FCE Cosmetique
 
 , 10 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Vol. VII - nº 39 - Set/Out - 2006 

Sazonal Cosméticos

spañol 

Tecnologia, pesquisas realizadas em lugares exóticos em busca de novos cheiros e lançamentos de produtos realmente novos podem incrementar ainda mais o mercado de perfumaria fina

Por toda parte, em termos de mercado, a palavra em voga é inovação. É por meio dela, acredita-se, que as empresas podem crescer, oferecendo soluções ainda mais específicas e eficazes para os consumidores, de acordo com suas necessidades. E na perfumaria fina, como as marcas inovam?

Segundo Milena Siqueira, gerente de perfumaria fina da Quest International no Brasil, um dos caminhos é utilizar matérias-primas exclusivas: “ingredientes únicos que tragam um diferencial em relação aos demais produtos existentes no mercado”, detalha. Esses ingredientes podem pertencer tanto ao fabricante quanto às casas de perfumaria, sendo necessário um bom investimento de qualquer uma das partes, ou até mesmo de ambos. Os recursos, geralmente, são direcionados a pesquisas, como as expedições para lugares que possuem grande potencial “odorífico”.


Madeiras e frutas tropicais – Uma das tendências que estão em alta, de acordo com Milena Siqueira, é o uso de notas amadeiradas. “Como o retorno triunfal do patchouli, principalmente no segmento feminino, por meio do revival das notas chipres, com caráter mais moderno, devido à combinação com nuances frutais e orientais”, diz.

Ainda no mercado feminino, Siqueira destaca os acordes vibrantes de frutas tropicais, como a manga e a nota gustativa do Ethyl Maltol, que lembra algodão doce. Para homens, lembra a executiva, a combinação de madeiras, âmbar e especiarias esteve muito presente nos recentes lançamentos.

No segmento masculino, os fougères continuam em alta – como sempre foi em sua história –, combinando notas verdes e frutais, ganhando caráter mais moderno. “Esta tendência chamamos de Aromatic Action”, afirma a executiva.
As notas amadeiradas marcam a tendência New Sexy for Him, uma nova versão da sensualidade masculina. “Quando combinada ao calor do âmbar se torna ainda mais envolvente e sedutora e um toque de couro (por exemplo) reforça seu caráter masculino e extremamente sofisticado”, completa.

Milena: CK One foi um divisor de águas na família dos cítricos, trazendo a tendência das notas unissex


Florais
– Na perfumaria fina, na opinão da gerente da Quest, as tendências, de uma forma geral, não mudam com a mesma agilidade da moda, mas se confirmam (ou não) e se fortalecem ano após ano. “Às vezes, temos um ‘breakthrough’, algo inesperado e surpreendente, como foi o lançamento de Angel, de Thierry Mugler, em 1992, com uma nota extremamente doce, que abriu as portas para a tendência dos gustativos”. Outro exemplo, segundo Siqueira, é CK One, lançado em 1994 pela Calvin Klein. “Esse perfume foi um divisor de águas dentro da família dos cítricos, trazendo à tona a tendência das notas unissex”, explica.

Para este e o próximo ano, os personagens principais do universo feminino continuam sendo os florais. “Radiantes, que podem ser traduzidos basicamente como florais transparentes, florais verdes combinados a notas frutais modernas e muitas vezes exóticas”, opina. Outra tendência importante é a de fragrâncias mais intensas, encorpadas, com bastante madeira, toques de especiarias e o caráter envolvente do âmbar, Rich and Seductive.

A executiva também aponta os Gustative Delights como sensação. “Eles podem ser percebidos como infantis pela combinação de notas doces e polvorosas, que aguçam o paladar e nos remetem à infância, e, ao mesmo tempo, são considerados super sensuais pelo calor da baunilha”, detalha.



Sensual em alta – Outro caminho promissor na perfumaria fina, que deve resultar em sucesso, é o investimento em fragrâncias que transmitam sensualidade. “A perfumaria está em constante evolução e cada vez mais as marcas reverberam no coração de quem usa o perfume”, diz Julia Fernández, coordenadora de marketing da IFF para área de perfumaria fina na América Latina. Segundo ela, as fragrâncias ganharão substância, textura, “novas e lindas histórias olfativas” e a sensualidade se expressará por meio de alguns caminhos olfativos bem delineados e “ultrafemininos”.
Sedução é outro valor que se fortalece para os próximos lançamentos. Para explorá-la, uma sugestão é apostar nos hyper florais. “A opulência olfativa dessas fragrâncias está cada vez mais forte”, explica. Na opinião da executiva da IFF, Alien, de Thierry Mugler, é um exemplo da nova geração de hyper florais, que expressam uma sensualidade repleta de novas sensações.
“É uma fragrância que mescla notas olfativas familiares e também inusitadas (um âmbar moderno, “um talismã com um espírito caloroso e suave”; uma nota amadeirada e banhada de caxemira; e jasmim sambac), que inspira felicidade, energia e mistério, um paradoxo da nova sensualidade feminina”, exemplifica.

