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Especial Household
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Onde
estão as oportunidades
Com
crescimento de 13,8% em valor o segmento de limpeza doméstica
teve apenas 3,1% de aumento nas vendas, variação
superior à verificada em 2001
De acordo com dados
divulgados pela ACNielsen, o mercado de limpeza doméstica
cresceu 13,8% em valor no ano passado, atingindo faturamento
de R$ 6,2 bilhões. Segundo a empresa, o resultado médio
das principais categorias de limpeza doméstica ficou
na faixa de crescimento entre 1% e 2% acima do índice
de preços ao consumidor de 2002 (IPCA_12,53%). Esse
pequeno crescimento acima da inflação representaria
que o mercado de limpeza não teve um incremento real
nas vendas e sim uma compensação de preços.
Na cesta de limpeza, o aumento médio de preços
foi de 10,4% em 2002.
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No
ano passado, o aumento dos preços da cesta de limpeza ficou
acima da média das demais categorias de bens de consumo,
que foi de 9,32%. Esse posicionamento de preço, apesar de
inferior ao índice de inflação sacrificou o
crescimento em volume, que foi de apenas 3,1%. Em 2001, o movimento
foi bem parecido. Os produtos desse setor tiveram acréscimo
de 5,3% contra uma inflação 7,13%, porém o
reajuste nos preços foi superior à média das
cestas de bens de consumo, o que também prejudicou o aumento
nas vendas. Esses números atestam que o consumidor brasileiro
prefere sacrificar a compra de itens de limpeza, ao invés
de outros produtos, em época de recessão.
Em
evidência – A ABIPLA aponta os destaques
do ano com a variação em valor, bem superior ao crescimento
em volume. Segundo a associação, os maiores incrementos
foram verificados nas categorias de detergente em pó, 22,7%;
amaciante, 9,5%; água sanitária, 12,3%; e sabão
em barra, 7,7%. Segundo Estanislau do Amaral, presidente da associação,
esses aumentos justificam-se principalmente pelo grau de inovação
de produtos apresentados no ano passado e pelos novos valores agregados
incorporados aos itens reformulados.
“As empresas têm se empenhado em agregar valor aos seus
produtos e investir em tecnologia com o objetivo de melhorar a sua
performance”, diz o presidente. “Isso contribui para
que os itens de limpeza fiquem mais atrativos aos olhos dos consumidores”.
O estudo mais detalhado da ACNielsen, feito por meio de registros
nos caixas de supermercados, também aponta para o caminho
da inovação para impulsionar o setor de limpeza caseira
e alcançar taxas de crescimento bem acima da inflação
anual.
Perfume
no ar – Outro destaque no ano passado ficou
com o segmento de purificadores de ar, que tiveram um incremento
de 22% em volume no ano passado. As principais marcas dessa categoria
são Gleid da Ceras Johnson e Bom Ar da Reckitt Benckiser.
Além do lançamento de novas fragrâncias –
destaque para o Cheirinho de Bebê que o brasileiro tanto gosta
introduzido em desodorizadores por Bom Ar – pelas multinacionais,
o mercado ficou acirrado com o ingresso da Bombril, que lançou
seu primeiro aerossol No Ar, junto com o lançamento da linha
completa de limpeza Pratice.
De olho no segmento banheiro, a J&J apresentou a versão
Gleid Toque de Frescor Banheiro, para ser fixada na parede. A Reckitt
respondeu rapidamente com Bom Ar Click Spray e afirmou que seu refil
servia também para o produto concorrente. No supermercado,
em média, o refil de Gleid custa R$ 5,75 e o de Bom Ar R$
5,50. No banheiro, a Reckitt ataca também com Harpic, que
apresentou Líquido Ativo em 2002.
Ganho de mercado
– De acordo com Arthur Bernardo Neto,
gerente comercial da ACNielsen, os consumidores gostam de experimentar
os produtos que têm estojos para serem aplicados nesse ambiente
e que necessitam apenas da troca de refis. Esse tipo de produto
foi o destaque das pedras sanitárias, que cresceram 13% no
ano passado. Segundo o gerente da ACNielsen, “há produtos
tão sofisticados no mercado que é até injusto
colocar todos eles debaixo da classificação ‘pedras
sanitárias’”. “Nesse segmento os que se
destacaram foram produtos que purificam o vaso sanitário
com líquidos e géis”, diz.
Sem tantas inovações, o segmento de esponjas sintéticas
cresceu 18% no ano passado. "O maior volume vendido de esponjas
sintéticas, em parte, foi causado pela estratégia
do pague dois e leve três, que foi bastante utilizada nos
supermercados", diz Neto. Em valor, o incremento foi de 23,5%,
segundo a ACNielsen.
