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Especial Household

| Limpeza
institucional: informando dá Empreendedores
do segmento de limpeza institucional acreditam que o mercado
brasileiro tem potencial de crescimento. Basta investir em
informação
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Divulgação
dos benefícios técnicos. Essa é a chave para
aumentar o mercado de limpeza profissional, ou institucional, no
País, segundo empresas do segmento. A opinião é
compartilhada por quem fornece os produtos químicos de limpeza
técnica e pelos prestadores de serviços profissionais.
“É preciso mostrar para os clientes potenciais o melhor
custo-benefício de se utilizar produtos especiais para limpeza
institucional”, diz David James Drake, gerente geral da Spartan
do Brasil.
Se o empenho das empresas funcionar, talvez a distância entre
o faturamento do setor no Brasil e no Estados Unidos seja diminuída.
Numa projeção de Ricardo Costa Garcia, presidente
do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação
do Rio de Janeiro (SEAC-RJ) e vice-presidente para a região
sudeste da Federação Brasileira de Asseio e Conservação
(Febrac), o mercado nacional fatura anualmente R$ 12 bilhões.
“Nos Estados Unidos, esse montante deve ser 30 vezes maior,
levando em conta a conversão do dólar”, afirma
Garcia.
O segmento –
A Abralimp, que reúne empresas produtoras de itens de limpeza
profissional, não tem o dados de quanto gera o mercado nacional.
Segundo Paulo Peres, diretor de relações institucionais,
esse mercado é divido por dois tipos de empresas: “as
que têm como foco o setor público e outras que dão
prioridade ao setor privado”. “O mercado é pulverizado,
as maiores empresas de nosso segmento possuem uma participação
de aproximadamente 5% do mercado”.
Na limpeza institucional, as dificuldades não são
especiais, segundo o diretor. “Dificuldades todos temos e
sofremos com os mesmos problemas dos outros mercados: falta de crédito
adequado, alta tributação, carência de profissionais
capacitados ou de pessoas com alto potencial de desenvolvimento”,
afirma. Para promover discussões que levem a soluções
para essas dificuldades, a associação promove há
10 anos a Higiexpo e o Higicon, que são, respectivamente,
a feira e o congresso do setor.
Desenvolvimento
– Neste ano, os eventos da Abralimp acontecem de 10 a 12 de
setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo/SP. “Nesse
ano, pretendemos receber cerca de 10 mil pessoas”, revela
Peres. Para reduzir as dificuldades para encontrar mão-de-obra
especializada, a Abralimp firmou há três anos parceria
com o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação
no Estado de São Paulo (Sindicon) para criar a primeira escola
para profissionalização de limpadores e líderes
de limpeza.
Peres lembra que o desenvolvimento do setor passa também
pela responsabilidade social. “Outra iniciativa importante
é o incentivo que damos aos nossos associados com relação
à sua atuação social”, diz. “Junto
à fundação ABRINQ desenvolvemos o programa
‘Tá Limpo’, que tem o objetivo de incentivar
a doação de produtos e serviços de nossos associados
a entidades carentes”. Esse programa também é
utilizado para que os alunos da escola profissionalizante da Abralimp
coloquem em prática o aprendizado de limpeza.
Destaque
regional – Mesmo sendo um mercado diminuto,
em relação ao maior do mundo, o segmento brasileiro
de limpeza e conservação profissional se destaca na
América Latina. “Temos o maior número de empresas
certificadas com a ISO 9001 versão 2000, por exemplo”,
diz Garcia, que além de acumular o cargo de presidente da
Federação Latino-Americana de Limpeza e Afins (Flesha),
também dirige a empresa Luso-Brasileira, no Rio de Janeiro.
“A principal empresa de prestação de serviço
de limpeza no México, cujo mercado interno, dependendo do
câmbio, chega a ser maior que o nosso, não tem certificação”,
acrescenta. Na Argentina o cenário não muda. “Apenas
uma empresa argentina tem o certificado”. Segundo Garcia,
no Rio existem quatro empresas certificadas e em São Paulo
são mais ou menos dez.
