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Sazonal Household
Lucros
próprios
spañol
Marcas
próprias ganham espaço nas gôndolas e
servem para combater os produtos líderes com preços
mais baixos e fidelizar clientes |
A
prática do varejo em lançar marcas próprias
explodiu na Europa e nos Estados Unidos nas últimas décadas.
No Brasil, esse mercado foi aquecido nos últimos anos com
o ingresso dos principais distribuidores varejistas. Antes restrita
apenas a grandes varejos, hoje, com incorporações
e parcerias, pontos-de-venda de médio porte também
querem o seu filão. Com isso, empresas de terceirização
de produtos de limpeza ganham em oferta.
No varejo brasileiro, cerca de 5,6% do total de vendas corresponde
às marcas próprias. Esses e outros dados sobre o assunto
foram divulgados pela ACNielsen, no 9º Estudo Anual sobre Marcas
Próprias do Varejo. Segundo o estudo, no Brasil, o número
de empresas que oferecem produtos de marca próprias cresceu
de 32 em 1997 para 133 em 2003. O gerente de contas da ACNielsen,
Olegário Araújo, acredita que o crescimento das marcas
próprias no varejo e a participação de produtos
com essas características ainda é bastante inferior
àquela verificada em outros países, o que sinaliza,
segundo ele, espaço para crescimento.
Para se ter uma idéia, em países europeus a participação
dos artigos de marca própria nas vendas é de no mínimo
13%, como é o caso da Itália, podendo chegar a 40,8%,
como acontece no Reino Unido. A porcentagem nas vendas de varejo
das marcas próprias nos Estados Unidos (19,8%) e Argentina
(8,5%) também é superior à do Brasil.
Oportunidade
– O estudo foi feito com base num mapeamento completo que
acompanhou a evolução das categorias e itens comercializados
por supermercadistas, atacadistas e drogarias. O segmento das marcas
próprias continua apostando no crescimento do número
de itens dentro das categorias já atuantes como bazar, bebidas
alcóolicas, bebidas não alcóolicas, higiene
e beleza, limpeza caseira, mercearia doce, mercearia salgada e perecíveis
de auto-serviço.
Entre os supermercados envolvidos no estudo, 40% possuem marcas
próprias. A cesta de produtos que mais trabalha com marcas
próprias nesse canal é a Alimentar, seguida por Bazar
e Higiene e Saúde. O número total de itens de marcas
próprias cresceu 63% no último ano no canal Supermercado.
No canal atacadista, 50% das empresas participantes do estudo possuem
marcas próprias. Em relação às drogarias,
esse índice atinge 35%.
Indústria
– Para quem investe em desenvolvimento, tecnologia e marketing
a fim de apresentar ao consumidor produtos diferenciados e, desta
forma, conquistar a liderança, ter nas gôndolas um
concorrente similar com preço bem mais baixo é certamente
um entrave. De acordo com o presidente da ABIPLA, Estanislau do
Amaral, as marcas próprias são atraentes aos olhos
dos consumidores devido ao preço baixo, “contudo, alguns
itens de marcas próprias são mais caros que aqueles
produzidos pelas grandes empresas”. Segundo ele, o consumidor
interessa-se por preços acessíveis ao seu rendimento
familiar, sejam eles marcas próprias ou não.
Para as indústrias com capacidade produtiva ociosa, as marcas
próprias representam uma oportunidade de aproveitar melhor
a capacidade fabril sem destinar investimentos de marketing e mídia
para ampliar a participação de suas marcas no mercado.
Porém há quem diga que essa estratégia é
perigosa, já que a margem de ganho da produção
de itens de marcas próprias é bem reduzida em comparação
à margem de ganho dos produtos convencionais.
Preço
baixo – “A qualidade dos itens de marca
própria mudou muito e está bem melhor, porém,
para isso acontecer, os gastos com matérias-primas aumentaram
e a diferença de preços entre as líderes e
as marcas próprias caiu”, afirma Gustavo Razzo, da
Indústria Razzo. O executivo afirma que sua empresa solicita
há pelo menos três meses reajuste nos valores dos detergentes
que produz às redes. “Só a soda cáustica
subiu mais de 150% neste ano”, justifica.
