Especial Household
Verão
dos inseticidas
Com
a chegada da época mais quente do ano, aumentam as
vendas de inseticidas. Confira as novidades do mercado, números,
negócios e investimentos desse segmento |
Até o início de outubro, foram notificados 294.251
casos de dengue. No primeiro semestre de 2003 foram notificados
275.953 casos. Esse valor corresponde a uma redução
de 62,44% no primeiro semestre, em comparação ao mesmo
período de 2002. Entre julho e setembro, foram notificados
17.219 casos. Vale ressaltar que 10 estados estão com dados
bastante preliminares. A região Nordeste apresenta o maior
número de casos notificados (148.286), seguido do Sudeste
com 78.576.
| Só
no primeiro semestre de 2003, foram notificados
275.953 casos de pessoas infectadas com o mosquito
transmissor da dengue |
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Esse cenário fez com que o mercado de inseticidas, estagnado
até então, apresentasse grande potencial de crescimento.
As consumidoras de inseticidas tradicionais estão mais concentradas
nas classes sociais A e B, e na faixa etária mais elevada.
Segundo o Ibope, os inseticidas tradicionais estão presentes
em 31% dos domicílios brasileiros, o que pode representar
uma possível expansão da categoria. Segundo a ACNielsen,
o mercado de inseticidas movimentou cerca de 91 milhões de
unidades em 2002, faturando R$ 345 milhões, 4,8% acima do
ano anterior. Este mercado oferece aos consumidores diferentes soluções
contra os problemas com insetos.
Duplo
ataque – No início do ano passado,
segundo a ACNielsen, o mercado estava dividido entre Ceras Johnson
(27%), Bayer (24%), Clorox (20%) e Reckitt Benckiser (20%). De acordo
com fontes do varejo, a recente entrada da Bombril no segmento (marca
Atak), não alterou de forma significativa a posição
das marcas. Ou seja, a líder Johnson teria hoje cerca de
50% dos volumes, seguida pela vice-líder Reckitt , com cerca
de 40% de participação.
Isso porque, depois de meses de negociação, a Clorox,
empresa americana que está se retirando do Brasil, vendeu
o inseticida SBP para a anglo-holandesa Reckitt, e a Bayer, para
extinguir sua divisão de consumo, vendeu Baygon para a Ceras
Johnson. O resultado é um mercado liderado pela Ceras Johnson
com as marcas Raid, Baygon, Mafú e Tugon, seguido de perto
pela Reckitt Benckiser com Rodasol, Detefon, Rodox e SBP. Atak e
outras marcas dividem os outros 10% do mercado. Para combater os
insetos com repelentes, a Johnson & Johnson tem em seu portfolio
Off e Autan. A Reckitt atua com Repelex.
Números
do setor – Um estudo apresentado pela ACNielsen
mostra que a cesta de limpeza caseira cresceu mais no ano passado
do que em 2001. Em 2002, o crescimento médio foi de 3,1%
em volume contra 1,3% do ano anterior. Em valor, a diferença
também é grande: 13,8% contra 6,6%. Assim como em
2001, no ano passado, o aumento dos preços dessa cesta ficou
acima da média das demais categorias analisadas na pesquisa
(limpeza_10,4% e média_9,32%). Ainda assim, a variação
nos preços ficou abaixo do índice de inflação
de 12,53% (IPCA 2002). Em 2001, a variação de preço
em limpeza caseira foi de 5,3%. Segundo a ACNielsen, os inseticidas
aerossóis cresceram 10,6% e os líquidos 13%, provavelmente
em função da dengue. Numa categoria peculiar, armadilhas
para insetos, o crescimento foi de 14,8%. As pedras sanitárias
mostraram incremento de 13%.

Os mais consumidos – De acordo com dados do
Ibope, os aerossóis são os inseticidas mais vendidos
no mercado brasileiro, representando 55% do faturamento da categoria.
O segmento de elétricos (pastilhas e 45 noites) representa
24% do faturamento do mercado e atende consumidores que não
querem ser incomodados pelo spray. Sua função é
repelir e não matar os insetos. Esse segmento, apesar do
menor volume de vendas quando comparado aos aerossóis, é
muito lucrativo para o varejo.
Líquidos e espirais são opções para
consumidores mais tradicionais, que buscam uma alternativa mais
econômica (líquido rende mais e espirais geram menor
desembolso). As iscas ou armadilhas são produtos voltados
para o consumidor com problemas de baratas que preferem a prevenção
ao combate imediato. O uso combinado com os aerossóis é
o mais recomendado para acabar com as infestações.
Os repelentes pessoais são indicados para uso em atividades
ao ar livre. Por serem produtos de valor agregado mais alto e com
bom giro, principalmente no verão e em datas que antecedem
feriados, eles não podem faltar nas gôndolas dos supermercados.
