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O
consumo de cosméticos masculinos cresce a cada ano, mostrando
que os homens querem mais que loções pós-barba
para se sentirem bem.
De acordo
com a ABIHPEC, a venda de itens para cuidados pessoais masculinos
cresce aproximadamente 10% ao ano. É cada vez mais
comum encontrar cremes e loções “for men”
nas gôndolas de supermercados e de lojas especializadas
em perfumes e cosméticos. Ainda de acordo com a associação,
há cinco anos 1 em cada 100 homens admitiam comprar
cosméticos. Hoje, o cenário é outro.
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Em
meia década, a relação entre os que compram
e os que ainda resistem aos cosméticos baixou para 1 em cada
15 brasileiros. Quem entende do assunto diz que os homens querem
aumentar seu poder de sedução e, principalmente, apresentar
à sociedade uma imagem de sucesso. Seja qual for o motivo
para a ascensão, o fato é que as vendas para esse
público registram aproximadamente R$ 730 milhões ao
ano, segundo a ABIHPEC.
Os dados mais detalhados da associação sobre o mercado
masculino são de 2001 e referem-se às principais categorias
pesquisadas: perfumes e colônias, produtos para barba e desodorantes.
Perfumes e colônias registraram vendas de R$ 352,07 milhões
há dois anos. Os desodorantes aparecem em segundo lugar no
ranking de consumo com faturamento de R$ 337,63 milhões e
em terceiro lugar os produtos para a barba, com vendas de R$ 43,04
milhões.
Novata – Esses
números motivam as empresas a ingressarem com mais afinco
nesse segmento. Exemplo disso é a Johnson & Johnson que
acaba de lançar sua primeira linha de desodorantes exclusivos
para os homens, Banho a Banho For Men. “O segmento masculino
já representa 44% do mercado total de desodorantes (de acordo
com a ACNielsen que pesquisa as vendas no varejo), demonstrando
o maior crescimento da categoria”, diz Daniela Berland, gerente
de linha da J&J. “Além disso, nota-se uma grande
tendência de preocupação com a beleza masculina,
fato observado não só em cosméticos e higiene
pessoal, mas também em cirurgias plásticas e tratamentos
de beleza”, acrescenta a gerente.
Pelo potencial de crescimento do mercado masculino, é bem
possível que a J&J decida ampliar sua participação
entre os produtos de cuidados pessoais só para eles. “No
Brasil, a empresa não possui nenhum item de higiene e beleza
voltado exclusivamente para os homens, exceto a linha de preservativos
e a de desodorante, mas nos Estados Unidos produzimos itens da marca
Neutrogena que atendem necessidades exclusivas do público
masculino”, afirma Berland.
Desde os primórdios –
Se para alguns o boom da beleza masculina começou há
pouco tempo, para a Natura o caso é antigo. A empresa brasileira
foi uma das primeiras a apresentar ao mercado uma linha de cosméticos
destinada para esse público em 1988, com o lançamento
de anti-rugas. Além das fragrâncias masculinas, que
somam sete itens, hoje a empresa conta com oito produtos para barbear,
pós-barba, bálsamos e cremes.
O destaque entre os itens é a emulsão para o rosto
com vitamina C da linha Natura Homem. De acordo com Figueiredo,
sem dúvida os produtos para cuidados básicos ainda
são os campeões de audiência. “Mas os
produtos para tratamento do rosto estão ganhando novos adeptos,
hoje os homens estão atentos às novidades; a mulher
ainda desempenha papel importante na decisão e influência
da compra”, diz. “Hoje os homens encaram a vaidade como
uma coisa positiva e com um menor grau de preconceito, isso porque
o mercado de trabalho exige deles boa aparência e jovialidade”,
acrescenta.
