FCE Cosmetique
 
 , 10 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos Vol. IX - nº 47 - Jan/Fev - 2008  


Sazonal Cosméticos

Flora
a serviço da cosmética

Ativos provenientes da biodiversidade brasileira
enriquecem itens de higiene e beleza,
cientifica e comercialmente




No início do ano passado, a Natura, durante o São Paulo Fashion Week, reforçou seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, uma de suas crenças corporativas. A empresa, uma das que mais investem em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos “verdes”, anunciou a vegetalização de todos os seus óleos corporais (ação prevista para até o final de 2007) e apresentou embalagens à base de PET reciclado, produzido pela BahiaPet a partir de garrafas coletadas pela cooperativa de catadores da Rede Cata Bahia. Pets, tubetes de papelão e refis de produto compuseram a decoração do lounge durante o evento.
Ainda em 2007, a empresa passou a fabricar a massa dos sabonetes Natura Tododia na unidade industrial Benevides/PA, seu novo pólo de pesquisa e desenvolvimento, que abriga uma fábrica de massa de sabonetes e também uma planta para extração de óleos vegetais. Com isso, além de oleína de palma, os produtos passam a conter de 5% a 10% de glicerina vegetal, que formam um filme protetor na pele e aumentam a sensação de hidratação.
De acordo com a fabricante, além de uma textura gostosa, mais espuma cremosa e maior hidratação, os sabonetes auxiliam a preservar o meio ambiente, pois utilizam matérias-primas vegetais, derivadas de fontes renováveis. Todos os sabonetes são formulados com açúcar orgânico.
No segundo semestre, a Natura continuou a trazer novidades que fortalecem principalmente o uso de ingredientes brasileiros, como uma nova linha de itens anti-sinais Natura Chronos formulados com flavonóides de passiflora, extraídos da passiflora alata, uma planta da biodiversidade brasileira. Eis o ingrediente natural cada vez mais em voga. E não é só em empresa como a Natura, que tem a ecologia como bandeira. A moda contagia todo mercado de higiene e beleza.

Concorrência à vista – Marca Natura Ekos, principal frente da Natura em cosméticos com ingredientes brasileiros, começa a enfrentar concorrentes de peso. A marca Éh, dos grupos Ph Arcangeli e Monte Cristalina, lançada há aproximadamente dois anos, por exemplo, é uma boa opção para os consumidores apreciadores da tecnologia verde (ativos 100% naturais, alguns brasileiros, ingredientes orgânicos, sem petroquímicos ou parabenos, com performance de produto profissional). Inicialmente, o portfólio contava com 35 produtos de cuidados capilares. Atualmente, a marca já está presente em sabonetes e deve ingressar em categorias para cuidados com o corpo, incluindo proteção solar.
Esse caminho é trilhado também pela Chamma da Amazônia. No ano passado, a fabricante participou do workshop da H&C em Salvador e aproveitou para, por meio de uma palestra, abordar o panorama dos insumos amazônicos, vantagens e desvantagens e competitividade, entre outros assuntos.
A Colgate-Palmolive também foi buscar na Amazônia ingredientes especiais e diferenciados para cuidar da pele. O resultado é a nova linha Palmolive Amazônia, composta por sabonetes com extratos de origem 100% natural da flora brasileira, que ajudam a hidratar e a realçar a beleza. Em edição limitada, a linha possui sabonetes em barra e líquidos para o banho, nas versões: Guaraná & Andiroba, que proporciona hidratação e vitalidade; e Castanha do Pará & Semente de Linhaça, que promove hidratação e suave esfoliação.
A paranaense EssenciALL Brasil também quer convencer o consumidor a comprar cosméticos naturais. A empresa pretende triplicar seu faturamento por meio de produtos desenvolvidos com base na erva-mate.
Segundo a empresa, o extrato da erva-mate é rico em alcalóides, taninos, vitaminas, sais minerais, poli- fenóis e flavonóides. Tem ação lipolítica (contra gorduras localizadas e celulite), refrescante, tonalizante, antioxidante, bactericida e cicatrizante. As xantinas (cafeínas) agem contra a celulite e gorduras localizadas, uma vez que elas ativam a micro-circulação e descongestionam os tecidos. Os polifenóis – antioxidantes – auxiliam na prevenção e no tratamento contra o envelhecimento da pele. As saponinas auxiliam na formação de espuma que limpa sem agredir e têm ação detergente, bactericida, emulsificante e antioxidante. Já os taninos são cicatrizantes e adstringentes.
O destaque de seu portfólio é o hidratante para os pés, que já foi responsável por 30% das vendas (até meados de 2007 pelo menos). “Também estamos desenvolvendo itens com outras plantas nativas do Paraná”, diz Suelene Luci Feltrin, diretora comercial da empresa.
A produção é terceirizada para duas fábricas na região metropolitana de Curitiba. A comercialização é feita por meio da venda direta, com um time de consultoras que atua em diversas regiões brasileiras.
Outro exemplo de crença no natural vem de Botucatu, interior de São Paulo, com a fabricante de cosméticos orgênicos Magia dos Aromas. A empresa investiu R$ 300 mil para construir um laboratório de pesquisa e desenvolvimento e tem mais de 30 itens em seu portfólio, incluindo sabonetes, óleos vegetais, extratos e óleos essenciais, entre outros.
As matérias-primas usadas pela empresa são provenientes principalmente da Amazônia e de plantas européias como alfazema e arnica montana. A empresa divulga que o cosmético orgânico traz um benefício maior à saúde, pois não causa reações alérgicas, e, devido à ausência de substâncias químicas durante o cultivo e a formulação do produto, amplia a sensação de bem-estar.
Segundo a diretoria da empresa, enquanto em outros países a produção de orgânicos decorre da substituição de insumos, o conceito na Magia é o de agroecologia, que pressupõe conservação e longevidade dos recursos naturais.

