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Especial Cosméticos
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De acordo com dados da Abihpec
(consolidados
a partir de informações da indústria),
nos
últimos cinco anos (1999 a 2003), o setor de
higiene
e beleza teve um crescimento
acumulado de 86,44% em faturamento,
passando de um faturamento (líquido de
impostos sobre
vendas) de R$ 5,9 bilhões em 1998 para R$ 11 bilhões
em 2003. Nesse
período, o crescimento médio deflacionado
composto do setor foi de 6,5%,
acima do 1,6% do PIB e 0,5%
da indústria em geral. No ano passado, o
segmento registrou
aumento de 16,19% em faturamento e queda de 1,66%
em volume
(toneladas).
Em relação às exportações,
o setor apresenta um crescimento acumulado de
103,4% entre 1999
e 2003. Somente no ano passado, houve um aumento de
7%. O principal
foco para os produtos do setor tem sido a América do Sul,
mas esta participação vem se reduzindo devido à conquista
de outros
mercados, como Oriente Médio, Europa e Estados
Unidos. No mesmo
período, as importações
caíram 47,3%, resultando num superávit da balanço
comercial do setor de US$ 80,5 milhões em 2003. |
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Perspectivas – Segundo
dados do IBGE e da FGV, o empobrecimento da população
brasileira pode ser constatado ano a ano. As classes
C, D e E, que em 1995 representavam 67% da população,
chegaram a 76% em 2002, totalizando cerca de 100 milhões
de habitantes. O rendimento médio mensal caiu
19% em relação a 1994, enquanto o índice
de inflação IPCA cresceu 119% cumulativamente.
Neste cenário, a ACNielsen verificou que em 2003, se comparado
ao ano anterior, apenas 23% das marcas líderes ganharam
participação, 44% apresentaram estabilidade e 33%
perderam mercado. O estudo revela também a evolução
dos produtos de baixo preço que, em 2003, representaram
55% das marcas que mais ganharam share contra 28% dos itens de
preço médio e 18% dos de alto preço. Em higiene
pessoal, os percentuais mudam para 59%, 15% e 26%. Essas informações
levam à conclusão de que a indústria, como
alternativa de crescimento, precisa investir também em produtos
populares.
Destaque
de consumo – Segundo a ACNielsen, que mede o consumo
a partir do varejo, a cesta de Higiene e Beleza foi a única
a manter o crescimento contínuo em volume físico
ponderado, registrando aumento de 4,5% em 2003 se comparado ao
ano anterior. Em valor, o crescimento do setor foi de 9,8%. Dentre
todos os segmentos, higiene e beleza foi a cesta com o segundo
maior número de lançamentos, perdendo apenas para
mercearia doce. Também registrou o maior investimento em
propaganda, superando até mesmo o segmento de cervejas,
tradicional investidor. O setor contou também com a segunda
menor variação de preço e a melhor distribuição
de ofertas e distribuição de produtos no pequeno
varejo (veja tabela abaixo).
De acordo com o estudo, as categorias de higiene e beleza que se
destacaram em 2003, se comparado a 2002, foram: enxagüantes
bucais (20,1%), bronzeadores (14,4%), coloração (9,1%)
e pós-xampu (8,3%).

Enxagüatório
bucal – No
mercado de higiene e beleza, um dos segmentos que mais se destacou
foi o de enxagüatório
bucal, que cresceu, em 2003, 12,1% em volume, comparado a 2002.
Apesar de ainda ser visto como um item acessório, o produto
está, pouco a pouco, aumentando sua participação
no mercado de higiene bucal. “Os grandes
investimentos em marketing, a melhoria na distribuição,
a importância
da boa aparência e uma maior educação em higiene
bucal fizeram com que as vendas aumentassem consideravelmente”,
afirma Simone Cupertino,
gerente de produto da Aventis, fabricante do enxaguatório
Cepacol.
Segundo a executiva, a marca, que fechou 2003 com uma participação
de 26,4% no mercado, vem crescendo de 1% a 2% por mês. “Este
aumento começou em maio do ano passado, quando iniciamos
uma forte campanha de marketing com a volta do Bond Boca”,
afirma ela, referindo-se ao tradicional personagem das campanhas
de TV.
