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Especial Household
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Há décadas, o quaternário de amônia
vem sendo o principal ativo dos produtos amaciantes. Segundo profissionais
desse setor, foi na época da Segunda Guerra Mundial que
essa matéria-prima começou a ser utilizada. Sua função,
a princípio, era amaciar fraldas. Após as mamães
perceberem o quanto a substância contribuía para deixar
as fraldas mais confortáveis, as indústrias iniciaram
seu uso no segmento de amaciantes para roupas e tecidos. Até hoje,
esse é o ingrediente mais usado no segmento. Sua composição
diferencia-se um pouco de acordo com as necessidades ou desejo
dos consumidores de cada região do mundo.
No Brasil, há preferência por amaciantes encorpados.
Segundo Adriano Galimberti, engenheiro de vendas técnicas
da Akzo Nobel, o consumidor brasileiro escolhe seus produtos pela
viscosidade do líquido. Essa característica, informa
o executivo, é associada pelas pessoas à eficácia
do amaciante. O ativo utilizado por aqui se chama cloreto de dialquil
dimetril. “Nos Estados Unidos, fornecemos uma molécula
de quaternário de amônia diferente, que resulta num
produto menos espesso”, afirma.
| “80% dos amaciantes nacionais contém
quaternários de amônia” |
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Carro-chefe – De acordo com Galimberti, aproximadamente
80% dos fabricantes de amaciantes utilizam quaternários
de amônia em suas formulações. A Akzo Nobel
do Brasil, cuja fábrica desse ativo localiza-se em Itupeva/SP,
produz essa matéria-prima para o mercado interno e para
países da América do Sul. Os quaternários
de amônia representam pelo menos cerca de 40% do faturamento
da divisão química da empresa que os comercializa.
A demanda dessa matéria-prima no mercado brasileiro, segundo
o engenheiro, é suprida quase que 90% pela Akzo Nobel e
pela Clariant. “Há outras empresas que não
possuem todo o processo de fabricação dessa substância
e oferecem ‘pseudoquaternários’”, diz
Galimberti. Segundo ele, algumas indústrias compram as aminas
para quaternizarem e outras elaboram blends a partir de ativos
comprados.
Novas
substâncias – Na opinião de Fábio
Roberto Borges, supervisor de laboratório da Akzo Nobel,
os quaternários de amônia não são commodities. “Cada
empresa possui sua matéria-prima, apesar de todas serem
muito parecidas”, afirma. Segundo ele, os produtos amaciantes
possuem, geralmente, 75% de ativo em sua composição,
sendo que o restante é preenchido por outras substâncias,
como solventes.
O quaternário de amônia adere na fibra dos tecidos,
fazendo com que elas se afastem umas das outras por meio de um
diferencial de carga. “O ativo possui uma parte polar, com
carga positiva, e uma apolar, com carga negativa. Ao entrar na
fibra, cuja carga estática é negativa, a substância
faz as fibras se afastarem, proporcionando a maciez que sentimos”,
diz Borges. O especialista afirma que há estudos sobre outras
matérias-primas que podem ser utilizadas no lugar do quaternário
de amônia nas fórmulas dos amaciantes, porém
acredita que elas não o substituirão em curto prazo. “O
ativo de amônia ainda é o que propicia mais eficácia,
gerando maciez por mais tempo”.
Meio
ambiente – Os quaternários de amônia utilizados
nos amaciantes, na opinião de Tania Pich, gerente geral
de saneantes da Anvisa, não prejudicam o meio ambiente. “São
tensoativos catiônicos biodegradáveis”, diz.
A Clariant – que produz essa matéria-prima no Brasil
e vende para toda a América Latina – afirma que desenvolve
substâncias com melhor perfil ambiental em outros países,
como na Europa. Por lá, a empresa desenvolve substâncias
que podem ser utilizadas no lugar dos quaternários de amônia. “Esse
tipo de pesquisa é uma tendência mundial para a indústria
química que possui esse tipo de produto”, afirma Manlio
Gallotti, gerente de vendas da Clariant. “Entretanto, elas
têm menor eficácia”.
Na opinião de Gallotti, o quaternário de amônia
não é uma especialidade química. “É um
ingrediente básico para produzir amaciantes, que poderia
ser classificado como ‘semi-commoditie’”. Para
ele existe uma forte pressão feita por fabricantes de amaciantes
para redução de ativos nas formulações. “A
Clariant se preocupa com o que será oferecido aos consumidores,
por isso trabalhamos juntos com nosso clientes no desenvolvimento
de produtos, contribuindo para que eles sejam realmente eficazes”,
diz o executivo. “Essa é uma questão ampla,
que gera uma grande discussão em diversos lugares do mundo,
incluindo as características que tornam os ativos mais interessantes
no quesito ambiental”.
