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Especial Household
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Compreender
as expectativas das consumidoras é o segredo
para quem quer obter sucesso no segmento de limpeza. O perfil das
mulheres brasileiras mudou drasticamente nas últimas décadas.
Elas ficaram mais exigentes, independentes e com maior poder de
decisão. Hoje, segundo o IBGE, a mulher representa 51,2%
da população brasileira num montante de 182 milhões
de pessoas. As estatísticas confirmam ainda que a participação
das mulheres entre 16 e 60 anos no mercado de trabalho aumentou
de 39% em 1997 para 58% em 2004. Além disso, elas conquistaram
52% de representatividade na população econômica
ativa.
Apesar de todas essas conquistas e algumas mudanças de hábitos,
a mulher ainda resguarda um universo de valores próprios,
sendo possível agrupar algumas de suas características
e interesses para constituir o que se pode chamar de padrões
de comportamento. Para descobrir quais as expectativas das consumidoras,
as indústrias vêm investindo em pesquisas qualitativas
para examinar quais são as influências individuais
e coletivas que afetam as decisões de compra das consumidoras.
De acordo com Hélio Comicholli Neto, coordenador de marketing
da Quimivale, por meio dessas informações, as empresas
conseguem relacionar as variáveis presentes no processo
de consumo e integrá-las ao conjunto de ações
estratégicas que envolvem o lançamento, reposicionamento
ou mesmo o reforço da posição da empresa,
dos produtos e das marcas.
Hábitos
de compra – Para atrair as consumidoras,
que estão cada vez mais dispostas a experimentar, as empresas
devem ficar atentas aos principais fatores que fazem a diferença
e influenciam a decisão de compra. Segundo executivos do
setor, entre esses indicadores destacam-se: marketing para a marca,
motivação, aceitação ou rejeição
do produto, o dia da semana, local onde a consumidora compra, o
que ela consome e o seu hábito.
As brasileiras aplicam esses indicadores em duas situações
de consumo e de maneiras diferentes: na compra principal e de reposição.
Na de reposição, de acordo com pesquisa realizada
pela LatinPanel, o que mais pesa é a escolha do local de
compra, de preferência nas proximidades de sua casa, além
de degustação e filas não-demoradas. Quando
são feitas as compras principais, as donas-de-casa avaliam
outras questões como variedade de marcas, preço e
qualidade dos produtos.
Marcação
cerrada – Segundo a ACNielsen, nos últimos
anos, as brasileiras assumiram uma postura inovadora de consumo
com a experimentação de novos itens e outras marcas,
incluindo as marcas próprias. Um estudo realizado pela empresa
aponta que 87% dos entrevistados trocam de produtos regularmente,
buscando itens que melhor lhes satisfaçam. Entre essas pessoas,
63% trocam mais sabão em pó, sabonete, arroz, feijão
e óleo comestível.
Para ganhar pontos nesta disputa, na opinião de Hélio
Comicholli, é importante que os produtos de limpeza tenham
qualidade, embalagem moderna, preço e boa fragrância. “Na
categoria de sabão, as mulheres procuram por praticidade,
ação rápida, conforto, segurança, embalagem
contra umidade e eficiência na primeira lavagem da roupa”,
exemplifica Neto.
Roupas
em alta – O maior mercado de limpeza doméstica
no Brasil, segundo dados da Euromonitor, é o de Cuidados
com as Roupas, onde a disputa é acirrada em quase todas
as categorias. No ano passado, segundo estudo da ACNielsen, após
a crise de 2003, sabão e amaciantes foram os principais
responsáveis por levar a cesta de limpeza a um crescimento
em volume de 5,1%.
Para Paulo Roberto da Silva, do setor de marketing da Atol, quando
o produto atende às expectativas da dona-de-casa, ela passa
a ser usuária fiel. “O sabão em barra e os
desinfetantes estão em constante crescimento; o detergente
em pó vem compondo cada vez mais a cesta de compra das consumidoras
devido a marcas e preços competitivos”, afirma.
O executivo destaca ainda que, na cesta de limpeza, as principais
características utilizadas para conquistar o consumidor
são rendimento, formulação adequada, perfume,
limpeza instantânea e suavidade no contato com a pele.
