FCE Cosmetique
 
 , 8 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Ano V - nº 24 - Mar/Abr - 2004 


Especial Household

Surfactantes: aplicações e novas tecnologias
Categoria apresenta suas novas formulações e tendência do mercado


Analisar novas tecnologias, lançamentos e tendências existentes no mercado, seja ele qual for, não é uma tarefa muito complicada, pois o segmento industrial interessa-se sempre em divulgar seus benefícios para a imprensa e, automaticamente, para os clientes. Tratando-se de surfactantes deve-se reavaliar essa afirmativa.
Pouco sabe-se desse insumo, seja na mídia especializada ou em veículos de comunicação de massa. “Uma das maiores barreiras que temos no segmento é a falta de inovação e informação sobre essas matérias-primas”, diz Adriano Pinheiro, diretor de estratégias da Kosmoscience.
Outro obstáculo para o desenvolvimento do segmento, na opinião do executivo, é a ausência de inovações tecnológicas, relacionada à não divulgação de oportunidades no mercado. “Conceitos, educação e cultura devem ser trabalhados na indústria e no consumidor final para agregar valores diferenciados nos produtos já existentes”.
Ele cita o fato de que 70% das matérias-primas desse nicho são importadas. Exceções são as fabricações no Brasil de empresas como Clariant, Oxiteno, Cognis e Deten, entre outras. “Se investíssemos em tecnologia e insumos nacionais reduziríamos essa margem de gastos”, diz.

Conceitos – Os surfactantes são substâncias tensoativas, compostas por moléculas grandes, ligeiramente solúveis na água. Causam espuma nos corpos de água onde são lançadas, tendendo a manter-se na interface ar-água. Até 1965, os surfactantes presentes nos detergentes sintéticos não eram biodegradávéis. Depois dessa data, iniciou-se o desenvolvimento de substâncias biodegradáveis que diminuem o impacto de seus resíduos no meio ambiente.

Divisões – Hoje, é possível definir algumas categorias de surfactantes, cada uma voltada para um fim específico. Os primários (básicos) são tensoativos responsáveis pela detergência e sua característica principal é a espuma. Tais itens possuem, principalmente, aplicação doméstica e em domissanitários, pois o forte poder de limpeza traz a remoção completa da sujeira.
De acordo com especialistas do setor, esses insumos são agressivos à pele humana, por isso, suas formulações devem ser cuidadosamente testadas. São exemplos dessa categoria o Lauril Sulfato de Sódio, Lauril Éter Sulfato de Sódio e o Dodecilbenzeno Sulfonato de Sódio, bastante utilizados em detergentes líquidos e limpadores multiuso.
Segundo o executivo da Kosmocience embora, evidencia-se a agressividade desses insumos para a pele humana, tanto que seu uso é indicado para segmento institucional, como pisos, vidros e móveis, eles também são utilizados em menor quantidade em sabonetes líquidos, creme dental e xampus.

Menos irritabilidade – Outra categoria são os surfactantes secundários que causam menos irritabilidade na pele do que os tensoativos primários, por isso têm viscosidade e espessura maiores. Melhorar o condicionamento e a molhabilidade são algumas das principais qualidades desse grupo, que se subdivide ainda em anfotéricos e não-iônicos.
São exemplos da primeira subcategoria o Cocoamido Propil Betaína e suas variações. A segunda subcategoria é representada por Nonilfenóis Etoxilados, Álcoois Graxos Etoxilados, Propoxilados ou Surfatados, e o Monoetanolamina Ácido Graxo de Coco Etoxilado.
Os não-iônicos são surfactantes ditos “environmental friendly”, que prometem limpar sem agredir o meio ambiente. Seu custo é aproximadamente 75% superior a um anfotérico. “Hoje, um surfactante anfotérico custa, em média, US$ 0,30/ kg e um não-iônico não sai por menos de US$ 0,50/ kg”, afirma Adriano Pinheiro, da Kosmoscience.

