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Especial Household
Fragrâncias
mais sofisticadas, produtos mais práticos e eficientes. Embalagens
anatômicas e, é claro, preços acessíveis.
Essas são as características predominantes atualmente
no mercado de limpeza doméstica. Atendendo a essa demanda,
a indústria de cuidados com o lar conseguiu retomar o crescimento
do setor.
Em 2004, o setor de limpeza registrou faturamento de aproximadamente
R$ 7,5 bilhões no Brasil, uma variação de 14%
em relação a 2003, de acordo com Pedro Martins da
Silva, presidente da Abipla. “Considerando a inflação
de 6%, o crescimento real deve ficar em 8%”, afirma.
O destaque fica para o desempenho em volume, que foi estimado em
17% a mais se comparado ao ano anterior, quando o setor registrou
queda de 1,5%, com um crescimento em valor (13,8%). A explicação
para o expressivo crescimento em produtos vendidos, segundo Silva,
está no maior consumo de itens com preços baixos.
“Devido à diminuição do poder de compra,
os consumidores optaram por produtos com preços mais baixos
e em maior quantidade”, diz. De acordo com o executivo, foi
a partir do segundo trimestre do ano, e principalmente no segundo
semestre, que esse crescimento começou a ganhar força.
A pesquisa “Mudanças no Mercado Brasileiro em 2005”,
realizada pela ACNielsen, confirma a retomada do crescimento no
setor. A cesta de limpeza, de acordo com a empresa, aumentou 2,3%
em volume e registrou queda em valor (1,6%) e preços (3,9%).
Segundo o estudo, o setor não repassou preços aos
consumidores.
A diferença entre o aumento em volume apontado pela empresa
e o número divulgado pela Abipla pode ser explicada pelo
crescimento, principalmente, no segundo semestre. A pesquisa da
ACNielsen é fechada no início de dezembro, e os números
de produção contabilizados pela Abipla incluem os
números do último mês do ano.
Outra explicação, de acordo com a ACNielsen, é
que os números estudados pela empresa são de vendas
no varejo e o volume calculado pela associação pode
ter envolvido negócios para comercialização
de produtos no início de 2005.
Força
da marca
– O atributo marca voltou a ser um diferencial competitivo,
principalmente no segmento de limpeza caseira. De acordo com a pesquisa
da ACNielsen, no ano passado as marcas líderes voltaram a
seduzir o consumidor e ganhar participação em relação
às marcas B. Em limpeza, a participação das
líderes, em volume, saltou de 12% para 27%, de 2003 para
2004.


Outro fator de destaque, detectado no estudo, foi a proximidade
do ponto-de-venda, que ainda é um quesito essencial para
a compra. Cinqüenta e cinco por cento das pessoas que responderam
à pesquisa afirmaram que, caso não encontrassem sua
marca preferida na loja, comprariam outra marca, e 35% disseram
que procurariam sua marca preferida em outro lugar.
Recuperação
dos líderes
– A retomada das marcas fortes começou em meados de
2003. Segundo uma pesquisa da LatinPanel, a recuperação
nas vendas de produtos líderes foi verificada em 61 categorias
nos setores de higiene pessoal, limpeza doméstica, alimentos
e bebidas. Em 12 meses acumulados, de junho de 2003 a maio de 2004,
os itens líderes tinham aumentado sua participação
em 11% das categorias, comparando ao mesmo período anterior.
De março a maio de 2004, as marcas líderes ampliaram
seu faturamento em 13% das categorias analisadas, em relação
ao período de dezembro de 2003 a fevereiro de 2004.
Segundo a LatinPanel, esse crescimento aconteceu principalmente
na cesta de artigos de limpeza. Nesse setor, as marcas líderes
ganharam espaço no mercado, entre março e maio de
2004, em 33% das categorias verificadas.
Cuidados
com a roupa
– Os produtos para lavagem de roupas são os principais
responsáveis pelo crescimento no segmento de limpeza, segundo
a ACNielsen. Os detergentes e sabões em pó registraram
aumento de 12,5% em volume, com variação de 1,6% em
valor e queda de 9,7% nos preços. Os amaciantes cresceram
14,6% em volume (em 2003 houve queda de 1,1%), com incremento de
11,7% em valor e queda de 2,5% nos preços.