Comportamento –
A gerente da Natura afirma que os homens têm hábitos
de consumo diferentes das mulheres. Eles são mais fiéis
a seus produtos enquanto que as mulheres experimentam e compram
mais por impulso. “Devido a essas diferenças, a variedade
de produtos para os homens é menor do que para as mulheres”,
diz Figueiredo. “Se avaliarmos a categoria de perfumaria,
por exemplo, as mulheres têm um número muito maior
de fragrâncias e usam os produtos de acordo com a ocasião,
período do dia ou do ano”, afirma.
Os homens têm um número reduzido de fragrâncias
e geralmente são mais fiéis, quando iniciam o uso
de uma marca, acabam com o frasco e normalmente fazem a recompra.
A gerente da Natura revela que essa característica é
observada com a fragrância Kaiak “Esse perfume foi lançado
em 1996 e hoje é a colônia mais vendida do Brasil,
sendo uma marca extremamente forte que originou em 2002 o Kaiak
feminino”. A Natura irá lançar neste ano mais
uma versão para os homens, Kaiak Natura Aventura.
De olho no crescimento – O Boticário também
está dando maior atenção aos cuidados masculinos.
Segundo a empresa, nos últimos cinco anos, as fragrâncias
para os homens têm crescido mais que as femininas. Nesse período,
em volume, os perfumes para eles cresceram 44% e em valor 140%.
A perfumaria feminina nesse mesmo intervalo teve incremento de 12%
em volume e 96% em valor. Esses resultados motivaram a empresa no
lançamento no ano passado de um hidratante protetor para
eles.
“Aos poucos, os homens estão se tornando mais receptivos
ao uso de cosméticos”, diz Rodolfo Dias Fonseca, gerente
de produto. “As novas gerações aceitam o uso
de maneira mais natural”, diz. “Os adolescentes, por
exemplo, admitem usar hidratantes para o corpo e para rosto, protetor
solar, além de produtos para combater problemas específicos,
como tratamento contra espinhas”, acrescenta. Além
dos perfumes e do creme hidratante, o Boticário também
fabrica xampus anticaspa, apropriados para tons grisalhos e cremes
e loções para o barbear.
Tendência mundial –
Não é só no Brasil que o fenômeno do
homem bem cuidado ganha espaço. O maior mercado de consumo
do mundo, os Estados Unidos, movimenta US$ 3,5 bilhões em
produtos cosméticos masculinos. Um estudo feito pelo instituto
americano Fragrance Foundation, que analisa o mercado internacional
de perfumes de luxo, apresenta um considerável aumento desse
mercado na última década.
Enquanto que nos anos 70 apenas seis fragrâncias masculinas
foram lançadas, nos anos 90 foram 268. Um outro estudo realizado
no ano passado, no Brasil, pela 2B Consulting revela que o paradeiro
dessas novidades são homens entre 25 e 34 anos, solteiros
e com alto poder aquisitivo. O estudo, que recebeu o nome de Adonis
Report (Adonis refere-se ao deus da mitologia grega que se caracterizava
pela beleza), classificou os homens em: arrojados, os que consomem
até 17 produtos de beleza regularmente, e tradicionais, aqueles
que compram seis produtos cosméticos.
Vaidade democrática –
Entretanto, segundo Luiz Fernando Bacellar, diretor comercial da
2B, é errado dizer que somente as pessoas de maior poder
aquisitivo estão prontos para consumir os cosméticos
masculinos. “Todas as classes estão voltadas para os
cosméticos”, diz Bacellar. “Nossa pesquisa confirmou
suspeitas de que tudo o que as classes A e B anseiam é replicado
por todas as outras, diferindo apenas na forma como se manifesta”,
afirma o diretor.
Bacellar diz que no geral os homens estão mais voltados para
conhecer, explorar e consumir de maneira mais consistente, não
somente produtos cosméticos, como tudo que seja desenvolvido
para sua saúde e bem-estar. Segundo a 2B, em 2000, o mercado
brasileiro de cosméticos para homens movimentou US$ 1,2 bilhão.
