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 , 25 de Março de 2019
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ARTIGO TÉCNICO
ÁLCOOL GEL: A REVOLUÇÃO
Na versão do limpar garante mais segurança
no uso com a mesma eficiência

Por Carlos Alberto Pacheco dos Santos*

O álcool utilizado para limpeza doméstica e
institucional, tem sido o grande vilão dos muitos acidentes domésticos, principalmente os que envolvem crianças.
Curiosas por natureza, elas se rendem aos encantos da facilidade de combustão do álcool, fazendo com que os acidentes domésticos envolvendo-as com queimaduras sejam os mais freqüentes - 45 mil casos por ano só com crianças (Fonte: Sociedade Brasileira de Queimadura). Em segundo lugar, os acidentes domésticos relacionados com o álcool ficam por conta da ingestão oral. Além disto, os problemas sociais do alcoolismo, vem contribuindo para a má imagem do uso do álcool para fins não nobres.
Apesar disto, é inegável que a limpeza doméstica não seria a mesma sem o uso do álcool. O seu poder bactericida, solubilizante, alta taxa de evaporação e o seu baixo custo, o faz um dos domissanitários mais procurados pelo mercado consumidor final.
Como conviver com o risco oferecido pelo álcool sem perder os seus benefícios de limpeza e higienização?
Graças à enormidade de produtos químicos existentes e as muitas mentes dedicadas ao assunto, a química mais uma vez responde ao seu chamado para conferir segurança e benefícios sociais.
Antes de falarmos, porém do destino que o álcool doméstico vai tomar para reduzir os seus riscos, vamos conhecer um pouco mais sobre este produto.
O processo de obtenção - O álcool utilizado em questão é o etanol (álcool etílico), CH3CH2OH. A palavra álcool deriva do árabe al-kuhul, que se refere a um fino pó de antimônio, produzido pela destilação do antimônio, e usado como maquiagem para os olhos. Os alquimistas medievais ampliaram o uso do termo para referir-se a todos os produtos da destilação e isto levou ao atual significado da palavra.

Existem basicamente 3 processos utilizados para a fabricação do etanol: a fermentação de carboidratos, a hidratação do etileno, e a redução do acetaldeído.
Mundialmente, desde a antiguidade até 1930, o etanol era preparado somente por fermentação de açúcares.Todas as bebidas alcóolicas e mais da metade do etanol industrial ainda são feitos por este processo. No Brasil, o etanol é obtido por fermentação do açúcar de cana. Em outros países, quando este é o método adotado, usam-se como matérias-primas a beterraba, o milho, o arroz, etc (daí o nome “álcool de cereais”). Fora do Brasil, a hidratação do etileno é o principal processo de fabricação do etanol (atualmente, estima-se que cerca de 80% do etanol produzido nos EUA seja através da hidratação do etileno).
A redução do acetaldeído tem apenas interesse acadêmico, pois o rota de obtenção é via de regra economicamente inviável.
Em poucas palavras, o processo usado no Brasil pode ser resumido da seguinte maneira:
A Invertase e a Zimase são duas enzimas que catalisam essas reações; elas são produzidas pelo microorganismo Saccharomyces cerevisae, encontrado no fermento ou levedura de cerveja.
Após a fermentação, o etanol é destilado, obtendo se o álcool comum a 96ºGL (graus Gay-Lussac ou 93,2ºINPM), que corresponde à mistura de 96% de etanol e 4% de água, em volume. Deste álcool é obtido o álcool 99ºGL (ou 99,3ºINPM) por destilação azeotrópica com ciclohexano.
Duas expressões bastante usadas surgem então: álcool anidro e álcool desnaturado (ou denaturado).


O primeiro, também conhecido como álcool absoluto, é o álcool isento de água (isto é 100% etanol ou 99ºGL). O segundo, é o álcool comum ao qual adiciona-se substâncias de cheiro ou sabor desagradáveis, para evitar o uso indevido pelo
consumidor final.
A solução - A solução encontrada foi transformar a forma física do álcool que hoje é na forma líquida, em um gel e alterar a sua propriedade organoleptica (o sabor), deixando- o com um gosto amargo que provoque a repulsão ao paladar. Isto pode ser realizado, adicionando um espessante ao álcool para torná-lo mais espesso, além da adição do denaturante.
De acordo com o determinado pela Resolução RDC n°46, de 20 de fevereiro de 2002, e publicada no D.O. de 21 de fevereiro de 2002, a ANVISA determinou que a partir de 180 dias a contar da data do D.O. todo o álcool colocado no mercado em embalagens inferiores a 500g com concentrações iguais ou superiores a 68% p/p., deverá estar na forma gel e denaturado.
Com isto, o álcool nestas concentrações precisará ter uma viscosidade Brookfield RTV, spindle 4, a 20 rpm. e 25ºC, maior ou igual a 8000 cPs.
Segue abaixo uma formulação sugestiva, para álcool gel, com algumas dicas de processo.

Fase 1:
Adicionar o carbômero somente em água pura (sem outros produtos) a um Becker de 500ml forma alta para que a dispersão tenha uma maior eficiência. A adição deve ser feita lentamente (pulverizando) e não de uma única vez.
No momento da adição a água já deve estar sob agitação, a uma velocidade acima de 1000 RPM, pois assim evitase a formação de grumos.
Obs.1: testes em bancada não devem ser feitos em quantidades inferiores a 300g, pois assim diminui se os erros de pesagem, acerto de volume final de formulação e acerto do pH, entre outros.
Obs.2: o agitador usado é muito importante para a reprodução dos resultados. Deve-se usar um aparelho com hélice naval, ou outra que evite o cisalhamento do carbômero.
Obs.3: o tempo de agitação não deve ser inferior a 30 minutos.

Fase 2:
Adicionar o Álcool Anidro 99% à fase 1. Deixe
homogeneizar por 5 minutos. Revolva constantemente do fundo do Becker o gel formado com o auxílio de uma espátula (pão duro).
Adicionar o Propilenoglicol sob agitação. Deixe homogeneizar por 1 minuto.
Neutralizar a mistura álcool gel com AMP-95 em quantidade suficiente para ajustar o pH entre 7.0 e 7.5 (a quantidade necessária dependerá da qualidade da água e do índice de acidez do álcool utilizado).
Obs.1: medida de pH em aparelho é mais efetiva do que a medida feita por kits ou papel indicador.
Fase 3:
Solubilizar o Bitarom (denaturante) em Álcool Anidro 99% e adicionar o denaturante solubilizado na fase 2.
Esperar 24 horas para medir a viscosidade do álcool gel.
Obs.1: Transferir todo o conteúdo para um recipiente que possa ser perfeitamente fechado, evitando-se assim a perda do álcool por evaporação entre o final da preparação e a medição da viscosidade, indicando uma medida da viscosidade errônea.
Obs.2: Manter o frasco cheio o suficiente para que o espaço vazio entre a superfície do líquido e a tampa do frasco seja a menor possível, pelos mesmos motivos explicados acima.
Desta forma, espera-se contornar os riscos causados pelo álcool líquido ao mesmo tempo em que gozamos dos benefícios do etanol.

1) Requerido quando o álcool não for produzido por via fermentativa a partir da cana-de-açúcar.
2) Deve ser medido quando houver dúvida quanto à ocorrência de contaminação.

*Carlos Alberto Pacheco dos Santos é bacharel químico e gestor de marketing da Ipiranga Quimica

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