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Color Cosmetics
Maquiagens: cores e proteção
Cores mais vivas e irreverentes marcam as tendências
de maquiagens, porém além de tonalidades inovadoras
consumidoras buscam por tratamento e benefícios agregados
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Pesquisadores
acreditam que aquele “básico” lápis preto
que os Faraós usavam debaixo dos olhos não serviam
apenas para aplacar sua vaidade. O antigo adereço era usado
para abrandar a luz intensa do Sol refletida nas areias do deserto.
Atualmente, entre as mulheres contemporâneas, a luz solar
é encarada de outra forma. Mais do que atrapalhar a visão,
a radiação UVA e UVB pode prejudicar a pele causando
envelhecimento precoce ou até câncer. A essa preocupação
somam-se outros fatores como poluição e o ressecamento
da pele, e daí surge a nova geração de maquiagens,
que colore, embeleza, nutre e protege.
Ir
ao encontro dessa necessidade feminina tem sido o objetivo das empresas
fabricantes de itens cosméticos nos últimos anos.
Givenchy, Avon, Natura e Boticário são apenas alguns
exemplos de empresas que adotam a estratégia de utilizar
substâncias de proteção e tratamento nas maquiagens.
Além de atenderem aos desejos das consumidoras, incrementam
seus ganhos nessa categoria, já que cosméticos assim
têm um maior valor agregado. Para as teenagers, o tratamento
dá lugar à irreverência. Quanto mais colorido
e brilhante, melhor.
Desempenho
– Em 1998, o mercado de maquiagens registrou um salto de crescimento
com aumento de 20,9% nas vendas. Nos últimos cinco anos,
a trajetória dos itens cosméticos continuou ascendente,
com incremento de 4,5% em 1999, 10,1% em 2000 e 8,8% em 2001. Em
2002, segundo estimativas da AIBHPEC, o mercado cresceu 16,6%.
Os grandes responsáveis pelas vendas do setor são
os batons, que representam 42% do faturamento de maquiagens. Estima-se
que o Brasil seja o país de maior penetração
deste item cosmético com um consumo de 80 milhões
de unidades vendidas anualmente. Noventa e três por cento
das mulheres brasileiras afirmam fazer uso desse tipo de produto.
Em segundo lugar, aparecem as maquiagens para unhas com 27% de participação.
Mesmo com uma representatividade baixa (17%) em comparação
com os batons, o segmento de cosméticos para os olhos é
o que mais cresce. No ano passado, essa categoria registrou crescimento
de 27,1% (segundo dados da ABIHPEC relativos ao primeiro semestre
de 2002). É curioso que a influência da personagem
Jade da novela global “O Clone” sobre as telespectadoras
parece ter influências as vendas do lápis preto, muito
usado em sua maquiagem. Por exemplo, a Weckerle, empresa fabricante
de maquiagens para os olhos para terceiros, registrou crescimento
de 12% nas vendas desse item no período de transmissão
da telenovela.
Proteção
– Segundo estimativas do mercado, maquiagens com proteção
representam menos de 10% dos produtos vendidos atualmente. Entre
eles, a substância mais popular é o filtro solar, presente
por exemplo nas bases Stick com FPS 12, lançada pelo Boticário
no início do ano passado, e Compact SPF 20, que a Givenchy
trouxe ao mercado brasileiro no final de 2002. Para os lábios,
além da proteção solar, os ingredientes mais
empregados são as substâncias emolientes, hidratantes
e colágeno, que protegem uma das áreas mais sensíveis
às intempéries do meio ambiente.
Nutrição
– As maquiagens para o rosto representam 14% do mercado total
e exigem hoje outros benefícios além da proteção
solar. Para a região dos olhos o destaque fica por conta
das vitaminas E e C que têm a função de atenuar
as linhas de expressão, conceito bastante explorado na linha
Beyond Colors da Avon. A empresa usa ativos semelhantes aos que
são empregados nos seus cremes e loções antidade.