A Quimivale, empresa especializada na fabricação de
detergente em pó, tem 53 clientes do segmento de marcas próprias,
sendo que a maioria deles é atuante no canal varejista. Para
Gustavo Russo, gerente de marketing da empresa, a Quimivale tem
80% da sua produção direcionada para atender o mercado
de marcas próprias. “Investimos em desenvolvimento
o que nos traz um resultado excelente, já que atualmente
estamos aptos a desenvolver formulações específicas
para cada tipo de necessidade”, diz.
Receita
– Patrícia Dantas, gerente de marketing da Rosatex,
empresa que atua desde 1973 na fabricação de produtos
de limpeza doméstica e há seis anos com marcas próprias,
fala sobre o que envolve produzir marcas próprias. “O
número de empresas que nos procuram para desenvolver marca
própria é muito grande, percebemos que o comportamento
das grandes redes de supermercados está voltado para fabricar
produtos com excelente qualidade, apresentação diferenciada
e preços competitivos”.
Para atender essa necessidade, José Domingues, diretor da
Rosatex, afirma que a empresa investiu R$ 1,5 milhão na produção
de sabão em pó para instalação de uma
torre de sopro, cuja linha tem capacidade produtiva de até
10 toneladas/hora. “Temos uma linha que fabrica aproximadamente
100 produtos, atendendo 6 mil clientes diretos, com uma projeção
de um total de 12 mil que são atendidos via canais de distribuição”,
garante o executivo.
Lucros menores –
Hoje, o principal negócio da Rosatex é a marca Urca,
com participação de 80% sobre o faturamento, 20% advém
da fabricação de marca própria. “Fazemos
itens de sabão em pó, sabão de coco em pó,
sabão em pedra de coco, sabão em pasta, desinfetantes,
amaciantes, lava-louças líquido e lava-roupas líquido,
entre outros”, afirma José Domingues. “Entre
as marcas que fabricamos podemos destacar: Extra e Barateiro para
CBD, Aro do Makro, Dia, Champion e Carrefour da rede Carrefour,
Mais em Conta e Sendas das Casas Sendas, Coop da Cooperativa da
Rhodia, Mercadorama, Big e Sonae do grupo Sonae e Bom Preço”.
De acordo com o diretor da Rosatex, os lucros são muito reduzidos
na fabricação de marcas próprias. “Ganhamos
na economia em escala, quanto mais produzimos mais ganhamos poder
de negociação junto dos fornecedores e diluímos
os custos como os de mão-de-obra”, explica. “Mas
a grande importância é o relacionamento que aprendemos
a ter com as grandes cadeias do varejo e do atacado, permitindo
que gradativamente a marca Urca tenha também seu espaço
garantido na gôndola”, acrescenta.
Segmentos
– Desde 1989, quando o grupo Carrefour começou seus
desenvolvimentos de marca própria no Brasil, até hoje,
a rede já possui cerca de 2,5 mil produtos, divididos entre
as marcas Carrefour, de alimentos, higiene e limpeza, itens para
casa e para o lar; Blusky, de eletro-eletrônicos; e TEX, de
produtos.
Maurício Ribeiro, gerente de marcas próprias do grupo
Carrefour, entende que
esse mercado no Brasil ainda está muito abaixo do seu potencial,
se comparado com a participação das marcas próprias
nas vendas do canal varejista em outros países, principalmente
da Europa. “Nota-se um crescimento importante deste segmento
no varejo brasileiro nos últimos cinco anos”, afirma.
“A participação das marcas próprias no
varejo era de 1% em 1998 e atualmente atinge patamares de 6,5%”,
acrescenta.
Benefícios
– De acordo com o gerente, para o Carrefour, a vantagem das
marcas próprias está em poder oferecer aos clientes
produtos com a mesma qualidade dos líderes de mercado, por
um preço em média 15 % menor. Segundo ele, para garantir
a qualidade dos seus produtos, o Carrefour promove auditorias nas
fábricas terceiras e análises dos itens fabricados.