Aposta no inusitado

Crescimento mais cadenciado e democratização do luxo marcam o segmento de importados neste ano

Michel Klein, Cristina Arcangeli, Samuel Klein inauguram espaço de perfurmaria na loja das Casas Bahia em São Caetano do Sul

Uma dos fatos mais marcantes neste ano no mercado de fragrâncias importadas foi a aposta do grupo Arcangeli na comercialização de perfumes nas Casas Bahia. À frente das perfumarias Phyta e da distribuidora Ph Arcangeli, e além de ter lançado neste semestre a marca EH! de cosméticos, Cristiana Arcangeli acredita na democratização do luxo.
Desde abril, por meio da Phyta (loja de varejo) e da Ph Arcangeli (importadora e distribuidora), o grupo leva ao público da famosa loja popular cerca de 95 marcas de perfumaria seletiva, que são vendidas em até 12 vezes, com parcelas que variam de R$ 17 a R$ 40. De acordo com o grupo, trata-se de um portfólio básico de fragrâncias de prestígio, adequado ao perfil do consumidor das lojas.

Oportunidade no varejo – O grupo Arcangeli presta consultoria à Casas Bahia, com desenvolvimento de estratégias de comercialização, mix e merchandising. Nas lojas, o espaço para as fragrâncias será sinalizado como um departamento: perfumaria, com a utilização de ilhas, show cases e prateleiras. “O que mais me motiva nesse projeto é que, graças a ele, teremos a democratização da perfumaria internacional”, afirma Arcangeli. “Vamos ampliar a base de consumidores e proporcionar acesso a esses produtos para uma camada maior da população, em função da localização das lojas e dos planos de pagamento”, conclui.
A venda de perfumes no varejo pode ser uma boa idéia para ganhar fatias do mercado, afinal os canais de venda mais significativos para venda de fragrâncias no Brasil, segundo a Abihpec, são venda direta (71%) e franquia (20,5%).

Michel Klein, Cristina Arcangeli, Samuel Klein inauguram espaço de perfurmaria na loja das Casas Bahia em São Caetano do Sul

Retomada – O mercado de perfumaria fina deve aquecer mais neste segundo semestre. Depois de um 2005 muito bom, com crescimento de 20% no faturamento, a RR Perfumes, por exemplo, viu até agora um 2006 com ressalvas. “Copa do Mundo, eleições, crises políticas e até esses ataques de violência contribuíram para que o País parasse, e o varejo foi muito impactado”, afirma Bárbara Kern, diretora de marketing da RR e da Passion. “Ainda aguardamos, entretanto, números positivos para este ano, mas com certeza num ritmo menor do que no ano passado”, atesta.
Para continuar o crescimento, a esperança está embasada nos lançamentos deste semestre. “Geralmente, esse período temos muitas novidades e há uma tendência de melhora”, explica a diretora. A aposta da RR vem com os lançamentos de fragrâncias de prestígio Montblanc Starwalker, Boss Selection – Hugo Boss, Narciso Rodrigues (eau de parfum) e SpotLight, de Jean Paul Gualtier.



Julia: Alien é um exemplo da nova geração de hyper florais

Naturalidade – Também devem ganhar espaço no mercado, fragrâncias que revelam o lado solto, divertido e a sensualidade natural da mulher. Aqui no Brasil, para Julia Fernández, nesta tendência, o que promete conquistar as consumidoras são as notas alegres de florientais da nova era, “os florientais vibrantes, composições super coloridas e felizes”. Um exemplo é Promesse, de Cacharel, onde a celebração ao amor eterno é o tema principal. “A inspiração dos perfumistas para celebrar esse amor foi usar em sua composição uma flor nunca antes usada na perfumaria, a Dendrobium, que tem uma qualidade aromática incrível, com traços de framboesa e groselha”, explica.
E falando em groselha é inevitável lembrar daqueles perfumes que dão água na boca. “As fragrâncias gourmand ainda aparecerão como tendência, trazendo uma deliciosa sensação de conforto e até de regressão nos lançamentos”, afirma Fernández. “Euphoria, de Calvin Klein, que tem uma nota inebriante de âmbar líquido, violeta negra e madeira Mahogany, é um importante lançamento que inovou e surpreendeu quando foi lançado este ano”, destaca. A fragrância foi eleita a melhor na categoria feminina, no Fifi Awards deste ano.


