, 12 de Março de 2010
   Destaque do Mês


  
Color Cosmetics
Maquiagens: cores e proteção

Cores mais vivas e irreverentes marcam as tendências de maquiagens, porém além de tonalidades inovadoras consumidoras buscam por tratamento e benefícios agregados

Pesquisadores acreditam que aquele “básico” lápis preto que os Faraós usavam debaixo dos olhos não serviam apenas para aplacar sua vaidade. O antigo adereço era usado para abrandar a luz intensa do Sol refletida nas areias do deserto. Atualmente, entre as mulheres contemporâneas, a luz solar é encarada de outra forma. Mais do que atrapalhar a visão, a radiação UVA e UVB pode prejudicar a pele causando envelhecimento precoce ou até câncer. A essa preocupação somam-se outros fatores como poluição e o ressecamento da pele, e daí surge a nova geração de maquiagens, que colore, embeleza, nutre e protege.

Ir ao encontro dessa necessidade feminina tem sido o objetivo das empresas fabricantes de itens cosméticos nos últimos anos. Givenchy, Avon, Natura e Boticário são apenas alguns exemplos de empresas que adotam a estratégia de utilizar substâncias de proteção e tratamento nas maquiagens. Além de atenderem aos desejos das consumidoras, incrementam seus ganhos nessa categoria, já que cosméticos assim têm um maior valor agregado. Para as teenagers, o tratamento dá lugar à irreverência. Quanto mais colorido e brilhante, melhor.

Desempenho – Em 1998, o mercado de maquiagens registrou um salto de crescimento com aumento de 20,9% nas vendas. Nos últimos cinco anos, a trajetória dos itens cosméticos continuou ascendente, com incremento de 4,5% em 1999, 10,1% em 2000 e 8,8% em 2001. Em 2002, segundo estimativas da AIBHPEC, o mercado cresceu 16,6%.
Os grandes responsáveis pelas vendas do setor são os batons, que representam 42% do faturamento de maquiagens. Estima-se que o Brasil seja o país de maior penetração deste item cosmético com um consumo de 80 milhões de unidades vendidas anualmente. Noventa e três por cento das mulheres brasileiras afirmam fazer uso desse tipo de produto. Em segundo lugar, aparecem as maquiagens para unhas com 27% de participação.
Mesmo com uma representatividade baixa (17%) em comparação com os batons, o segmento de cosméticos para os olhos é o que mais cresce. No ano passado, essa categoria registrou crescimento de 27,1% (segundo dados da ABIHPEC relativos ao primeiro semestre de 2002). É curioso que a influência da personagem Jade da novela global “O Clone” sobre as telespectadoras parece ter influências as vendas do lápis preto, muito usado em sua maquiagem. Por exemplo, a Weckerle, empresa fabricante de maquiagens para os olhos para terceiros, registrou crescimento de 12% nas vendas desse item no período de transmissão da telenovela.

Proteção – Segundo estimativas do mercado, maquiagens com proteção representam menos de 10% dos produtos vendidos atualmente. Entre eles, a substância mais popular é o filtro solar, presente por exemplo nas bases Stick com FPS 12, lançada pelo Boticário no início do ano passado, e Compact SPF 20, que a Givenchy trouxe ao mercado brasileiro no final de 2002. Para os lábios, além da proteção solar, os ingredientes mais empregados são as substâncias emolientes, hidratantes e colágeno, que protegem uma das áreas mais sensíveis às intempéries do meio ambiente.

Nutrição – As maquiagens para o rosto representam 14% do mercado total e exigem hoje outros benefícios além da proteção solar. Para a região dos olhos o destaque fica por conta das vitaminas E e C que têm a função de atenuar as linhas de expressão, conceito bastante explorado na linha Beyond Colors da Avon. A empresa usa ativos semelhantes aos que são empregados nos seus cremes e loções antidade.
“Usamos nas bases o oxiácido, esfoliante da pele que é mais suave que os alfa hidroxiácidos (AHAS), e FPS de 8 a 12. Uma das bases da linha traz também vitaminas C e A que agem na pele para recuperar sua vitalidade”, afirma Mara Augusto, coordenadora de assuntos regulatórios. Além da combinação de ativos, um jogo de luzes dá um toque especial: “Os produtos dessa linha utilizam o que chamamos de difusores ópticos, que têm a função de disfarçar as linhas de expressão e rugas por meio do desvio da luz incidente na pele”, explica. Segundo ela, esse resultado é conseguido por meio da sílica (dióxido de titânio), difusor que reflete a luz sem alterar a cor das maquiagens.

