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Especial Cosméticos
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Como bem ilustra a composição de Bororó (“Da cor do pecado”), no Brasil, um corpo moreno é associado a sensualidade e beleza. Porém, o que muita gente começa a perceber é que a pele bronzeada pode esconder graves problemas de saúde. A exposição ao sol de forma inadequada ou sem proteção é responsável por diversos males que acometem a pele humana, sendo o mais grave deles o câncer.
Segundo o Instituo Nacional do Câncer, desde os anos 90 o câncer de pele é o de maior incidência no Brasil. Os números alarmantes (veja quadro com os mais recentes dados) levaram a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) a criar, em 1999, o Programa Nacional de Controle do Câncer da Pele, que desde então realiza ações que visam diminuir, em longo prazo, a alta incidência da doença no Brasil. Entre elas, destacam-se: recomendação para evitar exposição solar das 10h às 16h, a indicação do uso de protetor solar durante todo o ano e não apenas no verão, e a tentativa de distribuir filtro solar gratuito para a população, numa iniciativa junto à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
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Menos sazonalidade – Mesmo com a recomendação da SBD para uso de produtos de proteção solar durante todo o ano, é no verão que a categoria vende mais. A sazonalidade influencia também nos lançamentos, concentrados no período de setembro a janeiro. Porém, segundo dados da Abihpec, neste ano, o comportamento do consumidor já pode ter mudado. No primeiro semestre, a categoria de sun care foi a que mais cresceu, em valor, no setor de higiene e beleza.
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O aumento foi de 49,6% em comparação ao mesmo período de 2005.
“Esse número reflete a diminuição da sazonalidade, apesar de que o segundo semestre ainda é o período em que a categoria mais cresce”, afirma Manoel Simões, diretor-executivo da associação. “O resultado nos primeiros seis meses sinalizam que poderemos ter um forte crescimento neste e no próximo ano”, acrescenta.
Carga tributária – Outra batalha da Abihpec é a redução de impostos. Com uma carga tributária menor, os produtos de proteção solar podem chegar às gôndolas com preços mais acessíveis. Nesse campo, uma das conquistas da associação foi a redução do IPI para zero, no final de 2004. O imposto chegou a ser de 77% em 1992.
A luta continua para a redução de ICMS, que é diferente para cada estado, variando de 27% a 17%. Alguns resultados já foram obtidos, como a redução do imposto no Espírito Santo, no final de 2005, de 25% para 17%. “Mostramos que essa redução levaria ao aumento do consumo no estado, já que ele recebe muitos turistas de outras regiões onde a alíquota é maior, como Minas Gerais e Rio de Janeiro”, conta Manoel Simões.
Segundo o executivo, a Abihpec está atuando fortemente na divulgação dos benefícios que a redução de impostos trará para as empresas, que podem ser mais competitivas, e para a saúde dos consumidores. “Recentemente, por exemplo, fizemos uma apresentação na Região Sul, mostrando inclusive dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais sobre os perigos que os raios solares oferecem”, finaliza.
Oportunidades – A infindável luta contra os impostos é um dos fatores que faz a venda de protetores solares crescer. Segundo a Abihpec, em 2005 (ano seguinte ao IPI Zero), o faturamento foi 18% maior em relação a 2004, em valor, e 24,4% maior em volume. E a tendência de aumento continua. Só no primeiro semestre deste ano, já foram registradas vendas de R$ 70,7 milhões (+49,6% em relação ao mesmo período do ano passado) e 855 toneladas comercializadas (+49,7%). A expectativa é que em 2006 o faturamento seja de R$ 578 milhões, o que representará um aumento de 43% ante o resultado de 2005. Em volume, a categoria deverá alcançar 6.900 toneladas.
Além desses números, é importante lembrar também que o Brasil ocupa atualmente o 8º lugar no ranking mundial de vendas de proteção solar. Com todos esses resultados positivos, a categoria responde apenas por 3% do faturamento total do setor de higiene e beleza. O crescimento contínuo (veja gráfico) mostra que ainda existem oportunidades. Resta saber como se destacar neste mercado.
| Câancer de Pele |
O número de casos novos de câncer de pele não melanoma estimados para o Brasil em 2006 é de 55.480 casos em homens e de 61.160 em mulheres. Estes valores correspondem a um risco estimado de 61 casos novos a cada 100 mil homens e 65 para cada 100 mil mulheres.
