FCE Cosmetique
 
 , 8 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Ano VI - nº 29 - Jan/Fev - 2005 


Especial Household

Há décadas, o quaternário de amônia vem sendo o principal ativo dos produtos amaciantes. Segundo profissionais desse setor, foi na época da Segunda Guerra Mundial que essa matéria-prima começou a ser utilizada. Sua função, a princípio, era amaciar fraldas. Após as mamães perceberem o quanto a substância contribuía para deixar as fraldas mais confortáveis, as indústrias iniciaram seu uso no segmento de amaciantes para roupas e tecidos. Até hoje, esse é o ingrediente mais usado no segmento. Sua composição diferencia-se um pouco de acordo com as necessidades ou desejo dos consumidores de cada região do mundo.
No Brasil, há preferência por amaciantes encorpados. Segundo Adriano Galimberti, engenheiro de vendas técnicas da Akzo Nobel, o consumidor brasileiro escolhe seus produtos pela viscosidade do líquido. Essa característica, informa o executivo, é associada pelas pessoas à eficácia do amaciante. O ativo utilizado por aqui se chama cloreto de dialquil dimetril. “Nos Estados Unidos, fornecemos uma molécula de quaternário de amônia diferente, que resulta num produto menos espesso”, afirma.

“80% dos amaciantes nacionais contém quaternários de amônia”

Carro-chefe – De acordo com Galimberti, aproximadamente 80% dos fabricantes de amaciantes utilizam quaternários de amônia em suas formulações. A Akzo Nobel do Brasil, cuja fábrica desse ativo localiza-se em Itupeva/SP, produz essa matéria-prima para o mercado interno e para países da América do Sul. Os quaternários de amônia representam pelo menos cerca de 40% do faturamento da divisão química da empresa que os comercializa.
A demanda dessa matéria-prima no mercado brasileiro, segundo o engenheiro, é suprida quase que 90% pela Akzo Nobel e pela Clariant. “Há outras empresas que não possuem todo o processo de fabricação dessa substância e oferecem ‘pseudoquaternários’”, diz Galimberti. Segundo ele, algumas indústrias compram as aminas para quaternizarem e outras elaboram blends a partir de ativos comprados.

Novas substâncias – Na opinião de Fábio Roberto Borges, supervisor de laboratório da Akzo Nobel, os quaternários de amônia não são commodities. “Cada empresa possui sua matéria-prima, apesar de todas serem muito parecidas”, afirma. Segundo ele, os produtos amaciantes possuem, geralmente, 75% de ativo em sua composição, sendo que o restante é preenchido por outras substâncias, como solventes.
O quaternário de amônia adere na fibra dos tecidos, fazendo com que elas se afastem umas das outras por meio de um diferencial de carga. “O ativo possui uma parte polar, com carga positiva, e uma apolar, com carga negativa. Ao entrar na fibra, cuja carga estática é negativa, a substância faz as fibras se afastarem, proporcionando a maciez que sentimos”, diz Borges. O especialista afirma que há estudos sobre outras matérias-primas que podem ser utilizadas no lugar do quaternário de amônia nas fórmulas dos amaciantes, porém acredita que elas não o substituirão em curto prazo. “O ativo de amônia ainda é o que propicia mais eficácia, gerando maciez por mais tempo”.

Meio ambiente – Os quaternários de amônia utilizados nos amaciantes, na opinião de Tania Pich, gerente geral de saneantes da Anvisa, não prejudicam o meio ambiente. “São tensoativos catiônicos biodegradáveis”, diz. A Clariant – que produz essa matéria-prima no Brasil e vende para toda a América Latina – afirma que desenvolve substâncias com melhor perfil ambiental em outros países, como na Europa. Por lá, a empresa desenvolve substâncias que podem ser utilizadas no lugar dos quaternários de amônia. “Esse tipo de pesquisa é uma tendência mundial para a indústria química que possui esse tipo de produto”, afirma Manlio Gallotti, gerente de vendas da Clariant. “Entretanto, elas têm menor eficácia”.
Na opinião de Gallotti, o quaternário de amônia não é uma especialidade química. “É um ingrediente básico para produzir amaciantes, que poderia ser classificado como ‘semi-commoditie’”. Para ele existe uma forte pressão feita por fabricantes de amaciantes para redução de ativos nas formulações. “A Clariant se preocupa com o que será oferecido aos consumidores, por isso trabalhamos juntos com nosso clientes no desenvolvimento de produtos, contribuindo para que eles sejam realmente eficazes”, diz o executivo. “Essa é uma questão ampla, que gera uma grande discussão em diversos lugares do mundo, incluindo as características que tornam os ativos mais interessantes no quesito ambiental”.

