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Setor institucional cresce
ano-a-ano no Brasil
Clientes exigem cada vez mais eficácia, inovações e redução
de custo.
E as empresas do setor respondem à altura

os últimos anos, um dos nichos que se destacam no setor de limpeza é o institucional. Para essa fatia, crescimento, aperfeiçoamento e, principalmente, inovação, também são palavras-chaves. O empenho para alcançar desenvolvimento, como acontece no setor de limpeza doméstica, começa no fornecimento de matérias-primas e continua na ponta, nos fabricantes. Tudo em prol do incremento para os negócios e, sobretudo, da satisfação do cliente.
No Brasil, o mercado institucional de limpeza – conhecido também como mercado de limpeza industrial ou limpeza profissional – é um segmento da economia relativamente recente, segundo Ricardo Monteiro da Silva, presidente da Associação Brasileira do Mercado Institucional de Limpeza (Abralimp).
Histórico – “Até a década de 1970, a maioria das empresas utilizava uma equipe de limpeza própria, nem sempre treinada em técnicas de limpeza ou no uso de equipamentos e produtos profissionais”, diz Silva. “O aparecimento da terceirização como conceito gerencial e estratégico, nesta época, alavancou o mercado de produtos e serviços profissionais e fez florescer um grande número de novos fornecedores”, acrescenta.
Segundo o executivo, por esse motivo uma boa parte do mercado é formada por empresas com menos de 20 ou 25 anos de atividade, embora o setor conte com fornecedores tradicionais que podem ser considerados os pioneiros.

Mercado – De acordo com dados da associação, estima-se que em o setor movimenta um valor superior a US$ 4 bilhões por ano, empregando até um milhão de pessoas, em cerca de 11 mil a 13 mil empresas – entre prestadores de serviços de limpeza ambiental, fabricantes, importadores e distribuidores. O faturamento está dividido da seguinte forma: serviços de limpeza ambiental US$ 3 a US$ 3,5 bilhões; e fornecedores em geral (onde está o mercado de produtos químicos), US$ 700 a US$ 800 milhões, incluindo o refaturamento dos distribuidores.
Os principais motivos que beneficiaram o desempenho do setor em 2006 foram a diversificação da pauta de produtos e a ampliação da oferta, segundo a Abralimp.
O mercado institucional de limpeza, de acordo com a associação, está concentrado principalmente nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil, mais o Distrito Federal (devido à quantidade de órgãos públicos e grandes terceirizadores). Estas regiões concentram mais de 75% das empresas de limpeza do País. O mercado nomeia de limpeza ambiental todas as atividades de limpeza, interna e externa, exceto a limpeza pública e urbana. Nesse quinhão está a maioria das empresas limpadoras.
Futuro – Segundo a Abralimp, o mercado institucional deve continuar a crescer no Brasil por conta do processo de terceirização (veja quadro), em índices que devem ficar entre 3% e 4% ao ano, até o final desta década. “Neste momento, não vemos ameaças a este movimento, que traz consigo o benefício de profissionalizar o setor, e o conseqüente maior uso de produtos profissionais”.
Esse otimismo está presente também nas indústrias. Resultados positivos nos negócios, aperfeiçoamento técnico, investimentos em tecnologia e inovação fazem parte do dia-a-dia deste mercado. De acordo com profissionais ouvidos pela reportagem da H&C, os clientes cada vez mais buscam por eficácia e custo/benefícios, o que impulsiona o setor a oferecer novidades. A demanda estimula a criatividade e o trabalho focado em diferenciação.
Para crescer – A Indústrias Becker, empresa localizada em São José do Mipibú/ RN (próxima à capital Natal), exemplifica esse cenário pró-ativo. A empresa, que tem os produtos institucionais como carro-chefe, cresceu 22% em faturamento no ano passado. Em volume, o incremento foi de 17%. Segundo o diretor Astriel Vieira, esse aumento foi devido dos esforços da empresa em prol do aperfeiçoamento, que ele traduz como “trabalho”.
“Para 2007, por exemplo, estamos investindo em diversificação e especialização em tratamento de pisos e oferecendo novos desinfetantes, além da linha lavanderia líquida e apresentação de novas embalagens”, conta o executivo.