O câncer de pele não melanoma é o mais incidente em homens em todas
as regiões do Brasil, com um risco estimado de 89/100.000 na região Sul,
70/100.000 na região Sudeste, 52/100.000 na região Centro-Oeste, 44/100.000 na região Nordeste e 30/100.000 na região Norte.
Nas mulheres, é o mais freqüente nas regiões Sul (93/100.000), Centro-
Oeste (73/100.000), Nordeste (50/100.000) e Norte (32/100.000); enquanto
que, na região Sudeste (69/100.000) o mesmo é o segundo mais freqüente. |
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O Brasil é o quarto colocado no mercado mundial de higiene e beleza, e espera, neste ano, ocupar a terceira posição. Na categoria de cuidados com o sol, o País ainda está na oitava colocação, atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Itália, Coréia, França e Japão.
Esta distância no pódio dos países mais importantes em termos de faturamento pode ser explicada por dois motivos principais: a falta de hábito do consumidor em fazer do filtro solar um produto de uso diário, e o alto custo destes itens nas gôndolas de supermercados e farmácias.
Para conquistar lugar neste mercado, marcas tradicionais em proteção solar e empresas cosméticas disputam o consumidor com apelos de saúde, tecnologia e marketing.
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Nivea investe em alta proteção contra
os raios solares. |
Estratégia – Líder absoluto de vendas no Brasil com 40% de participação no mercado, segundo a Johnson & Johnson, Sundown aposta na força da marca e nos lançamentos para se fortalecer frente à concorrência. De acordo com a empresa, as participações de mercado dos três principais concorrentes não chegam à fatia que a marca detém no segmento brasileiro de proteção solar.
Para a próxima temporada, a expectativa das vendas de Sundown é alta. Será o maior plano de ações da história da marca, com: promoções especiais para o varejo, principalmente o canal farma; antecipação do início da campanha para setembro (normalmente, acontecia em novembro); e a Estação Sundown, um espaço que trabalha, nos pontos-de-venda, a múltipla exposição dos produtos da marca.
Nas gôndolas – Para o consumidor, as novidades são visuais. Toda a linha ganhou novas embalagens, mais práticas, com novo design e formas atuais, evidenciando ainda mais o FPS e logotipo da marca. Atendendo a uma demanda dos consumidores, elas agora podem ficar de cabeça para baixo, permitindo que o produto seja utilizado até o fim.
Em itens, os lançamentos se restringem à coleção Kids, com a nova loção branca de 120ml com FPS 30. Com a inclusão de soja e camomila na fórmula, que visam minimizar o efeito da vermelhidão e acalmam a pele, o produto também é recomendado para adultos que possuem peles sensíveis.
Marketing – No verão 2005/ 2006, a Nívea, líder mundial em proteção solar, trouxe ao Brasil o conceito Fator Azul, que tem como principal atributo a proteção imediata contra os raios solares. Toda a linha foi reformulada visando diferenciar a marca. Apesar dos números não serem divulgados, essa iniciativa de marketing pode ser considerada um sucesso, já que Nivea Sun amplia seu portfólio para essa temporada.
São diversas novidades, com destaque para o Bloqueador Facial Antiidade FPS 50, um antioxidante natural que promete neutralizar os radicais livres e estimular o sistema natural de defesa da pele do rosto, prevenindo o envelhecimento precoce. Tudo isso aliado ao fator de proteção solar.
Outros lançamentos para a estação incluem itens para a linha Nivea Sun Kids, protetores solares para crianças; uma nova embalagem de Nivea Sun Sensitive; e uma loção hidratante pós-sol com óleo de abacate e vitamina E.
Diferenciais – Na Natura, maior empresa cosmética de capital nacional, o segredo é inovar. Desde 2000, a empresa investe continuamente em tecnologia para o aprimoramento da linha de proteção solar Fotoequilíbrio e no desenvolvimento de novos filtros que se adeqüem a produtos de outras categorias, como maquiagens, hidratantes e tratamento para os cabelos.