O executivo lembra que no País existem cerca de 10 mil empresas
prestadoras de serviço na área de limpeza institucional,
que empregam perto de 1,2 milhão de brasileiros. A não
ser as multinacionais, que distribuem alguns itens fabricados por
aqui para outros países da AL, as empresas desse setor não
exportam. Segundo os executivos, é preciso primeiro desenvolver
o mercado interno e depois pensar em vender para fora.
Clientes
preferenciais – A Luso-Brasileira tem 3 mil
funcionários que prestam serviços de limpeza em todo
o estado carioca. A empresa não fabrica limpadores e compra
diretamente dos principais fornecedores do país. Nessa lista
inclui-se Spartan, Ecolab, Becker e Briosol. A verba mensal da Luso-Brasileira
para aquisição de limpadores profissionais é
de R$ 200 mil. Seus principais clientes são escolas e faculdades.
O setor público também tem importante participação
no faturamento.
Sem revelar quanto fatura ou a fatia que tem no mercado, Ricardo
Costa Garcia, presidente da empresa, diz que principalmente na capital
carioca o setor público é peça-chave para desenvolver
o mercado de limpeza. “É
mais fácil o poder público lançar uma concorrência
para contratar serviços do que promover um concurso para
empregar profissionais de limpeza”, afirma. “Isso exige
menos da máquina administrativa”, acrescenta.
Garcia conta que a prestação de serviço em
limpeza nasceu nos palácios governamentais, em Brasília.
“Mas rapidamente as empresas se voltaram para o mercado privado”,
diz ele, lembrando que o principal fator para isso foi a alta taxa
de inadimplência nos órgãos públicos.
Mercado
de oportunidade – Já em São
Paulo, os maiores mercados não estão nos edifícios
públicos. Na terra de metalúrgicas, montadoras e uma
infinidade de setores industriais, há espaço para
muitos clientes, inclusive o setor hoteleiro. Marília Meneghisse,
gerente de marketing e produtos profissionais da Ecolab, empresa
que fatura US$ 3,4 bilhões anuais no mundo, diz que no Brasil
seu maior cliente é a rede Marriott de hotéis. “A
Ecolab tem um contrato mundial com a rede, e os atendemos aqui no
Brasil também”, diz Meneghisse. Em todo o território
nacional, são cinco unidades da rede hoteleira: duas em São
Paulo/SP, uma no Rio de Janeiro/RJ e mais duas na Costa do Sauípe/BA.
De acordo com a gerente, a Ecolab fatura US$ 27 milhões no
Brasil. “O País ainda tem muito potencial de crescimento,
principalmente se as empresas focarem mais na divulgação
dos benefícios de seus produtos e no atendimento aos clientes”,
diz. Meneghisse acredita que o mercado vinha numa escala de profissionalização
há três anos, que foi interrompida com a crise econômica.
“Sempre que há crise, as empresas contratantes voltam-se
para escolher o menor preço, muitas vezes a qualidade fica
prejudicada”.
Presente no País desde os anos 70, a Ecolab atua nos segmentos
de limpeza institucional, lavanderia industrial e purificação
de ambientes. Alguns produtos da empresa são produzidos nacionalmente,
os demais são importados dos Estados Unidos. A política
da empresa é manter fórmulas que possam ser usadas
mundialmente, exceto algumas alterações necessárias
para atender legislações locais de embalagens e fórmulas.
No Brasil, por exemplo, se consome limpadores em litros e não
em galões, como acontece nos Estados Unidos.
Parceria
propulsora – Para reduzir a dificuldade econômica,
a executiva da Ecolab avalia que deve haver maior interação
entre fornecedores de produtos de limpeza e os prestadores de serviços
de conservação. “Os prestadores são pressionados
pelos contratos cada vez mais competitivos, entretanto são
os grandes compradores de itens profissionais”, afirma.
