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Especial Cosméticos
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Óleo Bronzeador Sundown Illumine,
com FPS 15, para a pele negra |
Como dizia o historiador inglês Thomas Fuller, “quando o vento sopra, você deve içar sua vela”. E o vento parece cada vez mais a favor dos cosméticos étnicos. No segmento capilar, que concentra esse tipo de produto, a participação dos étnicos é de 21,4%. Outras categorias começam a acreditar nesse nicho, como sabonetes, cremes e loções e até protetores solares.
Falando só de cuidados com os cabelos, o mercado étnico movimentou, segundo a Abihpec, R$ 836,61 milhões em 2005. O crescimento em relação a 2004 foi de 15,42%. No acumulado dos últimos sete anos é de 143,8%, de acordo com dados da associação. Em volume, o crescimento foi de 13,62% em 2005 e 41,4% no período mencionado.
Top 3 – A liderança no mercado étnico de cuidados com os cabelos, tanto em faturamento quanto em tonelagem, é do xampu, que movimenta R$ 307 milhões com a comercialização de quase 45 mil toneladas. Em seguida, vêm os produtos para alisamento com vendas de R$ 164 mi e cremes desembaraçantes com R$ 104 mi.
No último ano, destaque para as categorias de tônicos e cremes para desembaraçar, que cresceram em volume, respectivamente, 43,6% e 41,9%. Destaque também para os reparadores de pontas que tiveram aumento de 28,3% e as máscaras de tratamento com variação de 22,5%. A categoria neutralizante/alisamento manteve-se estável. Tinturas e permanentes apresentaram queda de 6,1% e 11%.
Oportunidades – Se compararmos com os xampus, os condicionadores têm uma tonelagem comercializada (da indústria para o varejo) 344,2% menor. Uma das oportunidades das fabricantes para crescer é entender por que isso acontece e criar ações para igualar o consumo ou pelo menos diminuir essa distância.
Segundo Alexandra Jorge, técnica da Tânagra Cosméticos, as mulheres que têm cabelos com característica da etnia negra, geralmente, não lavam os cabelos todos os dias e quando o fazem usam o xampu duas ou três vezes e depois partem diretamente para a aplicação de cremes ou máscaras.
“O condicionador não atrai tanto essas mulheres, elas querem um produto com maior poder de tratamento e hidratação, mais cremoso e pesado”, conta. “Para os homens, como acontece de forma geral, o xampu é sempre mais usado do que o condicionador, por isso também há diferença no volume de consumo”, acrescenta a profissional.
Estreante – Quem investiu nesse mercado recentemente foi a marca Garnier Fructis, que lançou a linha Quimi-Resist, com xampu, condicionador, creme para pentear e creme de tratamento para cabelos quimicamente tratados, crespos ou cacheados. Os produtos foram desenvolvidos para consumidores com cabelos afro e que se submetem a algum tipo de tratamento químico.
Segundo a L´Oréal, os produtos foram desenvolvidos com concentrado de frutas, ricos em vitaminas, nutrientes e agentes amaciantes. Para chegar à formulação ideal pesquisadores dos laboratórios Garnier analisaram a constituição do cabelo afro e descobriram que a cutícula tem espessura irregular e se quebra facilmente na parte em que é mais fina, deixando o córtex do fio capilar desprotegido e sujeito também à quebra.
Tratamento – Desenvolvida especialmente para os cabelos étnicos, a linha profissional Herbal Force, da Tânagra, traz creme relaxante de guanidina, princípio ativo que contribui para a quebra das ligações das moléculas capilares, mudando seu posicionamento e conferindo novo formato aos fios. Sua formulação contém também queratina, para auxiliar no processo de recuperação da fibra capilar, e extrato de sete ervas, que atua como agente suavizante.
Adicionalmente ao produto profissional, a linha apresenta produtos que podem ser usados no dia-a-dia, diretamente pela consumidora para tratar o cabelo quimicamente modificado. O xampu e o condicionador são formulados com queratina e sete ervas. O desembaraçante promete tirar a aspereza do fio e o hidrante capilar conta com silicones para selar a cutícula e aumentar a capacidade do fio de reter água.