Matérias-primas – Esse cuidado com o apelo natural precisa ser considerado desde o início da cadeia produtiva. A Oxiteno, por exemplo, pretende ampliar sua participação no fornecimento de matérias-primas para os setores de higiene e beleza por meio de ativos biodegradáveis, fabricados na planta de oleoquímicos instalada na  Bahia. Nessa unidade, a empresa produz álcoois e ácidos graxos, e glicerina a partir de óleos vegetais. Cerca de 80% da produção deve ser destinada a estes mercados (incluindo household).
 Por terem origem vegetal, produtos fabricados nesta nova planta têm biodegradabilidade maior em relação aos derivados de petróleo e possuem processos de fabricação menos agressivos ao meio ambiente. Um bom exemplo, segundo a fornecedora, é a glicerina feita a partir do óleo vegetal, que é uma alternativa à de origem animal.
Há mais de seis anos a Croda também investe em ingredientes brasileiros, por meio da Crodamazon, empresa criada com a missão de estudar, pesquisar, desenvolver e aproveitar produtos e subprodutos de origem vegetal, com uma política permanente de preservação dos recursos naturais e da promoção do desenvolvimento sócio-econômico das regiões e comunidades envolvidas.
Suas linhas de produtos e derivados incluem óleos vegetais, óleos hidrodispersíveis e esfoliantes naturais, entre outros, com foco em ingredientes como: maracujá, cupuaçu, babaçu e castanha-do-brasil. Em 2005, a empresa processou cerca de 300 toneladas de matérias-primas. No ano seguinte esse número pode ter dobrado.
Para impulsionar sua linha de ingredientes naturais, a brasileira Beraca firmou parceria de distribuição com a Corn Products. Serão distribuídos pela multinacional americana óleos, manteigas e ativos amazônicos, entre outros. Além dos itens do portfólio da Beraca, a Corn oferece para o segmento polímeros naturais hidrolisados, fibras e óleos vegetais.

