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Especial Household
Estudo
apresentado pela ACNielsen revela que no ano passado, em relação a 2002, o segmento de limpeza
doméstica apresentou variação de -1,5% em
volume e 6,3% em valor. A cesta de Higiene e Beleza foi a única
a manter crescimento contínuo em volume físico ponderado,
com variação de 4,5%. De 1994 a 2003, a cesta de
limpeza caseira cresceu 87%, um pouco acima da média do
total de cestas analisadas pela ACNielsen, que foi de 71%.
Uma das explicações para o não crescimento
em volume da cesta de limpeza caseira é o aumento médio
dos preços praticados em 2003. Apesar da variação
média (7,4%) abaixo da inflação (IPCA_9,3%),
o aumento superou a política de preços praticada
por outras cestas. O cenário de composição
de marcas também foi prejudicado pela perda do poder aquisitivo
do consumidor. No ano passado, 50% das marcas de limpeza que ganharam
participação de mercado são de baixo preço,
35% de médio preço e 18% de alto preço.
Soluções – À primeira vista, o mercado
de consumo para produtos de limpeza não parece nada promissor.
Porém, alguns fatores comprovam seu potencial. O mesmo estudo
realizado pela ACNielsen mostra que a cesta de limpeza foi: a quarta
colocada em número de lançamentos com introdução
de 1.429 novos itens, a terceira em investimentos publicitários
com R$ 221 milhões (um aumento de 12% em relação
ao que foi investido em publicidade e promoção em
2002) e a terceira em aumento da área de exposição
ao consumidor.
De acordo com Arthur Bernardo Neto, diretor geral da ACNielsen
CBPA, mesmo diante de um ambiente econômico adverso, o consumidor
demonstra otimismo, porém racionaliza mais o consumo. “Marcas
alternativas e lojas de pequeno porte estão se consolidando
na preferência de compra”, afirma.
Segundo ele, o consumidor mostra-se sensível e responde
positivamente quando exposto ao conjunto de atividades mercadológicas. “A
cesta de higiene e beleza foi a única que apresentou crescimento,
em parte porque houve conjugação eficiente dos 4Ps
(produto, ponto de venda, promoção e preço)”,
explica. A cesta apresentou 2.898 lançamentos, investiu
R$ 752 milhões (o maior do setor de consumo de massa, superando
inclusive o tradicional investidor que é o segmento de cervejas),
e apresentou variação de preço bem abaixo
da inflação (4,7%).
O estudo da ACNielsen revela também que a cesta de Higiene
e Beleza foi a que obteve a melhor distribuição de
ofertas e de produtos no pequeno varejo, um dos dois canais que
variaram positivamente no ano passado. Este canal de distribuição
cresceu 6,2%, incremento inferior apenas ao canal farma-cosmético,
que teve aumento de 9,6% nas vendas. As lojas tradicionais tiveram
queda de 0,6% no volume de vendas.
Perspectivas
para 2004 – Para traçar estratégias
neste novo cenário de consumo, Artur Bernardo Neto recomenda
reflexão sobre o desenvolvimento de programas de distribuição
que garanta presença do mix adequado nas lojas de pequeno
porte, além do planejamento de atividades mercadológicas
baseadas nos 4Ps. Segundo ele, é importante também
ter produtos voltados para as classes C,D e E, “como alternativa
de proteção e crescimento do negócio”.
“Dois mil e quatro não deverá ser o ano do ‘espetáculo
de crescimento’, porém pode se constituir num elo para
o crescimento sustentado dos próximos anos”, conclui. “De
imediato, é preciso ter em mente que aumentos de preço
acima da inflação comprometem o nível de fidelidade à marca
e o crescimento em volume”.
Estimativas – Com confiança no crescimento, a Abipla
projeta para 2004 crescimento do setor de 4% a 5%, “uma taxa
um pouco maior do que a esperada para o PIB, que é de 3,5%”,
como conta Maria Eugênia Saldanha, diretora executiva da
associação. Segundo ela, a expectativa de crescimento
da renda e oferta de empregos trará os consumidores de volta
aos produtos de maior valor agregado. “Por conta da queda
na renda do trabalhador, em 2003, houve uma migração
dos consumidores para os produtos de marca mais barata, de menor
tecnologia e valor agregado”, diz.
