Personagens
de desenho animado, cheiro, sabor, cores e embalagens divertidas
são os apelos da indústria de cosméticos
infantis, que tenta conquistar a preferência de um público
estimado em 49 milhões no Brasil (Fonte: IBGE). As crianças
têm hoje um papel muito mais significativo na escolha dos
produtos. De acordo com a ACNielsen, cerca de 40% das compras em
supermercados são influenciadas pelos filhos. Uma pesquisa
realizada recentemente pela InterScience mostra que 63% das crianças
que acompanham seus pais metem o bedelho na hora de optar pela
marcas preferidas, sendo que metade dos que têm entre 7 e
13 anos influenciam fortemente essa decisão.
A participação dos baixinhos tem contribuído
para o crescimento dos negócios. De acordo com estudo da
ACNielsen que inclui 47 categorias de produtos em cinco
setores (higiene e beleza, mercearia doce, mercearia salgada, perecíveis
e bebidas) em 2003, o mercado infantil movimentou cerca
de R$ 7 bilhões nos pontos-de-venda, com variação
de 17,4% em relação ao ano anterior. A cesta de higiene
e beleza, segundo a empresa, é responsável por 21%
do faturamento desse mercado. Nessa cesta, os produtos infantis
representam 22% do total comercializado.
Segundo a Abihpec, no setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos
(englobando sabonetes, talco, creme e escova dental, xampu, condicionador,
cremes e loções, protetor solar e colônias),
o mercado infantil registrou crescimento acumulado, em valor, de
65,3%, de 1998 a 2003. Só no ano passado, o setor movimentou
R$ 327,8 milhões, com variação de 9,7%, em
relação a 2002. Entretanto, em volume, houve queda
de 13,2%, chegando a 38 mil toneladas. Para 2004, a Abihpec estima
que o faturamento cresça 15,2%, chegando a R$ 377,6 milhões,
e alcançe R$ 449,8 milhões em 2005.
Panorama
do setor Em 2003, a economia brasileira enfrentou
um período difícil e o consumo foi moderado. Como
resultado dessa situação, muitas pessoas cortaram
itens mais sofisticados de suas compras, como xampus ou condicionadores
para crianças, por exemplo. Por causa da crise, muita gente
optou por utilizar o mesmo produto para toda a família,
o que trouxe resultados negativos para o setor de cosméticos
infantis.
De acordo com a Abihpec, todas as categorias tiveram uma ligeira
queda em volume, com exceção de condicionadores,
que registraram aumento de 33%. Essa categoria teve crescimento
acumulado de 250% de 1998 a 2003 fato que se deve à baixa
penetração desse tipo de produto no final da década
de 90 mas, hoje ainda ocupa a quarta colocação
em faturamento.
A pole position em valor fica com as colônias, com participação
de 21,4%. A categoria de sabonetes ocupa o segundo lugar, com 21,1%,
e xampus, o terceiro, com 20,5%. As escovas dentais, que têm
alta representatividade em volume, aparecem na sétima posição
com participação de 4,7% (veja tabela na página
26). Até 2002, o segmento mais representativo em faturamento
era o de xampus, com um faturamento de R$ 65,6 milhões.
Essa categoria gerou R$ 67,3 milhões no ano passado e foi
ultrapassada pelas colônias, com R$ 70,3 milhões,
e pelos sabonetes, com R$ 69,4 milhões.
Projeções e tendências Três categorias
merecem destaque no mercado de higiene e beleza infantil. Condicionador,
Cremes e Loções, e Colônias tiveram os maiores índices
de crescimento acumulado de 1998 a 2003 238,8%, 143,5% e
93,7%, respectivamente em função do tamanho
pequeno desses mercados nos anos 90, porém, mesmo com o
aumento no número de produtos e consumidores, essas categorias
continuam com boas perspectivas para o futuro. A Abihpec projeta
crescimento de 10,2%, 12,2% e 19% para essas categorias em 2004,
e de 12,1%, 18% e 21% em 2005.
