Além de qualidade, preço e marca,
em todo o mundo, as pessoas procuram por produtos ligados à
saúde e ao bem-estar. Isso acontece em
diversos setores, como alimentos, vestuário e higiene e beleza.
Homens e mulheres exigem que seus itens de cuidados pessoais tragam
mais ativos e diferenciais que contribuam para aumentar sua eficácia
e prolongar seus efeitos.
Por isso, algumas empresas apostam suas fichas no segmento de dermocosméticos.
Esses produtos, elaborados com substâncias que prometem potencializar
suas funções, ocupam uma posição especial,
ainda no setor de cosméticos, porém próximos
ao universo dos remédios. Dermocosmético é
um termo usado para itens com ação intermediária
entre medicamentos e cosméticos, indicados tanto para prevenção
quanto para tratamento, afirma Neise Avelar, farmacêutica
e gerente técnica da Dermage.
Segundo ela, itens dermocosméticos possuem ativos com ações
dermatológicas efetivas sobre a pele e reconhecidas no meio
médico, com o objetivo de proporcionar melhorias à
saúde. “Exemplos dessas substâncias são
os poli-hidroxiácidos, DMAE, argereline e retinol”,
diz a farmacêutica. De acordo com a especialista, o lim ite
para que um produto passe de simples cosmético para um dermocosmético
é a comprovação de sua ação terapêutica.
As substâncias que caracterizam os dermocosméticos
podem ser aplicadas em diversas categorias, desde cremes e loções
para a pele, maquiagens e protetores solares até itens para
tratamento de cabelos. “Para cabelos, por exemplo, pode ser
usado o piritionato de zinco, em xampus com ação anticaspa”,
explica Avelar.
Mercado
— De acordo com a empresária Emily Cochrane, proprietária
da recém-lançada lançada linha facial Emily
Cochrane, as pessoas estão “muito preocupadas com qualidade
de vida, saúde e manutenção da aparência
saudável e sempre jovem”. “Essa preocupação
é mundial e o Brasil tem registrado um grande aumento nesse
setor”, diz. Segundo ela, os dermocosmeticos vêm conquistando
cada vez mais espaço e, nos últimos cinco anos, registraram
um aumento de 30%. A linha facial da empresária possui a
Água Termal Facial Anti-Sinais, que pode ser usada sobre
a maquiagem, Leite de Limpeza e Creme Firmador Facial.
Na opinião da executiva, a principal diferença está
na concentração de princípios ativos. Para
exemplificar essa questão, a empresária compara a
fórmula desses produtos a uma receita de bolo caseiro. “Quando
fazemos um bolo com essência de baunilha, usamos apenas algumas
gotas, o que poderia ser comparado ao cosmético convencional.
Porém, quando adicionamos uma quantidade muito maior de baunilha,
é como se fizéssemos o dermocósmetico”,
afirma.
Oportunidades
— Para a consultora Nara Saraiva, farmacêutica bioquímica
com especialização em cosmetologia, os dermocosméticos
são produtos que têm finalidade estética, embelezadora
e recuperadora de tecidos sadios. “Não são para
o tratamento de doenças”, afirma. Segundo ela, inicialmente,
esses itens eram elaborados apenas por manipulação,
em farmácias, sem uso de substâncias com ações
terapêuticas. “Depois, surgiu produção
em escala industrial, principalmente em laboratórios europeus,
com linhas completas de produtos para o tratamento estético”,
acrescenta Saraiva.
Aos dermocosméticos, geralmente, se atribuem características
que os classificam como produtos premium, de luxo, voltados a consumidores
com alto poder aquisitivo. Entretanto, como alerta a consultora,
também há oportunidades para se investir em itens
destinados a pessoas que procuram preços mais acessíveis.
“As mulheres com menor poder aquisitivo também se preocupam
com beleza, bem-estar e aparência”, diz a especialista.
Para ela, é possível fabricar produtos de boa qualidade,
com componentes mais baratos que propiciem bons resultados estéticos.
Tendências
— De acordo com profissionais do setor, a preocupação
com rugas, flacidez facial, celulite e estrias continuam sendo os
focos de pesquisa e investimentos, tanto das indústrias quanto
das farmácias de manipulação. A Dermage divulgou,
recentemente, os resultados apresentados no 63º encontro anual
promovido pela American Academy of Dermatologia, realizado em fevereiro
nos Estados Unidos. Entre os ativos que estão em alta, estão
os neuropeptídeos, que exercem influência sobre o cérebro,
liberando substâncias que aumentam a defesa da pele.
Outras matérias-primas de destaque são o peptídeo
de cobre – potente antioxidante usado para tratamento de ferimentos,
que agora começa a fazer parte de formulações
cosméticas – e kombuchka, conhecido como fungo da longevidade,
utilizado no combate à celulite. A soja e o chá verde
foram apresentados também como importantes antioxidantes
que estão sendo cada vez mais usados na área de dermocosméticos.
