Citratus
 
 , 12 de Março de 2010
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Vol. VIII - nº 43 - Mai/Jun - 2007 


Especial

Otimismo para household em 2007


Aumento de renda do consumidor, combate à informalidade, redução da carga tributária e mais participação em exportações apontam um cenário de oportunidades para o crescimento

Detergentes líquidos e águas sanitárias foram destaques em crescimento

O ano passado também foi positivo para o setor de limpeza. E as expectativas para 2007 continuam otimistas. De acordo com a Abipla, em 2006, o setor de household cresceu 9% em volume no Brasil, chegando a um total de 10 bilhões de toneladas. O faturamento ficou acima de R$ 10 bilhões, representando uma variação de 6% ante 2005.
De acordo com o presidente da associação, Luiz Carlos Dutra, em geral, houve aumento de penetração das categorias nos lares brasileiros. “Os itens de limpeza estão cada vez mais fazendo parte da cesta básica do consumidor brasileiro”, diz. Segundo ele, o setor tem crescido de forma sustentada. “Combate à informalidade e redução da carga tributária”, conta Dutra, “são fatores que vão propiciar ainda mais desenvolvimento e resultados positivos para todos, empresas (de pequenas às grandes), governo e consumidores”.
Um exemplo recente de conquista importante para o setor (deste ano) foi a inclusão da barrilha (item essencial na fabricação de sabões e detergentes em pó) na lista da TEC (Tarifa Externa Comum), cuja alíquota de importação passou de 10% para zero.
Outra oportunidade que deverá incrementar o setor é o direcionamento de esforços para aumentar as exportações. Em 2006, segundo Dutra, elas cresceram 9%, enquanto que as importações aumentaram 10%.
O presidente da Abipla afirma que um dos fatores que podem acelerar o crescimento e aumentar o consumo em limpeza é a inovação, assim como no setor cosmético. Quem sabe ela possa ser utilizada dentro e fora do Brasil?

Investimento em valor agregado deve
ser retomado em 2007

Desempenho No ano passado, o crescimento médio dos produtos auditados pela Nielsen com dados do varejo (em 157 categorias) foi de 5,1% em volume. A cesta de limpeza registrou crescimento de 4,4%.
A categoria de água sanitária, incluindo alvejantes (veja matéria sobre essa categoria nesta edição), foi a que teve o maior incremento, de 9,5%, mantendo assim o bom desempenho de 2005, quando cresceu 12%. Em valor, a categoria cresceu 9,7% em 2006. Os inseticidas (em aerosol), após o expressivo crescimento de 2005 (17,2%, em volume), obtiveram aumento de apenas 0,3% em 2006. Em faturamento, a categoria registrou leve queda (0,3%).

Detergentes em pó A categoria de detergente e sabões em pó cresceu 4,7% em volume, de acordo com dados da Nielsen. Em valor, houve queda de 3,2%. De acordo com profissionais do setor, em 2007, as fabricantes devem voltar a investir em matérias-primas que agreguem mais valor aos produtos.
As vendas de LAB e LAS registram queda há pelo menos dois anos. Segundo Sérgio Spieler, diretor comercial da Deten, em 2005, houve redução de 5%, comparando ao ano anterior. “Os motivos básicos foram: o aumento da participação de mercado de detergentes mais baratos (com menos ativos) e a redução de ativos ocorrida em algumas marcas”, afirma. De acordo com o executivo, em 2006 ainda houve queda, de 2%. Os motivos são os mesmos.
Porém, para ele, 2007 esse quadro poderá ser revertido. “Acho que já foi atingido o limite em termos de redução de ativo, e de mix de vendas de produtos de maior e menor qualidade. Por isso, a partir deste ano, o LAB deverá voltar a crescer, acompanhando o mercado de detergentes”, diz.