Outro segmento interessante é o de proteção
solar. Em 2001, os produtos desenvolvidos para crianças
representavam apenas 1,38% do total de protetores solares comercializados
no Brasil. No ano passado, essa participação subiu
para 7,84%. A estimativa da Abihpec é constatar no segmento
infantil de proteção solar crescimento de 29,9% em
2004 e de 25% em 2005.
| Crianças
decidem mais Segundo
a ACNielsen, o percentual de crianças
na população brasileira tem diminuído,
mas o fato delas estarem mais bem informadas contribui
para que opinem sobre os produtos consumidos pela
família. A empresa lembra que as mulheres,
atualmente, participam mais da força de trabalho,
diminuem o número médio de filhos (nos
anos 50 tinham em média 6,2 filhos, valor
que caiu para 2,3 em 2000) e continuam realizando
as compras de supermercado. À medida que a
taxa de natalidade cai, a importância dos filhos
aumenta. Isso, junto ao incremento no poder aquisitivo
da mulher, propicia maior poder de decisão
para as crianças. |
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Diferenciais
dos infantis Os produtos para crianças
possuem fórmulas que contêm ingredientes escolhidos
sob medida. No segmento infantil, as empresas se preocupam especialmente
com matérias-primas que não agridem a saúde.
De acordo com André Mendes, gerente de grupo de Johnson´s
baby, as fórmulas dos produtos para crianças e adolescentes
geralmente são mais suaves. A linha de toiletries Johnson´s
baby, por exemplo, possui a fórmula Chega de Lágrimas,
que não irrita os olhos dos pequenos consumidores. Para
os adolescentes, a J&J preparou a linha Clean&Clear, com
produtos voltados a problemas comuns que chegam nesta fase da vida,
como cravos e espinhas. “Nestes produtos, também cuidamos
para usar ingredientes que não agridem a pele”, diz
Mendes.
Segundo Lívio Caribé da Rocha, coordenador químico
de Personal Care da Clariant, a preocupação com ativos
especiais é maior na categoria baby. “Os fabricantes
quando elaboram novos produtos contam com apoio das fornecedoras
de matérias-primas, que já possuem know-how referente
a ingredientes suaves, que não agridem a pele”, diz
Rocha. Surfactantes suaves e tensoativos brandos, aloe vera, amêndoas
e óleo de jojoba são exemplos de ingredientes usados
em produtos infantis. Os principais objetivos, segundo especialistas,
são proteger a pele contra irratações e promover
sua recuperação em caso de agressões, como
as provocadas pelo sol.
Atração
fatal Algumas empresas têm
procurado utilizar o apelo de produtos naturais para conquistar
a preferência no segmento infantil. Isso faz com que os pais
tenham mais opções e possam escolher entre produtos
tradicionais, como os da J&J, e novos itens que exploram o
conceito de bem-estar. Seja pela tradição ou pela
inovação, o que pode contribuir para o sucesso de
um produto, segundo profissionais do setor, é sua capacidade
de atrair a atenção das crianças ou de seus
pais.
Um exemplo de atração pelas características
naturais de proteção e tratamento é a linha
de banho Natuflora, da Naturalle. Os produtos são elaborados
com óleos essenciais de lavanda e camomila e extrato de
aloe, que, segundo a empresa, são ideais para a pele delicada
de crianças, bebês e, também, adultos. De acordo
com a Naturelle, a aplicação da espuma na hora do
banho limpa e produz efeito aromaterapêutico de higiene e
paz. A espuma, formulada com glicerina, hidrata a pele e evita
o ressecamento.
Cheirinho
bom Na
Baruel, o segmento infantil é fundamental
para os negócios, representando 58% dos produtos de higiene
comercializados pela empresa. A representatividade dos infantis
no segmento de higiene e beleza em 2003, segundo dados da Abihpec,
foi de 5,26%. “Acompanhamos continuamente esse mercado, que
consideramos estratégico”, afirma Vanessa Mrozowski,
gerente de marketing da empresa. Um dos pontos principais que a
Baruel leva em consideração no desenvolvimento de
produtos infantis é o perfume. “Desenvolvemos formulações
especialmente para os bebês e crianças, com fragrâncias
suaves”.