Por outro lado, a gerente avalia que para algumas empresas é
melhor negociar diretamente com os clientes finais, sejam eles hotéis,
condomínios residenciais, de escritórios ou indústrias.
“Na maioria das vezes os terceiristas têm uma verba
bastante reduzida para comprar limpadores”, explica. “Se
a negociação for diretamente com o cliente final,
o valor das vendas pode ser melhor negociado”, acrescenta.
Há
outro quesito importante a ser levado em conta na hora da prospecção
de clientes: a mão-de-obra. Alguns setores, como hotéis
e escolas, preferem utilizar equipe própria de limpeza, o
que contribui para a cultura de utilizar corretamente os produtos,
reduzindo desperdícios e mau uso e otimizando sua aplicação.
“A cultura nacional de empresas de terceirização
mostra uma alta rotatividade de empregados”, diz. “Muitas
pessoas têm na limpeza de empresas uma opção
de trabalho em épocas difíceis, entretanto, assim
que elas encontram oportunidades melhores acabam deixando o setor”.
Dificuldades
– A falta de treinamento de pessoal prejudica mais o setor
de limpeza institucional do que o nível de conhecimento dos
clientes a respeito dos benefícios que as soluções
de limpeza apropriadas para cada setor podem propiciar. De acordo
com as empresas ouvidas pela H&C quem não utiliza esse
tipo de produto é porque não os conhece. Nesse caso,
os compradores são facilmente convencidos dos melhores resultados
garantidos por eles.
David Drake, diretor geral da Spartan no Brasil, afirma que os diversos
setores produtivos devem interagir para acabar com as barreiras.
“Não adianta investirmos numa concorrência cega,
temos que ampliar nosso leque de informação por meio
das associações, feiras e revistas, só assim
conseguiremos melhores resultados”, diz Drake. “Em 10
anos de atuação no Brasil (o executivo veio da matriz
americana da Spartan) vejo que o mercado nacional está cada
vez mais consciente da importância de se usar produtos corretos
para diversas necessidades”.
Duas
frentes – Segundo David Drake, no Brasil,
grandes empresas concorrem entre si, assim como as pequenas. Não
existe disputa entre pequenas e multinacionais. “Não
há diferença entre nacionais e estrangeiras, bem como
no nível dos produtos, que é praticamente similar
porque as empresas estrangeiras têm que adaptar seus itens
de acordo com a cultura nacional”, avalia o diretor. “No
final das contas, o que diferencia as empresas é a capacidade
de oferecer soluções diferenciadas e suporte aos clientes”,
acrescenta.
A Spartan produz seus itens em Campinas/SP e utiliza quatro canais
de vendas para distribuí-los: contato direto, feito por meio
de uma equipe baseada na matriz da empresa e que disponibiliza visita
técnica, treinamento e assistência pós-venda;
representação comercial, na qual a Spartan conta com
100 representantes autônomos treinados que cobrem regiões
estratégicas do país; distribuição,
que é formada por uma rede de 58 representantes que possuem
estoque local e treinamento para atender os clientes; e por último
a produção de marcas próprias. Nesse quesito
a Spartan desenvolve a linha de limpadores e envasa com a marca
do cliente.
Inovação
– A Prolim, que fabrica limpadores institucionais e revende
equipamentos, investe em inovação para ampliar o seu
mercado. De acordo com Sérgio Eduardo Borges, gerente de
marketing da empresa, em breve será apresentado um novo item
que trará maior praticidade no uso. Seu nome será
Extra Plus e é um dos únicos detalhes que Borges adianta.
“Só posso dizer que ele será inovador na sua
embalagem”.