Fragrâncias – No ramo do olfato, o apelo “brasileiro” também pode fazer a diferença. A Cramer, fornecedora que recentemente iniciou operação produtiva e comercial no Brasil, deve aquecer a briga no mercado e para isso já vem munida de novidades. Entre elas, uma nova linha de fragrâncias: Amazônia, desenvolvida para produtos cosméticos nos segmentos de cuidados com a pele e com os cabelos.
A Cramer iniciou suas vendas no mercado brasileiro em julho do ano passado. “Já estamos presentes em todos os países latino-americanos e queremos participar diretamente do maior mercado da região”, diz o diretor Arthur Bolliger. A empresa construiu uma fábrica em Araras/ SP, especialmente projetada para a elaboração de fragrâncias e aromas, e adquiriu recentemente a divisão de fragrâncias da Cargill.

Visual – A roupagem do produto também deve estar alinhada ao conceito de ecologia. Nesse quesito, a grande lição vem da Natura, primeira empresa cosmética brasileira a adotar o refil e a estilizar cartuchos reciclados PET em grande escala. Seguindo esse exemplo, a Natuflora desenvolve display em material reciclado para seus revendedores, com a finalidade de auxiliar os lojistas a organizar melhor os produtos e, ao mesmo tempo, fortalecer o conceito de marca amiga da natureza.
Os produtos da marca são fabricados pela Naturelle, indústria cosmética que atua há mais de 25 anos atendendo aos mercados nacional e internacional. O foco da empresa é o mercado de cosméticos naturais, incluindo itens formulados com ingredientes brasileiros.

Internacional – O mundo está de olho no Brasil. Para aproveitar esse momento positivo, no ano passado 18 empresas daqui partici-param da Cosmoprof Bologna, na Itália, sob coordenação da Abihpec e o apoio da Apex-Brasil. Nesta, que foi a 40ª edição da feira, as fabricantes aproveitaram para demonstrar sua rica variedade de ativos encontrados na flora brasileira e seus projetos de responsabilidade social e políticas ambientais.
De acordo com João Carlos Basilio da Silva, presidente da Abihpec, em apenas três anos, duplicou o valor das vendas exter-nas de produtos de higiene e beleza fabricados no Brasil.
Outro evento que serviu como vitrine para as brasileiras foi a feira de beleza Beautyworld Middle East, em Dubai, nos Emirados Árabes. Em 2007, o Brasil foi representado por 12 empresas, também sob coordenação da Abihpec e o apoio da Apex-Brasil.
De 2002 a 2006, as expor-tações do setor tiveram um cres-cimento acumulado de 138%, atingindo US$ 484,4 milhões. No ano passado, a valorização do real em relação ao dólar provocou alta nas importações do setor, que subiram 39%, se comparadas ao ano anterior, chegando a US$ 294,5 milhões. Mesmo com o câmbio desfavorável, a balança comercial continua positiva em US$ 189,9 milhões.
Isso mostra que ainda há oportunidades para crescer no Brasil e no mercado internacional. E também que os ingredientes brasileiros engordam a receita, enriquecem os produtos e, com a força da moda, ajudam a conquis-tar novos consumidores.


Workshops 2012
 
10º Curso de Tecnologia e Soluções em Produtos de Limpeza-SP
17/3/2012 e 18/3/2012
Workshop Recife-PE
10/4/2012 e 11/4/2012
Workshop Belo Horizonte-MG
12/6/2012 e 13/6/2012
Workshop Porto Alegre-RS
10/7/2012 e 11/7/2012
Workshop Goiânia-GO
16/8/2012 e 17/8/2012
Curso de Desenvolvimento de Cosméticos PET-SP
25/8/2012 e 26/8/2012

Artigos Técnicos

Formulando com manteigas exóticas

[James J. Ramirez, Larry S. Moroni - Biochemica International USA]



Como as Enzimas Podem Reduzir o Impacto dos Detergentes Líquidos

[Novozymes]



Vitalização e Proteção das Células-Tronco da Derme

[ Focus Química]



Uso sustentável do pinhão brasileiro

[Daniella Lopes Francischetti]



AquaCacteen - Umectância, Proteção e Nutrição para a sua pele

[Dr. Daniel Schmid – Mibelle Biochemistry]


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