Coadjuvantes da limpeza doméstica, os purificadores de ar ganham importância na cesta de consumo do consumidor por sinalizarem limpeza mesmo que a casa não esteja tão limpa assim. No Brasil, esse mercado vem crescendo a passos largos, principalmente nos últimos dois anos. Segundo a ACNielsen, o aumento dessa categoria, em volume, foi de 12,6% em 2004. No ano anterior, ela ficou em segundo lugar no ranking da cesta de limpeza com crescimento de 4,3%.
Em 2004, a ACNielsen incorporou melhorias em sua amostra para refletir com mais precisão a estrutura do varejo brasileiro. Entre elas, destacam-se: nova cartografia e novos universos populacionais IBGE 2000; inclusão de municípios; redefinição de loja Alimentar e Não Alimentar; e inclusão do universo de favelas. De acordo com a empresa, por causa dessas mudanças, os dados atuais não são comparáveis com as informações divulgadas nos anos anteriores.
Terra de gigantes – O mercado de purificadores de ar conta, no Brasil, com duas grandes empresas, Ceras Johnson e Reckitt Benckiser, além de fabricantes regionais. A primeira produz Glade, marca que tem 62,6% de participação em volume neste mercado. A segunda fabrica Bom Ar, que detém fatia de 38,7% nas vendas da categoria. Ambas apontam como fonte de dados a ACNielsen.
Mercado de purificadores de ar no Brasil
Para Carlos Felipe Andrade, gerente da área de purificadores da Ceras Johnson, o surgimento de novas marcas é sempre possível, porém a briga atual no mercado ainda é travada entre as duas gigantes. A empresa acredita que esse mercado terá crescimento sólido também em 2005.
A Reckitt Benckiser, de acordo com Alexandre Moreno, gerente de marketing, vê a categoria com bons olhos. “Esperamos crescer dois dígitos em air care, na mesma proporção de 2004”, afirma o executivo. A representatividade dos purificadores de ar no faturamento da empresa tem crescido nos últimos anos, e a expectativa para 2005 é que esse percentual seja de 5%.
Conquista pelo cheiro – Decisivas na opção de compra dos consumidores, as fragrâncias recebem atenção especial das fabricantes de purificadores de ar. Notas cítricas e lavanda ainda dominam o mercado. O Cheirinho de Bebê, lançado há alguns anos, também agrada o consumidor brasileiro.
A laranja, que teve um revival no mercado de limpeza doméstica, não emplacou nesta categoria.
Recentemente, ativos da biodiversidade e fragrâncias mais sofisticadas começam a acirrar a competitividade do mercado.
Na Reckitt Benckiser, as fragrâncias foram renovadas em agosto do ano passado, com os lançamentos de Flores do Campo, Brisa Fresca e Cheirinho de Roupa Limpa. A empresa já planeja apresentar novidades para a categoria. Na Ceras Johnson, o destaque fica com a fragrância de Algodão, lançada recentemente.
Design – Muitas vezes, os purificadores de ar ficam expostos na casa dos consumidores, por isso grande importância é dada às embalagens e ao design. “Além de perfumar o ambiente, é interessante que o produto tenha uma boa aparência, para que a consumidora possa deixá-lo exposto”, afirma Alexandre Moreno.
Faturamento de purificadores de ar no mercado mundial (milhões de dólares)
 
De acordo com Carlos Felipe Andrade, as embalagens também podem atrair a atenção do consumidor e contribuir para o aumento de vendas. “Principalmente formatos inovadores, que oferecem mais praticidade para o uso”, explica Andrade. “Toque de Frescor foi e é um sucesso na categoria porque ele tem a facilidade de estar sempre à mão do consumidor”, exemplifica.
Formatos – O maior interesse pela categoria despertou o lançamento de formatos diferenciados no mercado, como velas, sachets, líquidos, géis e aparelhos para armários e gavetas. Isso fez com que diversas empresas entrassem para o segmento, principalmente as cosméticas. A Natura aposta nos óleos essenciais de Natura Ekos, que contêm ativos de plantas da biodiversidade brasileira para trazer a natureza do País para dentro de casa.
Os ingredientes utilizados nos produtos são extraídos de plantas usadas há séculos por brasileiros do interior, caboclos, caipiras e sertanejos – pessoas que reconheceram suas propriedades curativas e seus perfumes envolventes e delicados. O óleo essencial brasileiro com capim-limão, na Natura Ekos, é voltado para consumidores que procuram por um clima de frescor. Segundo a empresa, a fragrância cítrica e relaxante, dispersa pelo ar, faz lembrar o cheiro do mato depois da chuva.
Otimismo – Segundo Cláudio Cavalcanti, gerente geral para o Mercosul da divisão de Fragrâncias da Takasago, a categoria de purificadores, embora esteja crescendo, ainda é “muito pequena” no Brasil, atingindo uma penetração de aproximadamente 5% nos lares brasileiros. “Cada vez mais o consumidor tem acesso a esses produtos, por isso acredito que ainda há muitas oportunidades na região”, afirma. Na Takasago, a venda de fragrâncias para produtos desodorizadores de ar representa quase 50% do faturamento.
Se olharmos para nossos vizinhos, principalmente Argentina e Chile, fica fácil de perceber que os purificadores de ar ainda podem crescer muito por aqui. Ainda que cada país tenha sua própria cultura e seus próprios hábitos de limpeza, a distância nos consumos per capita (inferior a US$ 1 no Brasil e cerca de US$ 4 na Argentina e Chile/ Euromonitor 2002) mostra que as oportunidades estão aqui.
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