, 4 de Setembro de 2010
   Artigos Técnicos

Propriedades dos tensoativos: Reologia
Por Ricardo Pedro

Conforme mencionado em artigos anteriores, uma das características físicas mais importantes de um tensoativo é sua habilidade de formar micelas em um meio aquoso e sua habilidade de passar por transformações/formas físicas devido a sua concentração e estrutura molecular, entre outros fatores. Assim, em concentrações extremamente pequenas (abaixo da cmc) o tensoativo existe como moléculas discretas dissociadas em solução. Com o aumento da concentração formam-se micelas e com um aumento subseqüente o tensoativo se orienta em mesofases condensadas.
Quando presentes em xampus as mesofases levam a formulações de aspecto gelatinoso e muito viscoso, de pouca aceitação mercadológica.
A estrutura do tensoativo, assim como a natureza dos aditivos normalmente presentes em formulações de xampus, determinam sua viscosidade a uma dada concentração. Alquil sulfatos lineares, por exemplo, aumentam mais a viscosidade do xampu em comparação aos análogos ramificados devido a sua tendência de maior empacotamento e menor cmc, conduzindo à formação das fases isotrópicas micelares mais rapidamente. As mesmas explicações se aplicam aos efeitos de espessamento das alcanolamidas e amidobetaínas. As amidobetaínas por conterem cargas positivas diminuem a repulsão dos grupamentos aniônicos e levam um maior empacotamento.
A viscosidade pode também ser aumentada pelo uso de sal ou por um aumento na concentração do tensoativo, tais efeitos sendo maiores na presença de alcanolamidas e amidobetaínas. O excesso de sal pode, entretanto, levar a uma diminuição da viscosidade após atingir um máximo.
Uma explicação para o efeito do sal se deve à compressão da dupla camada elétrica existente entre duas superfícies micelares carregadas, o que leva à redução de sua carga efetiva e menores forças intermicelares repulsivas. A micela não mais restrita a sua forma esférica pode agora “crescer” e passar para uma forma cilíndrica pela inclusão de moléculas adicionais de monômeros. As esferas podem mover-se livremente devido à densidade de empacotamento reduzida, porém os cilindros têm um movimento lateral e translacional mais restrito, resultando em uma maior viscosidade.
Embora o mecanismo para o decréscimo de viscosidade com o aumento excessivo da concentração de sal não tenha ainda sido elucidado, conjectura-se que possa ser o resultado de um “impedimento” excessivo das micelas cilíndricas e, conseqüente separação de fases. Uma das fases contém alta concentração de tensoativo e a outra é aquosa e contém alta concentração de sal. Tal fato é embasado pelo aparecimento de turvação ou imediata separação, similar ao que ocorre no efeito de salting-out.
A figura abaixo apresenta uma curva de variação de viscosidade em função da concentração de sal, comumente conhecida como reserva de viscosidade.


 Referências bibliograficas

  • Meyers, D., Surfactant Science and Technology, 20th ed., VCH Publishers, Inc. New York (1988)
  • Meyers, D., Surfactant Science and Technology, 20th ed., VCH Publishers, Inc. New York (1988)

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