Para Julia Fernández, da IFF, fragrâncias que transmitam sensualidade estão em alta


Moda
– Segundo Cristina Conforto, chefe de grupo de perfumes da Divisão Luxo da L´Oréal, a perfumaria fina caminha para fragrâncias orientais, sensuais e com muita personalidade. “A dupla de estilistas Viktor & Rolf está causando impacto com Flowerbomb, uma fragrância alta costura que reúne mais de mil flores em sua composição e chega ao Brasil neste mês (setembro)”, conta.
Giorgio Armani lança neste semestre um floral oriental com notas de gengibre, flor de laranjeira, mel e sândalo. Outra tendência forte, reforça a executiva, são as fragrâncias com apelo gustativo. “Ralph Lauren traz um perfume gourmand com notas de mandarim, amêndoa, mocha cream, baunilha e âmbar”.


Contra-ponto
– Após uma década de lançamentos sucessíveis muito rápidos, as grandes marcas parecem voltar a um ritmo mais ponderado. Essa é a opinião do perfumista Jean Luc Morineau, da L’atelier Parfums. “Cada vez mais se reaproveita a marca e a embalagem de sucesso para prolongar e atualizar uma nova linha”, afirma. Morineau cita como exemplo as tendências das versões light ou edição limitada, e o movimento de adaptação de uma fragrância feminina consagrada para o segmento masculino.
A tendência, como diz o perfumista, vem sendo essa: oferecer uma versão atualizada, menos agressiva e menos original do que a primeira, tentando amenizar as rejeições do consumidor. “Isso provoca uma globalização da perfumaria internacional e, às vezes, uma diminuição evidente da criatividade, cada vez menos marcas lançam verdadeiras novidades”, revela. Para ele, os fabricantes brasileiros tendem a seguir o mesmo caminho.
No cinema, a expressão ponto-de-virada é usada para um momento em que a história do filme toma outro rumo, algo importante acontece para dar andamento à narrativa. Quem sabe agora é a hora de surpreender ainda mais na perfumria fina?

Novo centro criativo no Brasil

Gabriela: vivenciamos uma época em que há uma alta demanda por perfumaria personalizada

Pesquisa, investimento e criatividade são fatores
que de fato contribuem para o desenvolvimento do mercado de perfumaria. Muitas empresas estão apostando cada vez mais nesse segmento e acreditando que o Brasil pode ser referência nesse assunto. A Takasago é uma delas. A empresa inaugurou, em agosto, o seu Centro Criativo de fragrâncias, em Cajamar/SP, com objetivo de ser uma área-chave para pesquisa e desenvolvimento de produtos voltados para todo o mundo, especialmente para a região da América do Sul.

O local conta com laboratórios de desenvolvimento e de aplicação e um setor de avaliação. A equipe é formada por profissionais técnicos e perfumistas. “Hoje, temos mais de 20 novos clientes no País, esse investimento mostra nosso comprometimento com essas empresas, no sentido de impulsionar o desenvolvimento de seus negócios com foco nas necessidades dos consumidores”, diz Cláudio Cavalcanti,
gerente geral para o Mercosul da divisão de fragrâncias
da Takasago.

Inauguração do Centro Criativo. Arthur Maloney, vice-presidente da divisão de fragrâncias da Takasago nos Estados Unidos; Marcia Sant’Ana, executiva de Contas/Marketing no Mercosul; Gabriela Domecq, perfumista; e Claudio Cavalcanti, vice-presidente da divisão para o Mercosul

Para a perfumista espanhola Gabriela Domecq, que já atuou pela empresa em Nova York e na França, e está há três anos no Brasil, essa é uma oportunidade para entender ainda mais o mercado local e poder criar mais inovações, que também podem ser direcionadas à perfumaria fina. “Estamos vivenciando uma época em que há uma alta demanda por perfumaria personalizada, por isso é fundamental conhecer a fundo características regionais”, conta.

 

Workshops 2012
 
10º Curso de Tecnologia e Soluções em Produtos de Limpeza-SP
17/3/2012 e 18/3/2012
Workshop Recife-PE
10/4/2012 e 11/4/2012
Workshop Belo Horizonte-MG
12/6/2012 e 13/6/2012
Workshop Porto Alegre-RS
10/7/2012 e 11/7/2012
Workshop Goiânia-GO
16/8/2012 e 17/8/2012
Curso de Desenvolvimento de Cosméticos PET-SP
25/8/2012 e 26/8/2012

Artigos Técnicos

Formulando com manteigas exóticas

[James J. Ramirez, Larry S. Moroni - Biochemica International USA]



Como as Enzimas Podem Reduzir o Impacto dos Detergentes Líquidos

[Novozymes]



Vitalização e Proteção das Células-Tronco da Derme

[ Focus Química]



Uso sustentável do pinhão brasileiro

[Daniella Lopes Francischetti]



AquaCacteen - Umectância, Proteção e Nutrição para a sua pele

[Dr. Daniel Schmid – Mibelle Biochemistry]


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