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Especial
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Brasil tem uma das menores taxas de crescimento da América Latina; apesar disso o consumo continua em ascensão. |
Apesar do crescimento do PIB abaixo da média mundial, o Brasil continua na rota do crescimento do consumo. De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 2,9% em 2006, se comparado ao ano anterior. Na América Latina, o Brasil figura entre as menores taxas de crescimento. Nesta região, os países que mais cresceram foram Argentina (8,3%), Equador (6,4%), México (4,8%) e Chile (4,2%).
Mesmo assim, o consumidor recupera seu poder de compra com o aumento do rendimento médio e a inflação atinge o menor patamar dos últimos cinco anos. A avaliação do IPCA no acumulado de 2006 foi de 3,1 % contra 5,7 % de 2005 e 7,6% de 2004.
Mais uma vez o acesso facilitado ao crédito impulsionou o consumo. No ano passado o número de operações de crédito de pessoas físicas cresceu 318% se comparado a 2002, segundo informações do Banco Central do Brasil. Estudo da Nielsen revela que o avanço do emprego formal também contribuiu para aquecer as vendas. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostram que foram criados 1,23 milhões de novos postos de trabalho em 2006.
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Os entraves para o crescimento, segundo a Nielsen, foram o aumento da carga tributária e a falta de investimento em infra-estrutura. De acordo com dados da Receita Federal, os tributos, que correspondiam a 35,6% do PIB em 2002, representaram 38,9% no ano passado.
A produção física industrial, assim como em 2005 (vs 2004) teve
como destaque os bens duráveis (+ 5,8%) e as bebidas (+7,2%).
A área farmacêutica, que apresentou o maior crescimento de 2005, teve um incremento de 4,4% no ano passado. O setor de alimentos continua sendo o de pior desempenho com variação de apenas +1,8% (em 2005 variou +0,6%). A cesta de higiene e limpeza, destaque do final da década de 90 e início dos anos 2000, também teve crescimento tímido (2,0% em 2006 e 3,7% em 2005).
No geral, o consumo cresceu, em 2006, 5,1% em volume e 3,2% em valor, segundo dados da Nielsen (Retail Index). Na Argentina, país com crescimento do PIB em 8,4%, a variação foi de 10,4% e 10,6%, respectivamente.
Continua o crescimento de produtos de consumo de massa |
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Supermecados de pequeno porte e marca líderes ganham participação de mercado |
Economia brasileira teve desempenho tímido em 2006 se comparado a outros países da AL. Nosso PIB cresceu 2,9%. Bem abaixo de Argentina (8,3%), Colômbia (6,4%) e México (4,8%). Apesar disso, confirmou-se a tendência de crescimento dos produtos de consumo de massa que, apresentaram variação média de 5,1% em volume e 3,2% em valor, se comparado a 2005. Nos países vizinhos, esses índices foram de 10,4% e 10,6%, respectivamente, para o mercado argentino de consumo de massa; 6,1% e 4,1% para Colômbia; e 5% e 7,9% para o Chile.
Segundo estudo da Nielsen, 54% das categorias analisadas no Brasil (de um total de 157) apresentaram crescimento. Ficaram estáveis 34% e 11% tiveram queda. Entre as categorias em ascensão, 35% cresceram acima de 11%, 46% entre 5% e 10% e 19% de 3% a 5%.
Marcas líderes – O estudo da Nielsen revela ainda que as marcas líderes avançaram um pouco mais, passando de 26,2% de participação de mercado em 2005 para 26,5% em 2006. O resultado mostra também que 88% das marcas líderes de 2004 continuaram sendo as mesmas.
Em termos de marcas líderes, vale ressaltar a ascensão dos itens de alto preço, que representavam 36% em 2004 e chegaram a 40% no ano passado. Os itens de preço baixo que vinham em queda de representatividade (16% em 2004 e 10% em 2005) recuperaram participação em 2006 (13%). As marcas líderes de preço médio caíram de 51% em 2005 para 47%.
São consideradas marcas de preço baixo aquelas com preço menor que 90. Têm preço médico aquelas com índice entre 90 e 110. As de alto preço apresentam índice superior a 110.
Consumo – Cresce também o nível de exigência do consumidor. A relação custo-benefício, de acordo com a Nielsen, é um atributo bastante valorizado pela maioria deles. O estudo mostra que 69% escolhem suas marcas habituais buscando uma boa relação entre qualidade e preço. Sete por cento dos consumidores buscam apenas por produtos com qualidade superior ou marcas de prestígio.