Para a diretora, o setor de produtos de limpeza e afins, assim
como a indústria de bens de consumo não duráveis
e semiduráveis em geral, praticamente não apresentou
crescimento no ano passado por causa, principalmente, da queda
na renda do trabalhador e do aumento do desemprego. “Dados
do Ministério do Trabalho sobre o aumento de empregos formais
em janeiro e fevereiro deste ano, juntamente com o reajuste do
salário mínimo, confirmam a tendência de retomada
do crescimento”.
Segmento
popular é saída alternativa
Em
1995, as classes C, D e E representavam 67% da
população brasileira. Em 2002, essa
representatividade cresceu para 76%, totalizando
cerca de 100 milhões de habitantes. Este
maior empobrecimento se acentuou nos últimos
anos. Em relação a 1994, o rendimento
médio mensal caiu 19% enquanto o índice
de inflação IPCA cresceu 119% cumulativamente.
Com base nesses dados do IBGE e da FGV, a ACNielsen apresentou um estudo que
mostra 95% das categorias pesquisadas em crescimento e 5% estáveis em
1995 versus 1994, na primeira fase do plano real. No final da segunda fase
do plano, em 2002 versus 2001, 62% das categorias apresentaram crescimento,
27% se mantiveram estáveis e 11% tiveram queda. No ano passado, em comparação
com 2002, os percentuais foram 28%, 32% e 40%, respectivamente.
De 1994 a 2003, a maioria das marcas líderes ganhou participação
em períodos de poder de compra preservados como de 1994 a 1996, quando
53% delas aumentaram sua presença no mercado, 17% se mantiveram estáveis
e 30% perderam share. Em 2003 versus 2002, apenas 23% das marcas líderes
ganharam participação, 44% apresentaram estabilidade e 33% perderam
mercado.
O estudo revela também a evolução dos produtos de baixo
preço que, no ano passado, representaram 55% das marcas que mais ganharam
participação contra 28% dos itens de preço médio
e 18% dos de alto preço. Em limpeza caseira os percentuais mudam para
50%, 35% e 15%. |
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Destaques
de 2003 – Parece que a disputa na mídia
e no varejo de Bombril e Assolan, além do surgimento de
marcas de baixo preço, surtiu efeito na categoria de lãs
de aço. Segundo dados da ACNielsen, essa foi a categoria
que mais cresceu na cesta de limpeza caseira, superando segmentos
tradicionais como limpadores e detergentes. As lãs de aço
cresceram 6% em volume de vendas.
A segunda categoria com maior crescimento, de acordo com a ACNielsen,
foi a de purificadores de ar, com variação de 3,7%.
Pesquisa realizada pela Euromonitor mostra que esses produtos estão
diretamente ligados ao estilo de vida dos consumidores. Eles deixaram
de ser apenas eliminadores de odor e passaram a ser percebidos
como modificadores de ambiente. O estudo mostra que sua utilização
está ligada ao pouco tempo disponível que o consumidor
tem para se dedicar à limpeza doméstica. “Uma
fragrância fresca pode criar uma atmosfera de ambiente limpo
com pouco esforço”.
Cheiros
e sensações – No Brasil, o maior interesse
pela categoria despertou o lançamento de formatos diferenciados,
como velas, sachets, líquidos, géis e aparelhos para
armários e gavetas, além de fragrâncias mais
sofisticadas, inspiradas na perfumaria fina. Os perfumes tradicionais
cítricos, principalmente de limão e lavanda continuam
a dominar o mercado, porém já sofrem concorrência
com criações mais exóticas. A laranja, um
apelo olfativo comum de décadas atrás, volta à tona
com mais requinte e conquista seu espaço na limpeza doméstica
(para não falar do segmento cosmético e das fragrâncias
de prestígio).
Além de fabricantes atuantes em limpeza, esse mercado atrai
as indústrias de cosméticos, que agregam aos seus
purificadores os benefícios aromaterapêuticos. Ao
contrário do que se verifica na Europa e nos Estados Unidos,
por aqui, nem um nem outro parece acreditar no segmento de auto
care, com exceção da Ceras Johnson que comercializa
desodorizadores da marca Grand Prix. As marcas de purificadores
de ar não desenvolvem (ou desenvolvem pouco) itens específicos
para o carro. Um exemplo pode ser trazido da própria Reckitt
Benckiser, que ingressou na categoria em 2002, com o lançamento
de Air Wick Crystal Auto na Europa, e ainda não trouxe planos
de trazer a novidade para o Brasil.