Eficácia e diversidade – Para conquistar clientes nesse segmento, as estratégias são similares das usadas no mercado doméstico. “Preço, qualidade, inovação, eficiência, distribuição e atendimento são essenciais para tornar a empresa mais competitiva”, conta Vieira. Para ele, outros fatores que fazem são: supervisão operacional por meio de equipes treinadas e apresentação de inovação tecnológica na aplicação dos produtos.
Atualmente, a Becker tem um portfólio com itens nas linhas Higiene Geral, Linha Versátil, Soluções Hospitalares, Tratamento de Piso, Sanitização e Lavanderia, além de produtos para uso doméstico. A empresa comercializa seus produtos em todo o Brasil, principalmente para hospitais, shopping centers, indústrias e distribuidores. Para o exterior, a fabricante atende mercados de países africanos, europeus e sul-americanos. As vendas internacionais representam pelo menos 5% dos seus negócios.
Destaque para pisos – Outra empresa que registra crescimento todo ano em limpeza institucional é a Ingleza. “Há quatro anos consecutivos, essa área de negócios vem crescendo na empresa”, afirma Vagner Guimarães, gerente de vendas da Divisão Profissional. De acordo com o executivo, os principais fatores que propiciaram esse resultado são: foco no segmento, lançamento de novos produtos e acordos com novos parceiros.
O grande destaque da merca continua sendo a linha de produtos para área de manipulação de alimentos no mercado, reforçando a marca Mister Max. Outro fator importante, segundo o gerente, é que, pelo segundo ano consecutivo, a Ingleza é um dos patrocinadores da Higiexpo, principal evento do segmento profissional no Brasil e América Latina.
A área de institucionais é responsável por 13% do faturamento da Ingleza, com aproximadamente 31 mil volumes comercializados por mês. Hoje, a fabricante possui diversos itens, em várias categorias, incluindo linha de higienização de cozinhas profissionais, removedores, selador, impermeabilizantes, ceras, detergentes, desengraxante, limpadores especiais, limpadores e desinfetantes. Guimarães ressalta que o principal foco da empresa é no tratamento de pisos, com os impermeabilizantes e produtos para higienização de áreas de manipulação de alimentos.
| Terceirização impulsiona
crescimento |
De acordo com a Abralimp, o
conceito de terceirização aportou
no Brasil durante a década de 70
e teve seu boom de crescimento
nas duas décadas seguintes, capitaneado
pelos bancos e montadoras
de veículos, e em seguida
pelo setor público e condomínios
comerciais. Seu desenvolvimento
permitiu o aparecimento de um
grande número de prestadoras de
serviço, em especial nas áreas de
produtos para alimentação, farmacêutica,
limpeza comercial e industrial,
etc.
A terceirização, na ótica da associação,
deverá continuar crescendo
a cada ano, como uma estratégia
de gestão das empresas/clientes,
cada vez mais focadas em seu próprio
negócio. Acredita-se que, atualmente,
cerca de 50% do mercado
de limpeza industrial no setor
privado já está terceirizado, especialmente
nas grandes empresas
como indústrias, bancos, condomínios
comerciais, grandes escritórios,
supermercados, shopping
centers, aeroportos e indústrias
farmacêuticas e alimentícias.
No setor público, o nível de terceirização
é bem maior atingindo
de 80 a 90%, segundo a associação.
Uma oportunidade à vista,
segundo a Abralimp, é a área da
educação, incluindo escolas e universidades,
que ainda mantêm alto
índice de serviços próprios. |
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Mais performance – A Ingleza atende hotéis, indústrias, hospitais, shopping centers, clubes e academias, entre outros. “Todos esses segmentos são importantes, mas, hoje, com a terceirização de serviços, os segmentos que mais utilizam nossos produtos institucionais são o de conservadoras de limpeza, hospitais e redes supermercadistas, com foco na limpeza e conservação de pisos dos pontos-de-vendas”, conta o gerente.
Na opinião dele, um dos grandes diferenciais da empresa no mercado é a formação de uma rede de distribuição com foco no segmento, envolvendo empresas que se preocupam em apresentar soluções de limpeza e não em apenas vender “algo” para o cliente. “Nossos distribuidores e nossa equipe de vendas são capacitados para prestar um serviço eficiente, visando aumento de performance rendimento aliado a otimização de custos”, explica.