“Usamos nas bases o oxiácido, esfoliante da pele que
é mais suave que os alfa hidroxiácidos (AHAS), e FPS
de 8 a 12. Uma das bases da linha traz também vitaminas C
e A que agem na pele para recuperar sua vitalidade”, afirma
Mara Augusto, coordenadora de assuntos regulatórios. Além
da combinação de ativos, um jogo de luzes dá
um toque especial: “Os produtos dessa linha utilizam o que
chamamos de difusores ópticos, que têm a função
de disfarçar as linhas de expressão e rugas por meio
do desvio da luz incidente na pele”, explica. Segundo ela,
esse resultado é conseguido por meio da sílica (dióxido
de titânio), difusor que reflete a luz sem alterar a cor das
maquiagens.
Equilíbrio
– O controle da oleosidade da pele também é
oferecido por algumas maquiagens. Um exemplo é o lançamento
da Base Velvet Mat de Nivea Beauté. De acordo com a empresa,
essa base possui micropartículas responsáveis por
absorver o excesso de oleosidade, característica presente
em 50% das mulheres brasileiras. A base líquida tem efeito
de pó, que confere um toque natural e aveludado à
pele. Sua fórmula também possui filtro solar FPS 10.
A proteção das maquiagens de Nivea Beauté continua
entre os batons. Junto com a base, a empresa apresenta o batom Gloss
Kiss, com óleo de macadâmia, vitamina E e FPS 6 em
sua formulação. A proposta é proteger os lábios,
hidratar e combater os radicais livres. Na linha Colour Velvet,
os batons foram desenvolvidos com óleo de abacate e FPS 8
para nutrir e hidratar os lábios, além de proporcionar
maior conforto no momento de aplicação.
Facilidade
– São nos batons que as empresas encontram maior flexibilidade
para adição de substâncias de proteção.
Sua base cremosa facilita a aplicação de filtros solares,
vitaminas e agentes emolientes. De acordo com Évelin Reis,
gerente de desenvolvimento e aplicação de Skin Care
e Make Up da Cosmotec, nos batons é mais comum o uso de ativos
lipossolúveis (solúveis em meio oleoso), como filtros
solares genéricos que vão de 8 a 15, vitamina E, antioxidante
da pele, emolientes, e uma nova espécie de vitamina C, que
recupera a vitalidade da pele.
“Além de todos esses ativos, as empresas têm
buscado formulações que melhoram o sensorial dos batons,
ou seja, que os façam parecer menos pegajoso e que tenham
um deslizamento mais suave, permanecendo mais na boca”, diz
Reis. As microesferas, que podem levar diversos ativos, são
as responsáveis por melhorar o sensorial dos produtos e podem
ser trabalhadas para equilibrar a qualidade da pele dos lábios.
Conforto
– Um batom semelhante ao descrito pela gerente da Cosmotec
foi a principal atração do lançamento da nova
linha de maquiagens da Natura. A linha Única apresenta o
batom Extremo Conforto. “Para aumentar o grau de deslizamento,
aderência e permanência na boca, substituímos
a base proveniente da cera de abelha por um polímero”,
afirma Cláudia Leo, gerente de pesquisa e desenvolvimento
da Natura.
Segundo a ela, o novo batom tem pelo menos quatro diferenciais em
relação aos convencionais: partículas bastante
reduzidas, microestrutura bem definida, aglomerado de boa coesão
e uniformidade de espalhamento. “Os batons convencionais que
usam ceras de abelhas têm aglomerados de diversos tamanhos
que impossibilitam a formação de uma camada uniforme
na boca, e partículas grandes e arredondadas que dificultam
o deslizamento”.
Funcional
– A linha Única, que além dos batons inclui
bases e sombras, tem em suas fórmulas microesferas de colágeno
marinho, que prometem hidratar a pele. Itens da linha ainda trazem
pigmentos que refletem a luz para minimizar o brilho excessivo da
pele, e as glicoesferas de OPC, ativo derivado da semente de uva
com ação contra os radicais livres.
Além
desses ativos, a nova linha de maquiagens da Natura tem em sua formulação
o Nylon 12 para controlar o brilho excessivo da pele; Rutina, para
estimular a microcirculação periférica e atenuar
olheiras; proteínas de soja, para proporcionar firmeza numa
espécie de efeito tensor; e filtro solar.
Essa nova linha irá contar com uma verba de R$ 7 milhões
para ações de divulgação durante este
ano. A empresa ainda promete mais lançamentos de Única
e diz que eles terão os mesmos ativos diferenciados que as
versões que chegam agora ao mercado. Por ano, a Natura destina
pelo menos R$ 16,5 milhões para pesquisa e desenvolvimento
de produtos, tarefa realizada por uma equipe de 94 profissionais.