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Fonte: Abihpec |
Verdades e Mitos |
De acordo com a dra. Denise Steiner, dermatologista, a pele negra é, basicamente, semelhante à branca, porém mais resistente ao sol pela maior quantidade de melanina. “A pele negra não sofre mais com o ressecamento, pois não há diferença na camada córnea ou na disponibilização de água”, afirma. Segundo ela, em todos os grupos étnicos há pessoas com pele mais ou menos seca.
Uma característica importante da pele negra, na sua opinião, é, por questões genéticas, apresentar mais predisposição ao quelóide. Porém, a dermatologista acredita que, isoladamente, os cosméticos não conseguem prevenir essa tendência. “Existem particularidades de cada indivíduo que podem e devem ser respeitados na escolha de um cosmético: idade, tipo de pele, sensibilidade maior ou menor, atividade etc. A cor da pele é o que menos importa”, explica. “Não há substâncias específicas para a pele negra, por isso considero esta uma questão de apelo mercadológico”, afirma a dra. Denise Steiner.
Já o cabelo negro tem características próprias que necessitam de produtos especiais. De acordo com a dra. Marina Odo, dermatologista, a estrutura das fibras capilares varia de acordo com a etnia. No caso dos orientais, por exemplo, o fio tem formato arredondado em toda sua extensão, com cutícula consistente, que evita a quebra.
Nos cabelos negros, o fio apresenta depressões, regiões em que a cutícula é mais fina e tende a quebrar com facilidade. Por isso, segundo ela, é preciso usar produtos que contenham ativos que “estiquem” os fios e evitem as quebras. É comum o uso de vaselinas, silicones e lanolina.
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Linhas gerais – Muitas empresas atendem ao segmento étnico com suas linhas para cabelos crespos. Este é o caso da Ox que acredita atender as necessidades dos cabelos negros com sua linha para cabelos crespos e cacheados. São oito produtos: xampu, condicionador sem enxágüe, umidificador de cachos, ativador de cachos, redutor de volume, creme para pentear, óleo defrisante e máscara hidratante. A formulação possui proteínas do trigo para proteger os fios e restaurar sua flexibilidade, D-Pantenol e extrato de aveia, para fortalecer os cabelos da raiz às pontas, minimizando sua quebra.
Com Phytogen Termo Active for Defrizz, a Kert afirma atender aos consumidores de cabelos cacheados, ondulados e frisados, fragilizados com constantes processos de alisamentos, escovas e chapinhas. A linha é composta por xampu com queratina, condicionador, máscara e ativador de cachos. Os produtos são formulados com dois silicones termoativos, o Amino Funcional e o Dimeticone, que atuam como um sistema de tratamento de alta emoliência.
Compõem a linha um produto de relaxamento temporário, à base de aminoácido cistina, que sela a cutícula capilar aumentando a retenção hídrica do fio e conferindo efeito alisado. Formulado também com este mesmo ativo, o Hidratante Capilar sem enxágüe tem filtro UV e promete ação de tratamento 24 horas, conferida devido à combinação de dois polímeros naturais derivados do amido de milho e o Hydrovance, ativo da última geração de hidratantes para os cabelos.
A Fênix Cosméticos também aposta em sua linha para cabelos cacheados para conquistar o público afro. Elaborada com silicone, queratina, manteiga de karitê e vitaminas A e E, a Linha Curl Active é composta por xampu sem sal que reduz o arrepiado, condicionador hidratante, creme para pentear sem enxágüe que fortalece a cutícula dos fios, máscara de hidratação intensa e umidificador com macadâmia.
Expansão – Não é só de cabelos que sobrevive o mercado étnico. Os itens para negros começam a ingressar em diversas categorias de higiene e beleza como sabonetes, cremes e loções e até protetores solares. Em setembro do ano passado, a Johnson & Johnson lançou a primeira linha étnica de filtros solares, Sundown Illumine. “Por essa inovação e por pensar numa linha de cuidados com o sol para realçar a beleza, a coleção foi extremamente bem aceita pelos consumidores”, afirma Flávia Carvalho, gerente de marketing da marca.
De acordo com Alice Moraes, cientista coordenadora da J&J, por possuir uma extraordinária capacidade de formação de pigmentos, a pele negra possui uma proteção maior contra os malefícios do sol em relação à pele branca. “Mas isso não significa que a pele negra não precise de cuidados especiais para garantir sua capacidade de proteção, aparência e sensibilidade”, explica Alice.