Mesmo com o crescimento, o enxagüatório ainda é um
item que pode ser dispensado pelo consumidor em momentos de crise.
De acordo com pesquisa da ACNielsen realizada em 2003, enquanto
o índice de consumo per capita de enxagüatório
no Brasil é de 0,04 litros/ano, no Canadá é de
0,36 litros/ano. “O mercado de anti-sépticos ainda
tem muito o que crescer no Brasil”, diz Cupertino.
Tratamento – Outro segmento em evidência no setor é o
de produtos de tratamento para cabelos que, em 2003, registrou
um aumento de 27,48% em volume e 17,83% em valor, se comparado
ao ano anterior (dados da Abihpec). A explicação
para essa diferença percentual entre incremento em toneladas
e em faturamento pode ser dada em observação ao crescimento
das marcas alternativas. “Este bom resultado também se deu pelo fato de muitas
empresas de venda para varejo estarem investindo em produtos cuja
tecnologia e ingredientes, como vitaminas e extratos, só eram
encontrados em produtos de venda exclusiva para salões de
beleza”, explica Diego Willrich, diretor de marketing da Keune,
empresa que atua no segmento de cosméticos profissionais.
Alisamento – Segundo
ele, dentro do mercado profissional, o segmento que mais cresceu
foi o de alisamento, devido à onda
das novas técnicas surgidas em 2002, que, por implicar em
necessidade de recuperação dos fios, impulsiona o
segmento de tratamento.
Apesar dos bons resultados, o executivo ressalta que 2003 foi um
ano difícil para a maioria das empresas que, como a Keune,
trabalham com importados. Para 2004, a perspectiva é haver
um crescimento significativo das linhas de tratamento que acompanham
as técnicas químicas avançadas de mudança
de visual. “Estamos falando dos produtos de tratamento que
participam do preparo do fio para aplicação de calor,
coloração, descoloração e de todo tratamento
químico e também dos que asseguram a maciez original
dos fios após o tratamento”, diz.
Creme
para pentear – Responsável pela fabricação
de produtos das marcas Mahogany, Lyoplant e Kevin Nichols, o Laboratório
Sklean também confirma o aumento de vendas. “Tivemos
um bom desempenho com nosso creme para pentear com crescimento
sobre os volumes do ano anterior. Para o ano que vem, planejamos
o lançamento de novas tecnologias, de valor agregado mais
alto, que deverão impactar nos resultados”, afirma
Isabella Salton, gerente de marketing estratégico da empresa.
A entrada de diversas empresas no segmento de produtos de tratamento
para cabelos impactou o resultado da marca líder. Seda registrou
queda de 1,6% em sua participação de mercado do segmento
de pós-xampus em relação ao ano anterior.
Dados da ACNielsen mostram que a marca fechou o ano com 27,4% de
share nesta categoria, composta por condicionadores, máscaras
de tratamento e cremes para pentear.
Importância
do setor
Também
segundo a Abihpec, no Brasil existem 1.123
empresas atuando no mercado de produtos de
Higiene e Beleza, Perfumaria e Cosméticos.
Destas, quinze são de grande porte,
com faturamento acima de R$ 100 milhões
e representam 73,4% do faturamento total.
Sobre o mercado mundial deste segmento, de
acordo com dados do Euromonitor de 2002,
o Brasil está em sétima posição.
Trata-se do terceiro mercado mundial em produtos
para o cabelo, o sétimo em produtos
masculinos, fraldas e absorventes descartáveis
e higiene oral, o oitavo em bronzeadores
e protetores solares, nono em produtos para
o banho e o décimo em maquiagem, cremes
e loções para a pele.
A importância do setor também é constatada quando o assunto é contratação.
De acordo com dados da Fiesp – Federação das Indústrias
de São Paulo – o segmento apresentou no estado, em 2003, o melhor
desempenho entre outros 47 setores analisados. |
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Hora
do banho – Outro segmento que está investindo
em lançamentos diferenciados é o de sabonetes, que
registrou crescimento de 2,29% em volume, no ano passado, e de
25,62% em valor. A marca Lux, líder no segmento com 31,5%
de participação, investiu fortemente não só em
novas fragrâncias como numa ampla campanha de marketing estrelada
pela top model Gisele Bündchen. O resultado foi um incremento
de 4,1% de participação em seis meses, de agosto,
quando houve o lançamento, até o final de 2003.