Lava-louças – O terceiro maior crescimento verificado
pela ACNielsen veio da categoria de produtos para máquina
lava-louças que tiveram incremento de 2,5%. Esse número
deve crescer ainda mais com os sinais de recuperação
nas vendas de eletrodomésticos que, em março, de
acordo com a Federação de Comércio de São
Paulo, liderou a recuperação do comércio com
um crescimento de 19,98%, em relação ao mesmo período
do ano anterior. Segundo dados da Associação Nacional
de Fabricantes de Eletro Eletrônicos (Eletros), os produtos
que mais cresceram foram as secadoras de roupa (71%), os televisores
(64%) e as lavadoras automáticas (57%).
O segmento de produtos para lavar louças, de forma automática
e, principalmente, manual, compõe o terceiro maior em household
no mundo, segundo pesquisa realizada pela Euromonitor (2002). Mesmo
nas nações mais desenvolvidas, a presença
da lavagem automática não ultrapassa 50% da população,
fazendo com que produtos para lavagem manual ainda dominem até nesses
mercados.
Detergentes
líquidos – No Brasil, ainda é pequena
a penetração da lavagem automática de louças,
sendo essa uma das razões que explica o crescimento de produtos
para esse mercado. Com uma base pequena, qualquer alteração
influencia consideravelmente no percentual de crescimento. No mercado
nacional, os detergentes líquidos dividem igualmente a preferência
das donas-de-casa com os sabões em barra. Executivos do
setor garantem que o mais comum é a conjugação
desses dois itens.
A categoria de detergentes líquidos teve aumento médio
de preços acima da inflação, comprometendo
as vendas em unidades (-2,9%) e estimulando o crescimento em valor
(19%). Esse segmento é um dos que apresenta maior penetração
das marcas baratas, que, em geral, apresentam menos ativos em sua
formulação e não investem em pesquisa, desenvolvimento
ou publicidade.
Termômetro – A substituição total ou
parcial das marcas tradicionais pelas de baixo preço foi
uma das principais causas para a queda nas vendas de LAS, ativo
mais utilizado na fabricação de detergentes. Em entrevista
para as Notas de Mercado da H&C, Sérgio Spieler, diretor
comercial da Deten, única fabricante de LAB (insumo usado
na produção do LAS) do País, apontou a queda
de 8% no volume de LAB e LAS comercializado em 2003. Na rentabilidade
a queda foi maior, devido ao aumento no custo das matérias-primas
e redução do preço de mercado do LAB e do
LAS.
Com esse panorama, os planos de investimento da Petresa (petroquímica
espanhola que tem 72% das ações da Deten) foram prorrogados,
já que a capacidade atual de produção (LAB_220.000
t/ano, LAS_80.000 t/ano) deverá ser suficiente para atender
o possível crescimento da demanda esperado para 2004.
Segundo projeções do executivo, será possível
a recuperação total em 2004, quando o mercado deverá normalizar.
O executivo acredita que haverá seleção por
parte do consumidor, que deixará de comprar produtos ineficazes.
Mercado
saboeiro – No setor saboeiro, segundo a Abisa, o
comportamento em 2003 foi estável, com produção
próxima de 300 mil toneladas, segundo dados do Ibope (que
realiza a pesquisa na casa do consumidor). “Esse resultado
demonstra a importância desse mercado e sua capacidade de
resistência, frente ao cenário econômico e às
tecnologias alternativas”, afirma Gustavo Razzo, presidente
da associação. Dados da ACNielsen, que mede o consumo
no varejo (não inclusas vendas do porta-a-porta), apontam
queda de 5,3% em volume e incremento de 36,1% em valor.
Na opinião do presidente, o setor saboeiro, assim como outros
segmentos industriais, sofre, principalmente, com os juros altos. “As
perspectivas para 2004 dependem de políticas capazes de
consolidar a confiança da classe empresarial, de forma a
estimular investimentos que, por sua vez, estimulariam novos empregos
e assim gerariam mais consumo”, afirma Razzo.
