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Especial Household
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A figura
da típica da dona-de-casa, carregando baldes e
diversos produtos de limpeza, ajoelhada no chão, esfregando
o piso, está completamente fora de moda. Até mesmo
entre as profissionais do ramo, as empregadas domésticas.
Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, conciliar as
responsabilidades da carreira com a vida particular (casa, marido,
filhos) ficou muito mais difícil. Com muitas atividades
na agenda e pouco tempo disponível, a busca por praticidade
e agilidade tornou-se uma constante na vida da mulher moderna.
Nos últimos anos, este mercado tem se caracterizado pelo
dinamismo, de acordo com Maria Eugênia Saldanha, diretora-executiva
da Abipla. “Como é um segmento que agrega valor ao
produto, faz-se necessário o freqüente desenvolvimento
de novas tecnologias”, afirma. “É cada vez mais
notória a exigência dos consumidores por produtos
que facilitam o seu dia-a-dia e que, ao mesmo tempo, tenham custos
acessíveis”, acrescenta. Segundo ela, é comum
no setor que os produtos mais práticos, com tecnologia agregada
mais desenvolvida, tenham um custo maior.
Seguindo
esta tendência, produtos multiuso e neutralizadores
de odor passam a fazer parte da busca dos consumidores. A explicação é que
o odor sempre foi um dos fatores predominantes para decisão
de compra. Muitas vezes, nos pontos-de-venda, as pessoas abrem
o frasco para sentir se aquele perfume lhe agrada, ou se transmite
eficiência. “Outro fator considerado pelos consumidores é a
rapidez de ação, sem que se notem outros efeitos,
como, por exemplo, manchar o tecido”, diz a diretora.
Apesar da grande oferta de itens, o mercado de produtos de limpeza
no Brasil ainda tem muito a crescer. O País apresenta um
dos menores índices de consumo per capita para a maioria
dos produtos desta categoria. O consumo de detergentes em pó,
por exemplo, é da ordem de 3,5 kg/ per capita, enquanto
que em países como o México este consumo chega
a 8,0 kg/ per capita. Em 2003, a categoria apresentou queda de
1,5% em volume, segundo dados da ACNielsen. Neste ano, o setor
já apresentou
sinais de recuperação. “No entanto, é preciso
saber se este crescimento é sustentável, de forma
a garantir uma recuperação frente aos dados do
ano passado”, afirma Saldanha. Para 2005, as perspectivas
são
melhores. “Mantendo-se o crescimento da economia neste
ano, 2005 promete ser um ano bom para o nosso segmento. A perspectiva é que
o setor cresça, no mínimo, acompanhando o PIB brasileiro”,
diz ela.
Renovação
de ativos – “Podemos dizer
que esta mudança ocorreu já faz algum tempo, há pelo
menos 15 anos”, diz Erick Scoralick, gerente comercial de
Consumer Industrial Specialties da Rohm & Haas. Segundo ele,
há alguns anos era comum utilizar produtos com solventes
orgânicos na limpeza doméstica como desengordurante
ou creolina para limpar o chão. Porém, aos poucos,
estes produtos – e ativos – foram sendo substituídos. “Os
solventes têm cheiro forte e são inflamáveis,
portanto perigosos de se manusear, e a creolina, além do
cheiro forte, não é um limpador dos melhores”,
afirma ele. Os produtos à base de pinho também eram
muito utilizados, pois davam a impressão de limpeza e desinfecção.
Aos poucos a dona-de-casa foi descobrindo que cheiro forte e desgaste
físico não são sinônimos de casa limpa.
E o mercado também. “Dois fatores foram importantes
para esta mudança: a consumidora tinha a necessidade de
adquirir produtos mais práticos e funcionais, com um odor
mais agradável, e o mercado também foi, gradativamente,
introduzindo novas opções de limpeza”, afirma
Scoralick. “Hoje, os principais ativos utilizados são
polímeros (principalmente os acrílicos), sais quaternários
de amônia e solventes não-inflamáveis, que
comprovadamente proporcionam limpeza e, principalmente, trazem
mais facilidade e praticidade”. A cera auto-brilho é um
exemplo. Basta passar no chão e o piso já fica brilhante,
sem precisar da antiga e trabalhosa enceradeira.
Para o gerente, o conceito de limpeza para o consumidor moderno
varia de acordo com o ambiente. Se for um banheiro, o que conta é o
perfume, que dá a sensação de limpeza e higiene.
Para o piso da sala, o importante é o brilho; na cozinha,
a junção de perfume e brilho é o indicador
de limpeza mais comum.
Mas o mercado, assim como a sociedade, está em constante
modificação. Tudo começou com o surgimento
dos produtos multifuncionais, que servem para fazer diversos tipos
de limpeza. “Um exemplo é a água sanitária,
um produto básico e barato que pode ser utilizado para desinfeccção
ou clareamento em roupas”, diz o gerente. Depois vieram
as especializações, com o aparecimento de limpa-vidro,
limpa-pia, limpa-inox e diversos outros itens. Ou seja, um produto
específico para cada canto da casa. E isto pode trazer mudanças.
