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De acordo
com a ACNielsen, em 2003, o segmento de detergente
em pó apresentou um crescimento de 2,2% em volume
e de 19,9% em valor, |
em
relação ao ano anterior, passando de
449 mil para 458,9 mil toneladas vendidas. Em faturamento,
no ano passado, o setor ultrapassou a casa dos R$ 2
bilhões. Em relação a 2001, o
ano de 2002 também já havia apresentado
crescimento de 5,2% em volume e de 22,3% em valor.
Este crescimento se deu, principalmente, devido ao aumento
da variedade de marcas disponíveis no mercado. Com
pouco dinheiro no bolso, os consumidores acabaram deixando
de lado as marcas líderes e migraram para as marcas
próprias, bem mais acessíveis e, na opinião
destes mesmos consumidores, com uma qualidade competitiva.
De acordo com a ACNielsen, as marcas próprias representam
hoje 5% do faturamento no varejo brasileiro. |
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Retorno
prometido – Um dos principais grupos supermercadistas
do Brasil, o Pão de Açúcar investiu cerca
de R$ 500 mil no desenvolvimento dos detergentes em pó Extra
e CompreBem e com isso já alcançou uma participação
de 10% nas vendas da categoria na rede. “Nos dedicamos fortemente
durante cerca de dois anos para desenvolver um produto capaz de
concorrer com as principais marcas do segmento”, afirma Rodolpho
Freitas, diretor de marcas próprias da empresa.
Conforme detectado pela ACNielsen, o principal fator de escolha
na compra dos produtos de marca própria é o preço
mais baixo. Os detergentes Extra e CompreBem custam cerca de 20%
menos que os das marcas líderes. “No segmento de marcas
próprias, nossa estratégia é oferecer produtos
com alta qualidade e preço menor que o do concorrente direto”,
diz o diretor.
Os detergentes em pó Extra e CompreBem Barateiro são
produzidos pela Quimivale e vendidos em 229 lojas, 71 do Extra
e 158 do CompreBem. O objetivo do Pão de Açúcar é fazer
com que as marcas próprias da empresa, de todos os segmentos,
representem 15% das vendas do grupo até 2005. Segundo o
grupo, nos Estados Unidos e na Inglaterra a participação
dessa área pode chegar a até 39% do movimento.
Terceirização – Responsável pela produção
dos detergentes em pó do Pão de Açúcar,
a Quimivale acredita na força deste mercado. “As oportunidades
são crescentes para quem tem tecnologia, preço e
trabalha de forma competente. Apesar de o mercado ter dado uma
saturada no último ano, é possível ver boas
oportunidades de negócio e acreditamos num crescimento vital
ainda para este ano”, afirma Gustavo Russo, coordenador de
marketing. Para ele, quem está entrando agora neste mercado
deve ter em mente que será necessário trabalhar muito
e investir constantemente, além de ter um profundo conhecimento
do mercado brasileiro.
Para a Quimivale, a terceirização é um grande
e importante mercado e atualmente representa 70% de toda a produção.
Entre os clientes estão redes como CBD, SONAE, Grupo Martins
e Carrefour. “O mercado de marcas próprias é muito
promissor, mas para atendê-lo é preciso estar disposto
a ser muito maleável e ter uma grande flexibilidade de produção”,
afirma o executivo. “Também é preciso investir
em qualidade compatível com as marcas líderes, pois
atualmente as marcas próprias estão começando
a ser vistas pelo consumidor como produtos de qualidade e não
só de baixo preço”, acrescenta.
Além de trabalhar com terceirização, a Quimivale
lançou, em abril do ano passado, a marca de detergente em
pó Essence que, segundo Russo, foi especialmente desenvolvida
para o mercado brasileiro, com todos os benefícios de um
detergente em pó, um design inovador da embalagem e uma
sofisticada fragrância.
Poder
de negociação – Outra empresa que investe
no mercado de terceirização é a Rosatex, fabricante
de sabão de coco em pó para as redes Extra, Sendas
e, em breve, para a marca do Wal Mart. Atualmente, este mercado
representa 3% da produção da empresa, que fabrica
também sua marca, Urca.
De acordo com Patrícia Dantas, gerente de marketing da Rosatex,
o mercado de marcas próprias de detergente e sabão
em pó vem crescendo velozmente e as gôndolas apresentam
opções de marcas de diferentes empresas sendo produzidas
por um único fabricante. “As grandes redes, por exemplo,
têm criado suas próprias marcas de detergentes, prometendo
dividir esta fatia de mercado tão disputada junto com as
marcas líderes”, afirma.