Recuperação O aumento do consumo poderá contribuir para a retomada do crescimento, principalmente para fornecedores de matérias-primas. Segundo Michael Mathieson, diretor adjunto da Copebrás, o mercado brasileiro de Tripolifosfato de Sódio (STPP) atingiu 78 mil toneladas (estimado), com uma redução de aproximadamente 13%, comparando-se com o ano anterior. Maior do que a queda registrada de 2004 para 2005, que foi abaixo de 10%. “Isso ocorreu, principalmente, devido a reformulações objetivando menores custos, bem como sensível aumento nas vendas de produtos populares (que contêm menor teor de STPP)”, afirma o executivo.
Para 2007, o quadro deve ser revertido. “Estimamos que, em função do aumento no poder aquisitivo da população em geral, haverá também uma maior demanda por detergentes em pó, com impacto positivo nas vendas de matérias-primas”, diz.
Nas exportações, a queda foi brutal. “Em 2006, em função dos custos fortemente impactados pela valorização do Real e conseqüente queda em nossa competitividade, exportamos somente 4,7 mil toneladas, contra quase 27 mil exportadas no ano anterior, principalmente para o mercado argentino”, afirma o executivo. Entretanto, para este ano a expectativa para o mercado externo também é otimista.

 Sabão e detegente em pó alavancam faturamento de household
 Sabão em pó – faturamento em
 Reais (mi)
     Sabão em pó – volume      ponderado – toneladas x 1000

Segundo a Abipla, os detergentes em pó compõem a maior categoria no
setor de produtos de limpeza, liderando não só em vendas, mas também em
novas tecnologias e lançamentos.
Isso porque o brasileiro passou a utilizar mais produtos para lavagem e cuidado com as roupas do que com outros itens de limpeza.
Embora tenha apresentado crescimento signifi cativo nos últimos anos, o
detergente em pó tem consumo relativamente pequeno no Brasil (3,5 Kg a 4
Kg anuais por habitante), se comparado com a Europa (que chega até 14 Kg
por ano), o que representa o grande potencial de crescimento.
Estratégias adequadas ao tipo de consumidor (veja matéria seguinte sobre
os estilos de consumidores), como produtos de alto valor agregado, embalagens de menor desembolso e promoções, podem contribuir para o aumento do consumo per capita. Além disso, observar as preferências regionais é um fator primordial para o crescimento das vendas.

Conquista do consumidorNo setor de limpeza, inovações e lançamentos também são importantes pilares de sustentação para o crescimento. Porém, são consideradas inovações não apenas em fórmulas, mas também em visual, embalagens e até mesmo fragrâncias diferenciadas. Na Química Amparo, onde sabão em barra e detergente líquido são carros-chefes em household, as categorias de detergentes em pó e amaciantes tiveram importante desempenho.
De acordo com a empresa, os fatores que mais contribuíram para esses resultados positivos foram os esforços da fabricante para apresentar inovações, apoiadas por campanhas de propaganda que tiveram papel essencial no avanço das suas marcas nestes segmentos. A empresa apresentou novidades em apresentação dos itens da marca Tixan Ypê, tanto cartuchos como embalagens plásticas, e dos amaciantes. E novas variantes de fragrâncias.

Fragrâncias Fator dos mais importantes para a decisão do consumidor no setor de limpeza, as fragrâncias, além de perfumar, podem conquistar a simpatia da dona-de-casa. “A fragrância tem contribuído para que as fabricantes possam se aproximar do consumidor com conceitos baseado em emoções”, exemplifica Itaguacy Ibrahim, diretor comercial da Firmenich.
Segundo ele, há um limite para que o consumidor perceba os benefícios dos produtos, seja um de alto valor agregado ou de categorias de preços mais baixos. A fragrância torna essa percepção mais clara.

Ceras A categoria de ceras para assoalho, de acordo com dados da Nielsen, foi a única, entre as principais da cesta, que registrou queda em 2006. Porém, menos do que no ano anterior. Em 2005, comparado a 2004, a categoria caiu 4,5%, e em 2006, 1,6%. Em valor, esse grupo de produtos também apresentou resultado negativo, -4,7%.
Fabricantes, entretanto, têm encontrado saídas para driblar essa situação, como investir em produtos para outras necessidades do consumidor. A Ingleza, por exemplo, obteve ótimos resultados, com lançamentos diferenciados. Segundo Denise Novaes, diretora executiva de marketing e vendas da empresa, três categorias que tiveram maior destaque em 2006 foram: concentrados de limpeza, lustra-móveis e ceras para calçados.