Na sua opinião, as pessoas de uma classe social mais alta
acabam comprando os diversos produtos existentes, um para cada
finalidade. O grande problema é que, a população
de renda mais baixa pode não ter condições
de fazer o mesmo. “Daí poderá surgir um movimento
contrário, de cada vez mais encontrarmos produtos multifuncionais
nas prateleiras”, afirma Erick Scoralick.
Papel das fragrâncias – Responsáveis pelo desenvolvimento
dos perfumes inovadores em produtos de limpeza, as empresas de
fragrâncias também viram de perto a mudança
de conceito de limpeza doméstica para o consumidor moderno.
De acordo com Úrsula Sakamoto, gerente de marketing da Givaudan,
quando se fala em ativo que sinaliza limpeza, pensa-se em laranja,
que tem efeito desengordurante; o cloro, que elimina os germens,
combate o cólera e promove brancura; o pinho, que combate
os germens do banheiro; o bicarbonato, usado para promover brancura,
dar brilho e eliminar o mau cheiro; e o peróxido de hidrogênio,
que promove uma maior brancura e brilho sem deixar um cheiro forte
como é o caso do cloro.
Se atualmente os ativos mais inovadores são o bicarbonato
e o peróxido de hidrogênio, que dão brancura
e brilho e não deixam um forte odor no ambiente, há dez
anos a situação era diferente. As matérias-primas
mais utilizadas eram cloro, pinho, limão e lavanda. Antes
de 2000, as consumidoras brasileiras possuíam basicamente
os desinfetantes e os multi-usos. Depois disso, as companhias começaram
a trazer para cá os limpadores perfumados com fragrâncias
diferenciadas, com nomes de variantes mais criativos. Não
apenas “Floral, Lavanda, Limão” mas sim “Campo
de Flores, Jardim de Primavera, Marine”. A inovação
também surgiu nas cores, que agora variam do pastel às
mais vibrantes e as formulações estão mais
leves para promover a perfumação na casa.
Sakamoto afirma que o ‘boom’ do tema laranja ocorreu
nos Estados Unidos em 2001, mas só chegou no Brasil e na
América Latina no ano passado. Outro tema foi ‘bebê’,
que chegou com o produto da Clorox, não mais presente no
Brasil, e devido à boa aceitação pelos consumidores
criou uma tendência que se estendeu inclusive para a linha
de desodorizadores. “O tema ‘marine’ foi revitalizado
por variantes Artic e Ocean e o ‘algodão’ traz
o prazer do cheiro da roupa limpa por toda a casa, além, é claro,
da perfumação dos novos florais”, diz.
Sofisticação – A fragrância é extremamente
importante para a categoria de limpadores, porém, para conquistar
a preferência do consumidor, o produto precisa ter outros
atrativos como ingrediente, formulação, cor e até mesmo
o nome da variante. “A consumidora não leva nenhum
produto de limpeza sem antes abrir a tampa e cheirá-lo na
gôndola do supermercado”, afirma a gerente. Segundo
ela, a propaganda influencia bastante, mas o supermercado representa
quase 80% da decisão de compra da consumidora. “Cada
vez mais vemos a sofisticação destas notas olfativas
que atualmente se inspiram muito nas notas de perfumaria fina,
especialmente nos caminhos florais frutais”.
O perfume não é mais tão forte como antigamente,
mas é sempre procurado. Cada vez mais, busca-se fragrâncias
com duração maior, que permaneça após
a faxina. “O ‘cheirinho de casa limpa’ deve permanecer
por mais de quatro horas, sendo que algumas empresas chegam a pedir
testes de até seis horas de duração”,
diz. “Encontramos isso já explícito em algumas
embalagens, como as de limpador perfumado, em que se pode ler no
rótulo ‘perfume de longa duração’”.
Para a consumidora moderna, que tem diversas atividades e vive
correndo, o perfume, além de trazer um odor agradável,
também sinaliza limpeza. “Para elas o desodorizador
de ambiente é fundamental, pois mesmo com a casa por limpar
ela consegue dar uma ‘renovada no ar’, transmitindo
cuidado e mascarando a sujeira que ainda está lá”,
explica Sakamoto.
Aposta
em inovação – Perfume e brilho são
as armas para sinalizar a limpeza, na opinião de Sérgio
Guzzo, gerente de marketing da Assolan. Para ele, o mercado de
limpeza doméstica vem crescendo com um número cada
vez maior de fabricantes, mas ainda é muito concentrado
em produtos básicos. “Em outros países, os
panos umedecidos ou wipes, como são conhecidos, são
uma realidade no dia-a-dia da consumidora, assim como inúmeros
acessórios de limpeza que oferecem muita praticidade, produtos
descartáveis e mais específicos”, afirma. “No
Brasil, ainda usamos mais os produtos genéricos”.
