No Brasil, segundo profissionais do setor de limpeza, ainda há oportunidades para estimular o aumento do consumo de detergentes em pó. Para conquistar a atenção e a confiança do consumidor, empresas realizam campanhas com celebridades, ações promocionais e apresentam novas fragrâncias e maior valor agregado. As fórmulas prometem mais eficiência contra manchas, mais brancura, maciez e por aí vai.
Na opinião de Maria Eugenia Proença Saldanha, diretora-executiva da Abipla, as fabricantes desse segmento estão investindo em tecnologia para detergentes e sabões em pó. “A inovação é fundamental para o desenvolvimento do setor, bem como a sobrevivência em um mercado altamente competitivo como o nosso”, afirma.
A executiva lembra também que o consumidor tem se tornado mais exigente, “requerendo produtos específicos para seu tipo de sujidade, o que leva as empresas a trabalharem em nichos e específicos para atendê-los”. “O básico continua existindo, seguido por uma série de produtos inovadores”, diz.
Para Maria Eugênia Saldanha, oportunidade é o que não falta. “Produtos que têm perfumes prontos para manter a roupa cheirosa por longo tempo e detergentes que possuem amaciantes e ativos protetores solares são bons exemplos”, diz. Outro destaque em tendência, segundo ela, é que o setor está apenas começando a explorar o potencial de biodiversidade, refletida, por enquanto, apenas nas fragrâncias inovadoras.
Crescimento – O consumidor brasileiro tem potencial para utilizar mais produtos desse segmento. A executiva da Abipla confirma: “Nosso consumo per capita em um ano ainda é baixo se comparado com o de outros países da América Latina ou mais ainda em relação à Europa”.
Segundo ela, o consumo per capita pode ser baixo, mas os produtos não deixam a desejar. “Temos exigência por qualidade e desempenho, até por termos um código de defesa do consumidor tão rígido, que transformou os hábitos do consumidor”, afirma. Em sua opinião, há disponibilidade de produtos para todas as classes socioeconômicas e preferências de consumo, o que desafia ainda mais a indústria a inovar.
Tecnologia – As tecnologias utilizadas pela indústria de detergentes e sabões em pó para se diferenciarem geralmente estão associadas a enzimas. A marca Assim Ultra, da Hypermarcas, por exemplo, destaca na embalagem que sua fórmula contém esse tipo de ativo. Segundo a fabricante, o item conta com enzimas de ação rápida. Entre os benefícios oferecidos, estão: remoção das manchas mais difíceis e clareamento para as roupas brancas.
As enzimas são catalisadores biológicos, que atuam em alta velocidade e fazem com que os processos de limpeza tenham melhor resultado. Hoje, mais do que nunca, estão em alta no mercado, devido à possibilidade de substituir um grande percentual de ingredientes que não são de fontes renováveis ou que têm o custo de aplicação mais caro. Ou seja, mais alinhado com o conceito de sustentabilidade.
Para comprovar seu poder de fogo, a Novozymes desenvolve estudos sob medida para cada marca. “Chegamos até a passar da duplicação das doses de enzima iniciais, mantendo um custo competitivo e obtendo um resultado muito mais eficiente”, diz Adriana Guerra Maganhotto, gerente de vendas AL.
Além da biodegradabilidade, Kátia Augusto, gerente técnica de vendas da Genencor, destaca alguns benefícios obtidos pela utilização de enzimas nos detergentes em pó: reavivar as cores das roupas, remoção de manchas e retirada da sujidade com mais eficácia, potencialização do surfactante, economia de energia e água, redução de tempo de processo de lavagem e aumento da substituição de produtos químicos ‘perigosos’ por enzimas.
Custo X Benefício – A executiva conta que tem crescido o número de fabricantes que usam enzimas em detergente, principalmente entre empresas de pequeno e médio porte que estão investindo para melhorar dos seus produtos. “Muito mais do que ocorria dois ou três anos atrás”, diz. Para ela, as empresas se conscientizam cada vez mais que o custo benefício no uso das enzimas é grande. “O produto passa a ser de alta qualidade e com maior valor agregado”.
Adriana Guerra Maganhotto também acredita na melhor relação custo e benefício. “Valor mais alto não significa mais caro na maioria dos casos”, afirma. A executiva questiona: “O que a dona de casa vai preferir: usar uma dosagem muito mais alta de detergente em pó e ter que gastar tempo e esforço para esfregar muito a roupa, ainda causando desgaste do tecido; ou investir um pouquinho mais, e muitas vezes estamos falando de centavos, e deixar o detergente trabalhar por ela. Sem contar o rendimento desse pro duto e a possibilidade de eliminar o uso de produtos adicionais”.
