FCE Cosmetique
 
 , 8 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Ano V - nº 27 - Set/Out - 2004 


Especial Household

Fabricantes de matérias-primas e de
produtos de cuidados com a roupa investem no desenvolvimento de ativos e produtos inovadores para atender à demanda dos consumidores mais
exigentes que, além de limpar, querem preservar as
fibras dos tecidos.De acordo com dados da Euromonitor, de 2002, esse mercado é o maior do segmento brasileiro de limpeza, representando 52,2% do faturamento total do setor. A categoria movimentou US$ 1,56 bilhão em 2002. O consumo per capita, cerca de US$ 9, é considerado baixo se comparado com México (US$ 15) e Chile (US$ 12).

Apesar da queda no poder aquisitivo da população, os produtos de cuidados com a roupa tiveram melhor desempenho no ano passado, se comparado a 2002, principalmente no que diz respeito às marcas próprias ou “segunda marca” que, com um preço acessível, conquistou muitos consumidores.
Segundo dados da ACNielsen, a categoria da sabão e detergente para roupa apresentou um aumento de 2,2% em volume e 20% em valor em 2003 em relação ao ano de 2002. O segmento de amaciantes de roupa teve crescimento modesto de apenas 0,6% em volume e 18,7% em valor em 2003. A categoria de engomador de roupa caiu 1,8% em volume e cresceu 5,6% em valor.

Inovações – Para conquistar o consumidor neste segmento, fabricantes apostam em inovações e travam uma disputa nas gôndolas por preço baixo. Exemplo dessas novidades é a variante Aloe Vera de Omo MultiAção, da Unilever, que promete remover as manchas mais difíceis e deixar as roupas mais gostosas de usar e sentir. De janeiro a maio deste ano, o share de Omo subiu de 40,8% para 43,8%. Outro lançamento da empresa comprova essa teoria. O novo detergente em pó Minerva traz uma fórmula que pode deixar as roupas 65% menos amassadas e mais fáceis de passar, preservando a aparência e o toque suave dos tecidos. Segundo a fabricante, no mercado de detergentes em pó, Minerva possui 9% de share em valor.
A Reckitt Benckiser contra-ataca com Vanish Poder O2, alvejante produzido com percabonato de sódio no lugar do cloro, desenvolvido para remover as manchas mais difíceis, causadas por alimentos, sem danificar os tecidos. “Nossa intenção não é que esse produto substitua a versão líquida de Vanish (fabricado com peróxido de hidrogênio no lugar de cloro), mas que possibilite mais opção aos consumidores”, afirma Ana Cláudia Bandle, gerente de produto da Reckitt Benckiser. “A Reckitt detém mais de 40% de share em alvejantes sem cloro. Nossa expectativa é de crescer muito, pois o próprio mercado dever aumentar neste ano”, acrecenta Bandle. A gerente ressalta que o diferencial do produto é que ele pode ser usado em roupas brancas e coloridas.

Adeus bolinhas – A formação de "bolinhas" nos tecidos é uma das preocupações dos consumidores. A Novozymes, fabricante de enzimas, apresenta a solução. Segundo Adauto de Almeida Jr, gerente de vendas da empresa, as enzimas da categoria celulase, presentes nos mais recentes produtos de cuidados com as roupas, são as responsáveis pela remoção e prevenção de microfibrilas, as famosas “bolinhas”, causadas pelo desgaste do tecido provocado pelo atrito das roupas durante o processo de lavagem. “Elas atuam no cuidado dos tecidos, ajudando a abrir as fibras e fazendo com que o detergente atue melhor”, diz.
As enzimas são divididas em categorias de acordo com sua finalidade. As da família da protease atuam sobre as manchas; da amilase, sobre o amido; da lipase, sobre os lipídios; e da celulase, sobre a celulose. Essas matérias-primas podem ser utilizadas em detergentes líquidos, pó e tabletes para lavar roupa. “Desde o lançamento da primeira celulase para detergentes, em 1983, outras enzimas da mesma categoria foram desenvolvidas para atender as várias condições de lavagem de roupas, como as diferentes formulações de detergentes ou temperatura no processo de lavagem, porém, o efeito da celulase continua sendo o mesmo: o cuidado dos tecidos pela remoção de microfibrilas”, afirma o executivo.