A tendência de consumo, segundo Guzzo, aponta para o aumento
do consumo de produtos inovadores. “Nos últimos anos,
a consumidora começou a buscar produtos que, além
de facilitar o esforço na hora da limpeza, fossem também
agradáveis após o uso, fazendo com que ocorresse,
por exemplo, um crescimento dos limpadores perfumados”, diz.
Na sua opinião, as companhias estão olhando muito
mais as tendências mundiais e adaptando-as para o mercado
brasileiro. “A consumidora brasileira gosta de novidades
e está aberta a inovações, quem conseguir
ser mais ágil, com qualidade, conquistará estas novas
consumidoras”, aposta.
Guzzo quer colocar a teoria em prática com a ampliação
da atuação de Assolan no segmento de limpeza. “Em
2003, a marca obteve um crescimento expressivo dentro do mercado
de limpeza, mas o mais significativo foi o salto de percepção
que conquistamos junto aos consumidores brasileiros. Este ano,
nosso objetivo é trabalhar forte para entrarmos em outros
segmentos do mercado de limpeza. Fizemos diversos lançamentos,
como panos multiuso, panos umedecidos, esponjas sintéticas,
e mais recentemente a linha de saponáceos, que dá início
a entrada da Assolan no segmento de limpadores”, afirma o
executivo. Para 2005, a intenção é expandir
ainda mais a marca para novos mercados de produtos de limpeza.
Crença nos específicos – Para se adaptar à nova
consumidora, a Ingleza deposita suas fichas nos produtos segmentados.
Dois exemplos dessa estratégia são o Limpa Inox UAU!,
o primeiro feito especialmente para superfícies em inox,
e o UAU! Gel Limpeza Total, um produto específico para a
limpeza de gorduras de fornos, exaustores e fogões. “Ambos
foram desenvolvidos para facilitar o uso, agir rapidamente e poupar
o tempo do consumidor”, explica Denise Chaves Novaes, diretora
de marketing e vendas da Ingleza.
Segundo ela, o mercado vem crescendo desde 1995 e a grande novidade é o
aumento de penetração entre consumidores da classe
E e aumento do consumo por parte nas classes C e D. “Nos últimos
anos, o consumidor tornou-se então cada vez mais seletivo,
querendo produtos cada vez mais específicos e concentrados”,
diz. E é neste nicho que a Ingleza tem investido e colhido
frutos. A empresa deverá fechar 2004 com um crescimento
de 25% em relação ao ano passado.
Regionalidade – Muda a região, mas as características
de limpeza continuam praticamente as mesmas. No sul do País,
onde está localizada a empresa Fontana, por exemplo, a perfumação
continua contando pontos quando a assunto é ‘casa
limpa’. Na região, os produtos de limpeza mais consumidos
são sabão em barra, álcool, sabão em
pó, desinfetantes, cera, amaciante, detergente líquido
e água sanitária. “São os itens que
o consumidor elegeu como necessários para manter a casa
limpa, além de serem os mais antigos e de maior consumo
no setor”, explica Maurício Fontana, diretor comercial
da empresa.
Para ele, apesar do mercado disponibilizar uma imensa gama de itens,
nem sempre os consumidores têm acesso às novidades
e costumam avaliar bem a relação custo/benefício
na hora da compra. “O consumidor está buscando produtos
que facilitem seu dia-a-dia, independentemente da classe social,
porém, muitos não possuem renda suficiente para adquirir
o que os fabricantes disponibilizam no mercado e acabam consumindo
somente os produtos básicos, que estão a seu alcance”,
afirma Fontana. Na hora da compra, a relação custo/benefício é o
melhor termômetro e por isso, nem sempre há preferências
por marcas, já que a oferta é abundante e há a
possibilidade de experimentação.
Mulher
moderna – A maior participação da mulher
na sociedade foi fundamental para toda esta mudança. “Elas
já são cerca de 60% entre os funcionários
de fábrica e muitas delas ainda são chefes de família
e sustentam sozinhas seus filhos”, afirmou Dirce Amaral,
gerente de marketing da Reckitt Benckiser, em palestra ministrada
no HOUSEHOLD 2004. Por isso, limpar a casa tornou-se apenas mais
uma atividade para esta mulher moderna, que está sempre
correndo e, cada vez mais, exige produtos com novas formulações
para que a tarefa seja mais rápida e eficiente.
Hoje em dia todos querem praticidade e agilidade. “Em 20%
dos lares brasileiros há algum tipo de empregada doméstica,
que também tem o poder de compra e, muitas vezes, se recusa
a utilizar algum produto que exija um maior esforço físico”,
diz ela. “E os itens multifuncionais são os preferidos,
pois, ao mesmo tempo, limpam, dão brilho e perfumam o ambiente”,
conclui.
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