Segmentação dos fabricantes por faixa de faturamento
| Faixa |
Nº de empresas |
Faturamento individual
(em milhões/ ano) |
Faturamento total
(em milhões/ ano) |
| A |
2 |
acima de 10 |
De US$ 120 a 140 |
| B |
9 |
Entre US$ 6 e 10 |
De US$ 70 a 90 |
| C |
15 a 20 |
Entre US$ 3 e 6 |
De US$ 70 a 90 |
| D |
110 a 130 |
Até US$ 3 |
De US$ 110 a 130 |
Lavanderias – Outra oportunidade para investir é no setor de lavagem profissional de roupas. A empresa Atmosfera divulgou no final do ano passado que seu crescimento em valor chegaria à casa dos 30%, ante o resultado de 2005, quando o faturamento chegou a R$ 140 milhões.
A empresa lava cerca de 200 toneladas de roupa por dia e conta com uma frota de pelo menos 120 caminhões e furgões em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. No final de 2006, a empresa fechou contrato com a fábrica de chocolate da Nestlé para fornecimento, diariamente, de camisas, calças e blusas de moletom para mais de 1,2 mil funcionários.
A Atmosfera foi criada com este nome em 2004 ao fundir quatro empresas do ramo: Acqualimp e Central Lav, ambas do segmento hospitalar, a Astral, da área de hotéis e restaurantes, e a Tilimpa, do setor industrial.
O Sindicato das Lavanderias e Similares do Município de São Paulo e Região aponta um crescimento na lavagem de tapetes, carpetes, cortinas, estofados, travesseiros e persianas, devido à proximidade das festas de final de ano (como informou à reportagem da H&C no final de 2006). A procura pelos serviços das lavanderias especializadas chega a dobrar nesta época, o que pode ser uma dica aos fabricantes de produtos profissionais para este segundo semestre. O Sindilav representa mais de 3,6 mil lavanderias em 377 municípios do Estado de São Paulo.

| H&C promove curso profi ssional |
Em junho, a H&C promoveu o 2º
Curso de Tecnologia e Soluções
em produtos de Limpeza Institucional & Industrial, em São Paulo. O
evento, ministrado pelo especialista
Ricardo Pedro, tem apoio de empresas,
como Novozymes (que foi
responsável pelo módulo de enzimas
nessa edição) e Rohm & Haas
(responsável pelo módulo de conservantes),
além Abipla, Abralimp,
Anel e Anvisa. O objetivo é oferecer
oportunidades para aperfeiçoamento
de conhecimento e um
ambiente para fortalecer os relacionamentos
comerciais.
“É um evento extremamente importante
para reciclarmos nosso conhecimento
e conhecer novas soluções
para formulações”, afirma
Segmento
Faturamento (em milhões/ ano)aturamento
(em milhões/ ano)
Alimentício De US$ 40 a 50
Automotivo De US$ 9 a 10
Cozinhas/ Food Service De US$ 65 a 80
Lavanderia De US$ 50 a 60
Limpeza Geral De US$ 140 a 170
Tratamento das Mãos De US$ 9 a 10
Tratamento de Pisos De US$ 57 a 70
Faturamento por uso fi nal dos produtos
FONTE: PESQUISA ABRALIMP (2006) –
REPRODUÇÃO ANUÁRIO ABIPLA 2007
H&C promove curso profissional
Aline Oliveira, supervisora de desenvolvimento
da Zuppani, que participou
pela primeira vez e conta que
não deve parar. “Já estou planejando
participar do curso sobre acabamentos
para pisos institucionais, em
setembro”. Segundo a química, a
exigência dos clientes deste mercado
está cada vez mais, o que move
a indústria a criar e desenvolver ainda
mais soluções inovadoras.
“Precisamos atender as necessidades
dos clientes com efi cácia e
ao mesmo tempo com produtos que
ofereçam custo/benefício atraente”,
explica. A Zuppani conta atualmente
com um portfólio que varia de 150 a
200 itens profi ssionais. “Esse número
mostra a importância desse mercado”,
conclui Oliveira.
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