Segundo dados da ACNielsen, a categoria de sabão e detergente
para roupa apresentou um aumento de 17,9% em volume e 14,7% em valor
em 2004 em relação ao ano de 2003. O segmento de amaciantes
de roupa teve crescimento de 19,3% em volume e 25,4% em valor em
2004. A categoria de engomador de roupa caiu 3,3% em volume e 3,7%
em valor. Fabricantes de matérias-primas e de produtos de
cuidados com a roupa investem no desenvolvimento de ativos e produtos
inovadores para atender à demanda dos consumidores mais exigentes
que, além de limpar, querem preservar as fibras dos tecidos.
Tecnologia
– Exemplo dessas novidades são a variante Aloe Vera
de Omo MultiAção – que promete remover as manchas
mais difíceis e deixar as roupas mais gostosas de usar e
sentir – e o detergente em pó Minerva – com fórmula
que pode deixar as roupas 65% menos amassadas e mais fáceis
de passar –, ambos da Unilever.
A Reckitt Benckiser contra-atacou com o lançamento de Vanish
Poder O2, alvejante produzido com percabonato de sódio no
lugar do cloro, desenvolvido para remover as manchas mais difíceis,
causadas por alimentos, sem danificar os tecidos. “Nossa intenção
não é que esse produto substitua a versão líquida
de Vanish (fabricado com peróxido de hidrogênio no
lugar de cloro), mas que possibilite mais opção aos
consumidores”, diz Ana Cláudia Bandle, gerente de produto
da Reckitt Benckiser. Ela ressalta que o diferencial do produto
é que ele pode ser usado em roupas brancas e coloridas.
Matérias-primas
– A Novozymes, fabricante de enzimas, apresentou solução
para ser usada contra a formação de “bolinhas”
nos tecidos. Segundo Adauto de Almeida Jr, gerente de vendas da
empresa, as enzimas da categoria celulase, presentes nos mais recentes
produtos de cuidados com as roupas, são as responsáveis
pela remoção e prevenção de microfibrilas,
as famosas “bolinhas”, causadas pelo desgaste do tecido
provocado pelo atrito das roupas durante o processo de lavagem.
“Elas atuam no cuidado dos tecidos, ajudando a abrir as fibras
e fazendo com que o detergente atue melhor”, diz.
De acordo com o executivo, os detergentes para lavar roupa são
desenvolvidos de acordo com hábitos e condições
de lavagem específicos de cada região, por isso os
produtos vendidos no Brasil são bem diferentes daqueles encontrados
em outros locais. “Ao contrário do que se verifica
em outros países, muitos detergentes, geralmente os produtos
de baixo preço, ainda não possuem enzimas em sua formulação”,
diz. “Nossa expectativa é fazer com que cada vez mais
fabricantes busquem diferenciais e agreguem enzimas em suas formulações”.
Categorias
destaques
– Em 2004, a categoria de água sanitária cresceu
2,4% em volume (em 2003 houve queda de 0,8%), com aumento de 3,4%
em valor e elevação de 1% nos preços. Outras
categorias que obtivera m
recuperação foram desinfetantes e concentrados de
limpeza. Os desinfetantes tiveram aumento de 4,4%, em volume, ante
à queda de 1,1% registrada em 2003. Em valor, o crescimento
dos desinfetantes foi de 2,8% e os preços caíram 1,6%.
Os concentrados de limpeza cresceram 3,1% em volume (em 2003 houve
queda de 2,6%). O aumento em valor para essa categoria foi de 2,5%,
com queda de 0,6% nos preços.
Do segundo semestre de 2002 à metade de 2003, o segmento
de limpeza passou por uma seca, com diminuição de
investimentos e lançamentos. Nesse período, como poucas
empresas do setor, a Reckitt Benckiser, por exemplo, foi na contra-mão
e investiu em inovações, trazendo para o Brasil o
alvejante sem cloro Vanish e o Veja Multi-uso Laranja. Segundo Dirce
Amaral, diretora de serviços de marketing, essa iniciativa
da empresa vem resultando em ótimos resultados até
hoje.