Apelo Natural – Para conquistar as indústrias que apostam em ingredientes naturais, a Cognis lançou o Amazon Tex TGB, amaciante industrial produzido com manteiga de semente de cupuaçu – ingrediente extraído na região amazônica –, que pode substituir o silicone usado como amaciante de tecidos. De acordo com o presidente da companhia no Brasil, Rubens Becker, o produto formulado com cupuaçu custa o dobro de um amaciante convencional, devido à pequena produção do óleo.
A manteiga de cupuaçu, segundo a Cognis, possui alto poder de absorção de água e propriedades amaciantes e dermatológicas. O ativo foi desenvolvido pela empresa de acordo com sua política de fabricar produtos biodegradáveis, com utilização de matérias-primas que também contribuam para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

Legislação – Os fabricantes de amaciantes devem seguir as decisões da resolução normativa 01/78 da Anvisa, que regulamenta todos os produtos saneantes comercializados no Brasil. Segundo Tânia Pich, essa resolução terá novidades até o início de 2005. “Estamos em fase final de atualização, após termos realizado avaliações e reuniões com profissionais da área do Brasil e de outros países do mercosul”, afirma.
Os amaciantes, de acordo com a gerente da Anvisa, também são submetidos a avaliações por técnicos da Agência para que sejam comercializados com registro legal. Atualmente, não há uma quantidade mímina de ativos exigida por lei para essa categoria. “Mesmo assim, exigimos alguma comprovação de eficácia quando detectamos uma quantidade muito baixa de ativo”. Pich lembra também que nesse mercado há muitos produtos clandestinos. “Nesse caso, geralmente, o produto não passa de água perfumada”, afirma.

Os amaciantes também são submetidos a avaliações por técnicos da Anvisa para que sejam comercializados com registro legal

Mercado de amaciantes – A ACNielsen informa que os amaciantes estão entre as dez categorias que mais cresceram nos últimos dez anos. De 1994 a 2003, esse segmento registrou crescimento de aproximadamente 350%. De acordo com a empresa, o faturamento da categoria alcançou R$ 520,9 milhões em 2003, com variação de 18,7% em relação ao ano anterior. Em volume, o aumento foi de 0,6%, chegando a 299,6 milhões de litros no ano passado.
Segundo alguns resultados da pesquisa Share of Pocket “uma ampla visão do consumo brasileiro”, divulgada recentemente pela Latin Panel, 0,6 % das verbas do consumidor no Brasil é destinado à compra de produtos de limpeza. Os amaciantes estão entre os quatro itens mais comprados. Antes deles aparecem cera para piso, água sanitária e detergentes em pó. A Latin Panel classifica o segmento de amaciantes como um dos quatro mercados de destaque em desenvolvimento, junto com absorventes, iogurtes e leite UHT. De acordo com a empresa, o desafio é oferecer preço competitivo para sustentar a intensidade de compra.

Atração de vendas – Algumas empresas têm oferecido formulações diferenciadas para atrair o consumidor. A utilização de ceramidas é uma das opções para amaciantes que prometem contribuir para a preservação dos tecidos. Um exemplo é o Fleur de Ypê, produzido pela Química Amparo. A empresa também possui amaciantes com a marca Atol e Celeste, que são fabricados em Simões Filho/ BA. De acordo com o departamento de marketing da Química Amparo, todos os amaciantes possuem quaternários de amônia em suas formulações, porém em diferentes quantidades.
As características amaciantes transcedem os produtos voltados apenas para essa função. A Unilever utiliza essa propriedade também nos detergentes em pó. A empresa investiu R$ 5 milhões para desenvolver um Minerva que promete facilitar a vida do consumidor na hora de passar suas roupas. De acordo com a fabricante, a fórmula do produto, lançado em meados de 2004, deixa as roupas 65% menos amassadas. “Minerva sempre ofereceu como diferencial a característica de amaciante. Estimamos que o produto continue líder no quesito amaciante, no segmento cuidado e limpeza, de detergentes em pó”, disse a gerente de produto da Unilever Marcela Mariano, em entrevista para as Notas de Mercado da H&C.



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