Segmento
promissor – Outro produto que, como o sabão
em barra, enfrenta a crise e os avanços da tecnologia, é a água
sanitária. De acordo com dados do LatinPanel, o mercado
de água sanitária cresceu 8% em 2003 em relação
ao ano anterior. Segundo a pesquisa, cerca de 18% das vendas foram
feitas pelo sistema porta-a-porta, considerado o terceiro maior
canal de distribuição da categoria no Brasil.
As boas vendas da categoria estão contribuindo para que
as indústrias Anhembi, fabricante nacional de produtos clorados
(água sanitária e alvejantes), saia da sua má fase – a
empresa está em concordata há dois anos e meio. “O
ganho na linha final do balanço saltou de R$ 564 mil em
2002 para R$ 1,174 milhão no ano passado, enquanto a receita
líquida evoluiu de R$ 74,750 milhões para R$ 88,571
milhões na mesma comparação, devido à redução
das despesas financeiras”, afirma Samuel R. Noronha, diretor
da empresa.
A Anhembi comercializa as marcas Super Candida e Q’Boa, com
participação de 40% do mercado de produtos clorados,
que em 2003 geraram R$ 400 milhões. A água sanitária
e os alvejantes respondem por 90% do faturamento da empresa.
Q’Boa responde por 85% e Super Candida pelo restante. Para
este ano, a empresa prevê expandir as linhas de água
sanitária, alvejantes, amaciantes e limpadores multiuso
dessas duas marcas, aumentar sua carteira de 4 mil clientes em
20% e fechar 2004 com uma receita líquida de R$ 110 milhões,
um crescimento de 25% em relação ao ano passado.
A empresa está tão confiante em sua recuperação
que já traça seus planos para 2005. “O valor
das vendas líquidas é projetado em R$ 140 milhões,
e das brutas, estimadas entre R$ 160 milhões e R$ 180 milhões,
3% serão aplicados em marketing voltado ao consumidor”,
diz o executivo.
Aumento
de preço prejudica vendas
De
acordo com pesquisa realizada pela Fipe de
12 de março a 14 de abril, mesmo com
o recuo do dólar para R$ 3, produtos
não-duráveis continuaram com
preços elevados, com aumento acima
da inflação. A inflação
da quadrissemana foi de 0,84% em comparação
ao período anterior. A pesquisa revela
que os itens de limpeza ficaram 2,61% mais
caros no mesmo período.
Alguns produtos registraram aumento muito acima da inflação. É o
caso do amaciante de roupa, cujo preço subiu 5,31%, do sabão
em barra, que teve incremento de 3,49%, do detergente em pó que registrou
acréscimo de 3,17%, da água sanitária que teve elevação
de 3,37% e das ceras para assoalho com aumento de 2,29%.
A alta dos preços foi explicada pelas indústrias por causa do
aumento no custo das matérias-primas, das embalagens plásticas
e das caixas de papelão. |
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Investimentos – Para conquistar essas metas, a Anhembi anuncia
ampliação das capacidades fabris, tendo em vista
que o nível de uso já chega a 90%. Os investimentos
na planta de fabricação também prevêem
eliminação de gargalos produtivos e modernização
das fábricas. “Investiremos outros R$ 2 milhões
em ações de telemarketing, direcionadas a clientes
do atacado e do varejo”, afirma Noronha.
Um dos maiores concorrentes da Anhembi era a Clorox, que encerrou
suas operações no mercado Brasileiro no ano passado,
devido à rentabilidade que não estava a altura dos
planos da matriz norte-americana. “Com isso, nossa concorrência
se reduziu a marcas regionais, como Raimundo da Fonte, que atua
na Região Nordeste, onde a participação da
Anhembi é de 15% em vendas líquidas”, diz.
Segundo o executivo, na Região Sudeste, a Anhembi tem 45%
do mercado de água sanitária e alvejantes; na Centro
Oeste, 15%; e na Sul, 25%.
Foco
em roupas – Outra empresa a acreditar no potencial
do mercado de água sanitária é a Ingleza,
indústria mineira de produtos de limpeza e líder
nacional na categoria de ceras emulsionadas para pisos. Entre os
lançamentos previstos para 2004, está a água
sanitária Batuta, desenvolvida para limpar e remover manchas
de roupas brancas.