A embalagem diferenciada que o gerente promete apresentar ao mercado
é a conhecida como bag in the box. Nada mais é que
uma espécie de sacola plástica dentro de uma caixa
de papelão. A vantagem dessa embalagem está na facilidade
de transporte e estocagem. Outro benefício está na
hora de usar o limpador envasado, já que essa embalagem pode
agregar uma válvula dispersadora.
Oportunidade
– “Trouxemos esse conceito observando o mercado exterior,
mas não importaremos nada para oferecê-lo aos nossos
clientes”, afirma Borges, revelando que o produto será
100% nacional, sem custar muito mais para os seus compradores. Segundo
ele, esse tipo de investimento é importante para o mercado.
“É por meio dessas ações que podemos
tornar o mercado melhor”, diz. “A Prolim enxergou uma
oportunidade e agora está perto de lançar um novo
produto no mercado”, acrescenta.
O gerente afirma que não dá para as empresas de limpeza
institucional ficarem esperando o melhor momento para investir,
“principalmente porque o mercado no Brasil raramente se mantém
favorável para investimentos”. Segundo suas próprias
estimativas, a Prolim detém 6% do mercado de limpeza institucional
no País. Produzindo na cidade de Taubaté/SP, a empresa
já exporta para alguns países da AL e Estados Unidos.
As vendas para os EUA vieram por meio de sua participação
em uma feira especializada em limpeza institucional, em Los Angeles,
no ano passado. Borges não revela quanto a Prolim fatura
anualmente.
Como
os domésticos – Desodorizar os ambientes
para oferecer maior bem-estar às pessoas em seu local de
trabalho também é tarefa da limpeza institucional.
A Essenbra é uma das empresas que se destacam nessa categoria.
As fórmulas dos desodorizadores profissionais são
semelhantes as que são usadas em produtos domésticos,
entretanto elas são mais concentradas. “A concentração
de essência deve ser bem elevada, pois cada aplicação
é de apenas 50 milionésimos de litro”, diz José
Eduardo Guarinello Hubaix, diretor comercial. 
A Essenbra utiliza uma estratégia diferenciada, produzindo
refis para dispensadores de outras marcas. “Esse é
o nosso diferencial já que os refis das outras marcas não
servem no dispensador que é importado”, acrescenta
Hubaix. A meta da Essenbra é vender 2 mil aparelhos e 10
mil refis neste ano. A Essenbra, que está baseada em Volta
Grande/MG, atua em outros segmentos da limpeza institucional e fatura
cerca de R$ 12 milhões por ano.
Negócio global
– Desde o ano passado, o setor de limpeza profissional mundial
passou a ser menos competitivo. Numa transação de
aproximadamente US$ 1,6 bilhão duas concorrentes uniram forças.
A Johnson Wax reforçou sua atuação no segmento
com a compra da Diversey Lever da Unilever. Os termos do acordo
incluem pagamento à vista para Unilever no valor de US$ 1
bilhão mais nota promissória de US$ 279 milhões
e 33% em ações do novo negócio, percentual
que correspondia a cerca de US$ 300 milhões antes da transação.
Na época da finalização dessa transação,
Curtis Johnson, chairman da Johnson Wax disse que a “aquisição
impulsionaria a posição de líderança
no mercado institucional que gera US$ 15 bilhões no mundo”.
Na mesma ocasião, a empresa informou que a perspectiva era
que os negócios da Diversey Lever somados aos da Johnson
Wax dariam um faturamento de US$ 2,6 bilhões por meio de
operações em 60 países. A união entre
as duas empresas mexeu com o mercado a ponto de especulações
de industriais americanos preverem um novo líder de mercado.
Segundo elas, a Johnson Wax, ao comprar a Diversey Lever, estaria
um passo mais perto de bater o domínio da Ecolab, pois a
ex-divisão da Unilever era a número dois desse mercado.
A Ecolab detinha 20% de participação em limpeza institucional
e a Johnson Wax reforçada pela Diversey Lever passaria a
ter 17%.
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