FCE Cosmetique
 
 , 10 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Ano VI - nº 29 - Jan/Fev - 2005 

  Sazonal Household

spañol 
 

Existem agentes químicos que têm como objetivo controlar ou eliminar microorganismos em áreas onde são indesejáveis. São os biocidas, preservantes utilizados em produtos líquidos de limpeza doméstica – a água é um fator que beneficia a proliferação de microorganismos – como multiuso, limpa-vidro, detergentes ou sabões líquidos. Trata-se de uma matéria-prima fundamental nas formulações, pois, ao se alastrarem, os microorganismos podem provocar a deterioração do produto. Além de preservar, os biocidas têm ação desinfetante e eliminam os microorganismos do local onde o produto é aplicado.
“Esses produtos são fontes de nutrientes, favorecendo a proliferação rápida dos microorganismos, assim, sem um preservante na formulação, o produto irá se degradar com uma grande rapidez”, afirma Luciana Lion, vendedora técnica da Arch Química Brasil. O biocida é o responsável por garantir a qualidade dos itens até a data de validade estabelecida pela empresa, pois o ativo mantém as propriedades dos produtos, protegendo-os contra a luz, o calor e o armazenamento. Um produto contaminado pode apresentar características como embalagem estufada, alteração de cor e odor ou pode ficar mais líquido. Conseqüentemente suas propriedades são alteradas e seu efeito prejudicado.

Bactérias eliminadas – Uma outra finalidade dos biocidas, se utilizados numa concentração maior, é eliminar bactérias. Por isso, também são aplicados em produtos desinfetantes, desenvolvidos para matar germes e fungos. “Entre os ativos usados, um dos mais antigos é o formaldeído, que tem uma relação custo-benefício boa e apresenta melhor desempenho em detergentes e multiusos, porém seu problema é a grande possibilidade de irritabilidade da pele”, afirma Luciana Lion.
As empresas, que podem investir um pouco mais, já não utilizam tanto o formaldeído. A tendência são as isotiazolonas, um biocida mais estável na formulação, com ação eficaz, menor problema toxicológico e que proporciona uma preservação mais prolongada. Seu custo é mais alto e, por enquanto, sua utilização é maior na Europa e nos Estados Unidos. “No Brasil são usados por empresas que não querem mais o formaldeído e em produtos que este outro ativo não apresenta bons resultados como ceras e lustra-móveis, que contêm mais nutrientes na formulação e são, portanto, um ambiente mais propício ao desenvolvimento de microorganismos”.

Custo x benefício – De acordo com José Sebastião de Sá, biólogo de pesquisa e desenvolvimento da Dow Brasil, a relação custo-benefício de um biocida só poderá ser avaliada se atingir o efeito esperado sobre os microrganismos indesejáveis. Além disso, há ainda outros fatores que influenciam essa avaliação como o grau de toxicidade e a sua biodegradabilidade. Esta tendência já pode ser comprovada. “Atualmente, as empresas buscam por moléculas com baixa toxicidade e produtos biodegradáveis capazes de eliminar os microrganismos indesejáveis e, ao mesmo tempo, não afetar o meio ambiente”, diz.
Para o biólogo, o mercado de biocidas caracteriza-se pela alta competitividade, com vários fornecedores de diferentes princípios ativos. “Há uma tendência para que exista maior controle do uso de biocidas, talvez até por meio de regulamentações e limitações de uso”, diz. A perspectiva para o próximo ano, segundo Sebastião de Sá, é a substituição de produtos que tenham um grau de toxicidade elevada e não sejam biodegradáveis.

Uso industrial – Além de serem aplicados em detergentes (como preservante da formulação), amaciantes (como preservante da formulação), produtos de limpeza de uso geral (também como preservante) e desinfetantes (como agente desinfetante), os biocidas podem ser usados no controle da contaminação microbiana de um processo industrial. Esses agentes são responsáveis pela desinfecção de tubulações, reatores, tanques de estocagem, controle de contaminação em torres de resfriamento e preservação de formulações.
“Os biocidas preservam as formulações, mantêm a linha de produção ou processo isento de contaminação microbiana, evitando assim as perdas de produção, os riscos de infecção e a geração de resíduos”, diz. Os efeitos de um biocida podem ser comprovados por fatores como estabilidade, preservação e desinfecção.