Inovações podem ser feitas em todas
as categorias

Inovação que impulsionaSegundo a diretora da Ingleza, a empresa “ousou” com o lançamento de um produto inédito: UAU! Repelente, indicado para superfícies. O item promete afastar formigas doceiras, à base de água, sem deixar resíduos tóxicos. “Com essa inovação, conseguimos alavancar as vendas de todos os produtos ancorados por esta marca, que para nossa empresa sinônimo de inovação e pioneirismo”, acrescenta.
Em concentrados de limpeza, a Ingleza (com a marca UAU!) cresceu 18% em volume. Em lustra-móveis, a variação foi de 19%. O crescimento veio da entrada de produtos “ousados”, conta aexecutiva, e com tecnologia cosmética, como os reavivadores de cor da madeira clara ou escura e a versão Erva Doce do Brilha Móveis Ingleza, a variação foi de 19%.

 Produtos de limpeza são
 essenciais na cesta básica
 do brasileiro (distribuição do
 gasto dos lares, em valor)

Lãs de aço Em 2006, a categoria de lãs de aço iniciou uma visível recuperação. Após queda em volume no ano anterior (6,4%), o crescimento foi de 4,1%. O faturamento também registrou variação positiva, 11,1%. Esse mercado promete ficar ainda mais competitivo em 2007. Além de Bombril e Assolan, Ypê e Limppano prometem aquecer a briga pela conquista do consumidor, sem falar nas marcas de baixo preço.
A Limppano aposta em qualidade para se sobressair no mercado. Segundo Alex Buchheim, gerente geral da empresa, o diferencial do produto é a durabilidade. “Nossa lã de aço demora mais para enferrujar”, explica. Só no Rio de Janeiro, a meta da empresa é obter 30% de participação de mercado em um ano.
A Química Amparo, detentora da marca Ypê, acredita que o visual impactante fará a diferença nas gôndolas. A lã de aço Brilho Ypê vem numa embalagem brilhante, em polietileno laminado, que pode chamar mais atenção no momento da compra.
Outras batalhas podem e devem ser travadas. Para tornar o setor mais competitivo e forte, investir em inovações é essencial. Quanto mais o consumidor fica exigente, mais oportunidades surgem. Vamos aproveitá-las

Compro, logo existo
 
Pesquisa avalia características de diversos tipos de
consumidor e traz informações que podem contribuir
para o direcionamento das empresas

Nielsen apresenta estudo inédito do consumidor segundo seu estilo de vida. As características mapeadas foram classificadas em quatro dimensões: perfil sócio-demográfico, hábitos de compras, exposição aos meios de comunicação e perfil atitudinal.
O objetivo do estudo foi mapear oportunidades de mercado, de acordo com o tipo de consumidor. Consumidores mais velhos bem-sucedidos e jovens antenados são apresentados como os que têm maior capacidade de compra. Para este público, a performance do produto é o que mais pesa em sua decisão.
A grande maioria dos consumidores dos domicílios pesquisados está concentrada nos perfis Consciente e Batalhador. O primeiro tem faixa etária alta e faz compras de abastecimento, quase sempre os mesmos itens. Qualidade e preço são requisitos que definem suas compras. O segundo tem faixa etária baixa e batalha para aumentar sua capacidade de compra. Busca por ofertas e decide sua compra por preço e promoção.

