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Experiência, sabedoria, serenidade. Os anos passam, as pessoas
amadurecem e adquirem conhecimento. Mas como nem tudo é perfeito,
junto com o amadurecimento também chegam as rugas que, normalmente,
se iniciam ao redor dos olhos, onde a pele é mais fina e
sensível. Temidas por praticamente todos, principalmente
pelas mulheres, as rugas podem surgir quando os 30 anos se aproximam
ou demorar mais para aparecer; depende do tipo de pele – a
pele seca é mais propensa a ter rugas e a oleosa é a
que mais demora para apresentar as marcas. Seja qual for o tipo
de pele, o fato é que, aos poucos, as linhas de expressão
vão surgindo para todo mundo, primeiro suaves, depois bem
mais marcadas.
Para tentar atenuar os sinais do tempo na pele ou, pelo menos,
adiar sua chegada, a indústria cosmética investe
constantemente em pesquisas e desenvolvimento de novos produtos.
Em maio, foi realizado em São Paulo, o 18º Congresso
Brasileiro de Cosmetologia, com a participação de
importantes profissionais do setor. Promovido pela Associação
Brasileira de Cosmetologia, o evento apresentou as mais recentes
descobertas no segmento de cosméticos, entre eles os novos
produtos, ou ativos, para tentar melhorar o aspecto da pele.

Tecnologias – Entre as tecnologias discutidas no congresso,
estão as microemulsões e nanoemulsões – micropartículas
responsáveis pelo aspecto leitoso, mais líquido de
um produto –, que contribuem para melhorar a veiculação
dos ativos que atuarão na pele para adiar o envelhecimento
precoce ou atenuar os sinais já existentes. “Estas
tecnologias potencializam o efeito dos ativos, fazendo com
que o produto tenha uma melhor eficácia ou traga resultados
em menos tempo, pois os consumidores buscam cada vez mais efeitos
imediatos, perceptíveis em curto prazo”, afirma Jadir
Nunes, farmacêutico bioquímico especializado
em cosmetologia, coordenador geral do congresso.
Os produtos anti-idade exalam sofisticação. As novidades
que começam a chegar ao Brasil são produtos que associam
ativos para efeitos imediatos com tecnologias que agem com maior
profundidade em longo prazo. Alguns exemplos de ativos que já estão
sendo utilizados em formulações são o DMAE,
vedete do início da década, Lipolight e Argilenina
(com efeito imediato, que promovem uma espécie de “lifting”)
e Matrixyl, Elastinol e Byodynes (cuja ação
se dá ao longo do tempo).
“Alguns ativos formam uma película, proporcionando uma
sensação de lifting podendo também atenuar a
aparência das linhas finas por reflexão de luz. Outros
vão atuar na ação da contração
das fibras, num efeito “botox”, e outros vão ainda
continuar a atuar em longo prazo, melhorando a respiração
e a renovação celular, evitando a quebra das fibras
de colágeno e elastina e a manutenção dos componentes
da matriz extra-celular e a hidratação da pele”,
explica Jadir Nunes. Segundo ele, os ativos novos, de efeito imediato,
chegaram para atender aos anseios das consumidoras que buscam por
resultados rápidos. Seria uma versão “em creme” do
botox.
Matérias-primas – Entre as novidades em matérias-primas
para produtos anti-age nos mercados americano e europeu, Carlos
Alberto Trevisan, presidente da Associação Brasileira
de Cosmetologia, engenheiro químico e consultor da Anvisa,
cita o galactomano e o palmitato de retinila, que atuam como regeneradores
celular. Mas ainda não estão disponíveis no
Brasil.
“Os consumidores estão procurando produtos com efeitos
imediatos, mas, de imediato mesmo só há o botox (que
não é um procedimento cosmético) e a cirurgia
plástica”, afirma. “Os cosméticos são
de aplicação tópica, por isso não têm
a mesma eficácia e exigem um uso contínuo para dar
algum resultado, mas são eficazes a que se propõem”,
completa.
Tendências – Enquanto estes ativos chegam ao mercado
brasileiro, Estados Unidos, Europa e Japão investem em novas
pesquisas para o desenvolvimento de produtos ainda mais elaborados.
De acordo com o coordenador do congresso, já é possível
constatar que há uma forte tendência na utilização
de extratos e fontes naturais e vegetais. Ou seja, os derivados
animais para a fabricação de cosméticos estão
cada vez mais caindo em desuso.
Apesar do alto investimento das indústrias de cosméticos,
o Brasil ainda não é um grande mercado consumidor
de produtos anti-idade. A explicação é que,
exatamente devido aos investimentos empregados e às novas
tecnologias utilizadas, estes produtos chegam ao mercado com um
preço muito alto, o que dificulta sua venda.
Segundo Carlos Alberto Trevisan, a maioria dos produtos são
inacessíveis para as consumidoras brasileiras. “A
tecnologia desenvolvida no exterior chega ao Brasil, mas o poder
aquisitivo da população não permite a aquisição
destes produtos”.
Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro – atualmente
71 anos, de acordo com o último levantamento do IBGE, realizado
em 2002 – surge um novo mercado: o de produtos anti-age para
pessoas com mais de 60 anos. “Trata-se de um mercado promissor,
no qual as empresas nacionais estão começando a investir”,
diz o presidente da ABC. O problema, novamente, será o preço
alto, principalmente quando se leva em conta o poder aquisitivo
da maioria dos aposentados brasileiros.
Prevenção é o melhor remédio - “É possível
atenuar o envelhecimento da pele, mas não retardá-lo.
Os cosméticos podem fazer com que a pele tenha uma aparência
melhor, mas são para manutenção, não
promovem uma cura”, explica Trevisan. Porém, como
diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar. E os cuidados
devem começar o quanto antes, normalmente a partir dos 25
anos.
Jadir Nunes diz que são úteis aquelas conhecidas
dicas de evitar a exposição excessiva ao sol, utilizando
sempre fotoprotetores, hidratantes e maquiagens com filtro solar;
manter a pele hidratada e, durante a noite, quando a pele está mais
receptiva, utilizar produtos mais elaborados, com mais ativos.
Ou seja, durante o dia vale o binômio proteção/
prevenção e, à noite, é preciso investir
em tratamento/ reparação.
A batalha contra o tempo não tem fim. A evolução
tecnológica e o surgimento de novos princípios ativos
e matérias-primas auxiliam no processo para minimizar
desde as primeiras linhas de expressão até as rugas
mais marcadas. “Os produtos anti-age são uma necessidade
humana para melhorar a aparência. Sempre vão existir”,
finaliza Carlos Alberto Trevisan.
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