Apelo
Natural – Para conquistar as indústrias que
apostam em ingredientes naturais, a Cognis lançou o Amazon
Tex TGB, amaciante industrial produzido com manteiga de semente
de cupuaçu – ingrediente extraído na região
amazônica –, que pode substituir o silicone usado como
amaciante de tecidos. De acordo com o presidente da companhia no
Brasil, Rubens Becker, o produto formulado com cupuaçu custa
o dobro de um amaciante convencional, devido à pequena produção
do óleo.
A manteiga de cupuaçu, segundo a Cognis, possui alto poder
de absorção de água e propriedades amaciantes
e dermatológicas. O ativo foi desenvolvido pela empresa
de acordo com sua política de fabricar produtos biodegradáveis,
com utilização de matérias-primas que também
contribuam para o desenvolvimento sustentável da região
amazônica.
Legislação – Os fabricantes de amaciantes
devem seguir as decisões da resolução normativa
01/78 da Anvisa, que regulamenta todos os produtos saneantes comercializados
no Brasil. Segundo Tânia Pich, essa resolução
terá novidades até o início de 2005. “Estamos
em fase final de atualização, após termos
realizado avaliações e reuniões com profissionais
da área do Brasil e de outros países do mercosul”,
afirma.
Os amaciantes, de acordo com a gerente da Anvisa, também
são submetidos a avaliações por técnicos
da Agência para que sejam comercializados com registro legal.
Atualmente, não há uma quantidade mímina de
ativos exigida por lei para essa categoria. “Mesmo assim,
exigimos alguma comprovação de eficácia quando
detectamos uma quantidade muito baixa de ativo”. Pich lembra
também que nesse mercado há muitos produtos clandestinos. “Nesse
caso, geralmente, o produto não passa de água perfumada”,
afirma.
| Os
amaciantes também são submetidos
a avaliações por técnicos
da Anvisa para que sejam comercializados com
registro legal |
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Mercado
de amaciantes – A ACNielsen informa que os amaciantes
estão entre as dez categorias que mais cresceram nos últimos
dez anos. De 1994 a 2003, esse segmento registrou crescimento de
aproximadamente 350%. De acordo com a empresa, o faturamento da
categoria alcançou R$ 520,9 milhões em 2003, com
variação de 18,7% em relação ao ano
anterior. Em volume, o aumento foi de 0,6%, chegando a 299,6 milhões
de litros no ano passado.
Segundo alguns resultados da pesquisa Share of Pocket “uma
ampla visão do consumo brasileiro”, divulgada recentemente
pela Latin Panel, 0,6 % das verbas do consumidor no Brasil é destinado à compra
de produtos de limpeza. Os amaciantes estão entre os quatro
itens mais comprados. Antes deles aparecem cera para piso, água
sanitária e detergentes em pó. A Latin Panel classifica
o segmento de amaciantes como um dos quatro mercados de destaque
em desenvolvimento, junto com absorventes, iogurtes e leite UHT.
De acordo com a empresa, o desafio é oferecer preço
competitivo para sustentar a intensidade de compra.
Atração
de vendas – Algumas
empresas têm
oferecido formulações diferenciadas para atrair o
consumidor. A utilização de ceramidas é uma
das opções para amaciantes que prometem contribuir
para a preservação dos tecidos. Um exemplo é o
Fleur de Ypê, produzido pela Química Amparo. A empresa
também possui amaciantes com a marca Atol e Celeste, que
são fabricados em Simões Filho/ BA. De acordo com
o departamento de marketing da Química Amparo, todos os
amaciantes possuem quaternários de amônia em suas
formulações, porém em diferentes quantidades.
As características amaciantes transcedem os produtos voltados
apenas para essa função. A Unilever utiliza essa
propriedade também nos detergentes em pó. A empresa
investiu R$ 5 milhões para desenvolver um Minerva que promete
facilitar a vida do consumidor na hora de passar suas roupas. De
acordo com a fabricante, a fórmula do produto, lançado
em meados de 2004, deixa as roupas 65% menos amassadas. “Minerva
sempre ofereceu como diferencial a característica de amaciante.
Estimamos que o produto continue líder no quesito amaciante,
no segmento cuidado e limpeza, de detergentes em pó”,
disse a gerente de produto da Unilever Marcela Mariano, em entrevista
para as Notas de Mercado da H&C.
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