Nesse faturamento, os itens de higiene pessoal participam com 34%,
cuidados com os cabelos e fragrâncias com 30% cada, produtos
para os cuidados com a barba 5% e cuidados com a pele 1%.
Depois da barba –
O número de produtos para os cuidados do barbear e do pós-barba
é infinitamente maior que outros itens como loções
corporais, antisinais e rejuvenescedores, mas as empresas cosméticas
não deixam de investir nos produtos para a barba. A Bozzano,
por exemplo, marca que pertence ao grupo Revlon, apresentou nova
versão da linha Bozzano Protection, direcionada ao público
jovem.
O azul sisudo presente nas embalagens tradicionais deu lugar à
sofisticação do preto na sua identidade visual. De
acordo com a Revlon, a mudança na roupagem da linha é
uma tentativa de atrair os jovens, mostrando que a marca também
pode ser moderna. A linha Bozzano Protection é composta por
cremes para barbear, gel pós-barba e fixador de cabelo. Além
do visual modernizado, a linha também ganhou uma colônia
que substituiu o desodorante, descontinuado pela Revlon.
Valor agregado –
Outra empresa que atua fortemente no segmento masculino é
a Gillette, que não revela dados econômicos, mas garante
que o Brasil é um dos principais mercados da América
Latina. A empresa americana aproveita sua liderança em lâminas
de barbear para alavancar as vendas dos seus produtos de barbear,
pós-barba e agregados, como os desodorantes. Todos esses
itens são oferecidos em três versões de fragrâncias,
inspiradas na perfumaria fina.
Outra empresa que segue essa estratégia é a Nivea,
porém no caminho inverso. A empresa aproveita seu reconhecimento
em cuidados com a pele para impulsionar a categoria masculina. Primeiro
veio a espuma para barbear, que inaugurou a introdução
da linha Nivea For Men no Brasil, em 1994.
“Observamos que esse tipo de produto tem uma grande penetração,
por isso decidimos começar por ele”, diz Jean-François
Pascal, diretor de marketing da Nivea. “Depois desse lançamento,
trouzemos ao mercado a linha de pós-barba Nivea For Men,
que está presente em 40 países da Europa, Américas
e alguns da Ásia”, acrescenta. De acordo com Pascal,
a taxa de crescimento dos produtos masculinos na empresa tem sido
de 30% ao ano.
Atenção especial –
Neto Vieira, proprietário do Neto’s Cabeleireiros,
diz que o comportamento dos homens mudou, no que se refere ao “marketing
pessoal”. “Antes eles queriam de alguma maneira disfarçar
que consumiam produtos para o cabelo ou para a pele, diziam que
usavam o xampu da mulher”, conta. “Agora eles fazem
questão de ter os seus produtos, exigem xampus especiais
anti-queda e tinturas para esconder os cabelos brancos”, acrescenta.
A preocupação dos homens com os cabelos já
aparecia em levantamentos da Abihpec do final da década de
90. O crescimento do consumo masculino em coloração
foi de 79,2% e em condicionadores de 29,7%. Apesar de um incremento
significativo, ainda existe muito espaço para crescer. Para
se ter uma idéia, esse crescimento em coloração
fez com que a representatividade masculina na categoria chegasse
a apenas 7%. Em condicionador, a participação dos
homens superou os 30%.
Algumas empresas vêem nesses dados uma oportunidade, como
a Ox, que investe no mercado de xampus e condicionadores para os
homens. A empresa, que já contava com dois itens nesse segmento,
lançou no ano passado condicionador não-oleoso, desodorante
e hidratante pós-barba. Nessa ação, a empresa
afirma ter investido US$ 35 mil. A expectativa é que a linha
masculina seja responsável por 10% do faturamento até
o final de 2004. Hoje, essa fatia é de 5%.
Investimento –
Não é só por meio de lançamentos que
as empresas pretendem participar mais do segmento de cosméticos
masculinos. Marcos Rotthenberg, dono da RR Perfumes, decidiu abrir
no ano passado uma loja exclusiva para atender esse público.
