FCE Cosmetique
 
 , 8 de Fevereiro de 2012
   Revista - H&C - Household & Cosméticos
Ano IV - nº 22 - Nov/Dez - 2003 

Especial Household

Verão dos inseticidas

Com a chegada da época mais quente do ano, aumentam as vendas de inseticidas. Confira as novidades do mercado, números, negócios e investimentos desse segmento

Até o início de outubro, foram notificados 294.251 casos de dengue. No primeiro semestre de 2003 foram notificados 275.953 casos. Esse valor corresponde a uma redução de 62,44% no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período de 2002. Entre julho e setembro, foram notificados 17.219 casos. Vale ressaltar que 10 estados estão com dados bastante preliminares. A região Nordeste apresenta o maior número de casos notificados (148.286), seguido do Sudeste com 78.576.

Só no primeiro semestre de 2003, foram notificados 275.953 casos de pessoas infectadas com o mosquito transmissor da dengue

Esse cenário fez com que o mercado de inseticidas, estagnado até então, apresentasse grande potencial de crescimento. As consumidoras de inseticidas tradicionais estão mais concentradas nas classes sociais A e B, e na faixa etária mais elevada. Segundo o Ibope, os inseticidas tradicionais estão presentes em 31% dos domicílios brasileiros, o que pode representar uma possível expansão da categoria. Segundo a ACNielsen, o mercado de inseticidas movimentou cerca de 91 milhões de unidades em 2002, faturando R$ 345 milhões, 4,8% acima do ano anterior. Este mercado oferece aos consumidores diferentes soluções contra os problemas com insetos.

Duplo ataque – No início do ano passado, segundo a ACNielsen, o mercado estava dividido entre Ceras Johnson (27%), Bayer (24%), Clorox (20%) e Reckitt Benckiser (20%). De acordo com fontes do varejo, a recente entrada da Bombril no segmento (marca Atak), não alterou de forma significativa a posição das marcas. Ou seja, a líder Johnson teria hoje cerca de 50% dos volumes, seguida pela vice-líder Reckitt , com cerca de 40% de participação.
Isso porque, depois de meses de negociação, a Clorox, empresa americana que está se retirando do Brasil, vendeu o inseticida SBP para a anglo-holandesa Reckitt, e a Bayer, para extinguir sua divisão de consumo, vendeu Baygon para a Ceras Johnson. O resultado é um mercado liderado pela Ceras Johnson com as marcas Raid, Baygon, Mafú e Tugon, seguido de perto pela Reckitt Benckiser com Rodasol, Detefon, Rodox e SBP. Atak e outras marcas dividem os outros 10% do mercado. Para combater os insetos com repelentes, a Johnson & Johnson tem em seu portfolio Off e Autan. A Reckitt atua com Repelex.

Números do setor – Um estudo apresentado pela ACNielsen mostra que a cesta de limpeza caseira cresceu mais no ano passado do que em 2001. Em 2002, o crescimento médio foi de 3,1% em volume contra 1,3% do ano anterior. Em valor, a diferença também é grande: 13,8% contra 6,6%. Assim como em 2001, no ano passado, o aumento dos preços dessa cesta ficou acima da média das demais categorias analisadas na pesquisa (limpeza_10,4% e média_9,32%). Ainda assim, a variação nos preços ficou abaixo do índice de inflação de 12,53% (IPCA 2002). Em 2001, a variação de preço em limpeza caseira foi de 5,3%. Segundo a ACNielsen, os inseticidas aerossóis cresceram 10,6% e os líquidos 13%, provavelmente em função da dengue. Numa categoria peculiar, armadilhas para insetos, o crescimento foi de 14,8%. As pedras sanitárias mostraram incremento de 13%.



Os mais consumidos
– De acordo com dados do Ibope, os aerossóis são os inseticidas mais vendidos no mercado brasileiro, representando 55% do faturamento da categoria. O segmento de elétricos (pastilhas e 45 noites) representa 24% do faturamento do mercado e atende consumidores que não querem ser incomodados pelo spray. Sua função é repelir e não matar os insetos. Esse segmento, apesar do menor volume de vendas quando comparado aos aerossóis, é muito lucrativo para o varejo.
Líquidos e espirais são opções para consumidores mais tradicionais, que buscam uma alternativa mais econômica (líquido rende mais e espirais geram menor desembolso). As iscas ou armadilhas são produtos voltados para o consumidor com problemas de baratas que preferem a prevenção ao combate imediato. O uso combinado com os aerossóis é o mais recomendado para acabar com as infestações.
Os repelentes pessoais são indicados para uso em atividades ao ar livre. Por serem produtos de valor agregado mais alto e com bom giro, principalmente no verão e em datas que antecedem feriados, eles não podem faltar nas gôndolas dos supermercados. (veja gráfico acima)