Em termos de canal de distribuição, o pequeno varejo se confirma como um ponto de venda potencial. Sua representatividade é de 40%, superando os supermercados que participam com 39% das vendas dos produtos de consumo de massa (Pequeno_13%, Médio/ Grande_21%, Hiper_5%).
O pequeno varejo registrou crescimento em valor de 8,3% e em volume de 5,8%. Os supermercados de pequeno porte cresceram 12,5% e 11,8%, respectivamente. Os hipermercados apresentaram queda de 4,5% e 5,4%. O canal farma cresceu 9,8% e 6,8%. Destaque para o incremento dos Bares em 11,3% e 5,3%.
As regiões geográficas que mais se destacaram no setor de produtos de consumo de massa, com variações superiores à média nacional (5,1%) foram: Centro-Oeste, Nordeste e Sul. O Centro-Oeste obteve o maior crescimento em volume, 8,4%, e em valor, 6,7%. A região Nordeste, a que mais tinha crescido em 2005 (12,2%), registrou 5,6% e 4,2%, respectivamente. O Sul teve incremento de 8,2% e 6% (veja mais na matéria sobre consumo regional).

Perspectivas para 2007 –
Dados da Nielsen referente aos dois meses de 2007 continuam apontando para o crescimento. Neste período, as cadeias de supermercados cresceram quase 2%, comparando-se com o mesmo período de 2005. De acordo com a Nielsen, a economia deverá apresentar crescimento de até 4%, enquanto os produtos de consumo de massa poderão registrar variação sobre as vendas de 5% a 6%.
| Desempenho das categorias |
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| Destaques 2006 |
| O segmento de maior crescimento em volume, no ano passado, foi o de Perecíveis
(10,6%). Em segundo lugar, vêm as bebidas não-alcóolicas (6%), seguidas
pelas bebidas alcoólicas (5,9%). Pelo segundo ano consecutivo, a cesta de limpeza
caseira cresceu mais do que a de higiene pessoal. O incremento foi de 4,4% e 4,1%,
respectivamente. Porém, em valor, detectou-se o inverso. A cesta de higiene pessoal
teve aumento de 1,7% e a de limpeza, 0,3%. Segundo a Nielsen, as duas cestas
apresentaram queda de preços, de 2,3% em higiene pessoal e 3,9% em limpeza. |
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Investimentos propulsores |
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Higiene e beleza continua crescendo acima do PIB devido
ao investimento em tecnologias, produtos inovadores e
atendimento específi co às demandas dos consumidores |
No mercado brasileiro de higiene e beleza, a indústria registrou resultados positivos em 2006 em quase todas as categorias, de acordo com dados da Abihpec. No geral, o crescimento em volume foi de 5,6% (1,4 milhão de toneladas vendidas) e o faturamento aumentou 14%, totalizando R$ 17,5 bilhões. O segmento de higiene pessoal foi responsável por 59% do resultado em valor. Cosméticos representaram 27,5% e perfumaria, 13,5%.
O presidente da associação, João Carlos Basilio da Silva, estima que, em 2007, o setor cresça aproximadamente 12%. A previsão é de que os investimentos se mantenham em US$ 100 milhões ao ano até 2010 e sejam direcionados prioritariamente à expansão das fábricas já instaladas.
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Basilio: “Estamos aumentando nossa
participação no mercado mundial” |
Carro-chefe – Cuidados com os cabelos ainda são o mais importante mercado. Somando as categorias de higiene pessoal (xampus, condicionadores e itens para tratamento) e as de cosméticos (fixadores/modeladores, colorações e itens para permanete/alisamento) o faturamento chegou a R$ 4,7 bilhões em 2006, representando 27% do total do setor.
Inovações e lançamentos são os fatores que mais impulsionam o crescimento do consumo neste segmento. A Unilever, por exemplo, apresentou sete novas linhas da marca Dove, para as mais diversas necessidades do consumidor, de itens para cabelos tingidos a produtos para controle de queda. A empresa também lançou sete linhas com a marca Seda, além da linha Suave Fruvit Energy.
A marca Seda possui 16 linhas de produtos capilares e Dove conta com 62 itens. Esse número mostra o quão importante é o segmento. Colgate-Palmolive e Natura são outros exemplos. A marca Palmolive Naturals oferece 64 produtos e a Natura, 68.