Arsenal
contra os insetos – A categoria de inseticidas
também se destacou. Talvez por influência da dengue,
os aerossóis apresentaram crescimento de 10,6% e os líquidos
13%. Entre as armadilhas para insetos, o crescimento foi de 14,8%.
Entre setembro e outubro, antes do verão, época mais
crítica à proliferação da dengue, novos
produtos foram apresentados por Ceras Johnson com Raid e Baygon
(adquirida da Bayer em novembro), Bombril com Atak e Reckitt Benckiser
com Rodasol, Detefon e Rodox. Recentemente, a empresa anglo-holandesa
anunciou a compra de SBP, que ainda deve passar por aprovação
do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
As empresas estavam ansiosas em ter uma fatia do mercado inflado
em 21,7% no bimestre de abril e maio de 2002 (se comparado ao mesmo
período do ano anterior). A meta era participar de um crescimento
estimado de 6% a 7%. No final do ano, o setor fechou com incremento
de 10,6%. O segmento de inseticidas movimenta anualmente cerca de
R$ 380 milhões.
Reaquecimento
– De acordo com o executivo da ACNielsen, o mercado de limpeza
foi reaquecido em 2002 pelo volume de lançamentos que tinha
como premissa aumentar o benefício ao consumidor, seja no
rendimento ou nos ativos. Houve também, segundo ele, uma
atenção maior para a compra de itens de preços
médios, utilizados pelas multinacionais para deter o avanço
das marcas de combate.
Um exemplo dessa estratégia pode ser percebido na categoria
de sabão e detergente em pó. A Unilever com Minerva
e Brilhante e a Procter & Gamble com Bold e Ace investiram no
segmento de preço médio e trouxeram inovações.
No meio do ano passado a linha Bold ganhou versão com amaciante
e fragrância. Ace recebeu reforço na mídia para
provar que deixa as roupas mais brancas. Minerva introduziu o silicone
hidrativo para facilitar a passagem das roupas. Brilhante acrescentou
cristais de limpeza.
Essa estratégia da Unilever trouxe a marca Minerva à
evidência. Antes da versão com silicone completar um
ano de vida, a Unilever introduziu mais duas novidades na linha.
Dessa vez o reforço é um detergente líquido
para roupas escuras e pretas e outro para roupas delicadas. Entretanto,
a empresa não é a primeira a lançar um produto
especial para roupas escuras. A Reckitt Benckiser saiu na frente
com Woolite para roupas escuras, em 2002.

Limpadores perfumados
– A perfumação em limpadores, introduzida por
AJAX Festa das Flores no final da década de 90, parece mesmo
ter conquistado os consumidores. Na categoria de multiusos, que
movimenta R$ 160 milhões anualmente, os perfumados têm
destaque. No ano passado, Veja lançou uma nova versão
perfumada Floral, que já tem 5% de participação
de mercado, de acordo com Alison Radford, diretora de marketing
da linha Veja e de Lysol.
Com perfumados e não perfumados, Veja detém 70% das
vendas de multiusos, categoria que cresceu 28% desde 2000. Segundo
a executiva da Reckitt, o resultado positivo de Veja Floral mostra
que o consumidor já está atento para os benefícios
propostos pelas empresas de limpeza nos últimos anos. “Qualidade,
rendimento, eficiência e sobretudo valor é o que mais
chama a atenção deles”, diz Radford.
Chamariz
nas gôndolas – Na opinião da
diretora, a maioria dos consumidores é atraída por
novidades. O sucesso das inovações está em
mostrar um valor real ao consumidor, de forma a garantir a recompra.
“Exemplos disso são os limpadores para pisos Veja Uso-Direto,
para consumidores que buscam mais conveniência (não
precisa diluir no balde e seca mais rápido); e Veja Desengordurante
com Extrato de Laranja que agrega menos esforço na remoção
da gordura do piso”, afirma.
Entretanto, Radford aponta que mesmo os produtos inovadores têm
que enfrentar o limitante poder aquisitivo do brasileiro. “Nos
segmentos de limpeza de superfície nos quais a Reckitt Benckiser
atua o volume não tem crescido (significativamente) nos últimos
dois anos”, diz. “Isso é resultado do baixo poder
aquisitivo da população e falta de melhoria na distribuição
de renda. Em 2002, em particular, foi o ano em que essa tendência
se acentuou devido à aceleração da inflação”,
acrescenta. A executiva não revela qual é a meta para
os negócios da empresa no país, mas para a AL a expectativa
é crescer 4%.