Inovação
— Estudo apresentado no encontro mostra que quase 80% das
mulheres americanas e européias acham que têm pele
seca, entretanto mais de 40% delas não usam hidratantes após
o banho. A partir dessa revelação, de acordo com a
Dermage, surgem duas oportunidades para os fabricantes de dermocosméticos:
produtos com poder prolongado para hidratação, de
12 a 24 horas (com niacinamida e pantenol) e hidratante in-shower,
para uso durante o banho.
A Dermage já está oferecendo esse hidratante para
uso no banho em regime de manipulação e deve disponibilizar
o produto industrializado ainda neste semestre. O principal benefício
desse item, de acordo com a empresa, será a praticidade,
o que poderá aumentar o consumo de hidratantes.
Medida
certa
– No segmento de protetores solares, a Dermage revela que
a tendência é o uso de filtros de proteção
cada vez mais altos. “Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos
demonstrou que as pessoas usam o protetor de maneira inadequada,
aplicam quando já estão no sol e em quantidade insuficiente”,
afirma Lisabeth Braun, presid ente
da Dermage. De acordo com esse estudo, o ideal seria que o consumidor
aplicasse duas gramas por centímetro quadrado na pele. Porém,
de modo geral, as pessoas usam de um a meio grama.
No segmento de maquiagens, as novidades deverão incluir as
vitaminas (C, A, K e E) e extrato de chá verde, que oferecem
alto poder antioxidante, além de alta proteção
contra efeitos dos raios UVA e UVB. O extrato de zinco e a vitamina
C, usados nas maquiagens, possuem ação anti-inflamatória.
“A consumidora não busca somente cores, ela quer tratamento”,
afirma Viviane Soares, gerente de marketing da Dermage.
Nanotecnologia
– Para contribui no desenvolvimento dessas inovações,
aplica-se aos dermocosméticos a nanotecnologia, criada em
1960 por Richard Feynman, que surpreendeu o mundo científico
ao falar sobre esse tipo de tecnologia, numa conferência sobre
Física, na Califórnia. A idéia de “miniaturizar”
o mundo começou a ser discutida naquela época, mas
foi nos últimos 10 anos que a nanotecnologia experimentou
uma verdadeira explosão científica. Na dermocosmética,
ela permite a introdução de estruturas biocompatíveis
que servem para revestir e carrear ativos.
Segundo a Galena, essas substâncias são absorvidas
mais efetiva e rapidamente, e proporcionam maior estabilidade aos
componentes da fórmula, otimizando o resultado do tratamento.
“A nanotecnologia trouxe uma série de benefícios
para a dermocosmética, entre eles a melhora da permeação,
garantindo que o ativo chegue às camadas mais profundas e
atinja o local de ação”, explica Kélia
Resende, farmacêutica da Galena.
Crescimento
– Na opinião da gerente de marketing da Dermage, Viviane
Soares, a expectativa de crescimento do mercado em 2005 é
de 5%. “Porém, estamos trabalhando com uma meta de
20% de crescimento, acreditamos que este será um ano histórico
para a Dermage”. Para isso, a empresa terá que investir
em pesquisa e desenvolvimento e se comprometer com serviços
e produtos eficazes, conforme recomendado às fabricantes
de democosméticos que querem se destacar no mercado.
“A empresa cosmética que tem investido em pesquisa
e desenvolvimento e está comprometida em oferecer aos seus
clientes serviços e produtos que atendam às suas necessidades
certamente irão se destacar”, diz Lucienne Souza, diretora
e esteticista do Spa da Pele.
“Estamos na era do conhecimento, e o consumidor, que está
cada dia mais informado, busca e paga por qualidade, pois quer resultados
reais”, afirma Souza. “Não vendemos apenas o
apelo comercial do ‘desejo de ser bela’, disponibilizamos
produtos com atuação efetiva, que proporcionam mais
beleza à pele”, acrescenta.
“Deveremos crescer em torno de 40% a mais do que no ano passado,
pois a empresa tem investido muito no setor profissional,
em pesquisas e desenvolvimento de tratamentos estéticos efetivos,
como o tratamento Spa Strills, que, comprovadamente, dá resultados
positivos na reconstrução do tecido estriado”,
afirma Souza.
A empresa possui uma linha profissional, com 60 itens, e outra de
manutenção domiciliar (Home Care), com 44. São
produtos que podem ser usados em uma simples limpeza até
os exclusivos tratamentos de correção e restauração
de pele, para casos de celulite, gordura local, estrias, manchas
e acne.
Nessa fervura de novos ativos que contribuem para melhorar a saúde
e a aparência do corpo, quem sai ganhando é o consumidor,
que tem à sua disposição produtos e serviços
cada vez mais eficientes e específicos. Para a indústria,
a regra para talvez seja única e óbvia: investir em
formulações que tragam cada vez mais benefícios
e praticidade. E, de acordo com profissionais do setor, uma dica:
há oportunidades em todas as categorias, voltadas a todas
as classes sociais.
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