Marcas
próprias – Para ganhar uma fatia do mercado
de limpeza e atrair consumidores com preços baixos, os varejistas
adotam cada vez mais a estratégia de inserir produtos de
marcas próprias em seu portfólio. Segundo uma pesquisa
realizada pela ACNielsen em julho de 2004, a consumidora gosta
de experimentar esses itens, que, atualmente – contrariando
o histórico das marcas próprias no Brasil – transmitem
a sensação de confiança.
O estudo mostrou ainda que 78% das entrevistadas conhecem marcas
próprias e 54% delas as consomem. Dentre as que experimentam
e gostam, 45% substituiriam a marca que compravam antes e para
46% das consumidoras que compram itens com marca própria,
não é hábito trocá-la por outra marca
de menor valor. Noventa e dois por cento das entrevistadas recomendam
as marcas próprias que compram, e para 67% das consumidoras,
o fato de não gostarem de um produto não inibe a
experimentação de outro.
Classes
consumidoras – Segundo a LatinPanel, nos nove primeiros
meses de 2004, os indicadores de consumo domiciliar mostraram um
crescimento de 3% no número de domicílios compradores,
se comparado com o mesmo período do ano anterior. As classes
D e E foram responsáveis por esse acréscimo, representando
incremento de 5%. As demais classes apresentaram estabilidade no
período. No quesito volume médio, o destaque ficou
por conta das classes A e B, que apontam um acréscimo de
4%, seguidos das classes C, com aumento de 3%, e D e E, com incremento
de 2%.
Dados da LatinPanel apontaram as regiões que mais contribuíram
para o crescimento do consumo domiciliar. A Região Sul registrou
alta de 5% em penetração (aumento no número
de lares consumidores e aumento no consumo dos lares já existentes)
e 12% em volume médio de vendas. Na Região Norte,
o aumento foi de 7% no número de domicílios compradores.
No Nordeste, houve incremento de 4% em volume médio e no
interior de São Paulo o crescimento foi de 4% em penetração,
com estabilidade em volume médio. Apenas a Grande São
Paulo obteve um desempenho regular, com queda de 5% no volume médio
domiciliar e estabilidade no número de domicílios
compradores.
A pesquisa foi realizada em municípios com mais de 10 mil
habitantes, numa base amostral que representa 82% da população
domiciliar e 86% do potencial de consumo do País, envolvendo
produtos das cestas de higiene e limpeza, alimentos e bebidas.
Dentre as 64 categorias de produtos pesquisados, o destaque ficou
por conta das cestas de limpeza e higiene, apresentando um crescimento
de 9% e 8%, respectivamente, no volume médio comprado e
aumento de 6% e 5% no número de domicílios compradores
das respectivas cestas, em relação ao mesmo período
de 2003.
Mercado
informal – Assim como a marca própria vem
conquistando espaço nas cestas de limpeza das donas-de-casa,
alguns produtos informais ou irregulares também estão
na disputa pela preferência das consumidoras. De acordo com
a Abipla, em 2004, as empresas do setor tiveram uma perda de aproximadamente
R$ 560 milhões em vendas por causa da concorrência
informal.
As projeções da associação foram feitas
com base em levantamento da Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (Fipe/ USP), que levou em conta uma
pesquisa, com abrangência nacional, envolvendo quatro tipos
de produtos que são mais facilmente copiados: água
sanitária, amaciante, detergente líquido e desinfetantes.
A categoria de água sanitária somou
cerca de R$ 559
milhões, dos quais 42,1% são movimentados pela informalidade.
No segmento de desinfetantes, as estimativas são de atingir
R$ 541 milhões, sendo que desse total 30,6%, são
relativos a vendas informais. A comercialização de
amaciante para roupas foi calculada em R$ 726 milhões e
para informalidade cerca de 15,2% do valor da formalidade. Outro
item listado pela Abipla é o detergente líquido,
com uma receita de R$ 603 milhões, da qual 7,7%, estão
por conta dos informais. Resta saber quem vence essa batalha: o
preço dos informais ou a inovação e a qualidade?
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