Regionalidade – De acordo com Adauto Almeida Júnior, os detergentes para lavar roupa são desenvolvidos de acordo com hábitos e condições de lavagem específicos de cada região, por isso os produtos vendidos no Brasil são bem diferentes daqueles encontrados em outros locais. “Em vários países da Europa o processo de lavagem é feito com água quente, já no Brasil é mais utilizada a água na temperatura ambiente”, exemplifica. “Nos Estados Unidos, a dona-de-casa prefere detergente líquido, porém no Brasil a preferência é pela versão em pó”.
O executivo afirma que, ao contrário do que se verifica em outros países, muitos detergentes, geralmente os produtos de baixo preço, ainda não possuem enzimas em sua formulação. Em mercados mais desenvolvidos, as formulações de detergente contemplam pelo menos a protease, uma enzima que tem ação básica no processo de tirar manchas. “Nossa expectativa é fazer com que cada vez mais fabricantes busquem diferenciais e agreguem nossas enzimas em suas formulações”, acrescenta o gerente da Novozymes

Proteção e maciez – Além das enzimas, as ceramidas também são largamente utilizadas no Brasil para preservar os tecidos. Esse componente de proteção natural pode potencializar os efeitos do amaciamento. Um exemplo de produto que traz esse ingrediente em sua formulação é o amaciante de roupas Fleur de Ypê, produzido pela Química Amparo.
De acordo com o departamento de marketing da empresa, o processo de lavagem de roupas, por si só, causa um desgaste natural nas fibras e, com isso, os produtos que possuem matérias-primas para proteção dos tecidos vêm ganhando participação de mercado. Segundo pesquisas realizadas pela Química Amparo, o consumidor atual não quer somente deixar suas roupas limpas, mas também muito bem cuidadas.

Ecologicamente correto – Em tempos de preocupação com o meio ambiente, algumas empresas investem em pesquisa e desenvolvimento de produtos que não agridem a natureza. Com óleo de coco em sua formulação, um ativo classificado como láurico, o sabão em pó Urca garante total biodegradabilidade, com decomposição em apenas dez dias, conforme explica a gerente de marketing da Rosatex, Patrícia Dantas. “O produto remove a sujeira das roupas ao mesmo tempo que protege as fibras dos tecidos, sem prejudicar o meio ambiente, trata-se de um novo conceito de lavar roupas”, afirma.
Segundo a executiva, esta matéria-prima já está disponível no mercado há algum tempo, porém foram necessários dois anos para desenvolver sua adaptação para a fabricação de sabão em pó. “Os produtos diet, quando surgiram há alguns anos, eram vistos como o ‘patinho feio’ na gôndola, mas hoje nos supermercados há seções inteiras destinadas a produtos diet e light, que trazem lucros interessantes e passam a ser essenciais ao supermercadista”, compara. “A Rosatex está investindo neste novo conceito de lavar roupas para conquistar, num futuro próximo, um número maior de consumidores fiéis”.

Segmentação caseira – De acordo com a Rosatex, o sabão de coco, com agentes naturais que protegem a fibra dos tecidos, é recomendado para roupas especiais – as mais finas, delicadas e as de bebês. “Nossas pesquisas mostraram que os consumidores separam estas peças para lavar com um sabão especial e utilizam para a lavagem das demais sabão ou detergente em pó comum”, diz Dantas. Segundo ela, isso acontece por causa da diferença significativa de preço entre os produtos. “Diante desta informação, encontramos uma grande oportunidade de negócios e lançamos o sabão em pó Urca à base de óleo de coco, com um preço extremamente competitivo”, acrescenta.
Ao comparar os mercados brasileiro e europeu, a executiva afirma que o mercado da Europa já passou por um processo de conscientização muito grande quanto ao desenvolvimento de produtos com matérias-primas que contribuem para o bem-estar da sociedade e meio ambiente. “Hoje, no mercado europeu, todo produto que tem conceito ecologicamente correto tem a preferência do consumidor, diferente do que ocorre no Brasil, onde a população ainda não tem esta conscientização”.

CRESCIMENTO 2003
  Volume (1.000 litros) 458.970  
  Variação % 2,2  
  Valor (R$ 1.000) 2.351.469  
  Variação % 20  
  Volume (1.000 litros) 299.651  
  Variação % 0,6  
  Valor (R$ 1.000) 520.935  
  Variação % 18,7  
  Volume (1.000 unids) 4.539  
  Variação % -1,8  
  Valor (R$ 1.000) 27  
  Variação % 5,6  
Fonte: ACNielsen


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