Além de inovações tecnológicas, a empresa busca respaldo de especialistas. “Uma das grandes iniciativas nesse período foi a criação de uma área médica dentro da empresa para estabelecer um relacionamento próximo com dermatologistas”, conta Alessandro Mendes, gerente de produtos da Natura.
“Sabemos das alterações que as radiações UV podem provocar na função e na forma das estruturas superficiais e/ ou mais profundas da pele e esses danos também podem ser causados pelo efeito cumulativo da exposição diária ao sol e não apenas durante a exposição direta, quando estamos na praia ou piscina”, afirma o executivo. “A própria mídia contribuiu para disseminar a importância de proteger a pele contra os efeitos nocivos do sol e cada vez mais os consumidores estão preocupados com isso”, conclui.
Todos os itens da Natura trazem a informação do FPS no nome do produto, de forma que a presença do componente na fórmula fique clara para o consumidor. Além disso, as consultoras são treinadas para explicar ao consumidor final a necessidade da utilização diária de protetores solares.
Importados – A difusão do uso diário de filtro solar estimula também as importadoras de cosméticos a acreditarem no potencial desse mercado. A Frajo, por exemplo, registrou crescimento em 2005 nos itens da linha Australian Gold. “Estamos focando mais fortemente nossos esforços para divulgar os conceitos dos produtos”, diz Emanuelly Batisti, gerente da marca.
Os novos itens da linha prometem bronzeado rápido e duradouro, além de proteger a pele dos efeitos nocivos do sol, do vento e da água. São três aceleradores de bronzeado – Professional Gelée Acelerator, Dark Tanning Power Gel e Dark Tanning Exotic Oil –, e o SPF 8 Spray Gel com Bronzeado Instantâneo.
Todos os lançamentos possuem a fórmula exclusiva Biosine Complex, uma combinação de vitamina E, pantenol, aloe vera e extratos herbais australianos, que além de bronzear realizam um tratamento intensivo para a pele, prevenindo o envelhecimento e o ressecamento. Assim como toda a linha Australian Gold, os novos produtos são à prova d’água e possuem fragrância tropical com notas de laranja sherbet, que combate os odores da transpiração.
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Esta década foi marcada pelo boom do FPS em diversas categorias de higiene e beleza, não só em proteção solar. Se antes o filtro solar era um diferencial competitivo em maquiagens, por exemplo, hoje é quase um item obrigatório. Cada vez mais conscientes e preocupados com a saúde, consumidores querem produtos práticos que agregam valor e facilitem seu dia-a-dia.
De grandes a pequenas empresas cosméticas, a preocupação do formulador é oferecer produtos confortáveis, que embelezem pele e cabelos, e, ao mesmo tempo, ofereçam tratamento e proteção. E, quando falamos em proteger, o filtro solar tem presença garantida.
Mix de categorias – Lancôme, Guerlain, Boticário e Natura, enfim. Pense numa marca forte em maquiagem e tratamento da pele. Vá a um ponto de venda e confira na sua embalagem. O que você vai ver? FPS 8, no mínimo. Esta tendência sai das grandes marcas e atingem também indústrias de menos expressão no mercado.
O Bio-Sunblock Make-Up da BioAge é um dos produtos que comprovam essa tendência. Segundo a empresa, além de servir como uma base corretiva, o item tem proteção solar com amplo espectro UVA/ UVB, com FPS 30. O produto contém componentes para formar uma base que oferece uma textura especial, permitindo que a pele fique levemente tonalizada com protetores físicos ideais.
A linha Solare da Truss Cosméticos é outro exemplo. Além de ingredientes que contribuem para recuperar e hidratar os cabelos, principalmente após exposição ao sol (queratina, colágeno, pantenol e substância para proteção da cor), os produtos possuem elementos que protegem os fios contra os raios solares (UV).
