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As
dificuldades de 2002 não afetaram o bom desempenho dos itens
de cuidados pessoais, perfumes e cosméticos
Logo no começo
do ano passado, a ABIHPEC fazia suas observações sobre
a variação do mercado de higiene pessoal, perfumaria
e cosméticos. Num ano de eleição e copa do
mundo, que prometia ser bastante atribulado, a associação
previa incremento de 12% nas vendas totais dos setores que representa.
As especulações geradas pela ansiedade sobre o novo
governo prometiam comprometer a economia, porém seu efeito
sobre os itens de cuidados pessoais e beleza foi superestimado.
No final de 2002, o que se verificou foi um crescimento de 14,22%
em relação ao ano anterior, superando a meta inicial.
Esse resultado supera
em 12,7% a variação do PIB brasileiro, que cresceu
1,52% e atingiu R$ 1,32 trilhão em 2002. Segundo dados da
ABIHPEC, a indústria cosmética fechou o ano com um
faturamento de R$ 9,47 bilhões. Em 2001 esse número
chegou a R$ 8,3 bilhões. O volume de itens produzidos também
aumentou (1,39%) e ultrapassou 1 milhão de toneladas. O canal
de distribuição que mais cresceu no ano passado foi
o de franquias, porém quem responde pela maior parcelas das
vendas ainda é o varejo.
Quem
vende mais – Dados da ABIHPEC mostram que
entre os canais de distribuição, o varejo, incluindo
canal farma, continua sendo o que mais vende produtos de higiene
pessoal, perfumaria e cosméticos. Esse canal teve vendas
de R$ 3,57 bilhões no ano passado, o que representa um crescimento
de 11,14% em relação a 2001. O atacado aparece em
segundo lugar em vendas com total de R$ 3,21 bilhões e crescimento
de 14,41%. Analisando os itens de cuidados pessoais separadamente,
o campeão em vendas é o atacado com R$ 2,64 bilhões,
seguido pelo varejo com vendas de R$ 2,49 bilhões.
Em 2002, o canal de vendas que mais cresceu foi o de franquias,
que teve incremento de 28,68% e respondeu por um faturamento de
R$ 470,10 milhões. As maiores vendas das lojas franquiadas
foram verificadas em perfumes, que representaram 62,20% das vendas.
No canal de venda direta, o incremento foi de 16,25%. Esse método
de distribuição faturou R$ 2,20 bilhões, sendo
que as maiores vendas, R$ 860,87 milhões, também aconteceram
no segmento de perfumaria.
Destaques
do ano – De acordo com a ABIHPEC, o segmento
que teve a maior variação em 2002 foi o de cosméticos,
ou seja, 22,47% em faturamento e 4,96% em volume. Em seguida aparecem
os itens de perfumaria com 19,96% em valor e 8,04% em volume. Segundo
João Carlos Basilio da Silva, presidente da ABIHPEC, mais
uma vez essa categoria contribuiu para o desenvolvimento do setor
de higiene e beleza. “Isso mostra que as pessoas estão
realmente voltando suas atenções para os perfumes
nacionais, mesmo porque a variação do dólar
em 2002 prejudicou a compra dos importados”, diz.
Higiene pessoal cresceu 9,99% em vendas e 1,07% em volume. Esse
setor cresce pouco em unidades vendidas devido seu alto índice
de penetração entre os brasileiros, sinalizando um
mercado estável. Nos últimos sete anos, ao contrário
do que se verifica em perfumes e cosméticos, o único
ano em que o incremento entrou na casa dos dois dígitos foi
em 1996, quando foi constatado crescimento de 13,1% em volume. O
desafio para esses produtos é mostrar um benefício
real ao consumidor como é percebido na categoria de pós-xampus,
que cresceu acima da média, apesar do aumento de preços
acima da inflação.

Valor
agregado – Na análise das vendas das
redes de supermercados, dados divulgados pela ACNielsen mostram
que a cesta de higiene e beleza cresceu 4,3% em volume e 12,3% em
valor, no ano passado. O aumento médio de preços das
categorias desse segmento foi de 7,7%. Em 2001, o aumento médio
de 5,6% nos preços dessa cesta fez com que o incremento fosse
de apenas 1% em volume e 6,6% em valor. O destaque de 2002, segundo
a ACNielsen, ficou com a categoria de pós-xampu, que
inclui reparadores de ponta, cremes e máscaras de tratamento.
O novo hábito de cuidar dos cabelos com produtos que vão
além de limpar e condicionar parece que veio mesmo para ficar.