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Colgate aposta
em enxaguantes
sem álcool |
Higiene oral – A categoria de enxaguantes bucais foi o destaque do segmento de higiene pessoal em 2006, com o maior crescimento em valor e em volume (24,59% e 21,39%, respectivamente). Os enxaguantes respondem por um pouco mais que 10% do faturamento em higiene oral no Brasil. Os cremes dentais são os carros-chefes, com 66,6%, e as escovas vêm em seguida, com 18,9%.
Uma das empresas que apostou em novidades foi a Colgate-Palmolive, principalmente com lançamentos de itens sem álcool. A fabricante apresentou Colgate Plax Sem Álcool e a variante Teens, como opção para consumidores que buscam proteção “sem o ardor excessivo causado pelo álcool”.
Entre as grandes empresas, a briga deve continuar forte nesta categoria. Desde abril, a Johnson & Johnson assumiu a operação da divisão de Listerine, que era da Pfizer. A venda foi concluída em dezembro de 2006 por um valor de US$ 16,6 bilhões e envolve também as marcas Mylanta, Nicorette, Regaine, Benalet, Caladryl e Sinutab. A adição de Listerine no portfólio da J&J triplica o segmento de higiene oral da empresa, transformando-o em um negócio superior a US$ 1 bilhão.
Canais de distribuição
(participação em valor) -
higiene pessoal |
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Anti-age – No segmento cosmético, os itens para cuidados com a pele são líderes em faturamento. Eles alcançaram cerca de R$ 1,5 bilhão no ano passado, com crescimento de 15,2% em valor e 14% em volume. Neste mercado, diversas empresas continuam investindo principalmente em produtos anti-age. A tendência é a segmentação. O combate às rugas está cada vez mais democrático. Com opções para todos os bolsos, marcas cosméticas investem em tecnologia para conquistar a consumidora.
Alguns lançamentos deste ano comprovam esse caminho. A Lancôme lançou, recentemente, Secret de Vie, tratamento de reativação celular que concentra seis dos melhores ativos dos Laboratórios Lancôme, minuciosamente dosados. Um pote do novo creme custa R$ 950. Num outro extremo está a nova linha da Nivea à base de ácido fólico, com produtos de R$ 42 a R$ 47.
Com um investimento de R$ 5 milhões, o Boticário apresentou três novos itens para a linha de cuidados faciais VitActive. Destaque para o Nanopeeling, kit para peeling doméstico que pode ser adquirido por R$ 119. Outras empresas seguem no mesmo ritmo, como Avon e Buona Vita.
Canais de distribuição
(participação em valor) -
cosméticos |
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Canais de distribuição
(participação em valor) -
perfumaria |
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Maquiagens – As categorias de maquiagens também registraram resultados positivos em 2006, principalmente os itens para o rosto, que teve um aumento de 31,1% em valor (se comparado a 2005). A categoria para de produtos para olhos cresceu 26,1%, para a boca, 21%, e para as unhas, 19,8%, em faturamento.
As inovações no setor vêm desde as matérias-primas empregadas até embalagens diferenciadas, passando, é claro, por novos processos produtivos e novas tecnologias. Esses investimentos agradam a toda cadeia. “Antecipamos as necessidades do mercado e nos preparamos para atender a essa demanda, com novas soluções, inclusive para facilitar o acesso de empresas que não atuavam neste nicho e pretendiam iniciar”, conta Tatiana Francine, coordenadora de comunicação de mercado da Cosmotec.
A fornecedora fechou 2006 com um crescimento 30% acima da meta estipulada (para a empresa no geral). “Esse excelente resultado é produto da implementação de novas estratégias de negócio, além de termos reforçado a presença da Cosmotec em outros estados”, acrescenta.
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Novo tratamento de
reativação celular da Lancôme |
Perfumaria – O segmento de fragrâncias (perfumes e colônias, exceto itens importados) teve faturamento de R$ 2,3 bilhões, representando um incremento de 15,5% em valor. A variação em volume foi mais tímida, 5,9%. Empresas nacionais continuaram com lançamentos neste setor. No Boticário, por exemplo, um dos grandes investimentos (R$ 5 mi) foi o lançamento de Lily Essence, primeiro eau de parfum da marca. O crescimento total do faturamento da rede cresceu 13%. No geral, os investimentos da empresa foram 37% maiores em 2006 do que em 2005.