Equilíbrio – O controle da oleosidade da pele também é oferecido por algumas maquiagens. Um exemplo é o lançamento da Base Velvet Mat de Nivea Beauté. De acordo com a empresa, essa base possui micropartículas responsáveis por absorver o excesso de oleosidade, característica presente em 50% das mulheres brasileiras. A base líquida tem efeito de pó, que confere um toque natural e aveludado à pele. Sua fórmula também possui filtro solar FPS 10.
A proteção das maquiagens de Nivea Beauté continua entre os batons. Junto com a base, a empresa apresenta o batom Gloss Kiss, com óleo de macadâmia, vitamina E e FPS 6 em sua formulação. A proposta é proteger os lábios, hidratar e combater os radicais livres. Na linha Colour Velvet, os batons foram desenvolvidos com óleo de abacate e FPS 8 para nutrir e hidratar os lábios, além de proporcionar maior conforto no momento de aplicação.

Facilidade – São nos batons que as empresas encontram maior flexibilidade para adição de substâncias de proteção. Sua base cremosa facilita a aplicação de filtros solares, vitaminas e agentes emolientes. De acordo com Évelin Reis, gerente de desenvolvimento e aplicação de Skin Care e Make Up da Cosmotec, nos batons é mais comum o uso de ativos lipossolúveis (solúveis em meio oleoso), como filtros solares genéricos que vão de 8 a 15, vitamina E, antioxidante da pele, emolientes, e uma nova espécie de vitamina C, que recupera a vitalidade da pele.
“Além de todos esses ativos, as empresas têm buscado formulações que melhoram o sensorial dos batons, ou seja, que os façam parecer menos pegajoso e que tenham um deslizamento mais suave, permanecendo mais na boca”, diz Reis. As microesferas, que podem levar diversos ativos, são as responsáveis por melhorar o sensorial dos produtos e podem ser trabalhadas para equilibrar a qualidade da pele dos lábios.

Conforto – Um batom semelhante ao descrito pela gerente da Cosmotec foi a principal atração do lançamento da nova linha de maquiagens da Natura. A linha Única apresenta o batom Extremo Conforto. “Para aumentar o grau de deslizamento, aderência e permanência na boca, substituímos a base proveniente da cera de abelha por um polímero”, afirma Cláudia Leo, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Natura.
Segundo a ela, o novo batom tem pelo menos quatro diferenciais em relação aos convencionais: partículas bastante reduzidas, microestrutura bem definida, aglomerado de boa coesão e uniformidade de espalhamento. “Os batons convencionais que usam ceras de abelhas têm aglomerados de diversos tamanhos que impossibilitam a formação de uma camada uniforme na boca, e partículas grandes e arredondadas que dificultam o deslizamento”.

Funcional – A linha Única, que além dos batons inclui bases e sombras, tem em suas fórmulas microesferas de colágeno marinho, que prometem hidratar a pele. Itens da linha ainda trazem pigmentos que refletem a luz para minimizar o brilho excessivo da pele, e as glicoesferas de OPC, ativo derivado da semente de uva com ação contra os radicais livres.
Além desses ativos, a nova linha de maquiagens da Natura tem em sua formulação o Nylon 12 para controlar o brilho excessivo da pele; Rutina, para estimular a microcirculação periférica e atenuar olheiras; proteínas de soja, para proporcionar firmeza numa espécie de efeito tensor; e filtro solar.
Essa nova linha irá contar com uma verba de R$ 7 milhões para ações de divulgação durante este ano. A empresa ainda promete mais lançamentos de Única e diz que eles terão os mesmos ativos diferenciados que as versões que chegam agora ao mercado. Por ano, a Natura destina pelo menos R$ 16,5 milhões para pesquisa e desenvolvimento de produtos, tarefa realizada por uma equipe de 94 profissionais.

