A cor está presente em qualquer momento de nossa vida.
Na música, na poesia, na arte, nos objetos, na natureza.
Pode trazer alegria, inspiração ou mesmo tristeza
e sobriedade. Também tem propriedades terapêuticas,
segundo estudiosos da cromoterapia. Ou seja, cor e vida estão
diretamente ligadas. Na moda, a cor é fundamental. Roupa,
cabelos, maquiagem, esmaltes, todos estes itens possuem estudos
específicos que determinam as tendências para as duas
estações do ano, primavera/verão e outono/inverno.
E quando se fala em moda ou tendência, o primeiro lugar a
se olhar é a Europa, mais precisamente a França,
onde se concentram as famosas escolas, os estilistas mais tradicionais
e os formadores de opinião. No momento, no verão
europeu, as cores estão bem quentes: laranja, turquesa e
cobre dominam a maquiagem. Esta tendência chega aqui no segundo
semestre, para o verão brasileiro de 2004/2005.
Matéria-prima – Essas tendências vem de estudos
específicos realizados principalmente na Europa e nos Estados
Unidos pelos fabricantes de pigmentos. A Ciba Especialidades Químicas,
por exemplo, em seu segmento de especialidades para indústrias
têxteis, utiliza tendências de moda vindas do exterior
para saber sobre as cores que serão utilizadas nas próximas
estações.
“Cor é identidade de produto e um dos maiores fatores
de decisão de compra”, afirma Angela Martins, Technical
Marketing da América do Sul de Home & Personal Care da
Ciba. “Normalmente lembramo-nos das cores dos produtos e não
de seu nome”. No segmento de Home and Personal Care, a empresa
trabalha com corantes e pigmentos para produtos de higiene e limpeza – xampus,
condicionadores, sabonetes e colônias, além dos itens
de limpeza doméstica – e não com cosméticos.
Está dentro da atuação da empresa a produção
de corantes para cabelos – alguns deles de cores vibrantes
e estáveis, novidade no mercado de coloração – que
exige uma pesquisa mais cuidadosa. Hoje, nota-se no Brasil um crescimento
no uso de tinturas, principalmente de cores mais vibrantes e fortes,
de concentrações mais altas e de exigências
de estabilidade mais elevadas.
Segundo a executiva, o povo brasileiro, embora bastante festivo
e alegre, tem preferência por cores discretas para uso diário.
Os carros são prata, pretos ou brancos. Casas são
sempre de cores claras. “No caso de nossas especialidades,
utilizamos normalmente combinações claras. Ultimamente
alguns novos produtos têm surgido com colorações
fortes, dependentes de combinações de corantes ou
pigmentos em maior concentração”, informa.
O caso dos sabonetes em barra ilustra bem essa preferência. É possível
observar nas gôndolas que os tons pastéis dão
lugar a cores vibrantes em muitos lançamentos. No caso de
xampus, condicionadores ou mesmo colônias, esta tendência
não é generalizada. Há somente alguns casos
isolados, principalmente se algum ativo ou fragrância de
forte apelo é utilizado. “Nada é geral no caso
de cores”, diz Martins.
Na América do Sul a maioria dos países, entre eles
o Brasil, utiliza cores fortes e, por isso, altas concentrações
de corantes ou pigmentos em seus produtos. Apesar de seguirmos
tendências européias, a executiva acredita que o Brasil
tem personalidade própria. “Nossos hábitos
são bastante claros e específicos e, normalmente,
rejeitamos cores não adequadas por acreditarmos que são
de mau gosto, por não se enquadrarem no nosso padrão
nacional”.

Da
Europa para o Brasil – Nem é preciso dizer a importância
das cores em produtos de maquiagem. Nestes itens, a influência
européia é praticamente uma regra. “A tendência
francesa se reflete em todo o mundo, já que é um
ponto forte de referência de moda”, afirma Patrícia
Silveira, gerente de treinamento da Guerlain. Mas será que
os produtos desenvolvidos para as européias se adequam ao
padrão da mulher brasileira?
De acordo com a gerente, a empresa não encontra dificuldades
para agradar as brasileiras porque há consultoras de beleza
nas principais perfumarias do Brasil que são um termômetro
para se medir o que é vendável em cada região. “Desenvolvemos
vários mixes de texturas e cores e escolhemos o que mais
agrada a mulher brasileira. Em geral, elas se encantam com dourados,
acobreados, marrons e rosas. Já os vermelhos,
laranjas e vinhos não são tão atrativos. E
as cores frias como verde, azul e prata são bem sazonais”,
diz ela.
Para a Guerlain, a tendência em cores de maquiagem para esta
estação (outono/inverno) são: harmonias de
marrom, caqui, oliva, rosa, bordeaux e azul para olhos e beiges,
rosas, lilás e marrons para os lábios. Haverá também
contrastes, sombras e luz, efeitos nacarados e mates. Os batons
gloss continuam em alta, assim como os batons transparentes com
cor e nacares. Para o ano que vem, segundo Patrícia, a tendência é uma
combinação gráfica com tons metálicos.