Estilo de vida
% dos
domicílios
pesquisados
% dos
gastos em
consumo
Principais características
Consciente
34
37
• Costuma ficar em casa e se preocupa com o bem-estar da família.
• Acredita que as propagandas são importantes para se conhecer as marcas.
• Importa-se com a variedade dos produtos e escolhe as marcas pela qualidade – preço.
• Faixa etária e capacidade de compra variadas.
Batalhador
31
28
•Costuma fi car em casa e tem como meta a união da família.
• Busca os meios de comunicação para se informar e desconfi a da propaganda.
• Percorre as lojas em busca de ofertas e escolhe a marca por preço e promoção.
• Faixa etária e capacidade de compra baixas.
Maduro
Tradicional
13
10
• Dona de casa, mais de 51 anos e que se preocupa em viver o presente.
• Busca os meios de comunicação para se distrair e desconfi a das propagandas.
• Faz compra de abastecimento, quase sempre as mesmas coisas.
• Faixa etária alta e baixa capacidade de compra.
Conformado
11
10
• Não se preocupa com a alimentação e quer que a sua família saiba aproveitar a vida.
• Busca os meios de comunicação para se distrair e evita assistir aos comerciais.
• Faz compras quase todo dia em lojas perto de casa. Busca por promoção.
• Faixa etária alta e baixa capacidade de compra.
Maduro
Bem-sucedido
6
9
• Evita gorduras, consome produtos diet e escolhe os ingredientes cuidadosamente.
• Procura informar-se pelos meios de comunicação e formar uma opinião.
• Compra as marcas habituais e se preocupa com a relação qualidade-preço.
• Faixa etária e capacidade de compra altas.
Fashion
5
7
• Tem vida social intensa.
• Busca aprender com os meios de comunicação.
• Valoriza produtos com benefícios diferenciados e gosta de experimentar coisas novas.
• Faixa etária baixa e alta capacidade de compra.

Pensamento global para ganhar o regional
Conhecer o consumidor e atender necessidades
específicas trazem crescimento de vendas

São 5.564 municípios, espalhados por 26 estados e um Distrito Federal, numa área superior a oito milhões de km². Por sua extensão territorial passam inúmeros tipos de geografias, ambientalizadas por todo tipo de clima, desde uma seca típica do deserto até neve e, claro, mais de 180 milhões de pessoas, de diversos tipos, culturas, vontades e peculiaridades. Esse é o mercado brasileiro.
Com toda essa diversidade, o Brasil é realmente um país único. Portanto, analisar seu mercado de forma geral e aplicar as conclusões obtidas em todos seus consumidores sem distinção, obviamente não traz resultados corretos. Quanto mais segmentado, melhor, afinal os hábitos de consumo variam de região para região.
Por isso, em suas pesquisas, a Nielsen adota uma divisão do País em oito regiões: Nordeste; Minas Gerais, Interior do Rio de Janeiro e Espírito Santo; Grande Rio de Janeiro; Grande São Paulo; Interior de São Paulo; Sul; e Centro-Oeste. Dessa forma, fica mais fácil a visualização da disparidade do mercado entre algumas regiões.

Contraste A comparação entre Nordeste e Sul, sem dúvida, é a que mostra com maior clareza os contrastes do consumidor brasileiro. No Nordeste, a incidência da população rural é maior, 28% contra apenas 18% no Sul. As famílias também são distintas: enquanto que 61% dos lares nordestinos possuem quatro ou mais pessoas, no Sul 50% das casas têm até três pessoas.
O fator socioeconômico também determina grande diferença. Setenta e um por cento dos domicílios do Nordeste têm baixo poder de compra. Já na região Sul, 70% deles enquadram-se nos níveis alto e médio.
Essa disparidade financeira não impede, no entanto, que ambos sejam compradorespotenciais. Em 2006, as vendas no Nordeste cresceram 5,6% em volume (em 2005, já havia ocorrido um aumento de 12,2%) e 4,2% em valor. O Sul também apresentou resultados excelentes: altas de 8,3% em valor e 6% em volume. Nesses rankings, as duas regiões ficam atrás somente do Centro-Oeste (veja quadro).

Tradição Mas quem é esse consumidor do Nordeste? Segundo a Nielsen, ele é, em sua maioria, consciente e batalhador; não possui grande quantide de bens de consumo duráveis e semi-duráveis –por exemplo, somente 20% dos domicílios possuem máquina de lavar roupa e 6% microondas –; e segue o ritmo do brasileiro em ter no pequeno varejo seu principal canal de venda (54%). Destes, 26% referem-se aos pontos de venda tradicionais.
Na hora de comprar, tamanho da embalagem e credibilidade da marca são os fatores que mais importam para o nordestino. A questão de inovação está lá atrás nas preferências, o que caracteriza um consumidor altamente tradicional, totalmente o oposto do sulista.