José Domingues, diretor da Rosatex, confirma: “Periodicamente
passamos por auditrias externas realizadas por escritórios
independentes SGS e Bureau Veritas, empresas contratadas pelas redes
de supermercado para avaliar política e sistema de qualidade,
higiene e segurança, controle de documentos, ações
corretivas e preventivas, laboratório de análises,
inspeção e ensaios durante os processos, entre outros”.
Amadurecimento
– Apesar da grande vantagem econômica que as marcas
próprias proporcionam ao consumidor, no Brasil o mercado
ainda não explodiu. Maurício Ribeiro, do Carrefour,
acredita que por aqui o segmento ainda está em fase de amadurecimento,
que se dá pelo alinhamento das estratégias de posicionamento
das marcas próprias no varejo. “Até pouco tempo
atrás, cada rede do varejo tinha uma política de posicionamento
diferenciada”, diz.
O Grupo Pão de Açúcar (CBD) foi pioneiro no
lançamento de marcas próprias na década de
70. Hoje, somando as mercadorias das três bandeiras da companhia
– Pão de Açúcar, Barateiro e Extra –
já são mais de 2.750 itens. Segundo a empresa, as
vendas da marca Extra cresceram 65% em 2002, com acréscimo
de 45% no número de itens em comparação com
o ano anterior, totalizando 2 mil itens diferentes (entre alimentos,
produtos de higiene, limpeza, bazar e têxteis). Os produtos
comercializados sob a marca Barateiro, que conta com cerca de 450
itens, cresceram 60% em vendas nos dois primeiros meses de 2003,
em comparação com o mesmo período de 2002.
Neste ano mais 180 novos produtos devem chegar às 150 lojas
da rede.
Fidelização
– Segundo o CBD, o objetivo das marcas próprias do
grupo é fidelizar o cliente com utilidades que só
podem ser encontradas nas lojas do grupo. “Queremos que o
cliente tenha mais uma opção de compra com total garantia
de satisfação”, afirma Rodolpho de Freitas,
diretor de marcas próprias da empresa. “Entendemos
que, se queremos nossos clientes nas lojas buscando nossos produtos,
a primeira garantia que devemos dar é a da melhor qualidade”,
afirma Rodolpho. Assim, a empresa firmou seu objetivo na oferta
de produtos premium. Em média, os produtos do grupo podem
chegar a um preço 20 % inferior que as marcas concorrentes
líderes.
Com essa estratégia, entre 2001 e 2002, a área de
marcas próprias do Grupo Pão de Açúcar
investiu R$ 10 milhões para o reposicionamento e relançamento
de toda linha dos produtos Extra e Barateiro, lançamento
da grife Pão de Açúcar e da linha específica
de produtos saudáveis, a Goodlight – exclusiva da bandeira
Pão de Açúcar e inédita no setor supermercadista
brasileiro. Com esse reposicionamento, o segmento de marcas próprias
apresentou um crescimento médio de 50% em 2002, em relação
ao ano anterior. O objetivo da empresa é que esse segmento
responda por 15% das vendas do grupo até 2005.
Case
nada Light
Segundo
dados do CBD, as vendas de Goodlight Pão
de Açúcar crescem mais de 20% todo
mês. Goodlight é a primeira marca
própria do varejo na América Latina
voltada exclusivamente ao segmento de produtos
saudáveis (produtos light, diet e orgânicos).
A linha está alinhada a um conceito de
qualidade de vida baseado na alimentação.
Essa marca segue a tendência mundial de
alimentação saudável.
Lançada há um ano, a linha Goodlight
já conta com mais de 120 itens, distribuídos
em todas as 204 lojas Pão de Açúcar
no País. Os produtos Goodlight têm
a consultoria de Lucília Diniz, empresária
do grupo Pão de Açúcar que
emagreceu 60 quilos em dois anos e lançou
dois livros com conceitos e receitas de uma vida
light.
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