A logística é caracterizada pelo planejamento,
organização, controle e realização
de outras tarefas associadas à armazenagem, transporte
e distribuição de bens e serviços. A movimentação
dos produtos pode ser feita de diversas formas: rodoviária,
marítima, ferroviária e aeroviária. A escolha
depende do tipo de mercadoria a ser transportado, das características
da carga, da urgência da entrega e, principalmente, dos
custos. Normalmente, o meio mais utilizado é o rodoviário por
meio de caminhões ou vans, no caso de produtos leves.
Para Carlos Eduardo Severini, vice-presidente da Associação
Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), a logística
tem fundamental importância para o setor de consumo de massa. “Por
ela, atacadistas e distribuidores conseguem levar os produtos para
todos os pontos-de-venda do País, atingindo pequenos estabelecimentos
e locais que as pessoas nem imaginam”, afirma. Segundo ele,
um trabalho bem feito em logística consiste numa eficiente
armazenagem de mercadorias e numa entrega rápida associada
a um roteiro ágil. Tudo isso com baixo custo.
Nos últimos anos, com o crescimento e popularização
do pequeno varejo os conhecidos mercados de bairro a
operação logística teve que se atualizar e
hoje está totalmente informatizada. Os pedidos são
feitos por palm-top, internet ou celular e por isso é tudo
muito mais rápido. “Em função do crescimento
do pequeno varejo e da melhoria na logística, o setor atacadista
apresentou um crescimento de cerca de 11% em 2003”, diz Severini.
Aposta em CD Para agregar serviços aos seus produtos,
a Ipiranga Química investiu R$ 42 milhões em seu
maior centro de distribuição de produtos químicos
da América Latina. Inaugurado em junho, o CD está localizado
numa área de 104 mil m2 em Guarulhos/ SP. Desde a inauguração,
além de distribuir cerca de 400 produtos, o novo centro
de distribuição é usado como local de soluções
logísticas para toda a cadeia da indústria química
e petroquímica.
“Esse novo empreendimento marca nossa entrada no mercado
de operação logística por meio da Ipiranga
Química Armazéns Gerais que, apesar de ser uma empresa
tão nova, nasce com o know-how de distribuição
desenvolvido por vários anos e torna-se um operador logístico
especializado em química e petroquímica, com ativos
estrategicamente localizados em todo Brasil”, afirma James
Francisco de Andrade Tavares, gerente de unidade de negócios Serviços
e Logística - da Ipiranga Química.
Segundo James Tavares, “no Centro de Soluções
de Guarulhos, podemos destacar a possibilidade de realização
de serviços integrados de logística num mesmo site,
otimizando-a e atendendo a todos os requisitos de segurança
e meio ambiente”. O executivo ressalta ainda que “a
companhia, como fornecedora de matérias primas para a indústria,
entende que o seu papel é oferecer um diferencial competitivo
para o seu cliente em termos de preço, prazo e inovação,
também há o apoio no desenvolvimento de soluções
customizadas, apoio técnico na aplicação e
desenvolvimento constante de novos produtos e soluções
logísticas”.
Hoje, o CD já está capacitado a oferecer serviços
de estocagem e armazenagem de produtos. Futuramente, deverá agregar
também a função de entreposto aduaneiro. O
gerenciamento do centro de distribuição envolve sistemas,
ferramentas e técnicas para controle de pedidos, estoques
e transportes, entre outros.
Barreiras Porém, mesmo com os investimentos realizados
pela Ipiranga, James Francisco de Andrade cita alguns obstáculos
ainda enfrentados pelas companhias brasileiras como a infra-estrutura o
mau estado de portos, ferrovias e estradas que gera perda
de competitividade e aumento de custos. Segundo ele, a logística
melhorou nos últimos tempos, mas ainda há um longo
caminho a se percorrer.
“A globalização gerou uma profunda transformação
no mercado, tornando os clientes mais exigentes e menos fiéis,
obrigando as empresas a investirem pesadamente em novas ferramentas,
inovação e melhoria no serviço”, afirma. “Esse
período está longe de chegar ao fim, pois logística
competitiva, veloz e flexível virou questão de sobrevivência”.
Com intenção de dobrar de tamanho até 2006,
a Ipiranga Química faturou R$ 473 milhões em 2003,
devendo chegar a R$ 540 milhões em 2004 e superar os R$ 600
milhões em 2005.