O mercado de inseticidas tem como líder a Ceras Johnson com cerca de 50% dos volumes de vendas, seguida pela Reckitt, com 40%

Inovações – Nos últimos anos, a Johnson investiu consistentemente na categoria de inseticidas, por meio de campanhas de mídia, promoções ao consumidor, suporte ao varejo com o serviço de gerenciamento por categorias e inovações que atendem às necessidades da consumidora brasileira. Como resultado, a empresa divulga que a marca Raid tornou-se líder de vendas da categoria, com 28,9% de participação de mercado.
Para este ano, Raid Multi está com nova fórmula de última geração que promete ser mais eficaz contra moscas, mosquitos, baratas, aranhas, formigas e o mosquito da dengue. Raid apresenta também o novo Raid Mata Moscas e Mosquitos Dupla Ação, que mata na hora os mosquitos e continua agindo por até oito horas, com sua exclusiva válvula dupla. Ainda no combate aos insetos voadores, Raid traz para o consumidor a nova Pastilha Laminada, com exclusiva capa de alumínio, que promete aquece mais rápido e liberar os ingredientes ativos imediatamente. Para Baygon, a empresa estará investindo em mídia, promoções ao consumidor e merchandising, reforçando seu posicionamento de marca de Eficiência Absoluta no combate aos insetos.

Perspectivas – Otimismo. Esta é a palavra que melhor define esta nova etapa da Reckitt Benckiser no Brasil. “Acreditamos que em 2004 dobraremos os números e os negócios realizados neste ano”, afirma Elisabete Rodrigues, diretora de marketing de inseticidas da empresa.
A gerente afirma que as ações de ponto-de-venda da Reckitt serão intensificadas com a visitação em mais de 10.000 estabelecimentos comerciais. “A aquisição do SBP fortaleceu nossa participação na linha de multi-inseticidas por vários motivos, entre eles pelo fato do SBP ser um dos primeiros produtos nesta linha a base de água”, diz.
A empresa criou uma estratégia para estreitar ainda mais o relacionamento com o pequeno e médio varejo, visando também um melhor atendimento ao consumidor final. Segundo a Reckitt, “uma forte ação” terá início em novembro, mês onde as vendas de inseticidas começam a aumentar devido à chegada do verão. Durante três meses, nove equipes devem visitar cerca de 10 mil estabelecimentos em vários estados brasileiros. É a “Blitz” que checará as gôndolas, a arrumação da linha de frente e a disposição dos produtos, além de fornecer e instalar material de ponto-de-venda para o pequeno e médio varejo.
“A meta é consolidar a presença de SBP e Rodasol neste canal de vendas, melhorando a qualidade de exposição das marcas nas lojas, bem como explorando a instalação e utilização de material informativo e promocional”, afirma Aristides Silva, gerente de Trade Marketing da Reckitt Benckiser.

Ataque – Para contra-atacar neste novo cenário, mais concentrado, desde setembro de 2002, a Bombril atua no mercado com o inseticida Atak. Separando um investimento em marketing para todas as marcas de R$ 30 milhões em 2003, a nova formulação do produto, segundo a empresa, não tem cheiro por ser à base de água. “Nosso inseticida é também eficaz contra o mosquito da dengue, isso devido à formulação de altíssima qualidade. Comprovadamente, ele mata baratas em 15 segundos e moscas e mosquitos na hora”, diz Érica Stoll, gerente de produtos da Bombril.
O inseticida Atak tem 3 versões: Mata Moscas e Mosquitos, Multi-inseticida e Mata Baratas. Para a gerente, as duas primeiras variantes proporcionam maior proteção com eficiência e mínimo cheiro, e são eficazes contra o mosquito da Dengue. O Mata Baratas, com sua fórmula especialmente desenvolvida para obter uma ação rápida, elimina imediatamente os insetos rasteiros, vem em embalagem diferenciada de 300ml, e possui “a mais alta tecnologia”.

Combate à dengue – A Universidade Estadual de Londrina/PR (UEL), segundo a Folha de São Paulo, criou um bioinseticida que elimina o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, quando ele ainda encontra-se no seu estágio de larva. Foram criadas três fórmulas desse produto que podem ser comercializadas em supermercados e farmácias.
O ativo do bioinseticida é extraído de uma proteína produzida pela bactéria Bacillus thuringiensis, na forma de cristal que é colocado na água. A larva do mosquito da dengue precisa filtrar a água constantemente e assim que o cristal entra em contato com seu aparelho digestivo ele se transforma numa toxina letal.
Essas pesquisas acontecem desde 1996 e suas fórmulas já são usadas de maneira experimental por prefeituras e indústrias do norte do Paraná.

 

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