Números – No Brasil, o mercado total de surfactantes não-iônicos, segundo dados da BASF é estimado em 90 mil ton/ano. Nesses mercados, a empresa alemã tem participação significativa, porém no Brasil não comercializa essa linha de produtos em função de barreiras de importação, segundo informações da BASF.
Por aqui, a participação de surfactantes não-iônicos no segmento higiene e limpeza ainda é pequena em relação ao potencial existente. Hoje, um dos mercados promissores para esse tipo de ativo é dominado quase em sua totalidade por surfactantes aniônicos, como o LAS.

Vendas de LAS – De acordo com reportagem publicada pelas notas de mercado da H&C, o volume de LAB e LAS (ativos usados na fabricação de detergentes e sabões) comercializado no País pela Deten, única fabricante desses insumos, caiu 8% em 2003, isso porque a empresa conseguiu recuperar uma parte da perda de vendas, evitando que o resultado fosse -10% em comparação com 2002. Na rentabilidade a queda foi maior, devido ao aumento no custo das matérias-primas e redução do preço de mercado do LAB e do LAS.
Com esse panorama, os planos de investimento da Petresa (petroquímica espanhola que tem 72% das ações da Deten) foram interrompidos, já que a capacidade ociosa está hoje em 35% da capacidade total (LAB_220.000 t/ano, LAS_80.000 t/ano). A empresa previa investir na ampliação da capacidade produtiva, para atender toda América do Sul a partir da planta brasileira, que continua abastecendo essa região, mas sem necessidade de ampliação.
A Deten aponta como principal fator de queda o aumento no consumo das marcas mais baratas, que têm menos ativos em suas formulações. Segundo suas projeções, será possível a recuperação total em 2004, quando o mercado deverá normalizar. A empresa acredita que haverá seleção por parte do consumidor, que deixará de comprar produtos ineficazes.

Tendência – Mesmo com uma pequena participação no mercado mundial, o Brasil também tem seus méritos nesse segmento. Segundo Aelcio Ronaldo Stefanelli, representante técnico da BASF, os surfactantes não-iônicos vêm sendo amplamente aplicados nos mais diferentes segmentos, como detergentes, pigmentos e agroquímicos, entre outros. “Acredito e aposto que a tendência neste caso é de produtos ecologicamente corretos”, diz Stefanelli. Para exemplicar, ele cita os APEOs, um tipo de surfactantes menos agressivo ao meio ambiente que já são substituídos em sua maioria nos EUA e na Europa. No Brasil, ainda é lenta a substituição.
Outra tecnologia lançada pela empresa é a de surfactantes não iônicos à base de álcool Guerbet, substitutos dos nonilfenois etoxilados. Esta linha chama-se Lutensol XL e tende a substituir os APEOs com similar desempenho e custo competitivo. O produto foi desenvolvido para substituição de nonilfenol sem perder a eficiência e sem ter restrições de uso (questões ambientais).

Indústria – A indústria fabricante de produtos para limpeza doméstica é uma das maiores consumidoras de surfactantes, presentes na formulação de detergentes em pó, detergentes líquido, lava-louças, limpadores multiuso, limpa-vidros, lustra móveis e amaciantes, entre outros. Para se destacar nesses mercados, a receita é simples: bom desempenho e preço baixo.
Para atender a essa expectativa do consumidor, a Bombril faz parcerias com seus fornecedores de surfactantes (Clariant, Cognis e Oxiteno) a fim de captar novos insumos e, automaticamente, ganhar destaque no mercado. “A parceria com nossos fornecedores é muito clara e importante porque temos a oportunidade de formular novos produtos de acordo com as tecnologias apresentadas por eles”, diz Adelice Fátima de Moraes, responsável pelo desenvolvimento de produtos e embalagens da Bombril. Segundo ela, a empresa possui mais de 160 produtos na linha de household.


Índice Revista H&C


 - Editorial

 - Especial de Cosméticos

spañol

 - Especial de Household

spañol
Twitter Facebook
Rua Visconde da Luz, 189 Itaim Bibi - 04537-070 São Paulo - SP
Tel/Fax: (11) 3846-1577
Desenvolvido por FTech