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As crianças só vão ao supermercado para fazer
bagunça." Se você alguma vez já disse essa
frase é porque não conhece profundamente a importância
que os baixinhos têm na economia, pelo menos em cuidados pessoais.
No setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, as
cerca de 17 milhões de crianças movimentam, por ano,
R$ 125,7 milhões, segundo a ABIHPEC/SIPATESP. Empresas que
atuam nesse mercado, como a L'Oréal, Colgate-Palmolive, Johnson
& Johnson, Nivea e Baruel, têm nas linha de banho, pós-banho
e higiene bucal seus principais mercados.
"Hoje, o mercado
de produtos infantis é muito amplo, mas a área de
higiene pessoal se destaca porque toda mãe quer sua criança
limpinha, cheirosinha e com a pele macia", diz Daniela Maleck,
gerente de marca de sabonetes Fofo, da Unilever. Segundo dados da
ACNielsen, os sabonetes para crianças respondem por 4,2%
do volume total do mercado e movimentam R$ 62,1 milhões por
ano.
Na categoria de xampus,
a representatividade infantil é maior e chega a quase 10%.
Os xampus para crianças movimentaram R$ 72,6 milhões
no ano passado e o mercado total R$ 758,6 milhões. O incremento
nos produtos infantis foi de 6,4% contra 5,3% da categoria. Mas
como é o fenômeno de consumo infantil?
Mamãe
eu quero - De acordo com estudos do canal infantil
Cartoon Network, da TV a cabo, as crianças vão mais
aos supermercados com seus pais do que ao cinema. Noventa por cento
delas vão às compras pelo menos uma vez ao mês
e 50% começam comprando produtos indicados por seus pais
e amigos. Essa é uma das pesquisas na qual a Baruel se baseou
para lançar Baruel Kids, mais uma linha de produtos infantis,
dessa vez focando o segmento "kids" (de 3 a 10 anos).
A empresa já atuava em "baby" (0 a 3 anos) com
a linha Xuxinha, que detém 5% desse segmento.
O lançamento da
linha kids da Baruel, composta por xampus e sabonetes, recebeu investimentos
de 2% do faturamento da empresa, neste ano. A meta para esses produtos
é audaciosa: 3% do mercado de xampus e 16% do de sabonetes,
em valor. Hoje, os líderes do mercado de xampus são
Palmolive Kids (59%), da Colgate-Palmolive, e L'Oréal Kids,
da L'Oréal, (28%). Pelas previsões da Baruel, sua
nova linha será concorrente direta de Palmolive Kids.
De acordo com Rejane Padovani,
gerente de marketing, no ano que vem, a previsão é
investir mais 2% do faturamento nessa linha, que "é
uma porta de entrada para outras categorias infantis". O próximo
passo será o lançamento de pós-banhos. "Nosso
alvo são as classes A e B que têm maior poder de compra
e estão mais suscetíveis a esses itens", diz
Padovani. Para divulgar a linha, Padovani descartou personagens
consagrados no universo infantil, preferindo imagens próprias
criadas da "mistura" de animais em extinção
e frutas. Assim, os xampus e sabonetes têm nomes como Botocaxi
e Tucanana.
Vendas
pontuais - Mas para as empresas que querem ter retorno
rápido nesse segmento, uma das saídas é investir
em produtos que tenham como apelo personagens de desenhos animados
ou filmes da moda. Não esquecendo que isso envolve pagamento
de direitos autorais. "A associação de produtos
cosméticos a personagens é importante para criar reconhecimento,
o famoso aval da marca", diz Antonio Monaco, da Interpo, que
licencia a marca Barbie para xampus. "Isso ajuda porque os
personagens sempre estão no dia-a-dia das crianças
e dos pais através de revistas, brinquedos, filmes etc.",
acrescenta.
Pesquisas nesse segmento
revelam que as vendas de produtos podem ser impulsionadas em até
10% por causa da associação com personagens consagrados.
No entanto, Eduardo Amiralian, diretor comercial da Phylasia, acredita
que esse apelo só funciona com "clássicos"
(a própria Barbie, Snoopy, Mickey, etc.). A Physalia produz
desde 1999 a linha Trá Lá Lá Baby, Kids e Joanita
Kids (xampus, condicionadores e cremes para pentear), carros-chefes
da empresa com participação de aproximadamente 90%
no faturamento. "Neste ano pretendemos crescer 50% por conta
de uma melhor distribuição de nossos produtos, em
todo o Brasil".
Pais
e filhos
- Chamar a atenção das crianças, com personagens,
é um bom começo. Mas o consumo de um certo tipo de
produto só se prolonga se as mães aprovarem. Por isso,
as formulações de cosméticos para crianças
precisam agradar pais e filhos. "Os produtos de higiene infantil
devem ter principalmente qualidade", diz Andrea Braga, gerente
de toiletries Johnson´s Baby. "Por isso, produtos que
contenham substâncias naturais, que não agridem a pele
são os mais procurados", acrescenta.
Lá no Norte
do país, a Chamma da Amazônia emprega o mesmo conceito
para a linha Chamita de colônias infantis. O primeiro item
chega ao mercado em dezembro e abre espaço para lançamento,
no ano que vem, da linha completa, composta por xampus, cremes e
loções, além de mais variantes de perfumes
- desenvolvidas em parceria com a Givaudan. "Nossos itens fazem
parte do contexto de extração sustentável de
matérias-primas da natureza que também trazem mais
suavidade aos produtos", diz Fátima Chamma, diretora
executiva. "A expectavia é boa para quando a linha completa
estiver no mercado, temos a perspectiva de produzir 15 mil unidades
mensais dos seis itens da linha Chamita", afirma.
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