Reforço – As inovações para conforto e proteção nas maquiagens também chegaram aos cílios e toda a região dos olhos. Sombras e máscaras trazem vitaminas para reduzir linhas de expressão e tonificar, como a máscara para cílios Extreme Volume Mascara da Avon, lançada há um ano. O produto tem vitamina E e tecnologia batizada de Flexicoat, complexo que combina agentes fixadores (emulsão de polímeros) e emolientes (silicones), que garantem maior resistência a água, aumentando o tempo de permanência.
“As máscaras trazem também ingredientes para tornar os cílios mais flexíveis, eliminando aquela aparência de cílios de boneca”, diz Mara Augusto da Avon. Segundo ela, os ingredientes responsáveis por essa transformação são os mesmos usados em xampus e condicionadores para deixar os cabelos mais maleáveis, como vitamina B5, proteínas vegetais complexo B2 e o D-Pantenol.
Nas sombras, quase todas as vitaminas para a pele podem ser agregadas. A exceção fica por conta dos filtros solares, incompatíveis com contato com os olhos e aplicação a seco. O destaque dessa categoria fica por conta da Yves Saint Laurent que lançou um tipo de sombra à base de água enriquecida com sódio hialurônico. De acordo com a empresa, a substância forma uma camada de proteção que uniformiza a superfície da pálpebra, preenchendo as linhas de expressão e prevenindo o ressecamento.

Eficiência – A Weckerle percebeu a mudança no conceito dos delineadores no seu próprio faturamento. Até o ano passado o carro-chefe da empresa era o delineador para os olhos, com participação de 35% nas vendas. “Atualmente, a liderança é dos aplicadores de sombra em bastão, que facilita o uso do produto, com 35% de participação”, diz Martina Paulus-Conti, diretora executiva da Weckerle. “Neste ano aumentamos a produção de bastão para aplicação de sombras em 30%”, acrescenta a diretora.
A Weckerle produz esse tipo de bastão há dois anos, mas foi durante o ano passado que as vendas aumentaram. A empresa de origem alemã produz cerca de 80 mil unidades por dia. Além dos delineadores e das sombras em bastão, a empresa também faz perfumes stick e lápis-batons.

Unhas de gata – O ser humano não tem o benefício das garras retráteis dos felinos. Elas ficam expostas 24h e por isso sofrem bastante com as intempéries do meio ambiente. Portanto, a missão dos esmaltes é colorir e fortalecer as unhas. Entre os esmaltes, os ativos mais usados são a queratina e os emolientes para as cutículas, usados para tornar a unha mais uniforme e flexível, reduzindo as quebras. Algumas empresas, como a Nivea, utilizam o cálcio para conseguir esse benefício.
As características dos esmaltes não permitem uma gama muito grande de ativos que podem ser incorporados à formulação. Os solventes e resinas plastificantes presentes nesses itens destroem facilmente os ativos “estranhos”. Outro problema enfrentado pela categoria é a baixa rentabilidade por unidade. Esse mercado é dominado pelo volume e não pelo valor agregado. Um ativo diferenciado poderia comprometer diretamente o lucro.

Impacto – Seja para unhas, batons, sombras ou blushes, nenhuma empresa sabe dizer exatamente quanto os ativos diferenciados podem impactar nos custos de produção. Segundo Cláudia Leo, da Natura, eles podem representar de 30% a 40% da formulação do produto. Ela afirma que a saída para as empresa reduzirem esses custos é aproveitar as matérias-primas utilizadas em outros produtos.
Por exemplo, o D-Pantenol usado nos xampus, depois de alguns testes, podem ser agregados às máscaras para cílios. Se a empresa utiliza protetores solares físicos (que são lipossolúveis) em loções, eles podem ser agregados nas bases faciais. E assim por diante. Dessa maneira, segundo a executiva da Natura, as fabricantes podem negociar melhores preços com os fornecedores de matérias-primas, por meio de um volume maior de compra.


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