carga tributária – Apesar de serem essenciais para a manutenção da higiene e da saúde, os produtos de limpeza têm uma pesada carga de impostos. No segmento de detergentes em pó, por exemplo, incide uma carga tributária direta total de até 42%. Nesse contexto, a redução dos impostos, principalmente ICMS, IPI, Pis/Cofins e II, é um dos temas centrais para o desenvolvimento do setor.

Informalidade – Um dos principais entraves para o desenvolvimento do setor é o alto grau de informalidade. Segundo estudo da Fipe, os produtos mais “pirateados” ou feitos com irregularidades são as águas sanitárias, os desinfetantes, os amaciantes e os detergentes líquidos. Estima-se que o governo perca cerca de R$ 220 milhões em arrecadação de impostos por ano e que isso onera o faturamento da indústria em cerca de R$ 560 milhões.

EstratégiasPara se destacar no competitivo mercado de limpeza, as empresas de menor porte precisam de muita criatividade e eficiência na execução das estratégias, afinal, certamente, irão tirar participação de empresas com um poder de fogo muito maior. A Summer, de Cuiabá/ MT, por exemplo, apostou no fortalecimento local.
A empresa fabrica em torno de 70 mil caixas de produtos mensalmente, mas tem capacidade para chegar a 130 mil. Segundo o diretor, a empresa conta com equipamentos e laboratório modernos, e com um time de 80 funcionários. As linhas de desinfetantes e de amaciantes são as que fazem mais sucesso no Centro-Oeste. Isso, devido principalmente a um preço competitivo, qualidade dos produtos e forte divulgação na mídia, incluindo promoções na TV e ações de PDV, entre outras.
Aumentar a distribuição a outras regiões é o plano da Summer para crescer de acordo com o diretor Adilson Valera. “Estamos estruturados para crescer e o próximo passo deverá ser distribuir nossos produtos em São Paulo”, diz. Hoje, a empresa fatura cerca de R$ 8 milhões por ano. A meta para 2008 é aumentar o montante em dois milhões.
Investir para diversificar produtos e atender a um número maior de necessidades do mercado também pode ser uma estratégia de crescimento. No ano em que completa 10 anos, a Indústria e Comércio Sabão Guarani, de Mossoró/ RN, planeja criar uma linha profissional de itens de limpeza e ampliar sua fábrica de embalagens. Entre outras novidades estão a automatização das linhas de líquidos e a ampliação da frota de caminhões.
O lançamento de produtos como lava-louças, lava-pisos e desinfetante também está incluído no plano de ações. O objetivo da fabricante é se tornar referência no mercado de limpeza doméstica na Região Nordeste.
O carro-chefe – líder de vendas no Rio Grande do Norte – é o sabão glicerinado, primeiro produto lançado pela empresa, há dez anos. “Estamos investindo muito para crescer nos próximos anos, especialmente no Ceará e na Paraíba”, afirma Edilberto Medeiros, gerente técnico e ambiental e coordenador da área de pesquisa e desenvolvimento.
Outro grande investimento será no setor profissional. “Mais do que vender produtos, queremos dar suporte aos clientes, ensinando-os a utilizá-los da melhor maneira, com redução de custos e proteção ao meio ambiente”, completa. A empresa também oferece em seu portfólio itens como sabão em pó, sabão de coco e amaciante.



O crescimento de uma empresa não tem limites, se seguirmos o pensamento do colunista do “New York Times” Thomas L. Friedman, autor do livro “The World is Flat” (O Mundo é Plano). Para aproveitar a planificação do mundo globalizado, empresas brasileiras de limpeza doméstica expandem seus negócios para além de nossas fronteiras.
Segundo ele, hoje, com o avanço tecnológico, uma empresa da China, por exemplo, pode competir com uma indústria americana em pé de igualdade. As barreiras físicas não existem mais, o mundo se aplainou.
Um exemplo que ilustra essa tendência do setor em atuar no mercado externo vem de mais de três anos, com a “Quimivale” (antes de ser comprada pela Assolan em 2005). À época, a empresa já produzia detergente em pó branco para exportação, com foco nas vendas para Argentina, Uruguai, Portugal, Iraque e países da América Central.
Por meio do Projeto Abipla Exporta (com apoio da Apex), outras empresas estão buscando lugar no mercado internacional, como Nobel do Brasil, Sundet e Bio Clean do Brasil (que estiveram em janeiro em Dubai, nos Emirados Árabes, para a feira “Small and Médium Enterprises”). Em março, o projeto leva outras empresas, incluindo grandes, para o Panamá, como Bombril, Rosatex, Sobel e Cleantech. Segundo a Abipla, o evento em Dubai gerou negócios na ordem de US$ 250 mil para essas empresas.
“A performance brasileira para exportação no setor de limpeza ainda é extremamente pequena, mas o cenário está mudando, já que muitas fabricantes, especialmente micro e pequenas empresas, estão em busca de caminhos para atuar no exterior”, diz João Abdala, consultor da Bio Clean pela World Fair. “Ao despertar para o fenômeno exportação, o fabricante começa a investir em ações não apenas apoiadas pelo governo ou por entidades de classe, mas também por iniciativas próprias”, acrescenta. A Bio Clean (empresa associada ao grupo sueco Alron), por exemplo, vai ao Egito em agosto para uma feira local na área de supermercados. Por aqui, a empresa ainda atua como pequena, mas tende a crescer.