A Baruel também investe em inovações para
se diferenciar. “Exemplo disso é o lançamento
do Tenys Pé Tutti Frutti e Hortelã, com fragrâncias
inéditas neste mercado”, acrescenta a executiva.
A empresa lançou, recentemente, a linha de cosméticos
Baby Snoopy, criada especialmente para bebês. Os produtos
possuem fragrância suave e embalagens com cores lilás
e amarelo claro, que mostram o personagem Snoopy bebê, em
situações que remetem ao sentimento de carinho. A
marca oferece mais quatro linhas de produtos infantis: Baruel Baby,
Snoopy, Turma da Xuxinha e Baruel Kids, que são destinados
a crianças com até 10 anos.
Perfume
e cor Segundo Úrsula Sakamoto, gerente de
marketing da Givaudan, os produtos infantis seguem tendências
da perfumaria fina, como Tartine et Chocolat, Ombre Rose, Pleasures
e Ck One. “Isso significa que o brasileiro está tendo
um gosto mais exigente e sofisticado”, diz. De acordo com
a gerente, as notas olfativas mais usadas em baby são cítrica
e floral powdery. Além delas, lavanda e floral verde também
são exploradas. As notas de lavanda expressam uma peculiaridade
brasileira. “São muito usadas, especialmente nas regiões
Norte e Nordeste, devido a questões culturais e religiosas”,
conta Sakamoto. Para kids, empregam-se notas da família
frutal. “Elas remetem a temas comestíveis bem aceitos
pela garotada, como tutti-frutti, frutas vermelhas e amarelas,
iogurte e refrigerantes”.
Na opinião de Sakamoto, outro fator importante na elaboração
de cosméticos infantis é a cor. Segundo ela, os produtos
para bebês trazem tons pastéis, com objetivo de enfatizar
carinho, cuidado e proteção. Na categoria kids, as
cores são geralmente mais alegres. “Como as notas
são mais potentes, as cores devem ser energizantes para
chamar atenção nas gôndolas”, explica
a gerente. De acordo com ela, não há grandes novidades
em fragrância para o setor infantil, porém o destaque
fica com a família musk. “Combinada com outras notas
que citei, ela traz uma sensação de conforto, quase
uma segunda pele”.
Ferramentas
de competitividade
O segmento infantil está na
mira das empresas de cosméticos e promete criar um ambiente
competitivo saudável para os próximos anos. Produtos
inovadores, embalagens, perfumes e licenciamento de personagens
para incrementar os rótulos e o trabalho de marketing são
exemplos de armas que podem ser utilizadas nessa batalha mercadológica.
A linha Baby Boti, do Boticário, por exemplo, utiliza o
apelo de proteção à natureza. Os produtos
trazem o personagem Boti, um simpático boto da Amazônia. “Sua
missão é ensinar as crianças a amarem e respeitarem
a natureza”, afirma Isabella Cavalcanti Wanderley, gerente
da categoria infantil da empresa.
Os animais amigos do Boti aparecem entrelaçados, sugerindo
a unidade de ecossistema e a necessidade de sua preservação.
As embalagens são coloridas e lúdicas, e têm
o desafio de proporcionar a sensação de movimento.
Para isso foram utilizadas cores fortes e ilustrações. “A
linha Baby Boti contém itens de perfumação,
higiene e limpeza que estimulam o desenvolvimento do bebê por
meio de cores, formas e toques”, diz Wanderley. Segundo a
gerente, as fragrâncias são sempre compostas por lavandas,
presentes na composição de produtos infantis em geral.
O Boticário possui duas linhas infantis, que representam
cerca de 4% do seu faturamento: Baby Boti e Boti.
Garantia
de investimentos O mercado infantil está em
ebulição. As empresas apostam no crescimento dessas
categorias e investem para aumentar sua participação. “Há diversos
produtos novatos chegando ao mercado, marcas próprias e
marcas consagradas”, afirma Isabella Wanderley. Segundo
ela, o Boticário continuará investindo no segmento
infantil nos próximos dois anos, trazendo novidades em produtos
e promoções.
