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Especial Household


| Brilho
tradicional Tanto
para os móveis quanto para o carro, os polidores sempre
prometem os mesmos benefícios: proteção
e brilho. Por enquanto, a cultura do baixo preço impede
o desenvolvimento de produtos com outros valores agregados
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O mercado de polidores
para móveis movimenta cerca de R$ 102 milhões por
ano, segundo dados da Reckitt Benckiser, fabricante de Poliflor,
líder do segmento com 39,3% de participação.
Esse mercado é dividido por produtos com formulações
em creme e óleo, sendo que o primeiro é responsável
por 79,4% das vendas no varejo. Em 2002, os polidores para móveis
tiveram maior crescimento em valor (7%) do que em volume (1,4%),
seguindo tendência dos demais itens de limpeza doméstica.
De acordo com a ACNielsen, a cesta de limpeza teve crescimento de
13,8% em valor e 3,1% em volume, sendo que os preços subiram
em média 10,4%.
Já no segmento de polidores para carros, segundo os fabricantes
do setor, não há como dizer a quanto chega a venda
desses produtos. “O mercado é bastante pulverizado,
com muitas marcas de vários fabricantes, o que torna a pesquisa
muito difícil”, diz Alexandre Augusto Canfora, diretor
da Protelim.
Outra característica do segmento é o baixo valor agregado.
As empresas querem agregar valor, mas a cultura de consumo de ceras
automotivas privilegia os produtos de baixo preço. Aliás,
esse é o fator que aproxima os polidores para carros dos
polidores para móveis: as empresas até tentam, mas
é difícil “vender” inovação
em ambas as categorias.
Dificuldade –
“Ano a ano o brasileiro perde seu poder de compra, isso reflete
diretamente no consumo de produtos para cuidados com a casa”,
diz Álvaro Luiz Gomes, representante de assistência
técnica para clientes da Dow Corning, fabricante de silicones
que podem ser agregados aos polidores. De acordo com ele, o baixo
poder aquisitivo contribui para que as empresas não se arrisquem
desenvolvendo formulações inovadoras.
“Temos também que levar em conta a mudança dos
tipos de móveis produzidos atualmente”, afirma Gomes.
“Eles são menos duráveis que os fabricados antigamente,
forçando a troca mais rapidamente”. Sem falar nos móveis
modernos que dispensam o uso do polidor.
Ameaça fantasma –
Devido ao baixo número de produtos inovadores no segmento
de polidores pode-se até imaginar que eles perderam espaço
para outros itens, como os limpadores. Mas, segundo Gomes, isso
tem pouca probabilidade de acontecer devido às características
diferentes entre os produtos. “As consumidoras sabem que os
limpadores não são bons para dar brilho”.
“As fórmulas dos limpadores atuais têm propriedades
para conservação da madeira por meio de silicones
que selam seus poros e que formam um filme bastante duradouro em
suas superfícies”, diz Gomes. Já os limpadores
multiuso, de acordo com o técnico da Dow Corning, dificilmente
poderiam ter esses benefícios, pois seus elementos surfactantes
são incompatíveis com ativos que dão brilho.
Ameaça real –
Sandro Kitagawa, gerente de marketing da Produtos King, que fabrica
o Óleo de Peroba, diz que a noção de que as
pessoas estão migrando dos lustra-móveis para os multiusos
na hora de limpar os móveis é verdadeira. “No
entanto, esse movimento é quase imperceptível, pois
o mercado de cuidados com os móveis está estável”,
afirma Kitagawa. O executivo explica que esta estabilidade é
verificada por meio do baixo incremento anual em volume.
“Do mesmo modo que há o movimento dos lustra-móveis
para limpadores, internamente, há a migração
dos óleos para os cremes”, diz o gerente. Para se adaptar
aos novos tempos, a King lançou no mercado dois polidores
de móveis com consistência creme. Segundo Kitagawa,
Peroba Rosa e Peroba Campo estão registrando crescimento
de 20% em volume a cada pesquisa de mercado da ACNielsen. No entanto
ele não revela a participação desses itens
no mercado.
“Claro que um crescimento sobre uma base pequena pode ser
considerado pouco relevante, mas temos que levar em conta que o
mercado de polidores quase não cresce em volume, portanto
o desempenho do produto está nos animando cada vez mais”,
afirma Kitagawa. Mesmo com o novo produto despontando, o Óleo
de Peroba ainda é um dos principais itens da Produtos King.
Óleos vegetais –
Há 75 anos, a King produz o lustra-móvel feito a partir
de extratos vegetais. De acordo com Sandro Kitagawa, ainda hoje
o produto segue forte no portfolio da empresa, tendo 86% de participação
no mercado de óleos para cuidado com os móveis. “Somos
a segunda fábrica de produtos para cuidados com os móveis”,
diz o gerente, informando que a King só perde o posto de
primeiro lugar para a Reckitt Benckiser.
Antigamente, o Óleo de Peroba era vendido em garrafas encerradas
com rolhas. Hoje, modernizado, ele vem em embalagens PET. “As
fragrâncias foram as últimas inovações
que implementamos no produto para alinhá-lo aos lustra-móveis
concorrentes”, diz Kitagawa.
De acordo com o gerente, nas gôndolas dos supermercados o
óleo chega a ser R$ 2,00 mais caro que os similares com formulação
creme. “Isso não impede que tenhamos vendas constantes”.