Reforço
– As inovações para conforto e proteção
nas maquiagens também chegaram aos cílios e toda a
região dos olhos. Sombras e máscaras trazem vitaminas
para reduzir linhas de expressão e tonificar, como a máscara
para cílios Extreme Volume Mascara da Avon, lançada
há um ano. O produto tem vitamina E e tecnologia batizada
de Flexicoat, complexo que combina agentes fixadores (emulsão
de polímeros) e emolientes (silicones), que garantem maior
resistência a água, aumentando o tempo de permanência.
“As máscaras trazem também ingredientes para
tornar os cílios mais flexíveis, eliminando aquela
aparência de cílios de boneca”, diz Mara Augusto
da Avon. Segundo ela, os ingredientes responsáveis por essa
transformação são os mesmos usados em xampus
e condicionadores para deixar os cabelos mais maleáveis,
como vitamina B5, proteínas vegetais complexo B2 e o D-Pantenol.
Nas sombras, quase todas as vitaminas para a pele podem ser agregadas.
A exceção fica por conta dos filtros solares, incompatíveis
com contato com os olhos e aplicação a seco. O destaque
dessa categoria fica por conta da Yves Saint Laurent que lançou
um tipo de sombra à base de água enriquecida com sódio
hialurônico. De acordo com a empresa, a substância forma
uma camada de proteção que uniformiza a superfície
da pálpebra, preenchendo as linhas de expressão e
prevenindo o ressecamento.
Eficiência
– A Weckerle percebeu a mudança no conceito dos delineadores
no seu próprio faturamento. Até o ano passado o carro-chefe
da empresa era o delineador para os olhos, com participação
de 35% nas vendas. “Atualmente, a liderança é
dos aplicadores de sombra em bastão, que facilita o uso do
produto, com 35% de participação”, diz Martina
Paulus-Conti, diretora executiva da Weckerle. “Neste ano aumentamos
a produção de bastão para aplicação
de sombras em 30%”, acrescenta a diretora.
A Weckerle produz esse tipo de bastão há dois anos,
mas foi durante o ano passado que as vendas aumentaram. A empresa
de origem alemã produz cerca de 80 mil unidades por dia.
Além dos delineadores e das sombras em bastão, a empresa
também faz perfumes stick e lápis-batons.
Unhas
de gata – O ser humano não tem o benefício
das garras retráteis dos felinos. Elas ficam expostas 24h
e por isso sofrem bastante com as intempéries do meio ambiente.
Portanto, a missão dos esmaltes é colorir e fortalecer
as unhas. Entre os esmaltes, os ativos mais usados são a
queratina e os emolientes para as cutículas, usados para
tornar a unha mais uniforme e flexível, reduzindo as quebras.
Algumas empresas, como a Nivea, utilizam o cálcio para conseguir
esse benefício.
As características dos esmaltes não permitem uma gama
muito grande de ativos que podem ser incorporados à formulação.
Os solventes e resinas plastificantes presentes nesses itens destroem
facilmente os ativos “estranhos”. Outro problema enfrentado
pela categoria é a baixa rentabilidade por unidade. Esse
mercado é dominado pelo volume e não pelo valor agregado.
Um ativo diferenciado poderia comprometer diretamente o lucro.
Impacto
– Seja para unhas, batons, sombras ou blushes, nenhuma empresa
sabe dizer exatamente quanto os ativos diferenciados podem impactar
nos custos de produção. Segundo Cláudia Leo,
da Natura, eles podem representar de 30% a 40% da formulação
do produto. Ela afirma que a saída para as empresa reduzirem
esses custos é aproveitar as matérias-primas utilizadas
em outros produtos.
Por exemplo, o D-Pantenol usado nos xampus, depois de alguns testes,
podem ser agregados às máscaras para cílios.
Se a empresa utiliza protetores solares físicos (que são
lipossolúveis) em loções, eles podem ser agregados
nas bases faciais. E assim por diante. Dessa maneira, segundo a
executiva da Natura, as fabricantes podem negociar melhores preços
com os fornecedores de matérias-primas, por meio de um volume
maior de compra.
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