Segundo a gerente de marketing da Ingleza, Lara Melo, um dos principais
diferenciais da Água Sanitária Batuta será o
preço competitivo, que vai permitir ganho em escala, rentabilidade
e alto giro para o varejo. Para o lançamento, o novo produto
será vendido a R$ 0,99, o que vai representar uma significativa
economia para o bolso do consumidor. A empresa afirma ter superado
sua expectativa inicial de vendas ultrapassando em três meses
a média mensal de 500 mil litros vendidos. “Pretendemos
assumir a liderança do mercado legal de água sanitária
no próximo ano”, afirma a executiva.
Clandestinidade – “O segundo concorrente da Anhembi
e de todos os produtores formais é o mercado informal, que
dilui cloro líquido (hipoclorito) em água, em empresas
de fundo de quintal”. Com essa afirmação, o
diretor Samuel Noronha demonstra a dimensão da clandestinidade
no segmento de água sanitária, o mais afetado por
essa prática ilícita. Dados da Fipe mostram que 42,1%
das águas sanitárias consumidas no país provêm
do mercado informal.
O ganho para o bolso – os produtos ilegais são muito
mais baratos do que os formais – pode trazer sérias
conseqüências para a saúde e segurança
do consumidor. Para combater essa prática, a Anvisa, em
parceria com a Abipla e a Abas, lançou o guia “Orientações
para os Consumidores de Saneantes”, que informa sobre os
cuidados que o consumidor deve ter ao comprar, usar e armazenar
produtos de limpeza.
De acordo com a vigilância sanitária, são alvos
do comércio não autorizado, além da água
sanitária, desinfetantes, raticidas, inseticidas, amaciantes
e detergentes. A Anvisa será responsável pelo repasse
do guia para as vigilâncias estaduais, que distribuirão
o material em suas regiões. Para ampliar a divulgação,
a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, com
apoio da Petrobrás, distribuirá um milhão
de exemplares em diversos estabelecimentos da cidade, por meio
de parceria com postos de gasolina locais. A Abipla e a Abas serão
as responsáveis da divulgação para supermercadistas
e feirantes.
Preço
baixo – A busca dos consumidores por produtos
mais baratos, responsável pelo consumo de produtos ilegais, é também
a causa da substituição de marcas tradicionais por
itens populares. A guerra de preços provoca oscilações
nas participações de mercado das marcas principais.
No segmento de sabão/ detergente em pó foi verificada
em 2003 variação superior a 10 pontos percentuais
de um mês para outro. Esse mercado, no ano passado, foi marcado
por promoções e estratégias de ponto-de-venda.
Levantamento feito pelo jornal Valor Econômico mostra que
na rede de hipermercados Extra, por exemplo, a participação
da Unilever – que tem 82,3% do mercado de acordo com pesquisa
realizada pela Fipe –, dona do Omo, Brilhante, Minerva e
Campeiro, caiu 13 pontos percentuais de julho para setembro, quando
a Procter & Gamble, fabricante de Ariel, Ace, Pop e Bold, fez
uma promoção mais agressiva.
Outra saída, além da ação em PDV, vislumbrada
pelos empresários, é o investimento em produtos populares.
A Unilever em 2003 elevou a fabricação do sabão
em pó Campeiro, mais barato que o Omo, e instalou uma nova
unidade fabril em Ipojuca/ PE. Em abril deste ano, a empresa anunciou
a substituição da marca Campeiro por Surf, que receberá investimentos
de R$ 10 milhões para ações de marketing.
Para comunicar o lançamento, a empresa desenvolveu o Trailler
Surf, que percorrerá as principais cidades do País.
No trailler, a consumidora se depara com dois ambientes, um quarto
desarrumado e outro limpo com o novo produto.
Vendas
fantásticas – Assim como no segmento de sabão
em pó, a fidelidade também oscila no segmento de
ceras e polidores. Como naquele segmento, inovação
e tecnologia dividem espaço com produtos populares. A Ingleza,
que tem 32% do mercado nacional de ceras para assoalhos, afirma
ter alcançado um resultado “fantástico” em
2003. A K&M ocupa a segunda posição nesse mercado
com 21% de participação e Ceras Johnson a terceira
com 17%.