(veja gráfico acima)
| O
mercado de inseticidas tem como líder a Ceras
Johnson com cerca de 50% dos volumes de vendas,
seguida pela Reckitt, com 40% |
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Inovações
– Nos últimos anos, a Johnson investiu consistentemente
na categoria de inseticidas, por meio de campanhas de mídia,
promoções ao consumidor, suporte ao varejo com o serviço
de gerenciamento por categorias e inovações que atendem
às necessidades da consumidora brasileira. Como resultado,
a empresa divulga que a marca Raid tornou-se líder de vendas
da categoria, com 28,9% de participação de mercado.
Para este ano, Raid Multi está com nova fórmula de
última geração que promete ser mais eficaz
contra moscas, mosquitos, baratas, aranhas, formigas e o mosquito
da dengue. Raid apresenta também o novo Raid Mata Moscas
e Mosquitos Dupla Ação, que mata na hora os mosquitos
e continua agindo por até oito horas, com sua exclusiva válvula
dupla. Ainda no combate aos insetos voadores, Raid traz para o consumidor
a nova Pastilha Laminada, com exclusiva capa de alumínio,
que promete aquece mais rápido e liberar os ingredientes
ativos imediatamente. Para Baygon, a empresa estará investindo
em mídia, promoções ao consumidor e merchandising,
reforçando seu posicionamento de marca de Eficiência
Absoluta no combate aos insetos.
Perspectivas
– Otimismo. Esta é a palavra que melhor define esta
nova etapa da Reckitt Benckiser no Brasil. “Acreditamos que
em 2004 dobraremos os números e os negócios realizados
neste ano”, afirma Elisabete Rodrigues, diretora de marketing
de inseticidas da empresa.
A gerente afirma que as ações de ponto-de-venda da
Reckitt serão intensificadas com a visitação
em mais de 10.000 estabelecimentos comerciais. “A aquisição
do SBP fortaleceu nossa participação na linha de multi-inseticidas
por vários motivos, entre eles pelo fato do SBP ser um dos
primeiros produtos nesta linha a base de água”, diz.
A empresa criou uma estratégia para estreitar ainda mais
o relacionamento com o pequeno e médio varejo, visando também
um melhor atendimento ao consumidor final. Segundo a Reckitt, “uma
forte ação” terá início em novembro,
mês onde as vendas de inseticidas começam a aumentar
devido à chegada do verão. Durante três meses,
nove equipes devem visitar cerca de 10 mil estabelecimentos em vários
estados brasileiros. É a “Blitz” que checará
as gôndolas, a arrumação da linha de frente
e a disposição dos produtos, além de fornecer
e instalar material de ponto-de-venda para o pequeno e médio
varejo.
“A meta é consolidar a presença de SBP e Rodasol
neste canal de vendas, melhorando a qualidade de exposição
das marcas nas lojas, bem como explorando a instalação
e utilização de material informativo e promocional”,
afirma Aristides Silva, gerente de Trade Marketing da Reckitt Benckiser.
Ataque
– Para contra-atacar neste novo cenário, mais concentrado,
desde setembro de 2002, a Bombril atua no mercado com o inseticida
Atak. Separando um investimento em marketing para todas as marcas
de R$ 30 milhões em 2003, a nova formulação
do produto, segundo a empresa, não tem cheiro por ser à
base de água. “Nosso inseticida é também
eficaz contra o mosquito da dengue, isso devido à formulação
de altíssima qualidade. Comprovadamente, ele mata baratas
em 15 segundos e moscas e mosquitos na hora”, diz Érica
Stoll, gerente de produtos da Bombril.
O inseticida Atak tem 3 versões: Mata Moscas e Mosquitos,
Multi-inseticida e Mata Baratas. Para a gerente, as duas primeiras
variantes proporcionam maior proteção com eficiência
e mínimo cheiro, e são eficazes contra o mosquito
da Dengue. O Mata Baratas, com sua fórmula especialmente
desenvolvida para obter uma ação rápida, elimina
imediatamente os insetos rasteiros, vem em embalagem diferenciada
de 300ml, e possui “a mais alta tecnologia”.
Combate
à dengue – A Universidade Estadual
de Londrina/PR (UEL), segundo a Folha de São Paulo, criou
um bioinseticida que elimina o Aedes aegypti, mosquito transmissor
da dengue, quando ele ainda encontra-se no seu estágio de
larva. Foram criadas três fórmulas desse produto que
podem ser comercializadas em supermercados e farmácias.
O ativo do bioinseticida é extraído de uma proteína
produzida pela bactéria Bacillus thuringiensis, na forma
de cristal que é colocado na água. A larva do mosquito
da dengue precisa filtrar a água constantemente e assim que
o cristal entra em contato com seu aparelho digestivo ele se transforma
numa toxina letal.
Essas pesquisas acontecem desde 1996 e suas fórmulas já
são usadas de maneira experimental por prefeituras e indústrias
do norte do Paraná.
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