Crescimento – Além do aumento no consumo de filtros solares para protetores e bronzeadores, a indústria de ativos presencia crescimento advindo da adição de FPS em outras categorias cosméticas. “Os consumidores estão mais conscientes sobre os danos que os raios solares causam à pele, já que há um maior foco da mídia sobre esse tema, incluindo o assunto da destruição da camada de ozônio, levando a uma maior percepção dos riscos de saúde que podem ocorrer”, diz Sérgio Gonçalves, gerente de marketing da Croda do Brasil. “Outro fator positivo é o uso de protetores ou produtos com proteção agregada cada vez mais cedo, devido à procura por produtos anti-age”, acrescenta.
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| Itens para cabelo com ingrediente protetor contra raios solares. |
Compatibilidade – Um destaque do portfólio da Croda para o mercado de sun care é um filtro físico microparticulado que contém em sua estrutura um íon de manganês, proporcionando benefícios como alta compatibilidade com filtros orgânicos e inorgânicos. O ativo oferece proteção UVA e UVB, prevenção de 95% na formação de radicais livres e uma combinação de emolientes e agentes molhantes que otimiza a dispersão de micropigmentos em formulações solares, agindo como um dispersante de filtros físicos e proporcionando formulações mais estáveis.
Segundo a Croda, o ativo auxilia na obtenção de altos FPS’s, melhora a resistência à água, minimiza o “efeito branco” na superfície da pele e propicia emulsões mais fluídas mesmo com altas concentrações de micropigmentos.
O outro destaque da empresa é um sistema emulsionante que melhora a performance de protetores solares, pois promove uma maior deposição oleosa, favorecendo a obtenção de altos FPS’s e a substantividade natural dos ésteres fosfóricos com a pele, aumentando assim a resistência à água.
| Um “mundo” de oportunidade |
Grande parte do território brasileiro está entre o Trópico de Capricórnio e o Equador. Essa área recebe os raios solares com maior intensidade por estar mais próxima ao sol. Os raios, nesta região, incidem em um ângulo mais perpendicular, tornando o Brasil o país com maior área intertropical e um dos mais ensolarados do mundo. Por aqui, os protetores solares com fator 8 são os mais consumidos. |
Aquecimento – A Ciba, fornecedora de matérias-primas (absorvedores UVA/UVB), prevê um aquecimento para este semestre. “Nessa época do ano, o tempo melhora, saímos do frio e passamos para um período mais quente”, diz Ângela Martins, líder da área de Vendas e Marketing para a região da América Latina da Ciba. “Desde julho e, em alguns casos, junho, as empresas já começam a produzir filtros solares para a campanha de verão”. Segundo a executiva, os lançamentos, novos formatos e novidades, já estão nas prateleiras desde o início de setembro.
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| Make-Up com proteção solar FPS 30 |
“Além desses fatores típicos, 2006 tem sido um ano excelente para filtros solares”, conta Martins. De acordo com ela, o aumento do consumo de filtros solares tem sido percebido durante todo o ano e está bastante intensificado desde julho. “Tivemos muito sol, pouca chuva, calor durante todo o ano e muitos feriados. O brasileiro também está se protegendo mais, está mais informado e, por isso, utilizando mais filtro solar”, afirma.
A Ciba também aposta no desenvolvimento de novos ingredientes. “Estamos desenvolvendo novas moléculas sob o nosso conceito de fotoestabilidade, de amplo espectro de proteção e de sinergia com filtros de mercado, que deverão estar no mercado entre 2 e 5 anos”, finaliza.
Novo ativo – A DSM Nutritional Products também apresenta novidades em proteção solar nesse ano. A empresa, que fornece matérias-primas para indústrias de alimentação animal e humana, farmacêutica e cosmética, amplia sua linha de filtros solares. O principal lançamento é um novo dióxido de titânio micronizado. Segundo a empresa, o principal benefício é a eliminação da incompatibilidade dos diferentes dióxidos de titânio atualmente comercializados, o que evita efeitos secundários como a inativação do filtro ou mudança na coloração do produto final.
O novo insumo oferece alto grau de flexibilidade em formulações e mostra também uma estabilidade superior, segundo a fabricante, devido ao revestimento da partícula de dióxido de titânio. A DSM, sediada na Holanda, possui escritórios na Europa, na Ásia, na África e nas Américas.
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