A King, que tem sede no Rio de Janeiro, está diversificando
sua atuação para a categoria de limpeza pesada, sendo
que os removedores terão papel importante nessa ampliação.
Inovação –
No Household 2002, evento promovido pela revista H&C, a Dow
Corning apresentou uma formulação com silicone para
polir móveis que também agregava repelente de insetos.
Na época, se falava bastante sobre o problema da dengue,
mas mesmo assim, segundo a Dow Corning, poucas empresas enxergaram
uma alternativa de crescimento. “Desenvolvemos essa fórmula
visando a oportunidade que se apresentava, no entanto, poucos tiveram
uma visão a longo prazo”, afirma Gomes.
Não ter visão do futuro não foi problema para
a Reckitt Benckiser. A empresa lançou neste início
de ano uma nova versão de Poliflor com uma inovação
cosmética. “Utilizamos nossa experiência em cuidados
com móveis e elaboramos uma fórmula que inclui óleo
de laranja”, diz Lilian Hendricks, gerente de categoria. Segundo
a empresa, o óleo de laranja evita que a madeira resseque,
renovando e proporcionando brilho.
Esse lançamento de Poliflor se une às outras inovações
que a empresa vem apresentando a cada ano. Em 1998, a Reckitt Benckiser
agregou a tecnologia Dustguard a um item da linha. Poliflor Dustguard
chegou aos supermercados nas versões pulverizador, creme
e, numa ousadia, em aerosol. Seu diferencial é a ação
anti-estática que afasta o pó das superfícies
dos móveis. O aspecto da fórmula também é
outro. Menos cremoso, ela se assemelha mais a uma emulsão.
Depois de dois anos de insistência a versão aerosol
foi descontinuada pela Reckitt Benckiser.
Auto care –
Em adição ao benefício de proteger a carroceria,
os polidores para automóveis também devem remover
riscos e manchas, o que teoricamente faria os consumidores buscarem
produtos com o máximo de valor agregado. Entretanto, segundo
Henrique Cazaroto, engenheiro químico de vendas e aplicação
da Dow Corning, não é isso que acontece. “O
mercado de polidores para automóveis é balizado por
produtos com baixo valor agregado e preço menor ainda”,
afirma o engenheiro.
De acordo com Cazaroto, as empresas que têm possibilidade
de viabilizar tecnologias novas aos seus polidores não o
fazem, pois isso acarretaria no aumento do preço e conseqüente
perda de competitividade. “Aproximadamente 20% do mercado
total de cuidados com o carro está nas mãos das empresas
de pequeno porte, esse percentual é o suficiente para forçar
as outras empresas de maior porte a baixar o valor agregado”,
explica ele.
De tão pulverizado que é o mercado, a Dow Corning
deixou de vender diretamente os silicones para os fabricantes nacionais.
Ficando somente com os clientes globais, a empresa entregou os silicones
para cuidados automotivos para distribuição da D’altomare
e da Brenntag.
Brilho rápido –
A DryWash não concorre com as empresas que produzem polidores
para carrocerias dirigidos ao mercado de massa. A empresa é
especializada em lavagem automotiva em lojas padronizadas e também
finaliza a limpeza com polidores especiais de fabricação
própria. Lito Rodriguez, diretor-proprietário, diz
que há fregueses que vão as lojas da rede apenas para
proteger a carroceria com os polidores. “Esses casos representam
entre 25% e 35% dos nossos serviços”, diz Rodriguez.
Segundo o diretor, as pessoas estão mais conscientes em relação
à preservação dos automóveis. “É
difícil apontar uma tendência para esse segmento simplesmente
pelo fato de que ele não é pesquisado com profundidade”,
diz Lito. Na DryWash, os polidores são aplicados com uma
técnica que utiliza máquinas chamadas orbitais, que
espalham uniformemente o produto sobre as carrocerias.
A empresa fabrica quatro itens de polidores para aplicação
direta e dois que agem como preparação do polimento.
A DryWash iniciou suas atividades em 1994, no Brasil. Por ano a
empresa fatura R$ 77 milhões. Atualmente a rede de lojas
conta com 180 unidades franquiadas no território nacional.
Até 2005, Rodriguez espera crescer 30% ao ano.
Varejo ou profissional –
A Protelim é outra empresa que se esforça para oferecer
produtos diferenciados aos consumidores nacionais. Ao contrário
das líderes de mercado, Ceras Johnson com a marca Grand Prix
e Pérola com marca homônima, que vendem seus itens
no varejo, a Protelim distribui os polidores da Meguiar’s
(fabricados nos Estados Unidos) somente para concessionárias
e oficinas especializadas.
Segundo Alexandre Augusto Canfora, diretor da empresa, o diferencial
dos produtos americanos é a ausência de silicone na
formulação. “As formulações sem
silicone atendem às necessidades do segmento profissional
que utilizam os polidores no mesmo ambiente em que é feita
a pintura de manutenção ou reparo dos automóveis”,
diz Augusto.
De acordo com ele, nesses casos o silicone não é bem-vindo
pois pode reagir com as tintas automotivas, prejudicando a cobertura
da carroceria. A Protelim não pretende vender seus produtos
no mercado de massa para não concorrer com produtos de baixo
preço. “Seria muito difícil para nós
participar desse mercado, simplesmente porque o valor agregado dos
produtos causaria um custo muito maior do que os itens que estão
hoje no mercado”.
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