Novas enzimas – Com o mercado de enzimas aquecido, as fornecedoras do ativo investem para inovar. Na Genencor, a novidade é uma enzima que desenvolve melhor sua atividade a baixas temperaturas e, conseqüentemente, poupa energia. Segundo Kátia Augusto, esse ativo é ótimo para produtos que são usados nas máquinas de lavar roupas. “Hoje, no Brasil, a maioria das máquinas de lavar trabalham a frio e as enzimas disponíveis no mercado geralmente trabalham em temperatura de 60 graus”, diz.
Na Novozymes, além de uma enzima para ação em baixas temperaturas, a novidade vem de uma tendência surgida no mercado chinês. Trata-se de uma enzima que proporciona a degradação de goma guar, espessante muito utilizado em vários alimentos, especialmente fast food, xampu e condicionadores normais e sem enxágüe que sempre ficam em toalhas de banho. “Vários produtores de grande e médio porte já utilizam essa enzima como a quinta atividade enzimática em seus detergentes em pó”, diz Adriana Maganhotto.
Desempenho da categoria de detergentes e sabões em pó
As vendas de detergentes em pó, que respondem por 31% do faturamento total do setor, totalizaram R$ 3,1 bilhões em 2006, o que representa um crescimento de 0,82% em relação ao ano anterior – segundo a Abipla (dados do anuário Abipla 2007). Segundo a associação, a forte concorrência nesse mercado caracterizada nos últimos dois anos pela entrada de novas empresas no segmento e pelo lançamento de novos produtos resultou em uma deflação de 8,2% nos preços dos detergentes em pó, segundo dados da Fipe. Os estudos ainda mostram que embora haja uma tendência de aumento do consumo para os próximos anos, a estimativa é que a alta competitividade entre os fabricantes continue ditando os preços dos produtos.
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2007 – De acordo com dados da Nielsen, nos primeiros oitos meses do ano, se comparado ao mesmo período de 2006, detergentes e sabões em pó mostram-se estáveis, com ligeiro crescimento de 1,1% em volume. Em valor, foi registrada queda de 5,4%. Os preços caíram 6,5%.
A cesta de limpeza como um todo obteve uma pequena variação de 0,7% em volume, queda em valor de 1,7% e no preço de 2,5%. Foi a única cesta auditada que apresentou variação negativa em valor. De uma forma geral, o varejo brasileiro cresceu, neste período, 3,2% em volume e 4% em valor. Os preços apresentaram-se estáveis, com variação de 0,8%. |
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Mercado do natural – A Ceras Johnson, atual detentora da marca Roma – antes da Rosatex – de sabão em pó aposta no natural para atrair o consumidor mais preocupado com a delicadeza no cuidado com as roupas. Segundo Tatiane Giglio, gerente de produto da empresa, de 1998 para cá, houve um grande crescimento da demanda por produtos que limpam roupas finas e delicadas, sem prejudicá-las. “A entrada de fortes marcas, como Minuano e Omo Baby demonstram essa preocupação das consumidoras”, afirma.
Para ela, a entrada da Ceras Johnson nesse mercado foi motivada pela necessidade das consumidoras em ter produtos de boa qualidade, que não prejudicam e nem agridem suas roupas finas e delicadas. O Roma é fabricado pela Copra Indústria, em São Paulo.
O sabão continua o mesmo sob o comando da Ceras Johnson, de acordo com a gerente, feito de coco natural.
Empresas fornecedoras de matérias-primas estão de olho nesse quinhão. A Oxiteno, por exemplo, abriu nova unidade na Bahia e está expandindo seus negócios na América Latina e Estados Unidos, com investimento em novos produtos extraídos da natureza, como óleos e surfactantes, aplicáveis em sabões em pó, outros produtos de limpeza e até itens de higiene e beleza.
Movimentação – O mercado de detergente em pó reacendeu com o ingresso de Assolan, por meio do lançamento do sabão em pó Alegria das Flores. A Hypermarcas participa ainda deste segmento com as marcas Assim e Sim. O diferencial do novo item é o perfume, que transmite sensação de frescor e alegria.
Nesta mesma onda, a P&G lançou recentemente Ace Naturals Coco, que conta com o garoto-propaganda Zezé di Camargo para conquistar o consumidor. O cantor foi escolhido pela Procter & Gamble por ser um dos mais admirados pelas consumidoras das classes C e D, para as quais o produto foi especialmente desenhado. O novo item conta com óleo de babaçu em sua fórmula, ingrediente que promete proporcionar maior sensação de carinho com as roupas.