Tradição e pioneirismo
 
Antonio Carlos e Isabel, da Kopiehaus. Fitas olfativas serão oferecidas nos eventos de 2007
 A H&C promove eventos técnico-comerciais em  diversas capitais brasileiras para reunir de uma só  vez fabricantes, fornecedores e distribuidores das  áreas de cosméticos e household. Esses eventos
 sempre foram realizados nos anos ímpares, já que  nos pares a revista promove o Household & Auto  Care, em São Paulo. Porém, a tradição se  consolidou. Desde 2006, a revista promove os
 workshops também em anos pares. Essa decisão  foi possível devido a pedidos de empresas do  setor, já que os mercados regionais têm crescido  significativamente no Brasil.


 
  Nordeste
 Crescimento das vendas em volume: 5,6%.
 Crescimento das vendas em valor: 4,2%.
 • População rural: 28%
 • 61% das famílias têm mais de quatro pessoas
 • 71% de lares com nível socioeconômico baixo
 • 20% das casas possuem máquina de lavar
 • 6% das casas possuem microondas

Desafios Por conta dessa fidelidade, saber como será a aceitação do mercado nordestino em relação a um lançamento é um grande desafio para as empresas da região. “Estamos constantemente realizado pesquisas de mercado para nos deixar a par do que está acontecendo”, conta Zaven Der Haroutiounian, gerente industrial da FC Oliveira, com sede em Codó/MA, responsável pela marca Econômico, que possui mais de 80 itens de higiene e limpeza. “A concorrência também é um fator positivo para sabermos o que funciona ou não para os consumidores daqui”, acrescenta.
Para o executivo, os bons resultados da região só tendem a influenciar positivamente os negócios da empresa. “A qualidade de vida dos nordestinos melhorou muito nos últimos anos e, com mais empresas migrando para cá, temos uma concorrência mais leal”, diz. “Começamos a contar recentemente com bons programas de incentivo, demonstrando que o governo federal reconheceu a necessidade que a região tem de caminhar com suas próprias pernas”, completa.

Expansão Os bons resultados do mercado nordestino levaram a FC Oliveira a apostar também no Norte do País. Para poder atender melhor seus clientes da região, a empresa conta com um centro de distribuição em Belém/PA, além da fábrica em Codó e o CD de Fortaleza/CE.
No meio do ano passado, a empresa anunciou um invertimento de R$ 4 milhões para ampliar sua produção. “Na realidade, o montante superou o estimado em quase 30%”, afirma o gerente. “De todo o plano inicial, o único projeto que não foi realizado é o do creme dental, pois preferimos direcionar os investimentos para a área de líquidos, ampliando as instalações de amaciantes, desinfetantes e água sanitária”, conclui.

Inovação No Sul, o consumidor tem perfil de consumo oposto. A única semelhança, que é uma preferência nacional, é o hábito de comprar no pequeno varejo. Este canal de distribuição representa 51% das vendas da região. Deste percentual, apenas 15% está nos pontos-de-venda tradicionais.
E o sulista não é tradicional em nenhuma etapa de sua compra, ele é mais disposto a experimentar. Os atributos de marca mais valorizado por eles são itens que atendam às suas necessidades e sejam inovadores, pontos fundamentais de um consumidor “fashion”.
O alto nível socioeconômico da região faz também com que seus lares sejam mais abastecidos. Nada menos do que 48% das casas do Sul possuem carro; 82% têm máquina de lavar roupa; e um terço de suas cozinhas são equipadas com um forno micoroondas.
Com um bom patamar de vida e disposição para experimentar, o consumidor do Sul é perfeito, portanto, para as empresas testarem suas novas criações.