Mercado
gel – Além dos
produtos que se destacaram em vendas, o mercado de limpeza foi abalado
pela entrada dos substitutos do álcool líquido, que
teve sua venda em supermercados proibida pela ANVISA. Essa medida
atraiu multinacionais para esse segmento que fatura R$ 200 milhões
por ano, segundo a Associação Brasileira dos Produtores
e Envasadores de Álcool (ABRASPEA). Além das tradicionais
Coopersucar, Barra e Zulu, marcas tradicionais do mercado de álcool,
entraram no mercado Veja, Lysol e Pratice, entre outras. Até
as produtoras de embalagens. A Saint-Gobain Calmar, que fabrica
gatilhos para embalagens, por exemplo, apresentou ao mercado triggers
especiais para esse tipo de produto. Em matérias-primas,
empresas como Ipiranga Química, Cabot e Clariant, entre outras,
apresentaram ativos para esse setor.
Perspectivas
– É praticamente unânime no setor de limpeza
doméstica que o desempenho foi positivo frente à manutenção
do mercado. Isso já pode ser considerado como uma vitória,
entretanto desafios existem. Segundo a avaliação de
Arthur Bernardo Neto, da ACNielsen, dois segmentos ainda têm
possibilidade de crescer nos próximos anos. “Os limpadores
podem trazer benefícios extras para as consumidoras”,
diz. “Quem sabe ampliando a ação bactericida
na limpeza da casa, esse mercado não seja promissor?”
O executivo realça também o mercado de águas
sanitárias. “Acredito que nesse segmento ainda caibam
uma ou duas marcas inovadoras, seja em embalagem ou ativo”,
diz Neto. Se ele tiver razão o que pode ajudar é a
maior eficiência das ações de combate à
clandestinidade.
Com apoio da ANVISA, no ano passado, a ABIPLA requisitou o estudo
sobre a informalidade à FIPE, que apontou dados preocupantes
a respeito do prejuízo às empresas de limpeza legalmente
constituídas causado pelos informais. Esse estudo mostrou
que 42% das águas sanitárias, 30% dos desinfetantes
e 15% dos amaciantes, entre outros produtos, são fabricados
por pequenas fábricas clandestinas, que além da baixa
qualidade não contempla as normas exigidas pela agência
sanitária.
Pressão
cambial – Outro motivo de preocupação
entres os produtos de limpeza doméstica é, sem dúvida,
o preço dolarizado da maioria das matérias-primas.
Mas parece que neste ano o câmbio dará uma certa folga
aos fabricantes. A especulação sobre a moeda estrangeira
é contrária ao que aconteceu em 2002. Enquanto rumores
sobre a política monetária do novo governo fazia a
desvalorização do real ser cada vez maior, agora,
mesmo com a guerra, o dólar tem se mantido estável,
com leve queda.
Dólar mais barato no entanto não significa matérias-primas
também mais em conta, já que o repasse para baixo
ocorre lentamente, quando acontece. Temos como exemplo a soda cáustica
e as essências, para ficar nos mais “populares”.
Ao menor sinal de alta da moeda estrangeira, os fornecedores dessas
matérias-primas repassam a variação do dólar.
Algumas empresas fornecedoras utilizam a média da variação
do dólar para tabelar seus produtos, o que pode dar uma certa
vantagem aos fabricantes de limpeza doméstica. Só
em abril, o dólar teve queda de 6% em relação
ao real. Desde o início do ano a desvalorização
da moeda americana já bate à porta dos dez por cento,
9,72%.
Depois de atingir a menor cotação em 12 meses (R$
3,155) em 7 de março, no dia seguinte o câmbio voltou
a subir. Na contramão da euforia em relação
à queda do dólar, a pesquisa Focus do Banco Central
(BC) realizada entre os bancos privados, divulgada em março,
apontou expectativa de dólar a R$ 3,50 no fim do ano.
Petróleo
e a guerra – Além
do dólar, o petróleo é outro item importante
que deve ser levado em conta antes de se fazer planos no segmento
da indústria química. Os resultados da guerra no Iraque
sobre o valor do barril não estão sendo tão
negativos. Uma semana depois da invasão anglo-americana no
território iraquiano, a previsão de que não
seria fácil encontrar e depor Sadam Hussein fez o petróleo
ter acréscimo depois que o seu preço caiu, durante
os primeiros dias do conflito. O barril do petróleo chegou
a cair de US$ 39 para US$ 34.
A tendência de queda se manteve por sete dias, alcançando
preço de US$ 26,91, em 23 de março. Logo em seguida
o valor do barril voltou a subir para US$ 28. Há especialistas
que indicam preço médio flutuante entre US$ 24 e US$
28 nos próximos meses, nos fornecedores-membros da Opep.
Outro reflexo da guerra no Iraque é sentido na nafta, principal
derivado do petróleo que segue para refinarias e empresas
de diversos segmentos industriais. No ano passado, a nafta teve
acréscimo de 56% chegando a US$ 263 por tonelada. No começo
de março esse valor atingiu US$ 355, recuando logo em seguida
para níveis inferiores a US$ 300. No entanto, se o petróleo
subir, a nafta irá acompanhá-lo.
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