Inovação
e praticidade
– Enquanto o mercado geral de limpeza registrou aumento de
aproximadamente 8% em 2004 ante ao ano anterior, a Reckitt Benckiser
cresceu 17%, de acordo com a executiva. Para 2005, a expectativa
é crescer de 15% a 16%. “Esse sucesso se deve aos nossos
esforços para apresentar ao consumidor produtos inovadores,
segundo suas necessidades, que facilitem cada vez mais a aplicação,
diminuindo a necessidade de força física das pessoas
na hora da limpeza”, afirma a diretora. Neste semestre, a
novidade da empresa é o multiuso Easy-off Bang, desenvolvido
para limpeza das sujeiras mais difíceis. E a empresa poderá
apresentar mais novidades neste ano.
Segundo Amaral, a distribuição é outra preocupação
constante da Reckitt Benckiser para garantir a presença de
seus produtos em todo o Brasil. “Temos um grupo de profissionais
da equipe de vendas que verifica semanalmente a presença
de nossos produtos em cerca de 500 lojas no País, além
de analisar o posicionamento dos itens nas gôndolas”,
afirma a diretora.
Sabão
em barra
– Segundo os dados da AC Nielsen, apenas dois setores registraram
queda em volume de vendas por dois anos consecutivos: cera para
assoalho, 10,3% em 2003 e 7,8% em 2004; e sabão em barra,
5,2% em 2003 e 3% em 2004.
Esses valores, no entanto, não chegam a assustar os especialistas
do setor. “Os
números de sabão em barra, por exemplo, são
tão próximos a zero que nem consideramos queda, e
sim uma estagnação do mercado”, diz João
Augusto Lobarinha Carneiro, presidente da União Fabril Exportadora.
De acordo com o executivo, essa estagnação é
atribuída às diversas novidades no setor que podem
substituir o produto.
A queda da alíquota de IPI (imposto sobre produtos industrializados)
para sabão, de 10% para 0%, é um fator positivo para
o segmento saboeiro em 2005. Essa decisão, registrada no
decreto nº 5.282 (publicado no Diário Oficial em 23
de novembro de 2004) contribui para aumentar o otimismo dos empresários
referente aos negócios para este ano. Embora o mercado de
sabões deva permanecer estável, na opinião
de executivos do setor, os consumidores saem ganhando. “Os
preços já abaixaram”, afirmou Gustavo Razzo
Neto, presidente da Abisa – Associação Brasileira
das Industrias Saboeiras e Afins, em entrevista para a H&C,
em fevereiro.
Oportunidade
– Segundo a Associação Nacional de Fabricantes
de Eletro Eletrônicos (Eletros), a venda de lavadoras automáticas
de louças está entre as que mais crescem, junto com
secadoras de roupas e televisores. Esse dado mostra que o consumo
de produtos de limpeza específicos para esses eletrodomésticos
também deve crescer. Para Laíza Maria Ribeiro, gerente
administrativa geral da Multionic (fabricante do detergente em pó
para lava-louças Unik), o que realmente aconteceu foi a retomada
de crescimento. “O mercado estava estável até
2002, quando ocorreu o apagão e os consumidores deixaram
de usar a lava-louças”, afirma. Segundo ela, em 2003,
essa categoria recuperou o mercado que havia perdido e manteve um
bom ritmo em 2004.
De acordo com a Procter & Gamble, esse tipo de produto, comercializado
nacionalmente, tem maior penetração em São
Paulo e na região Sul, onde há maior incidência
no uso de máquinas de lavar louça nas residências.
A empresa disponibiliza no Brasil produtos da linha Cascade, detergente
em pó para máquina de lavar louça líder
no mercado norte-americano.
Seja com inovações ou não, o mercado de limpeza
continua em movimento. E seu crescimento, de acordo com profissionais
do setor, será proporcionado na medida que as empresas atenderem
ainda mais os desejos e as necessidades das pessoas. O sucesso dependerá,
entretanto, do bolso do consumidor, e poderá ser realidade
para quem investir em produtos inovadores, práticos e eficazes.
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