O crescimento do mercado brasileiro de fragrâncias movimenta também as casas de perfumaria. Segundo Itaguacy Ibrahim, diretor comercial da Firmenich no Brasil, 2006 foi um ano positivo. No setor de higiene e beleza (dividido na empresa como Body Care e Perfumaria Fina), o aumento chegou próximo a 20%.
“Esse incremento foi impulsionado pela demanda gerada por grandes empresas do setor, como Avon, Natura e Boticário”, diz o executivo. Para 2007, segundo ele, as expectativas são ainda melhores. “Estamos fechando com números bem acima se comparados com o ano anterior”.
De acordo com Itaguacy, o consumidor brasileiro gosta de se perfumar e de sentir-se bem com uso de cosméticos. “A Indústria está encontrando boas equações para oferecer itens que atendam às suas necessidades, de acordo com seu potencial de compra”, finaliza.
Brasil é o terceiro maior
mercado de cosméticos |
Segundo dados da Euromonitor,
o crescimento em dólares de
26% no consumo dos produtos
do setor no mercado brasileiro em
2006, contra um crescimento estimado
de 1,2% do mercado global,
levou o País à terceira posição no
ranking mundial. Em 2005, o Brasil
já havia desbancado mercados
tradicionais, como a Alemanha e a
Inglaterra. Agora, com vendas no
valor de US$ 18,2 bilhões (preço
ao consumidor), superou também
o mercado francês, perdendo apenas
para o Japão e os EUA. |
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Após sucesso de
Renew Alternative
Noite, lançado
em 2006, Avon
apresenta item
para o dia |
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Maquiagens para o rosto foram
destaques em crescimento |
Novas fábricas – Para potencializar suas atuações
no mercado
cosmético, diversas empresas têm apostado em novas unidades para fortalecer e ampliar seus negócios. No semestre passado, a Natura investiu R$ 13 milhões para ter sua segunda fábrica, no Pará, para fabricação de massa de sabonete e extração de óleos.
A Oxiteno também iniciou ampliação em 2006. A empresa investe US$120 milhões em unidade oleoquímica, no pólo de Camaçari/BA, para produção de álcoois e ácidos graxos e glicerina USP. O objetivo é atender às principais fabricantes do setor de higiene e beleza e de household, no Brasil e na América Latina. Cerca de 80% da produção deve ser destinada a estes mercados.
No começo de 2007, foi a vez da Croda do Brasil mostrar que investimento é um caminho promissor para crescer no setor. A empresa investiu R$ 10 milhões na nova unidade em Campinas/SP com o objetivo de aumentar sua capacidade produtiva, de 5 mil toneladas para 12 mil toneladas de produtos.
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Hair care representa 27% do total do
setor, em faturamento |
“A estratégia da Croda era tornar-se líder na fabricação de especialidades químicas e esta posição consolidou-se com a aquisição da Uniqema, em setembro do ano passado, e a inauguração desta nova fábrica”, afirma o diretor comercial Sérgio Fernandes.
A fábrica tem ênfase na produção de ésteres, que tiveram sua capacidade aumentada de 1,9 mil toneladas para 4 mil toneladas. A planta também incrementa a produção de misturas (como as ceras emulsionantes), que passará de 1,4 mil toneladas para aproximadamente 6 mil toneladas. Com a nova fábrica, a representatividade da Croda Brasil nos negócios da companhia no mundo deve subir de 4% para 9%. Por aqui, o setor cosmético é responsável por cerca de 40% das vendas da empresa.
| Exportações em alta |
Nos últimos cinco anos, as exportações
do setor tiveram um crescimento
acumulado de 138%, atingindo
US$ 484,4 milhões. Em 2006,
a valorização do real em relação ao
dólar provocou alta nas importações
do setor, que subiram 39%, se
comparadas ao ano anterior, chegando
a US$ 294,5 milhões.
Mesmo com o câmbio desfavorável, a balança comercial continua
positiva em US$ 189,9 milhões.
“Em apenas três anos, dobramos
o valor das nossas vendas externas.
O crescimento das exportações
em 2006 superou a média
internacional, o que indica que estamos
aumentando nossa participação
no mercado mundial”, afirma
João Carlos Basilio da Silva,
presidente da Abihpec. |
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