Investimento – Investir na utilização dos biocidas é fundamental para a fabricante Ingleza. Produtos como multiusos, detergentes, amaciantes, limpadores, ceras e desinfetantes, das linhas doméstica e profissional, contêm os ativos em sua formulação. Porém, cada produto tem suas características específicas e requer um tipo de biocida ideal e diferenciado.
“Os benefícios são inquestionáveis”, afirma Cristiane Araújo de Paula, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Ingleza. Segundo ela, apesar da elevação do custo da formulação – fator extremamente importante num mercado competitivo como o de limpeza, onde o preço pode ser o fator decisivo –, a utilização de biocidas é primordial para assegurar os benefícios e atributos dos produtos, mesmo durante sua utilização e manipulação pelos consumidores.
“Apenas as Boas Práticas de Fabricação e Controle, determinadas pela Anvisa, não garantem a isenção completa de bactérias e fungos no produto”, diz a executiva. Por isso, a Ingleza investe em biocidas e garante as características originais de seus produtos durante toda sua vida útil, ou seja, no período de validade.
“Preservação microbiológica é uma das condições essenciais
para conferir a idoneidade ao produto e ao fabricante”.

Efeitos comprovados – Hoje, estão disponíveis no mercado diversas moléculas e associações diferenciadas, que são muito eficazes de acordo com as características de cada produto como pH, temperatura, processo produtivo, viscosidade ou coloração, mas a relação custo-benefício para este mercado ainda não é atrativa.
A comprovação dos efeitos dos produtos que contêm biocidas pode ser feita pelo “Challenge Test”, ou seja, um desafio microbiológico e fúngico a que o produto é submetido. De acordo com Cristiane Araújo de Paula, este método consiste em adicionar um “pool” de bactérias e fungos ao produto, que deve ser capaz de eliminá-los completamente. É preciso inocular esses microorganismos ao produto, aguardar 24 horas e fazer uma leitura da eficiência do biocida. Em seguida, são feitas outras leituras com 48 horas, 7, 14, 21 e 28 dias. No 7° e no 14°dias, o produto sofre nova inoculação com as mesmas bactérias e fungos, previamente estabelecidas. As leituras são realizadas e o resultado deve ser isento, para ser realmente eficaz.
“Os produtos sem biocidas oferecem riscos à saúde dos consumidores, o que ocorre geralmente com os fabricantes “informais”, que vendem produtos em galões de dois litros (pet), ou fabricantes pequenos que ignoram os perigos existentes”, adverte a gerente. A inexistência do biocida pode ocasionar a proliferação de diversos microorganismos nos produtos, podendo causar várias infecções, doenças, irritações e reação alérgica se houver contato direto com a pele. Em outros casos, um produto sem biocida, e que desenvolva uma contaminação microbiológica, pode gerar cheiro desagradável, desestabilidade da formulação, redução ou aumento de viscosidade, alteração de cor e principalmente, a interferência na eficácia do produto.

Fator-chave – Outra empresa que não abre mão dos biocidas é a Noronha Produtos Químicos, que utiliza os ativos na formulação dos desinfetantes, multiusos e desodorizantes ambientais, todos da linha Cenap. “O biocida é o fator-chave na fabricação de nossos produtos”, diz Francisco Noronha, engenheiro químico e proprietário da empresa. Segundo ele, atualmente, o mercado já utiliza moléculas sintéticas em substituição ao tradicional formaldeído. “O custo é maior, mas a qualidade do produto torna-se superior”, afirma. “Além disso, as moléculas sintéticas não interferem na essência das formulações, como ocorre com o formaldeído, que possui um odor irritante”, explica.
Garantia de qualidade para o consumidor e para as empresas, os biocidas são indispensáveis nas formulações dos itens de limpeza doméstica. O investimento nestes ativos proporciona um resultado positivo, que traz maior confiabilidade às companhias
e maior segurança aos consumidores.

 

Workshops 2012
 
10º Curso de Tecnologia e Soluções em Produtos de Limpeza-SP
17/3/2012 e 18/3/2012
Workshop Recife-PE
10/4/2012 e 11/4/2012
Workshop Belo Horizonte-MG
12/6/2012 e 13/6/2012
Workshop Porto Alegre-RS
10/7/2012 e 11/7/2012
Workshop Goiânia-GO
16/8/2012 e 17/8/2012
Curso de Desenvolvimento de Cosméticos PET-SP
25/8/2012 e 26/8/2012

Artigos Técnicos

Formulando com manteigas exóticas

[James J. Ramirez, Larry S. Moroni - Biochemica International USA]



Como as Enzimas Podem Reduzir o Impacto dos Detergentes Líquidos

[Novozymes]



Vitalização e Proteção das Células-Tronco da Derme

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[Daniella Lopes Francischetti]



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[Dr. Daniel Schmid – Mibelle Biochemistry]


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