O coco, com fragrância suave, dá ao produto um toque tropical e um aroma peculiar, que se espalha durante a secagem no varal. O item produz espuma de textura cremosa e perfumada, o que significa, de acordo com a P&G, uma experiência gostosa na lavagem. Neste ano, a empresa também apresentou outras novidades no segmento, como o Ace Cheirinho de Bebê e o Ace Básico Naturals Maciez.
Renovação – E para reafirmar a liderança de Omo, a Unilever apresenta Omo com um toque de Comfort, com a fragrância Classsic, composta por notas frescas que combinam acordes florais e frutais em um fundo amadeirado. A linha nasceu do desejo das consumidoras de ter o mesmo perfume nos produtos de lavanderia. O sucesso é tanto que, hoje, as versões Aloe Vera e Pétalas de Violeta e Ylang Ylang têm 7,2% de participação de mercado e já representam 15% da participação de Omo.
Outra novidade da companhia é o relan-çamento da linha Brilhante de detergente em pó e a parceria com a marca Consul, da Whirlpool: um concurso cultural com consumidoras, aliado a suporte de mídia. As embalagens ganham novo design, com cores mais modernas e novo logotipo que aposta no raio de explosão de brancura para remeter à performance do produto.
Valor agregado – Diante de tantas novidades, fica clara a necessidade de se investir em valor agregado para se destacar no competitivo mercado de sabões e detergentes em pó. Como explica Adriana Maganhotto, da Novozymes, o papel da mulher na sociedade é outro, porém a grande maioria ainda acrescenta as mesmas responsabilidades de antigamente. “Só que não se tem a mesma disponibilidade, e eu diria até disposição, para se cumprir determinadas tarefas, então é preciso ter produtos que as ajudem a minimizar essa carga”. E como medir esse valor que o produto pode trazer nessa situação, questiona. “Diria que não tem preço, esses poucos centavos a mais por quilo passam a ter um significado psicológico muito diferente”. Vale a pena investir.
Enzimas e suas aplicações |
Protease – confere limpeza, brancura e remoção de manchas protéicas. Hoje, é a enzima mais importante a
ser dosada em um detergente devido a remover maior gama de sujidades;
Amilase – remove sujidades contendo amido, contribui para a limpeza e a brancura;
Celulase – impede a formação de fibrilas, reaviva as cores e remove o acinzentamento;
Carbohidrase – remove a sujidade de produtos personal care e gomas promovendo maior brancura no tecido.
(Fonte: Genencor)
| Mercado competitivo |
Unilever e Procter & Gamble sempre dominaram a categoria de detergentes em pó – a de maior representatividade no faturamento – no Brasil, com fatias expressivas de participação de mercado. A líder absoluta é a Unilever, que tem mais de 60% do mercado, com suas diversas marcas. Omo, por exemplo, detém sozinha uma fatia de quase 40% em volume. A P&G aparece em seguida com 12,8%.
Mas outras empresas têm aumentado sua atuação e, conseqüentemente, a competitividade. Exemplo disso é a Química Amparo, que apresentou recentemente a cantora Daniela Mercury como nova garota-propaganda da campanha nacional do sabão em pó Tixan Ypê. Segundo a empresa, Daniela foi escolhida por representar valores importantes associados à marca: brasilidade, alegria e confiança, além de preocupação com a infância (ela é embaixadora da Unicef) e com a natureza.
De acordo com números divulgados pela fabricante (fonte Nielsen), o sabão em pó Tixan Ypê ganhou participação de mercado, que saltou para 8,9% no primeiro semestre deste ano, contra 7,9% no mesmo período de 2006. Em 2007, a fabricante fortaleceu a marca com dois lançamentos: Flor do Sol e Natureza.
Outra empresa que contribui para deixar a briga mais intensa é a Bertin. Sua marca Brisa apresentou cinco novidades no início deste ano para household. Além de sabão em barra, lava-louça, amaciante e desinfetante, a empresa agora comercializa o lava-roupas Multi Ação, o limpador Multi Uso, o Limpeza Pesada, o limpador Perfumado e o Limpa Vidros. Destaque para o detergente em pó, que contém branqueador óptico em sua fórmula. O item, comercializado em sachês de 500g e 1kg, promete alta performance na remoção de manchas em tecidos brancos, além de facilidade de enxágüe.
A Bertin Higiene e Limpeza, divisão de negócios do Grupo Bertin, iniciou suas atividades em 1989, com a produção de sabão em barra. Hoje, possui um portfólio de 64 itens, com as marcas Brisa e Lavarte. A empresa atua no mercado nacional e internacional, e também fornece matérias-primas a médias e grandes empresas. |
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