Na carona
Seguindo os passos das grandes empresas, na medida do possível, agregar valor aos produtos é um diferencial que pode gerar bons resultados. Para isso, as fabricantes de menor porte contam com tecnologia dos grandes fabricantes de matérias-primas. Mesmo para fabricantes de menor porte. Um exemplo disso é dado pela fabricante de enzimas Genencor.
“Muitas empresas de pequeno e médio porte estão investindo em enzimas para melhorar a performance de seu detergente”, diz Kátia Augusto, gerente técnica de vendas da empresa. “Muito mais do que ocorria dois ou três anos atrás”. As enzimas são catalisadores biológicos que atuam a alta velocidade e fazem com que os processos ou produtos onde são aplicadas melhorem seu rendimento.
Segundo a gerente técnica, alguns benefícios obtidos por sua utilização nos produtos são: economia de energia e água, redução do tempo de processo de lavagem e melhorias para o meio ambiente pela não utilização de produtos químicos menos biodegradáveis.
A Croda também ilustra esse cenário. Segundo Sérgio Antonio Fagundes, diretor de vendas e marketing da empresa no Brasil, a fornecedora está de olho no mercado de home care e apta para oferecer soluções a todos os tipos de clientes neste setor. “As empresas terão mais acesso a mais produtos”, disse.
Outra empresa que iniciou no mercado de saneantes há cerca de dois anos e apresenta portfólio que contribui para o crescimento também das pequenas empresas do setor é a Cosmotec. Segundo Francisco Santin de Souza, da área técnica da fornecedora, hoje o que pesa é a questão da diferenciação de produto/marca. Por isso a empresa traz soluções que podem ser aplicadas por micro e por grande empresas. “Queremos mostrar que agregar benefícios como segurança, praticidade, proteção e efetividade podem sim ser atributos de produtos saneantes”. E isso vale para empresas de todo porte, que pretendem se destacar no mercado.

 

I – BNDES
A classificação de porte de empresa adotada pelo BNDES e aplicável à indústria, comércio e serviços, conforme a Carta Circular nº 64/02, de 14 de outubro de 2002, é a seguinte:

Microempresas: receita operacional bruta anual ou anualizada até R$ 1,2 milhão;

Pequenas empresas: receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 1,2 milhão e inferior ou igual a R$ 10,5 milhões;

Médias empresas: receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 10,5 milhões e inferior ou igual a R$ 60 milhões;

Grandes empresas: receita operacional bruta anual ou anualizada superior a R$ 60 milhões.

II – Sebrae
No Estatuto da Micro e Pequena Empresa, de 1999, o critério adotado pelo Sebrae para conceituar micro e pequena empresa é a receita bruta anual, cujos valores foram atualizados pelo Decreto nº 5.028/2004, de 31 de março de 2004:

Microempresa: receita bruta anual igual ou inferior a R$ 433.755,14;

Empresa de pequeno porte: receita bruta anual superior a R$ 433.755,14 e igual ou inferior a R$ 2.133.222,00.

III – Simples
É importante ressaltar que o regime simplificado de tributação - Simples, que é uma lei de cunho estritamente tributário, adota um critério diferente para enquadrar micro e pequena empresa. Os limites, conforme disposto na Medida Provisória 275/05, são:

Microempresa: receita bruta anual igual ou inferior a R$ 240 mil;

Empresa de pequeno porte: receita bruta anual superior a R$ 240 mil e igual ou inferior a R$ 2,4 milhões.

Nota: Cada estado brasileiro possui uma variedade de conceitos e critérios para classificar as micro e as pequenas empresas, de acordo com a sua situação econômica e fiscal própria.

Além do critério adotado no Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Sebrae utiliza ainda o conceito de número de funcionários nas empresas, principalmente nos estudos e levantamentos sobre a presença da micro e pequena empresa na economia brasileira, de acordo com os seguintes números:

Microempresa:
a) na indústria e construção: até 19 funcionários
b) no comércio e serviços, até 9 funcionários.

Pequena empresa:
a) na indústria e construção: de 20 a 99 funcionários
b) no comércio e serviços, de 10 a 49 funcionários.

Neste ano, a H&C promove a oitava edição do Seminário & Expo Household & Auto Care, que será realizada de 24 a 26 de junho, em São Paulo. O local do seminário já está confirmado, será no Teatro Frei Caneca, que conta com 600 lugares para os participantes. Esta é uma oportunidade para empresas, de micro a grandes, trocarem experiências e conhecimento. O evento, composto por feira e seminários, propicia um ambiente para fortalecer os relacionamentos comerciais, conhecer novidades e inovações e ficar por dentro das tendências.
O Household & Auto Care é realizado de dois em dois anos. Em 2006, foram mais de 350 inscritos no seminário e a exposição foi visitada por mais de 3,5 mil profissionais de todo o País e de países da América Latina. São palestras técnicas, realizadas por especialistas do setor, e apresentações sobre o mercado, com detalhes sobre o desempenho de categorias e segmentos. O seminário conta ainda com personalidades que fazem um panorama sobre ciência e economia e incrementam ainda mais o evento. Todas as palestras contarão com tradução simultânea. Esta edição, segundo os organizadores, promete ser maior e melhor.

 


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