O bom desempenho do segmento de sabonetes atrai investimentos de
fornecedores de matérias-primas no desenvolvimento de tecnologias
para melhoria das bases. Um exemplo é a Imerys, que investiu,
em 2003, na automação e desgargalamento da produção
de carbonato de cálcio precipitado de alto pureza, insumo
muito usado na indústria de cremes dentais que apresenta
benefícios para a produção de sabonetes como
a ausência de rachaduras.
Higiene
bucal sem fio – Entre os segmentos de personal care
que registraram queda em 2003, o mais alarmante foi o de fio dental,
que fechou o ano com queda de 40,29% em volume, comparado a 2002.
Em seguida, estão as escovas dentais, que caíram
12,04%. No segmento de oral care, o fio dental é, tradicionalmente,
o produto menos vendido e o que apresenta o menor índice
de crescimento. Porém, de acordo com Danielle Panissa, gerente
de produto da Oral-B, o resultado não foi tão negativo
assim.
Segundo ela, a Gillette do Brasil, detentora da marca Oral B, manteve
a liderança de mercado em escovas dentais manuais com 30%
de participação. Em relação ao mercado
de fios e fitas dentais, “o crescimento foi bom, mas queremos
melhorar ainda mais”, diz ela. “Os resultados da Oral-B
foram positivos e bastante satisfatórios em 2003. Segundo
dados da Nielsen o mercado cresceu 8% em valor versus o período
anterior”, afirma a executiva.
Para 2004, a previsão da empresa é que haja um importante
crescimento do mercado de escovas e fios dentais. “Para este
primeiro semestre, está previsto lançamento de quatro
escovas, que receberão investimentos dobrados em mídia,
se comparado ao ano passado, além do apoio de ponto-de-venda”.
Produtos
masculinos – Apesar
do aumento da preocupação
com a beleza registrado nos últimos anos, os homens também
deixaram de comprar produtos de higiene pessoal no ano passado.
Após um crescimento constante, em 2003, o segmento registrou
queda de 8,40% em volume. Para a Nivea, uma das grandes empresas
atuantes em produtos para barbear, o segmento teve um crescimento
de 6% em valor.
Mesmo assim, em 2004, a empresa não tem grandes planos. “Não
prevemos lançamentos, nem investimentos em mídia
e, portanto, acreditamos que o crescimento será pequeno
em relação ao ano anterior, algo em torno de 5% a
10% em valor”, afirma Denise Ledoux, gerente de produto Nívea
For Men.

Desodorantes – Nem mesmo os investimentos em modernos aplicadores,
fragrâncias diferenciadas e campanhas de marketing foram
capazes de alavancar as vendas de desodorantes, segmento que registrou
queda de 5,89% em volume, no ano passado. “A Nivea teve crescimento
em valor, assim como vem ocorrendo nos últimos anos”,
afirma Luciana Laurito, gerente de produto Nívea Deo. De
acordo com a executiva, o roll-on foi o aplicador mais vendido,
o que fez a marca assumir a segunda posição nesta
aplicação. “As perspectivas para 2004 são
de crescimento para esta categoria, especialmente em roll-on e
aerosol”.

Maquiagem – No
ano passado, o segmento de color cosmetics movimentou R$ 669
milhões, um crescimento médio de
52,24% em relação ao ano anterior, porém registrou
queda média em volume de 13,56%. A categoria que mais impactou
nesse resultado foi a de maquiagens multifuncionais que teve
variação de -23,33% em toneladas vendidas e aumento
de 246,90% em faturamento.
A diminuição no volume vendido não interfere
nos planos das empresas atuantes em maquiagem. Desde os itens populares
até o segmento de luxo, lançamentos e novas coleções
fazem parte desse mercado. O Boticário, por exemplo, no
primeiro trimestre deste ano, anunciou investimentos de R$ 12 milhões
para apoiar o relançamento da linha teen Cores e da nova
linha Maquiagem.
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