Para o desenvolvimento da linha, composta por bronzeador FPS 4, protetor solar FPS 15 e um pós-sol, a Johnson utilizou alguns ativos naturais que trazem benefícios específicos à pele morena, como o buriti, que aumenta a elasticidade da pele, reduz o seu ressecamento em exposição à radiação solar e auxilia na regeneração dos lipídeos; e o urucum, que age como hidratante, reparador de fotodanos (problemas causados pela exposição constante ao sol) e antioxidante.
Segmentação – Dermatologistas confirmam: para algumas categorias de higiene e beleza, a etnia não faz diferença. Esse é o caso dos sabonetes. Por outro lado, existe no mercado uma forte tendência à segmentação, que leva as empresas a oferecerem produtos cada vez mais específicos aos consumidores. Essas estratégias parecem dar certo.
No final ano passado, a Unilever relançou uma versão do sabonete Lux Luxo para consumidores de pele negra, o Lux Beleza Negra, que é enriquecido com manteiga de karité hidratante e extrato de pérola negra. O item possui um complexo de óleos nutritivos e promete combater o ressecamento da pele, recompondo a uniformidade e a textura. A empresa possui também outros produtos étnicos, como nas categorias de desodorantes (Rexona Ebony) e de xampus e condicionadores.
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Com foco nos homens, a Bozzano
também investe em étnicos |
Para homens – O mercado masculino de beleza também é potencial para o segmento de produtos étnicos. A Bozzano é uma das empresas que aposta nisso. Desde agosto do ano passado, a marca oferece a linha Bozzano Pele Negra-Morena, composta por creme e espuma de barbear e, mais recentemente, gel pós-barba.
Segundo Davi Damazio, gerente da categoria Beauty Care da Revlon, as vendas da linha já representam 10% do total comercializado dentro de segmento de cada produto. “É uma reposta do consumidor à inovação que Bozzano fez ao oferecer produtos que atendem às principais características da pele dos brasileiros”, explica o executivo.
Entre os diferenciais dos produtos está a fórmula com ingredientes ativos para este tipo de pele, como a alantoína, que atua como cicatrizante e antiinflamatório, e o alfa bisabolol, que auxilia na regeneração dos tecidos. Conta também com o timol, óleo essencial com ação antimicrobiana, que ajuda a diminuir a irritação e ajuda na renovação celular da pele.
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Linha Quimi-Resist é volta para pessoas com cabelos afro |
Ativos – A Croda do Brasil é um das fornecedoras de matérias-primas para o setor que oferece soluções aos fabricantes interessados em desenvolver produtos específicos para pessoas de descendência negra. Destaque para um ativo que promove uma hidratação prolongada (24 horas). “O extrato de imperata cylindrica hidrata de forma prolongada, se mantendo mesmo após o banho”, explica Marisa Gonçalves de Lima, executiva de marketing técnico. “As pessoas negras sofrem muito com o processo de ressecamento em que a pele adquire uma coloração acinzentada, fenômeno desagradável freqüentemente comentado e evitado”, afirma.
Segundo a executiva, o ativo “associa um alto conteúdo de potássio a um agente osmoregulador denominado dimetil sulfo propionato, o que contribui para manter o equilíbrio osmótico em nível celular”. Os resultados obtidos com essa matéria-prima foram: hidratação imediata, efeito prolongado e pele mais macia, com menos descamação.
Esse segmento ainda oferece oportunidades para novos ativos, segundo Sérgio Gonçalves, gerente de marketing da Croda. “A Croda está atenta às oportunidades já tendo em seu portfólio matérias-primas inovadoras tanto para a pele como para o cabelo étnico”, afirma.
Neste ano, a Arinos também apresentou novidades, na FCE Cosmetique, realizada no primeiro semestre. A empresa lançou três silicones da GE, indicados para melhorar a penteabilidade, condicionar e proteger pele e cabelos, além de conferir efeito mate com sensorial diferenciado. A Arinos é agora a distribuidora da GE para Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Nordeste. As demais regiões continuam sendo atendidas pela Cosmotec.
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