Investimentos
em tecnologia Do lado dos fabricantes, os
investimentos em logística também se fazem necessários.
Com o objetivo de prestar melhor serviço ao cliente e aumentar
a produtividade em 12% na distribuição dos produtos
da divisão HPC (Home e Personal Care), a Unilever, em parceria
com a Seal e Exel Logistics, lançou em maio deste ano um
projeto-piloto para implementação de etiquetas inteligentes
na linha de produção de Indaiatuba/ SP e nos centros
de distribuição de Indaiatuba e Louveira/ SP.
Serão etiquetados cerca de 1,5 mil paletes e instalados
leitores de radiofreqüência em seis empilhadeiras. Com
o novo processo, a Unilever Brasil acredita que ganhará tempo
no controle das mercadorias, garantindo otimização
de mão-de-obra, precisão de informações
e velocidade na expedição. Nessa fase de testes,
somente os paletes serão etiquetados. Depois será a
vez das caixas dos produtos e, posteriormente, os próprios
produtos. Estima-se que o custo da tecnologia deva cair no médio
prazo com a adoção em massa pelo varejo e pela indústria.
“A expectativa da Unilever ao introduzir a tecnologia no Brasil é ter
no futuro visibilidade total da mercadoria desde a fábrica
até o ponto-de-venda, o que permitirá maior eficiência
e rastreabilidade da cadeia de distribuição até o
consumidor final, além de redução de custos
para todos os elos”, afirma Leonardo Rubinato Fernandes, gerente
de Projetos de Distribuição e Customer Service da Unilever.
Quando paletes, caixas e produtos receberem as etiquetas inteligentes,
será possível controlar o estoque de produtos nas
gôndolas dos supermercados e identificar quais locais precisam
ser reabastecidos e com quais produtos. “A Unilever já fez
testes similares da tecnologia nos EUA e Inglaterra e a eficiência
do sistema foi comprovada”, diz o executivo.
A Unilever Brasil, que está no País desde 1929 e
possui 15 unidades fabris, encerrou 2002 com um faturamento de
R$ 7,3 bilhões. Nesse mesmo ano, seu faturamento mundial
foi de US$ 56 bilhões.
Gerenciamento
por categoria Mas logística não é só transporte
e estocagem. O gerenciamento por categoria também faz parte
da logística. De acordo com a associação ECR
Brasil, trata-se de um processo de parceria entre varejista e fornecedor
que consiste em definir categorias de produtos conforme a necessidade
de consumo e gerenciá-las como se fossem unidades estratégicas
de negócios. O objetivo é aumentar as vendas e a
lucratividade por meio de esforços conjuntos. O processo
traz benefícios para o varejo e para os fornecedores como
reduções de custo e melhores resultados comerciais,
focalizando as práticas de merchandising e marketing mais
eficientes, sempre orientadas para o consumidor.
“Minhas vendas no segmento de limpeza doméstica aumentaram
em torno de 20% depois que apliquei o gerenciamento por categoria
no meu negócio”, afirma Geraldo Aniceto, coordenador
pelo varejo do Comitê Gerenciamento por Categoria da Associação
ECR Brasil e proprietário do supermercado São Sebastião,
em Barra Mansa/ RJ. “Antes da implementação em
meu supermercado, todos os produtos eram dispostos juntos nas prateleiras,
não havia uma separação entre eles, mas como
queria facilitar a compra pelos meus clientes, decidi fazer o gerenciamento”,
explica.
Segundo Aniceto, para implantar o gerenciamento por categoria é fundamental
conhecer os hábitos e as necessidades de consumo dos clientes.
A partir daí, com a ajuda de um ou mais fornecedores, o
processo é instalado no estabelecimento por ordem de categoria
(limpeza doméstica, alimentação, etc). “O
processo existe desde 1998, mas só agora o pequeno e o médio
varejo estão constatando as vantagens e aplicando em seus
estabelecimentos”, afirma.
Com o crescimento constante do pequeno varejo e o aumento do número
de marcas no mercado que faz com que os consumidores tenham
cada vez mais alternativas de compras há a necessidade
de investimentos constantes em logística, em toda cadeia
de distribuição, desde o fornecimento das matérias-primas
até o gerenciamento por atacadistas e varejistas.
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