  Fortalecimento comercial
Makeni em Recife realizando diversos contatos.
O workshop da H&C se tornou referência para
profissionais do setor, além de um caminho mais fácil para alcançar empresas regionais. Um dos benefícios principais que os participantes destacam constantemente é a oportunidade de fortalecer relacionamentos comerciais de uma só vez com
diversos clientes ou possíveis clientes e parceiros. “Acreditamos no potencial de organização da H&C. Por isso, estamos participando de todos os
workshops neste ano para divulgar as novidades da companhia”, afirma Reinaldo Medrano, diretor comercial da Makeni. A distribuidora Brenntag também vai participar de todas as edições neste
ano. “Queremos fortalecer o nome da empresa nestes mercados, aproveitando que estes eventos têm um baixo custo com um grande número de
participantes, focados nos segmentos em que atuamos”, diz o gerente de marketing Marco Tullio Colacioppo

 
Crescimento das vendas em volume:
8,2%. Crescimento das vendas em valor: 6%.
• População rural: 18%
• 50% das famílias têm menos de três pessoas
• 70% de lares com nível socioeconômico alto e médio
• 82% das casas possuem máquina de lavar
• 33% das casas possuem microondas



 






 Estratégias certeiras
Estudo da Nielsen mostra como entender a regionalidade e transformar esse conhecimento em aumento nas vendas. A pesquisa foi realizada nas regiões Nordeste e Sul, com a marca líder em cuidados pessoais (nome não revelado).
Para o Nordeste, a estratégia utilizada foi criar uma variação do produto em embalagem menor e distribuição concentrada no pequeno varejo. Com um preço 57% menor ao item de tamanho regular, a nova variante conquistou o público nordestino.
A lealdade da região à marca subiu de 49,1% em 2005 para 54,3% no ano passado.
Isso porque 67% dos consumidores que passaram a adquirir o produto em embalagem menor vieram da troca de marcas. A idéia de lançar o mesmo produto só que em embalagem menor é resultado
da identifi cação do estilo de compra do
c onsumidor do Nordeste, que, em sua maioria, está no grupo “Batalhador”. Valoriza muito o menor desembolso e promoções.
Segundo a Nielsen, 100% deles aproveitam para fazer suas compras na semana da promoção; 42% quando vão à loja que estão acostumados a comprar, a primeira coisa que procuram são as promoções; e 38% vão a diversas lojas em busca de promoção. Já para o Sul, reduto de consumidores “Fashion”, o plano realizado foi a extensão de linha. Mesmo com um preço superior à média do mercado, as novas versões tiveram alto índice de penetração nas casas da região.
O fator mais positivo é que 52% das compras desses lançamentos foram feitos por novos compradores da marca, demonstrando a disposição dos sulistas de experimentar as novidades. A Nielsen mostra ainda que o grupo “Fasion” da região Sul apresenta taxa de experimentação e penetração nos domicílios três vezes superiorà média geral brasileira deste estilo de consumidor.



Variedade consciente Os setores de higiene pessoal e household também aproveitam essa vontade de experimentar. Fabricante de produtos de higiene e limpeza da cidade de Encatado/RS, a Fontana sabe bem como se comportam os consumidores do local.
Mauricio Fontana, diretor comercial da empresa, destaca justamente a situação financeira média da população e a variedade de itens como motivos para os bons resultados em vendas. “Esses resultados são reflexo de uma melhor renda da região em 2006 e do aumento de oferta de produtos, proporcionando ao consumidor condições melhores de compras”, resume.
Especializada em sabonetes, a Fontana aproveita o fervor sulista por novidades para criar. “Procuramos trazer sempre inovações e melhorias em nossos produtos a fim de conquistar uma participação maior no mercado e a preferência dos consumidores”, explica o diretor. “Já estamos colhendo bons frutos e neste ano temos indicadores de que teremos um crescimento maior do que o planejado”, completa.
Mesmo com atuação em todo o País – e até no Uruguai –, o forte da Fontana é mesmo o Sul. “A regionalização é um fator que encurta os caminhos entre a indústria e os consumidores”, diz  o executivo. “Hábitos, preferências, tipos de produtos e seus usos, são atingidos mais objetivamente por empresas que vivem nas regiões de consumo, e portanto, tendem a ter melhor leitura do público-alvo”, completa. “Com isto, as empresas erram menos e tendem a ter melhores resultados em suas operações”.