Para a Lancôme, o Brasil “compra” muito bem a
idéia de cores lançadas na Europa, apesar de sua
preferência pela família de marrons, enquanto que
as européias gostam mais de vermelhos e alaranjados. Segundo
Anny Orenbuch, gerente de marketing, a marca tem ligação
estreita com escolas de moda da Europa, que são as grandes
ditadoras de tendência do mundo. “O contato com
designers, fabricantes de tecidos e formadores de opinião
complementa o desenvolvimento das cores de maquiagem”,
afirma. Na opinião da executiva, a mulher brasileira se
encaixa no padrão mundial no que diz respeito a cores de
batons e sombras, e apresenta alguma particularidade nos tons de
pele. “Por causa dessa particularidade, a Lancôme está desenvolvendo
bases com ajustes incríveis de cor”, diz.
Com
a palavra, o maquiador – De acordo com Marcos Costa,
maquiador oficial da Natura, as brasileiras poderão escolher
diferentes estilos de maquiagem, porém, sempre optando por
cores ricas e aconchegantes. Para a temporada outono/inverno 2004,
os lábios estarão em tons de vermelho, vinho, berinjela,
marrom e rosa e será usada muita máscara para definir
os cílios. “As produções trazem inspirações
da maquiagem utilizada nas décadas de 20 e 80, que marcaram
a história pela força das cores, em especial o vermelho
nos lábios”, afirma. “Outra tendência
resgatada desses períodos são os olhos de ‘diva’,
conquistados com o traço forte do kajal e várias
camadas de máscara”, diz o maquiador.
Coloração
de cabelos – Se no segmento de maquiagem
há uma preocupação em seguir a tendência
internacional, o mercado de tinturas não mostra tanta rigidez.
De acordo com Patrícia Tonetti, gerente de marketing da
marca Seda, da Unilever Higiene e Beleza, o portfólio de
cores da tintura Seda Pro-Color é escolhido de acordo com
pesquisas realizadas com consumidoras, avaliação
das cores que mais vendem no mercado total, comportamento da formulação
do produto no cabelo e durabilidade.
As tonalidades são agrupadas basicamente em três grupos:
preto/castanho/marrom, vermelhos e louros. “Não seguimos
nenhuma tendência internacional e, segundo nossos estudos,
podemos dizer que as mulheres mais jovens podem ser classificadas
como usuárias ousadas, movidas principalmente pela emoção
na hora de realçar o visual e pelo desejo de mudar. Já as
mais velhas, conhecidas como usuárias tradicionais,
são motivadas pela necessidade de cobrir os fios brancos
e dão uma grande importância ao tratamento proporcionado
pelo produto”, explica Tonetti. As cores da estação,
segundo ela, são: louro dourado, louro claro dourado e marrom
acobreado. Para as mais ousadas, vermelho quente.
Personal
care – As cores nos produtos de personal care não
definem visual mas influenciam na compra, principalmente quando
se trata de itens infantis. A Johnson & Johnson inovou e investiu
no desenvolvimento de protetor solar colorido para atrair a criançada.
A linha hoje é responsável por 40% das vendas no
segmento de protetores infantis. “A idéia surgiu para
trazer diversão para as crianças e maior segurança
para as mães, que podem ver onde estão aplicando
o produto”, afirma o gerente de produto Daniel Izzo. “A
tendência segue a preferência das crianças em
relação à fragrância e às cores.
Sempre levamos nossos lançamentos para as crianças
opinarem sobre eles antes de colocarmos no mercado”.
Outro segmento cuja cor atrai consumidores é o de cremes
dentais. As tonalidades são escolhidas para transmitir sensações
de refrescância, hálito puro, sabores e branqueamento.
Há alguns anos, Close-Up rompeu esse paradigma e lançou
um gel dental com embalagem preta, cor sempre refutada em oral
care por simbolizar sujeira. A marca usou o preto para causar impacto
nas gôndolas e simbolizar ao consumidor inovação
e jovialidade.
“As cores, bem como todo o produto, são desenvolvidas juntamente
com grupos internacionais, sempre prevalecendo a opinião do consumidor
local e levando-se em conta as tendências de moda, entre outros agentes
de influência na cultura de cada país. No Brasil, temos influência
do clima tropical e de uma população com origens diversificadas,
o que permite inovações como Close Up Red Fruits Mint ou Lemon
Mint”, afirma Antonio Carlos Vanzo Júnior, gerente de pesquisa e
desenvolvimento dos produtos Close-Up, da Unilever Higiene e Beleza.
A participação dos géis gira em torno de 20% do mercado
total de cremes dentais, e seu público tende a ser mais jovem. “Os
consumidores normalmente escolhem os produtos pelos benefícios funcionais.
A preferência de sabores garante a opção por nova compra
e a diversidade atende a diferentes gostos com os mesmos benefícios
funcionais”, explica o gerente. O mercado de cremes dentais movimenta
em torno de R$ 700 milhões anualmente, de acordo com dados da Abihpec.
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