Segundo a gerente, a fabricação de produtos de marcas
próprias não traz grandes lucros para a maioria das
empresas mas, por outro lado, permite ganhar poder de negociação
junto a fornecedores quanto a volumes de compra, diminuição
de custos e mão-de-obra, possibilitando o crescimento da
indústria.
Pequena,
porém lembrada – Uma das marcas que disputa
espaço nas gôndolas de detergente em pó é a
Urca, da Rosatex. Fabricada desde 1988, a marca foi reconhecida
entre as cinco mais lembradas pelos supermercadistas na categoria
detergente/sabão em pó. A pesquisa, realizada pela
revista Supermercado Moderno, abrange 12 mil lojas de auto-serviço
que faturam mais de R$ 90 bilhões ao ano, e classifica os
cinco principais fornecedores de 171 categorias. Atualmente o sabão
em pó Urca representa 23% das vendas da Rosatex.
Segundo Patrícia Dantas, o sabão em pó URCA
tem como característica principal formulação à base
de óleo de coco, um produto natural. “Testes efetuados
comprovam que o produto é biodegradável, decompondo-se
na natureza em apenas dez dias”, afirma. Na sua opinião,
os outros lava-roupas são produzidos com bases sintéticas,
que agridem a natureza, produzindo espuma em abundância”.
“O sonho de todo consumidor de sabão em pó é ter
um produto que lhe atenda às suas exigências quanto à remoção
de poeira, vestígios de lama, gorduras, vegetais, proteínas
e suor”, afirma José Domingues, diretor da Rosatex. “E
o desejo de qualquer empresa é entender este sentimento a
tal ponto que possa oferecer à consumidora o produto e o apelo
ideais para resolver cada questão apontada”.
Liderança
absoluta – Em meio a tantas marcas presentes
nas gôndolas, uma ainda reina absoluta. Pioneira no segmento
de detergente em pó, Omo é líder de vendas
desde seu lançamento, em 1957. Com a entrada das marcas
próprias e a queda do poder aquisitivo dos consumidores
nos últimos dez anos, a marca perdeu participação,
mas ainda continua sendo a preferida dos consumidores brasileiros.
Omo recuperou sua participação de acordo com pesquisa
realizada recentemente pela LatinPanel.
A Unilever, fabricante da marca, detém a liderança
no segmento de detergente em pó e registrou, em 2003, 75%
de market share em valor. Além da marca Omo, que conta com
as variantes Omo Multiação, Omo Progress, Omo Cores
e Omo Multiação Aloe Vera, a empresa é fabricante
das marcas Brilhante, Minerva, Surf e Ala (regional – NE),
oferecendo assim produtos em diferentes faixas de preços
e atingindo todas as fatias do mercado.
De acordo com a gerência de comunicação corporativa
da Unilever, para atuar neste mercado é preciso entender
o consumidor e descobrir suas necessidades. Antes de qualquer inovação
nas marcas da Unilever, a empresa investe em pesquisas para identificar
as necessidades dos consumidores e, com os resultados apurados,
passa-se para as pesquisas e análises técnicas nos
centros de inovação.
Cenário
atual – Pesquisa da LatinPanel revela uma
recuperação nas vendas de produtos de marcas líderes
em 61 categorias nos setores de higiene pessoal, limpeza doméstica,
alimentos e bebidas. De março a maio deste ano, as marcas
líderes ampliaram seu faturamento em 13% das categorias
analisadas, em relação ao período de dezembro
de 2003 a fevereiro de 2004. Nos 12 meses acumulados (de junho
de 2003 a maio de 2004), os produtos líderes tinham aumentado
sua participação em 11% das categorias, se comparado
ao mesmo período anterior.
Segundo a LatinPanel, esse crescimeno aconteceu principalmente
na cesta de artigos de limpeza. Nesse setor, as marcas líderes
ganharam espaço no mercado, entre março e maio deste
ano, em 33% das categorias verificadas. A Unilever, que detém
a marca líder de detergente em pó, Omo, e outras
como Minerva, Brilhante e Campeiro/Surf, informa que esse incremento
realmente foi detectado. A empresa divulga que entre janeiro e
maio, o share de Omo subiu de 40,8% para 43,8%. No mesmo período,
as demais marcas se mantiveram em suas posições.
Se a tendência se confirmar, inovações podem
vir por aí.
| Evolução
do mercado de detergente em pó |
| |
2001 |
2002 |
2003 |
| Toneladas
(mil) |
426,55 |
449,00 |
458,90 |
| R$ (mi) |
1.522,35 |
1.959,27 |
2.351,47 |
|