Tanto que o aumento de 14% nos preços dos produtos (a inflação
no período foi de 12,53% segundo IPCA) não impediram
crescimento de 12,6% nas vendas de pós-xampu – muito
acima dos 5% verificados em 2001 – e 26% em valor –
contra 15,8%. De acordo com Patrícia Donetti, gerente de
marketing de Seda, linha de xampus, condicionadores e cremes para
o cabelo da Unilever, os brasileiros estão reconhecendo a
qualidade dos produtos pós-xampus, que vão de encontro
às suas necessidades de manutenção capilar.
Cuidado capilar –
“Seda vem trabalhando nesse mercado desde 1997, quando iniciou
a vendas dos cremes condicionantes apenas para a região Norte
e Nordeste”, diz a gerente. Os xampus da marca Seda detém
participação de 25% em valor e os cremes e condicionadores
possuem 28,8% de participação nesse mercado, segundo
leitura ACNielsen de jan/fev de 2003. Segundo Donetti, a Unilever
decidiu investir na categoria depois de verificar que a perspectiva
de penetração desse produtos entre os brasileiros
era de 36% a 40% ao ano. “Essa perspectiva está se
confirmando agora. Os consumidores estão adotando uma rotina
maior de cuidado com os cabelos”, acrescenta. Recentemente,
a empresa anunciou investimentos de R$ 11 milhões no relançamento
da variante Seda Ceramidas e R$ 800 mil na criação
do site www.seda.com.br.
Essa categoria também influenciou os resultados da Niely,
fabricante nacional que tem 90% dos seus produtos voltados para
o cuidado com o cabelo. A empresa afirma ter crescido 20% em 2002.
João Freitas, gerente de distribuição da empresa,
diz que esse resultado foi alcançado principalmente por causa
dos lançamentos dos cremes leave-in. As principais novidades
da empresa apresentadas no ano passado foram o creme para pentear
e o reparador de pontas formulados com extrato de cupuaçu
e karité.
Segundo Freitas, neste ano a empresa irá investir em novo
centro de distribuição, onde pretende investir R$
8 milhões. “Esse centro contará com área
de 8 mil m2, localizado em Nova Iguaçu/RJ”, diz. O
gerente ainda revela que investimentos na divulgação
de produtos no ponto de venda serão feitos durante este ano,
com meta de atingir crescimento de até 25% no final do ano.
Perfumaria
nacional – Outro setor que mostrou um real
ganho ao consumidor foi a perfumaria nacional. Com a alta cotação
do dólar , novamente os brasileiros compraram mais perfumes
nacionais. O faturamento do setor alcançou R$ 1,33 bilhão,
sendo que a venda direta foi a maior responsável pelas vendas
com 64% da distribuição. Uma das maiores empresas
nacionais dessa categoria, O Boticário, apresentou vendas
25,70% acima das de 2001. Neste ano a empresa se empenhará
para aumentar a participação de seus perfumes no exterior.
Até junho, O Boticário promete entrar nos free shops
dos principais aeroportos do país. Entretanto essa não
é a primeira vez que a empresa nacional venderá produtos
para estrangeiros. Com o conceito de agregar a natureza brasileira
ao seu negócio, por meio da formulação dos
produtos, de suas embalagens e lojas, O Boticário conquista
o mercado externo com lojas franquiadas no Paraguai, Bolívia,
Peru, México e Portugal.
Só no Japão, são 400 pontos de venda, entre
corners e quiosques. “O que encanta as pessoas é a
exuberância da natureza brasileira, por isso esse conceito
ajuda substancialmente nossas vendas lá fora”, afirma
Silvana Cassol, diretora de marketing do Boticário. “É
uma forma de estabelecer uma relação com o consumidor,
de fazê-lo se emocionar”. Nessas localidades, o apoio
de mídia, que utiliza as mesmas campanhas desenvolvidas para
o mercado brasileiro, contribui para construir a personalidade da
marca.
Crescimento
nacional – Essa estratégia parece dar
certo. Em 2002, segundo Cassol, O Boticário registrou vendas
de R$ 473 milhões, na indústria, e R$ 1,3 bilhão,
na rede de lojas próprias e franquiadas. O crescimento geral
da empresa cosmética superou a média do mercado apontada
pela ABIHPEC de 14,22% e atingiu 22,47%. Em perfumaria e maquiagens,
o Boticário também cresceu acima da média com
28,76% e 20%, respectivamente.