O espaço se chama Io Personal Care For Men. Com investimento
de R$ 1 milhão e localizada num bairro nobre da capital paulista,
no andar térreo da Io estão, em meio a revistas masculinas
e charutos, os artigos que eles mais procuram para aumentar seu
bem-estar: aparelhos para barbear, kits para cuidar das unhas, perfumes
e cremes especiais para a pele masculina.
No andar superior, foi projetada uma clínica estética
com consultório para dermatologista, esteticistas e cadeira
de barbeiro. Segundo Rotthenberg, ainda é cedo para dizer
se a meta de vender R$ 1,5 milhão em produtos na loja em
doze meses vai ser atingida. “Minha avaliação
é que este segmento de mercado ainda está engatinhando,
mas deverá explodir nos próximos três anos de
forma surpreendente”, diz o empresário. “Os consumidores
estão cada vez mais exigentes, eles querem produtos exclusivamente
masculinos, tanto em formulação quanto em design”,
acrescenta.
Gentis com a beleza –
Os cuidados masculinos crescem tanto dentro do cenário cosmético
internacional que diversas empresas famosas pela sua atuação
em maquiagens estudam o lançamento de linhas exclusivas para
os homens. A MAC foi a primeira a inaugurar esse nicho de mercado.
Outras americanas e européias devem seguir a mesma trilha.
“Homens que cuidam de si causam uma boa impressão”.
Atrás desse lema, a Schwan-Stabilo Cosmetics,, fabricante
de itens de maquiagem para terceiros, lançou recentemente
a linha Gentle.Men, uma série completa de lápis para
homens, do corretivo à coloração dos cabelos.
Segundo a empresa, “o público masculino de 20 a 34
anos são os grandes usuários de uma gama extensa de
produtos cosméticos e são ávidos por experimentar
itens diferenciados”.
Maquiagem diferenciada –
Gentle.Men é composta por: Eyebrow, lápis delineador
para sombrancelhas com escovinha numa das extremidades; Lip Care,
hidratante para os lábios à base de óleo de
abacate, aloe vera, camomila e vitamina E; Touch Up for Hair, lápis
que em contato com a água colore cabelos e sombrancelhas;
Blemish stick, corretivo facial para pequenas áreas; Fragrance
stick, lápis-perfume; e Concealer, corretivo em bastão.
Para tornar os produtos mais atrativos ao homem, a Cosmetics aposta
no design das embalagens, robustas e de fácil aplicação.
De acordo com Stefano Castelleti, vice-presidente de vendas da Cosmetics,
a idéia não é oferecer ao homem uma linha de
maquiagem que enfatize a pintura. “O homem não tem
as mesmas necessidades de cuidar da aparência que as mulheres,
ele não quer se pintar mas apenas melhorar o seu visual,
para ele o produto tem que ser prático, caso contrário
ele não usa”, afirma.
Para suportar o lançamento da linha, a Cosmetics apresentou
pesquisas realizadas por www.majormarketprofiles.com
e wwww.focus.de/medialine.
Segundo essas pesquisas, os produtos cosméticos masculinos
geraram 2,75 bilhões de euros nos Estados Unidos em 2000,
um crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior.
No mercado europeu, o número esperado em 2001 era de 3,5
bilhões de euros, sendo que o segmento foi o segundo em rapidez
de incremento na área cosmética. Só na França,
foram 510 milhões de euros gastos nesse nicho, que representaram
um aumento de 6,5% se comparado a 2000. No Reino Unido, o consumo
per capita em cosméticos para homens cresceu em média
35% nos últimos cinco anos. Na Alemanha, a expectativa é
de crescimento de 24% até 2005, totalizando mais de 700 milhões
de euros. Neste país, 30% dos homens de 18 a 49 anos gastam
mais de 10 euros em produtos cosméticos todo mês.
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