Utilizar estações do ano também é uma
estratégia que as empresas têm usado para conquistar
mais consumidores mirins. A J&J apresenta a linha Verão
Johnson’s baby em edição limitada com uma novidade
que promete cuidar do cabelo das crianças: extrato de semente
de girassol, ingrediente que protege pele e cabelos contra os raios
UV (com polifenóis, ricos em proteínas e minerais).
A linha de verão vem com xampu, spray desembaraçante,
loção hidratante, bloqueador solar, lavanda e loção
anti-mosquito.
Teen
começa mais cedo? Segundo
a Farmaervas, a vaidade sempre foi e será uma marcante
característica feminina,
porém a preocupação em iniciar os cuidados
como o corpo e bem-estar tem surgido cada vez mais cedo nas pessoas.
Para atender essa tendência e conquistar um público
considerado “extremamente” exigente e antenado com
tudo que o mercado oferece, a empresa desenvolveu a marca Barbie,
composta por produtos cosméticos naturais.
A linha é voltada para meninas a partir de 3 anos. “O
padrão de qualidade da Farmaervas e a alta credibilidade
do consumidor, fundamental para a venda de produtos infantis, foi
determinante para escolhermos a empresa”, conta Érica
Giacomelli, gerente de licenciamento da Mattel (licenciadora da
marca Barbie) no Brasil. A linha Barbie da Farmaervas inclui batons,
brilhos labiais em forma de borboleta e roll-on, sabonete cremoso,
colônia, loção hidratante, xampu de papaia
e morango, condicionador de pêssego e desembaraçante
sem enxágüe com cheiro de fruta, gloss e mini gel hidratante
com glitter. A idéia é ajudar as meninas a exibir
seu brilho de acorco com “o estilo Barbie de ser”.
Licenciados
crescem Fabricantes
que trabalham com produtos licenciados têm colhido resultados
expressivos. A Age do Brasil, por exemplo, afirma ter investido
cerca de R$ 3 milhões nos últimos dois anos para
produzir, atualmente,1,8 milhão de toneladas de produtos
de higiene líquidos e pastosos. A empresa tem planos para
dobrar sua capacidade. A fábrica,
que fica em Santa Catarina, terceiriza a produção
para a Hidrogen, dona das marcas Disney Baby e Disney Kids, e
para a Nueva, proprietária
de Baby Looney Tunes e Johnny Bravo. A estimativa da Age é que
suas exportações subam em 2005, saindo dos 10% de
representatividade no faturamento para 30%.
Na Baruel, as vendas da linha Xuxinha cresceram 25% de janeiro
a agosto, ante 12% de sua marca própria. Além dessa
marca, a Baruel trabalha com mais duas linhas licenciadas: Snoopy
e Baby Snoopy. Segundo a gerente de marketing Vanessa Mrozowski,
o faturamento de todas as marcas dobrou este ano, em relação
a 2003. “O crescimento dos produtos licenciados é mais
rápido porque têm mais facilidade de serem colocados
nos pontos-de-venda”, afirma.
Apostar nos amiguinhos da criançada pode ser uma boa idéia
para impulsionar as vendas no segmento infantil. De acordo com
recente estudo da InterSience, 50% das crianças levam os
personagens famosos em consideração na hora de escolher
um produto. Esse fator de influência no consumo está na
frente de embalagens, marcas conhecidas e brindes; só perde
para a TV. Com ou sem estímulo mercadológico, o fato é que
as crianças prometem continuar aquecendo o mercado cosmético.
Internautas
otimistas
Segundo
pesquisa realizada no site da revista H&C,
87% dos visitantes que responderam à enquete
acreditam que ainda há oportunidades de
desenvolvimento no mercado infantil para produtos
cosméticos. Fique por dentro de nossas próximas
pesquisa, acesse o site www.freedom.inf.br |
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