“No ano passado, assistimos ao grupo de consumidor comprador
de importados migrar para nossa marca e continuar comprando nossos
produtos, porém esse início de ano está mais
difícil, com o mercado mais retraído”, diz.
Para impulsionar o setor, Cassol aponta o esforço promocional
que a empresa irá praticar até o final de julho. “Serão
investidos R$ 10 milhões em ações promocionais
e filme na TV”.
Gigante brasileira
– Os números da Natura referente ao desempenho no mercado
de cosmético no ano passado não são nada modestos
e tão pouco reproduzem as dificuldades da economia no ano
passado, provando que o mostro de recessão de 2002 não
era tão feio quanto se pintava. Segundo Pedro Passos, presidente
de operações da Natura, “os números favoráveis
refletem o crescimento do resultado operacional e o retorno dos
investimentos realizados no exterior”.
A Natura anunciou crescimento de 19,45% no faturamento bruto e 187,4%
no lucro líquido para o ano fiscal de 2002. A empresa diminuiu
sua dívida líquida dos R$ 237,6 milhões de
2001 para R$ 141,6 milhões no ano passado. O lucro da empresa
em 2002 chegou a R$ 119 milhões, com um faturamento bruto
de R$ 1,4 bilhão. Há dois anos, o lucro era de R$
41,1 milhões.
A Natura tem operações no Peru, Chile e Argentina,
onde a empresa brasileira manteve seus preços congelados,
mesmo com a desfavorável relação cambial. A
força de vendas da empresa cosmética de venda direta
também cresceu: de 286 mil em 2001 para 307 mil no ano passado.
A média de negócios por consultora aumentou 11,4%.
Em 2002, cada profissional do porta-a-porta vendeu R$ 6,3 mil contra
os R$ 5,7 mil de 2001.
De
cara nova – Esses resultados animadores deram
fôlego para a Natura iniciar o ano investindo em novos produtos.
A empresa promete destinar R$ 7 milhões para o lançamento
da linha de maquiagens Natura Única, que substitui Maquiagens
Natura. Com essa estratégia, a gigante brasileira pretende
dar maior ênfase aos seus itens de maquiagem focando Única,
que oferece como diferencial tratamento e proteção
da pele, para mulheres mais maduras, e Faces de Natura que explora
a combinação de cores e será voltada para adolescentes.
De acordo com Eduardo Luppi, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento,
a nova linha de produtos, composta por batons, sombras e bases,
foi criada internamente. A área de pesquisa da Natura conta
com 94 profissionais e um orçamento anual de R$ 16,5 milhões.
Luiz Seabra, presidente e fundador da Natura, diz que a mudança
de posicionamento da linha de maquiagens tem o objetivo de propiciar
às mulheres a “sensação de unicidade,
tanto em beleza, quanto em proteção”.
“Nossos produtos foram formulados para proteger a pele ao
mesmo tempo em que a deixa mais bela. Estamos bastante confiantes
no sucesso dessa nova linha”, diz Seabra. Os itens Natura
Única contam com FPS 15, glicoesferas de OPC, derivado da
semente de uva com ação anti-radicais livres, Nylon
12, que controla o brilho da face, e Rutina, que estimula a microcirculação.
Seabra disse que ainda estão previstos mais lançamentos
“importantes” neste ano, que devem contribuir com a
meta de crescimento de 15%.
Previsão
- Mesmo sabendo que prever o futuro é uma tarefa ingrata,
ainda mais no Brasil, a ABIHPEC acredita que o mercado alcance crescimento
de 15% em 2003. Segundo o presidente da associação,
o setor fatura, em média, 2% do Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro e deve crescer por conta da alta demanda de produtos
específicos para cada tipo de pele e cabelo.
Outra meta do setor é ampliar suas exportações.
Hoje aproximadamente 85 países recebem itens cosméticos
produzidos por aqui. “Nosso país tem um grande diferencial
que vem do potencial de nossas florestas”, diz João
Carlos Basilio. “Temos a maior biodiversidade do mundo, existem
250 mil espécies de plantas com potencial para serem aproveitadas
e incorporadas na formulação dos produtos de nosso
setor”, afirma.
A ABIHPEC tem um projeto junto ao governo brasileiro para participar
ativamente do Centro de Biodiversidade da Amazônia. “Procuramos
não limitar nossos esforços aos investimentos desse
centro de pesquisa, mas financiar parte dessas pesquisas na busca
de óleos e extratos vegetais oriundos da flora da floresta
Amazônica”, explica o presidente da associação.
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