“A Ingleza Max, segunda maior cera vendida no Brasil, conquistou
no ano passado a liderança no interior de São Paulo,
segundo maior mercado de ceras do País. Juntas, as marcas
da Ingleza possuem 70% do primeiro maior mercado nacional de ceras,
Minas Gerais, que responde por mais de 10% do total consumido no
Brasil. No Nordeste, a Cera Brio, dirigida ao segmento popular, é líder
de vendas com 45% do mercado local. A Cera Ardósia é líder
em Minas Gerais e em Brasília, sendo a quinta marca mais vendida
nacionalmente”, declara a gerente de marketing, Lara Melo.
O segmento de ceras é dividido entre ceras emulsionadas
(à base de água), divididas em auto-brilho e polimentáveis
(necessitam de enceradeira) e à base de solvente. As ceras
são desenvolvidas especificamente para cada tipo de piso.
O tipo de cera varia também de acordo com a região.
Segundo dados do LatinPanel, no Norte e Nordeste, assim como no
Sul, a preferência é pela cera em pasta. Nos grandes
centros urbanos, São Paulo e Rio, agradam mais aos consumidores
as ceras líquidas à base de solventes. As emulsionadas
fazem sucesso no Centro-Oeste e no interior do Rio de Janeiro.
As regiões que mais consomem ceras são Sudeste e
Centro-Oeste. Sudeste e Sul são as mais representativas
em valor.
Limpeza
perfumada – A preferência regional dos consumidores
pode ser percebida também nas categorias de limpadores de
superfícies (surfactantes), na predileção
por fragrâncias. As tendências que vigoram no mercado
nacional são: cheiros mais frescos como notas cítricas,
principalmente de limão e laranja, notas agrestes como lavanda
e pinho e florais mais frescos. Notas frutadas e florais mais pesados
também são aceitas por uma parcela dos consumidores.
De acordo com Úrsula Sakamoto, gerente de marketing da Givaudan,
no Norte/ Nordeste, a preferência se verifica pelas notas
agrestes, principalmente de lavanda, até por influência
da religiosidade da região. No Sul/ Sudeste, o gosto é por
florais mais frescos.
Aposta
em wipes – Depois de trazer sua “vassoura eletrostática” para
o Brasil, a Procter & Gamble retirou Swiffer do mercado nacional.
O que poderia parecer o fim dos wipes incitou outras indústrias
a apostarem no segmento. Em 2002, Mapa Spontex introduziu no mercado
seus panos de limpeza eletrostáticos e Veja lançou
seus “paninhos de limpeza” já embebidos no líquido
ativo. No ano passado, Assolan ingressou no mercado de wipes com
o lançamento de uma linha de paninhos de viscose e poliéster
umedecidos com tensoativos aromatizados.
A empresa afirma que o investimento destinado a esse lançamento é de
R$ 2 milhões. O objetivo da marca é oferecer num
só produto o benefício de dois itens: os tradicionais
panos de limpeza e o líquido limpador. Chamados internacionalmente
de “wipes”, os panos umedecidos já movimentam
hoje em torno de US$ 4 bilhões nos EUA e na Europa. O produto é dirigido
a pessoas de maior poder aquisitivo.
Mercado
concentrado – O boom do mercado de inseticidas em
2002, causado pelo aumento na epidemia de dengue, não verificou
as mesmas taxas de crescimento no ano passado. Fabricantes regionais,
como a Sul Química e a Raimundo da Fonte, trabalham para
garantir a continuidade da liderança local e, alguns deles,
se preparam para expandir seu negócio ao mercado paulista.
Sua tarefa será árdua, devido à concentração
de mercado por duas grandes empresas: Reckitt Benckiser e Ceras
Johnson.
Por um valor não revelado, a Reckitt, em 2003, levou a marca
de inseticidas SBP que era da Clorox. Agora, esse mercado, que
movimenta cerca de R$ 380 milhões por ano, segundo a ACNielsen, é dividido
entre as Ceras Johnson (dona de Off, Raid e Baygon) e a Reckitt
Benckiser (com Rodasol, Detefon, Rodox e SBP). Antes da aquisição,
a produção de SBP era feita numa fábrica terceirizada
na Argentina. Depois passou a ser fabricada no Brasil.
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