 Atualização e aperfeiçoamento
Química Anastácio estará em todos os eventos
da H&C 2007.
Para incrementar os workshops, além das mesas de negócios, as palestras são um ponto-chave. Profissionais renomados de empresas do setor apresentam novidades, soluções, inovações
e tendências. Essa troca de experiência gera um ambiente de conhecimento. Em que o mais importante é impulsionar o desenvolvimento
do setor, e isso traz benefícios a todos, aos participantes,às empresas que representam e até mesmo ao consumidor, lá na ponta.


 A força do Centro-Oeste
Responda rápido: quais são as cinco regiões do Brasil? Duvido que você tenha citado o Centro-Oeste em primeiro, mas essa foi a posição que a região ocupou no ranking de crescimento de vendas do varejo brasileiro, tanto em volume (8,4%) quanto em valor (6,7%). Composto por Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, a
região possui cerca de 12 milhões de habitantes, que vêm ganhando espaço no
pensamento dos executivos. Em higiene pessoal e beleza, o Centro-Oeste também cresce. Da cidade de Aparecida de Goiânia/GO, por exemplo, nasceu a Abelha Rainha, atualmente entre as cinco maiores empresas de cosméticos do País.
“O desenvolvimento da região foi muito
importante no nosso início”, diz Jose
Walter da Silva, diretor de marketing
da empresa. Segundo ele, partir de um
Linha Love Colors é destaque da
Abelha Rainha, que saiu de Goiás
para todo o Brasil
mercado  regional para depois começar
 distribuir por todo o País foi fundamental
 para o sucesso da Abelha Rainha.
 “Creio que isto é o ideal para toda empresa”,
 afirma. “Ter tudo por perto no começo ajuda na  agilidade para fabricação e atendimento imediato”,  conclui.

Foco constante Empresas que atendem demandas de todas regiões do País também vêem essa diversidade dentro do Brasil. “A grandeza do País incentiva o nascimento dessas empresas regionais que podem se adaptar as características do mercado a sua volta”, diz Antonio Carlos Hernandez, diretor comercial da L’Atelier Parfums, especializada em fragrâncias. “Isso resulta em necessidade de melhor conhecimento de cada região, representantes locais em cada uma e criatividade sempre maior para atendê-los”.
Grandes nomes dos setores de cosméticos e household iniciaram seus negócios numa pequena fábrica e hoje alguns chegam a ser líderes em sua categoria, exemplos de sucesso no exterior e referências de mercado. Apenas para citar poucos exemplos, o Boticário saiu do Paraná, a Embelleze do Rio de Janeiro e a Ceras Ingleza veio pequena de Minas Gerais para hoje liderar o mercado de ceras, à frente de muitas multinacionais.
O grande segredo do êxito cada um tem o seu, mas todos têm em comum sempre realizar suas ações a partir de um pensamento global, mesmo que o direcionamento seja local.

  Aproximação entre setores
Os eventos contam com a participação de entidades que são fundamentais para
setor empresarial, como a Anvisa. A Agência também marca presença em todos
os workshops da H&C em 2007. Segundo Tânia Pich, gerente geral de saneantes,
a oportunidade de estar perto de empresas localizadas mais distantes do eixo Rio/São Paulo é muito positiva. “Podemos esclarecer dúvidas, enxergar a realidade das empresas e trabalharmos em prol da proteção à saúde, garantindo produtos efi cazes e seguros, além de divulgar inovações de regulamentação”, diz.
Para a gerente geral de cosméticos, Josineire Melo Costa Sallum, esse encontro
com o setor é extremamente importante. “A participação da Anvisa num evento
que reúne empresas regionais é muito importante, uma oportunidade para esclarecimentos em que todos vão ganhar”, afirma.


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